quinta-feira, 21 de agosto de 2008

De quem estou falando?

D. era um funcionário correto, esforçado. Chegava no horário e cumpria as obrigações, mas sempre esteve longe de ser dos mais brilhantes e talentosos. Também não era bom em relacionamentos interpessoais. Vivia emburrado, com cara de poucos amigos. Se um colega chegava atrasado ou cometesse um pequeno equívoco, D. cobrava com tanta virulência que parecia ser o dono do negócio. Alguns confundiam essa postura com liderança, mas nas conversas de corredor D. era chamado pela maioria de puxa-saco. Certo dia, de uma hora para a outra, ele foi nomeado presidente da companhia. Uma grande surpresa, pois nunca havia exercido cargo executivo ou liderado um grupo de subordinados. O Conselho de Administração achava que as coisas andavam soltas demais e que era preciso colocar um linha-dura no comando da equipe. D. passou a moldá-la à própria imagem e semelhança. No começo até pareceu que ia dar certo, pois todos se esforçaram para não perder o emprego, mas aos poucos a alegria e a criatividade foram murchando, os resultados piorando... Até que a principal concorrente passou por cima como um trator. Agora a outrora respeitada líder de mercado está à beira da bancarrota. Culpa de D. ou do Conselho de Administração?
Em tempo: boatos dão conta de que a empresa está sendo negociada com investidores de Luxemburgo e que a transação pode ser fechada caso o próximo balanço não seja favorável.

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