sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A revelação mais esdrúxula

Esse negócio das seis revelações deu pano pra manga, hein? Cada coisa que veio à tona... Agora é a vez de votar na revelação mais esdrúxula de todas. Os grandes finalistas são:
1. "Já vi Casablanca 38 vezes." (Marcelo Santos)
2. "Perguntei pro Fidel se o tênis dele era Nike." (Diógenes Botelho)
3. "Encontrei o palhaço Zas Trás na noite de Floripa e nos abraçamos." (Ulysses Dutra)
4. "Joguei por engano um balde de água na minha avó." (Dauro Veras)
5. "Fui amiga de infância da Suzy Rêgo." (Cristiane Fontinha)
6. "Ganhei um concurso de melhor ovo de Páscoa pintado em casca de ovo de galinha." (Aline Cabral)

Nada como um bom romance

Uma das boas coisas da minha biblioteca é que ela frequentemente me surpreende. Como eu compro e ganho livros em volume maior do que consigo dar conta, sempre encontro boas opções na hora de escolher a próxima leitura. E muitas vezes esqueço que tenho certos títulos. Agora, por exemplo, fiquei em dúvida entre a biografia de Carmen Miranda escrita por Ruy Castro - há um bom tempo na espera, coitada - ou o romance "Sombras sobre o rio Hudson", do Prêmio Nobel Isaac Bashevis Singer (1904-1991), obra do final dos anos 50 que achei num sebo, em edição bonitinha da Companhia das Letras. Pronto, já decidi. Furaram a fila de novo, Carmen.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Floripa e a Copa de 2014

A confirmação de que serão 12 cidades-sedes (e não dez, como normalmente ocorre) deu alguma sobrevida às pretensões de Floripa, mas mesmo assim as chances continuam pequenas. O Ministro dos Esportes adiantou que haverá uma sede amazônica (Manaus, com Belém correndo por fora), o que já era esperado, mas disse também que o Pantanal terá uma sede, Cuiabá ou Campo Grande. É nesse ponto que, ao meu ver, Floripa dançou: a cidade baseava sua campanha no aspecto turístico e a cota das "belezas naturais" parece já ter sido cumprida. Considerando que São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador estão virtualmente asseguradas, restam apenas quatro vagas - e não há argumentos para que a capital catarinense roube o lugar de Curitiba, Fortaleza, Recife ou Goiânia, cidades mais populosas. Em termos de projetos e de comprometimento, todas estão mais ou menos no mesmo pé, já que faltam ainda cinco anos e por enquanto tudo são intenções. O anúncio das escolhidas será em março.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Meus seis segredos

Convocado pela Ana Paula e pela Rafaela, revelo a seguir seis fatos sobre a minha pessoa:
1. Até os sete anos, eu falava que nem o Cebolinha - trocava o "v" pelo "t". Quem resolveu a parada foi minha "totó" Celina, que me chamou num canto e disse que se eu não começasse a falar direito naquele momento seria internado em um hospital psiquiátrico.
2. Fui campeão de xadrez nos Jogos Estudantis da Região do Vale do Araranguá, internacionalmente conhecidos pela sigla Jerva.
3. Quando tinha dez anos, quase perdi o braço direito depois de quebrá-lo e de ser vítima de sucessivas lambanças médicas. Como fiquei quase um ano com o gesso, tive que aprender a escrever - ou melhor, a fazer garranchos - com a mão esquerda.
4. Com 1,90m, sou a pessoa mais alta de toda a minha família por parte de mãe, a única com a qual tenho contato (a não ser que alguém da nova geração tenha me ultrapassado e eu ainda não sei).
5. Tenho irmãos por parte de pai que nunca conheci e que devem ter mais de 60 anos de idade.
6. Eu me correspondo secretamente com a Nicole Kidman.
Tenho que convocar seis blogueiros para a mesma tarefa. Fontinha, Xinelão, Casa Proença, Gato-e-passarinho, Compoteira e Blog C, é com vocês.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ai, meus ouvidos

Houve um tempo - nem tão distante assim - em que o preferido nos campi era Chico Buarque. Agora só dá a dupla Victor & Léo, ícone do gênero "sertanejo universitário". Quer maior prova da decadência do ensino superior brasileiro?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Citando a fonte

O texto repassado pelo Dauro, assinado por Alex Castro, descreve alguns macetes que diminuem os riscos de extravio do e-mail. O principal envolve a forma de preenchimento do campo "assunto": ser o mais específico possível, evitando construções típicas de spam ("Olha que legal" e "Fotos da minha viagem", por exemplo). E nada de deixar o assunto em branco, claro.

Triângulo das Bermudas virtual

O Dauro me repassou um texto, que leu em algum lugar, sobre e-mails extraviados. Lembrou de mim porque critiquei outro dia a falta de etiqueta nas relações virtuais. De fato, as pessoas muitas vezes não têm o cuidado de "fechar" uma troca de informações. Um exemplo recente: alguém me escreveu dizendo que estava indo para determinado estado e soube, por um amigo em comum, que eu estivera naquele mesmo estado algum tempo antes. Pedia dicas de transporte, hospedagem, essas coisas. Embora a pessoa não estivesse indo para a mesma região que eu havia visitado, respondi com informações que talvez pudessem ajudar. Depois disso não recebi retorno algum, nem mesmo um "ok, obrigado". Nossa tendência é pensar que foi descuido do outro, mas pode ser que meu e-mail tenha se perdido pelo caminho - nesse caso, a pessoa deve estar pensando que sou um entojado que nem se deu ao trabalho de responder. Diante da proliferação de filtros e sistemas antispam, o extravio de e-mails é uma hipótese a ser considerada. Fico aqui imaginando quantas relações não têm sido estremecidas mundo afora em decorrência de situações semelhantes.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O cara é um lorde

Ontem joguei squash com meu amigo Giancarlo - que também veleja, faz ioga e entende de vinhos. É tanta sofisticação que fico até aliviado quando ele solta alguma bagaceirice.

A crise e os patrões picaretas

-- Pessoal, como vocês já sabem, tivemos que demitir alguns colegas hoje. Culpa da crise... Mas vocês certamente estão felizes e aliviados por terem ficado conosco, não é? A empresa também precisa de vocês, mais do que nunca. Mesmo com a redução da equipe, temos que manter a nossa produção no mesmo patamar. Isso quer dizer que cada um vai ter que trabalhar um pouco a mais para compensar a ausência dos colegas. Vinte minutos hoje, uma hora amanhã não vai tirar pedaço de ninguém, vai? Garanto que é bem melhor do que ficar desempregado. Tomara que não tenhamos que mandar mais ninguém embora, mas, se for necessário, certamente vamos prestigiar aqueles que tiverem dado sua parcela de contribuição.
(Discursinho que está rolando direto por aí, implícita ou explicitamente).

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um dia inesquecível

Página em branco para um novo capítulo da História. Obama fez questão de levar Bush até o helicóptero para ter certeza de que o sujeito ia mesmo ser despachado para o Texas. O discurso de posse foi correto, embora excessivamente técnico - eu esperava um pouco mais de emoção. De qualquer modo, foi bonito ver o National Mall repleto de gente alegre e esperançosa. Resta, agora, levar esse mesmo espírito para a vida cotidiana das pessoas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

There is still a light

Juntando todos os assuntos dos últimos posts em um só: a Cris trouxe esses dias o musical Across the Universe para assistirmos juntos. É uma história de amor contada exclusivamente por canções dos Beatles - os protagonistas se chamam Jude e Lucy. Let it Be foi usada para evocar lembranças que têm tudo a ver com o dia de hoje, em que a memória de Luther King é celebrada e as esperanças de um mundo mais justo se voltam para o novo presidente norte-americano.

A longa e sinuosa estrada - parte 2

(...)

O primeiro ano do curso terminou e Mildred passou as férias em Blumenau. Enquanto isso, Dioleno ajudava o pai na marcenaria. Desde cedo gostava de fazer projetos; imaginar como as cadeiras e os armários ficariam depois de prontos. Com o tempo, descobriu que aquilo tinha nome: arquitetura.

Quando reviu Mildred, no começo do segundo ano do curso, Dioleno sentiu algo diferente. Queria estar com ela o máximo possível. Tê-la ao seu lado, falando sobre arquitetura, cinema, discos-voadores, ursos panda... Enfim, sobre qualquer coisa. E ela demonstrava gostar da companhia dele.

Numa das festas da arquitetura, Dioleno havia decidido se declarar a Mildred. Mas ela estava interessada em outro rapaz, Caco, considerado o mais bonito da turma pelas meninas. Quando viu Mildred e Caco juntos, aos beijos, Dioleno desejou desaparecer da face da Terra. "Como sou idiota", pensou. Naquela noite, tomou o primeiro grande porre.

O tempo passou, Mildred e Caco brigaram e Dioleno virou o "cdf" da turma, ganhando até um prêmio nacional de projetos arquitetônicos entre universitários.

Chegou o dia da formatura. Depois da decepção naquela festa, Dioleno tratava Mildred com frieza. Ela ficava triste com isso e sabia que o baile seria a última oportunidade para esclarecer tudo. Depois cada um tomaria seu rumo e talvez nem voltassem a se encontrar.

Ela o tirou para dançar. Quando começaram as músicas lentas, Mildred decidiu tocar no assunto.

- Por que nada mais é como antes?, perguntou, ao som de "The Long and Winding Road" - uma canção que, apesar de composta por Paul McCartney, era a preferida do pai de Dioleno.

Ele não respondeu; apenas baixou os olhos. Ela repetiu a pergunta.

Dioleno olhou firme nos olhos verde-claros de Mildred.

- Porque eu iria me declarar a você naquela noite.

Deixaram-se levar pelos Beatles e, ao final da música, abraçaram-se demoradamente. Ambos viajaram no dia seguinte. Ela tinha emprego garantido em Porto Alegre e ele iria procurar trabalho em São Paulo.

Hoje à noite, dois anos depois da formatura, a turma vai se encontrar no Bar do Pida. Mildred já avisou que chega no final da tarde. Está morrendo de saudades de Dioleno. Ele, então, angustiado dentro do ônibus que o traz de volta à capital catarinense, mal consegue esperar pelo momento de revê-la.

Breve intermezzo

Para a canção-tema do affair Mildred-Dioleno.

A longa e sinuosa estrada - parte 1

Mildred e Dioleno se conheceram no dia da matrícula na universidade. Ela, loira e alta, procurava um apartamento na Trindade, embora desejasse viver à beira-mar. Pela primeira vez sairia da casa dos pais, em Blumenau. Ele, com cabelos e olhos muito pretos e um pouco mais baixo que ela, gabava-se de conhecer as praias da Ilha como poucos.

- Nasci na Costeira, repetia orgulhoso.

No começo, Mildred não conseguia entender direito o que Dioleno dizia.

- Fala mais devagar!

Mas ele, só de pirraça, falava cada vez mais rápido, recheando a conversa com palavras do "dialeto" local. Mildred o provocava, dizendo que ele não tinha jeito de arquiteto.

- Só porque eu sou manezinho?, respondia Dioleno, irado.

As primeiras semanas na universidade foram difíceis para Mildred, que sentia saudades da família e dos amigos. Ela conseguiu encontrar um simpático apartamento a duas quadras da UFSC. Quando viu o anúncio no mural do Bar do Básico, tratou logo de anotar o número do telefone. Suzana, uma menina de Criciúma que havia passado para odontologia, parou ao lado e começou a fazer o mesmo. Conversaram e decidiram morar juntas. Para ajudar no aluguel, convidaram uma amiga de Suzana, Jalila, que ainda estava fazendo cursinho.

Dioleno não enfrentava esses problemas. Sempre morou com os pais, na mesma casa em que nasceu.

Um dia, curioso, perguntou a Mildred porque ela tinha aquele nome esquisito.

- É em homenagem à minha avó materna, que era alemã.

A moça de Blumenau devolveu a pergunta. Ele respondeu envergonhado.

- Eu nasci em 1970, ano em que os Beatles se separaram. Meu pai gostava muito do John Lennon...

Mildred não segurou a risada e Dioleno ficou vermelho. Ela gostava do jeito dele.

Aos poucos, entretanto, eles foram se separando. Nos primeiros dias de aula passavam muito tempo juntos, mas as novas amizades exigiam dedicação. Quando se encontravam nos corredores da arquitetura, a conversa se limitava a um simples "tudo bem?".

(continua...)

Deram corda? Agora aguentem

Uma das minhas raras experiências em ficção foi ter participado do concurso de crônicas sobre os 35 anos da UFSC, em 1995. Tirei segundo lugar e levei um prêmio de R$ 800, eu acho. Não me lembro bem, só sei que salvou o meu mês. Como encontrei a dita cuja nos meus arquivos digitais, vou publicá-la aqui no blog - em duas partes, para não ficar chato. Deem um desconto: o tema tinha que ser "o cotidiano na universidade" e uma historinha de amor sempre cai bem.

Sou um rapaz direito

Ando sentindo vontade de escrever ficção, mas por enquanto minha rotina de trabalho e de vida não permite devaneios do gênero. Além do mais, cá entre nós, tenho sérias dúvidas sobre minha capacidade de produzir a partir do que não é real. Como jornalista, tenho lidado sempre com fatos - ou com o que suponho serem fatos. O grande problema, confesso, é que não me sinto um sujeito especialmente criativo. Se eu fosse canhoto teria ao menos um bom indício, mas nem isso... Que inveja dos canhotos.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O sonho não acabou

Esta semana é diferente das outras. Não está começando agora, madrugada de domingo. Começou, na realidade, há muitos anos.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Contradições do poder

Chávez tenta se eternizar na presidência da Venezuela com a aprovação das reeleições ilimitadas e Lula diz que tudo bem, pois é preciso "respeitar a cultura" de cada país. A Itália pede a extradição de um terrorista e o governo brasileiro nega, alegando se tratar de um caso de perseguição política - ué, mas não era para "respeitar a cultura" de cada país?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A balela da responsabilidade social

As grandes empresas vivem cantando em verso e prosa suas ações de responsabilidade social. Será que têm a intenção genuína de contribuir para um mundo melhor ou estão mais preocupadas em reforçar a própria imagem como estratégia para aumentar os lucros? A soma das minhas experiências profissionais tem me fornecido bons indícios sobre essa questão. Explico: estou fazendo um trabalho de pesquisa para o governo de um dos estados mais importantes do país, que pretende aprimorar um determinado serviço oferecido aos cidadãos - serviço este prestado com mais eficiência pela iniciativa privada. Fui contratado para procurar 15 das principais corporações brasileiras com a missão de entrevistar o responsável pelo setor, ou ao menos obter respostas para um formulário padrão. A ideia era aproveitar o know-how dessas empresas - basicamente, conhecer erros e acertos cometidos no desenvolvimento do serviço - para facilitar o desenrolar do processo no governo. É como uma apuração jornalística convencional, com a única diferença de que, em vez de uma reportagem, o produto é um relatório de consumo interno. Iniciei os contatos com as empresas há três semanas e desde o primeiro dia percebi uma grande diferença na receptividade em relação aos momentos em que eu as procuro como representante de um veículo de comunicação importante. Ao longo dessas semanas, cada empresa foi arranjando sua desculpa para não participar da pesquisa - e algumas nem se deram ao trabalho de avisar que não iriam colaborar, mesmo com o reforço do pedido feito diretamente por representantes do governo interessado. Para mim, ficou claro que a mera oportunidade de contribuir para aprimorar a qualidade de um serviço público não é apelo suficiente para essas empresas, cujos funcionários estão muito ocupados para "perder tempo" com algo que não vai somar pontos na avaliação de desempenho nem contar para o bônus do final de ano. Se eu as tivesse procurado para uma reportagem sobre seus programas sociais, a mobilização certamente teria sido outra. Volto, então, à pergunta do começo: será que as grandes empresas têm a intenção genuína de contribuir para um mundo melhor ou estão mais preocupadas em aparecer?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Meu sonho de consumo

Já que estou vasculhando o nosso arquivo à procura de imagens de Washington para ilustrar uma matéria, olha eu aí conhecendo melhor o acervo da Biblioteca Oliveira Lima, sediada na Catholic University of America. Foto de Cristiane Fontinha, claro.

O inexplicável mistério da arte

Ver de perto este quadro, que há muito tempo está entre os meus preferidos, foi um momento especial da viagem a Washington. Trata-se de La promenade. La femme à l'ombrelle, pintado por Monet em 1875. Nele estão retratados sua mulher, Camille, e seu filho Jean. Camille morreria quatro anos depois, aos 32 anos. Por alguns instantes foi como se ela estivesse ali, olhando para mim. A obra integra o acervo da National Gallery of Art.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Bons motivos para sorrir

Meu ortodontista me disse hoje que em abril poderei finalmente tirar o aparelho, depois de dois anos, e que meus dois dentes de leite remanescentes seguem firmes e fortes - talvez façam até o favor de continuar ali, quietinhos, por muitos anos e anos.

Interrompemos nossa programação

Cáspita! São duas da manhã e a cabeça está a mil, o trabalho está fluindo, o silêncio impera, o calor amenizou, a geladeira está ali do lado, enfim, tudo conspira para a felicidade de um ser frilante como eu, a não ser o cruel fato de que dormir é necessário. Boa noite! (Ouviu, Frank?)

Aos trainees, com carinho

Eu mesmo fiquei surpreso quando o Valor comprou a minha ideia de fazer uma matéria discutindo a (falta de) modéstia no mundo corporativo. Eis o resultado.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

La vuelta del madrileño

Grande Dudu, seja bem-vindo de volta à terrinha e ao mundo maravilhoso da frilância! E vê se atualiza esse blog, seu preguiçoso.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Viva a pluralidade

O oligopólio que se formou na imprensa catarinense é lastimável sob todos os pontos de vista. É ruim para a população, para os anunciantes, para os jornalistas e, a longo prazo, será ruim até mesmo para a própria RBS (basta lembrar dos delírios de grandeza de Assis Chateaubriand). Competição é saudável e sempre será. A máquina de autopromoção que a empresa criou em Santa Catarina fere todos os princípios de pluralidade e diversidade que os tempos de democracia exigem. Um exemplo recente foi a matéria no Jornal do Almoço sobre a compra pela RBS dos direitos de transmissão do Campeonato Catarinense de futebol. Dizia que a Federação Catarinense havia rescindido o contrato com a emissora que transmitiu o campeonato no ano passado em decorrência da má qualidade do trabalho - e terminava com uma entrevista surreal do presidente da Federação afirmando que só a RBS tinha competência para assumir a tarefa e que torcia para que a parceria "durasse para sempre". Ou seja: tomara que as outras sejam aniquiladas, sumam do mapa, desapareçam de vez. Outro absurdo envolve o Planeta Atlântida, festival de música que a RBS promove a cada verão. Nessas semanas que o antecedem, todos os veículos do grupo - TVs, rádios, jornais e internet - falam dele o tempo todo, utilizando espaço editorial. Isso quer dizer, simplesmente, que os demais anunciantes desses veículos estão bancando a divulgação de um evento alheio, cujos objetivos são essencialmente comerciais: obter lucro e reforçar a imagem institucional de quem o promove. Se qualquer outro grupo empresarial decidisse organizar um festival de música semelhante em Santa Catarina, estaria em inegável desvantagem, pois jamais poderia dispor de tamanha publicidade a tão baixo custo. Isso tem nome: concorrência desleal. Por tudo que se vê, não é difícil concluir que a RBS não se contenta em ser a líder - parece sonhar em ser a única, onipresente e onisciente, dona das verdades e das mentiras que percorrem o território de Santa Catarina. Felizmente, há gente séria tentando lutar contra o triste destino que se desenha para a mídia catarinense. Resta torcer para que este processo dê em alguma coisa.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Pequeno cronista mordaz

Do alto da sabedoria dos 10 anos, o Lauro chegou à conclusão de que as pessoas do mundo podem ser divididas em meia dúzia de tipos - e descreveu um a um, a começar pelo "nerd babão". Ao final de tão esclarecedora palestra, eu e a Cris perguntamos em que tipo nós nos enquadraríamos. Ele pensou um pouquinho e decidiu criar mais duas categorias: "galã canastrão" e "moderninha kitsch". Fala sério.

Estou na pasta 26

Já contei aqui sobre a minha compulsão de guardar tudo o que escrevo, graças ao conselho dado pelo meu irmão mais velho, o Marcus, quando publiquei meu primeiro texto, 15 anos atrás. Não canso de agradecê-lo pela idéia, pois o arquivo me ajudou inúmeras vezes. Acontece que nem sempre é fácil conseguir certas publicações, e muitas vezes conto com a colaboração dos amigos. Nesta semana foi um exagero, contudo. A Cléia voou pela Gol e descolou um exemplar da revista de bordo com uma matéria minha sobre o litoral catarinense e o Marcus foi a São Paulo e trouxe um exemplar da revista Valor Carreira, que não chega às bancas de Floripa. Meu outro irmão, o Beto, que mora em São Paulo, acaba de escrever dizendo que comprou a mesma revista e vai me enviar, sem saber que o Marcus já a havia trazido...

Ao perdedor, nada

Vimos ontem o musical Mamma Mia! em casa. Bem divertido. Minha cena predileta é esta - Meryl Streep, linda como nunca aos 58 anos, canta The Winner Takes It All para o personagem do canastrão Pierce Brosnan.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Quitutes virtuais

A Juliana Pereira (que, a propósito, guarda certa semelhança física com a atriz que faz Maysa na minissérie, Larissa Maciel) está de blog novo, o compoteira. Aguardamos as delícias que virão daí, Juli.

O valor de uma boa biografia

Não tenho procuração para falar em nome do meu amigo Lira Neto, nem conversei com ele sobre o assunto, mas acho que a importância fundamental de sua biografia Maysa - Só Numa Multidão de Amores para a construção da minissérie sobre a cantora que está no ar foi subestimada tanto no período de divulgação quanto agora, nos créditos - o livro só é citado no encerramento dos capítulos, como "consulta bibliográfica".

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Força, querida Araranguá

Araranguá, a cidade do Sul catarinense em que pude desfrutar de uma infância feliz - vivi lá dos cinco aos 15 anos -, está debaixo d'água, como mostrou há pouco o Jornal Nacional. O Rio Araranguá é mesmo uma força indomável, além de ser, como o pessoal gostava de comentar, o único do mundo que muda de cor - às vezes é verde, às vezes é azul.

De Copenhague a Goianésia

Embora seja frila, eu me sinto como integrante de algumas das equipes com as quais tenho colaborado regularmente. Uma delas é a do Anuário Exame de Infra-Estrutura, publicado ao final de cada ano. É o quarto ano seguido em que preparo a reportagem sobre o setor de saneamento, mas na edição que acaba de chegar às bancas minha participação foi bem maior. Os editores me pediram uma matéria sobre um aeroporto, de qualquer parte do mundo, que pudesse ser considerado referência em qualidade. Eu teria que identificar o aeroporto ideal e levantar dados preliminares que comprovassem o acerto da escolha, para só então fazer a matéria. Pesquisa daqui, pesquisa dali, cheguei ao aeroporto de Copenhague. Foi uma matéria feita a distância, mas logo em seguida veio a recompensa: repetimos a metodologia para a produção da reportagem sobre um município brasileiro que pudesse ser considerado exemplar na área de saneamento, com histórico significativo de evolução no setor ao longo das duas últimas décadas. Bastava encontrar o município ideal, em qualquer lugar do país, e marcar a viagem. Foi assim que conheci a simpática Goianésia (GO) e, de quebra, Goiânia, onde fiquei hospedado.

O inebriante cheiro de papel velho

Passei a tarde de hoje pesquisando em jornais antigos - eis um lugar em que adoro estar. Terei outras tardes assim ao longo das próximas semanas, graças a um frila histórico-jornalístico.

Até quando este inferno?

Notícia do UOL: "De 20 de dezembro a 4 de janeiro, a Polícia Rodoviária Federal registrou aumento de 13,3% no número de mortes nas estradas federais do país em relação ao mesmo período de 2007. De acordo com o balanço divulgado nesta segunda, os feriados de Natal e Ano Novo contabilizaram 7.140 acidentes, com 4.795 feridos e 435 mortos." Deus do céu, a solução é tão simples: fiscalização, multa, apreensão da carteira, prisão, tudo isso feito com rigor - só assim as pessoas vão aprender, infelizmente. É criminosa a apatia cada vez maior dos governantes em torno do tema. Onde está aquela fiscalização ostensiva da lei seca? Ninguém mais está deixando de beber antes de dirigir, porque ficou evidente ter sido apenas um teatrinho idiota que durou não mais que duas semanas. É revoltante a hipocrisia de quem fala em "indústria da multa" e "inconstitucionalidade dos radares" enquanto as pessoas continuam morrendo e sendo mutiladas às centenas. Aqui em Floripa, capital maravilha do Sul "civilizado", ninguém mais respeita faixa de segurança (hoje mesmo presenciei uma colisão entre um carro que decidiu respeitar a faixa e o apressadinho que vinha atrás e não conseguiu parar a tempo). Não se vê um guarda na rua fiscalizando o direito mais fundamental do pedestre. Até quando vamos viver neste inferno?

Dieta contra divórcio

Durante a viagem a gente liberou geral na alimentação. Resultado: cheguei aos 92 kg. Nada muito preocupante, já que há uns 15 anos oscilo entre 87 e 92 kg e sempre tive certa facilidade para emagrecer. Só não posso bobear porque eu e a Cris fizemos um acordo: ela tem o direito de pedir divórcio se eu chegar a 100 kg e eu posso fazer o mesmo caso ela chegue a sete tatuagens (por enquanto tem três). Nada mais justo: ela não é obrigada a continuar casada com um lutador de sumô e nem eu com um membro da Yakuza.

Competente e modesta

Na viagem entre São Paulo e Floripa tive o prazer de ler a primeira edição da TAM nas Nuvens - a revista de bordo da TAM - com o nome de Natasha Madov como diretora de redação. Esta minha amiga é tão modesta que nem no próprio blog ela revelou a novidade. Rá, rá, furei o Sulfúrica!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Nasce uma estrela

Este reizinho aí ao lado é o Leo, primeiro filho da talentosa designer francesa Lara Sabatier, amiga que hospedamos durante algum tempo quando morávamos em São Paulo e que agora vive em Santa Cruz da La Sierra, na Bolívia (sim, ela é uma cidadã do mundo). Toda a felicidade à família!

Nós e os livros

Resposta ao meme literário enviado pelo Rogério (que repasso à Ana, à Natasha e ao Alexandre):
1. Livro que marcou sua infância: As Aventuras de Tom Sawyer (Mark Twain)
2. Livro que marcou sua adolescência: Não Verás País Nenhum (Ignacio de Loyola Brandão)
3. Autor que mais admira: Dostoiévski
4. Autor contemporâneo: Gabriel García Marquéz
5. Leu e não gostou: Alguns dos que tive que ler por motivos profissionais (para fazer uma matéria, entrevistar o autor, escrever uma resenha etc)
6. Lê e relê: Eu até gostaria de reler alguns livros, mas, como diz o Rogério, há tantos a serem lidos pela primeira vez...
7. Mania: Reorganizar os livros nas estantes.

As resoluções possíveis III

Por fim, a mais importante (e mais difícil de cumprir) entre todas as resoluções: tentar ser um pessoa melhor. Admitir e corrigir erros, rever posturas inadequadas, estar pronto para ajudar aos outros, ser mais compreensivo e justo.

As resoluções possíveis II

Há também aquelas atitudes do cotidiano que não implicam gastar tempo mas podem melhorar um bocado a nossa vida. Alimentar-se melhor, por exemplo. Isso depende basicamente das escolhas que fazemos quando vamos ao supermercado ou a um restaurante. Incomodar-se menos com as picuinhas da vida é outra boa decisão: deixar pra lá o vizinho que coloca música brega no último volume, o apressadinho arrogante do trânsito e o atendente de call center que parece um robô. Nesses e em tantos outros casos é melhor ter piedade, e não ódio.

As resoluções possíveis

Uma coisa é estar disposto a passar mais tempo com a família e os amigos, a ler mais livros e a fazer mais exercícios, outra é constatar que um ano tem apenas 8.760 horas. Dessas, pelo menos 2.500 precisam ser dedicadas ao sono - e para aproveitá-las ao máximo é preciso ter um bom colchão, um travesseiro confortável e, principalmente, uma mente vazia de grandes preocupações. Como frila, não sei dizer exatamente quantas horas dedico ao trabalho, mas, na média, acho que são umas 45 por semana, o que resulta em 2.300 horas no ano. Uma vez que não tenho como diminuir o ritmo neste momento da vida, a saída é trabalhar com prazer - e isso, felizmente, eu tenho conseguido na maior parte do tempo. O que fazer com as 4.000 horas restantes? Sei mais o que NÃO FAZER. Não ver filmes ruins, não ler livros ruins, não ver porcaria na TV, não fazer exercícios chatos e repetitivos (musculação, por exemplo) e não ficar em fila de banco. Pronto, ganhei meu ano.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Jiboia antenada

Por falar em reforma ortográfica, dá uma olhada no Xinelão nas charges que o genial Frank Maia fez sobre o tema.

Tudo mastigadinho

Eu precisava me informar melhor sobre a reforma ortográfica quando tive a sorte de passar pelo site do Carlito, que se preocupou em sistematizar o que continua valendo em relação a acentos e hífens, complemento perfeito para as informações do tipo "o que muda".

Foi bom enquanto durou

Depois de 25 horas em trânsito, chegamos exaustos - porém felizes - em casa. A recepção calorosa da família incluiu uma superfaxina, jantar surpresa e até um cartaz "Lar, Doce Lar" feito à mão. Hoje foi dia de colocar as coisas em ordem e amanhã tudo começa a voltar ao normal. Escapei para essas três semanas sabendo que em janeiro teria que cair de cabeça no trabalho. A Cris e as crianças continuam de férias, mas eu preciso avançar em um projeto grande que está com o cronograma atrasado e resolver uma série de outras tarefas menores, incluindo duas matérias relacionadas à viagem para Washington. Bem que eu gostaria de ter mais uma semana só para descansar o esqueleto, mas não vai dar. Esta agridoce vida de frila é assim mesmo.