Aos 8 anos, caí de um brinquedo no parquinho de uma praça e quebrei o braço direito. Era verão e o gesso coçava muito. Eu enfiava uma caneta Bic para tentar amenizar a coceira. Até que a tampa da caneta ficou lá dentro e não percebi. Só muito tempo depois alguém se deu conta, pelo cheiro, que havia algo errado. Metade da tampa já estava enfiada na carne. Tenho a marca até hoje.
Aos 11, o pedal esquerdo da minha bicicleta quebrou. Restou apenas o cabo de metal que o sustentava, e eu não liguei muito para esse ligeiro desconforto. A moda da época na vizinhança eram as corridas de bicicross. Aposto que você já adivinhou o desfecho: sim, rasguei o pé naquele troço. Alguns pontos.
Aos 13, achei que seria uma boa idéia subir num gigantesco pé de mamão da vizinha. Quase chegando lá no alto, o galho em que eu me apoiava desabou. Além do tombo propriamente dito, vários mamões verdes caíram em cima de mim. O indicador da mão direita inchou imediatamente. Quebrado.
Aos 17, atravessei a Ponte Hercílio Luz de bicicleta, à noite (era uma época em que o tráfego de carros já estava proibido, mas pedestres e ciclistas podiam usar a passarela lateral, com uns dois metros de largura). Na volta, em direção à ilha, fiquei com receio de que estivesse na hora de fechamento da ponte (isso acontecia às 23 horas, se não me engano) e acelerei ao máximo. A iluminação era ruim e levei um susto quando surgiu alguém na direção oposta. No reflexo, acionei o freio da frente. Dei uma inacreditável cambalhota que poderia muito bem ter me jogado lá embaixo, no mar, pois a cerca de proteção era baixinha.
Aos 19, tomei meu primeiro grande porre. Fiquei tão bebum que deixei o copo cair, ele quebrou, pisei em cima e nem senti. Amigos me levaram para levar um monte de pontos no pé direito.
Aos 26, estava no rasinho do mar quando, de bobeira, perdi o chão ao me aproximar de algumas pedras. Não sei nadar e pressenti o fim chegando, pois a correnteza estava me levando para alto-mar. Sei lá como, consegui me mover alguns metros lateralmente em direção a uma das pedras e me agarrei nela. Estava cheia de mariscos e fiquei todo lanhado. (Meu amigo Gian se aproximava para tentar me salvar, mas sou mais pesado que ele e as leis da física costumam ser rigorosas.)
Aos 32, em meio à reforma do apartamento, dei uma cabeçada tão forte em uma luminária (a mesa que ficaria embaixo dela ainda não havia chegado) que a camada de três centímetros de vidro sólido não resistiu e se quebrou. Fiquei tonto e com um galo na testa.
O lado bom disso tudo é que eu não morri.