O Diracom é um coletivo de ativistas brasileiros que acreditam que o
direito à comunicação é uma condição essencial para a democracia. Bem, eles
não só acr...
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A (estranha) experiência de ser fonte
Com a chegada do Manual do Frila às livrarias e o trabalho de divulgação feito pela assessoria de imprensa da Editora Contexto, começam a chegar pedidos de entrevista com o autor. É uma fase curiosa, em que me vejo subitamente do outro lado - o que também não deixa de ser um grande aprendizado. Em 2001, quando lancei Na Mira dos Headhunters por outra editora bem estruturada, a Campus, tive algumas experiências interessantes, como conversar ao vivo na CBN com o Heródoto Barbeiro e dar uma entrevista de 40 minutos para a Tamara Leftel, apresentadora à época do programa Conta-corrente, da Globo News. O tema inicial do Manual do Frila parecia ser de interesse mais restrito, mas alguns veículos estão aproveitando o gancho para colocar em pauta temas como teletrabalho, escritório doméstico e mudanças na relação capital-trabalho.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Da série "coisas que estamos cheios de ver"
Fotos que se aproveitam do momento em que duas pessoas estão se beijando no rosto para dar a impressão de que estão se beijando na boca. Chega, né?
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Como decidi meu voto
No primeiro turno das eleições para presidente ou governador, sempre escolho um candidato que não aparece entre os dois líderes nas pesquisas. É a minha forma de contribuir para que haja segundo turno, algo que considero saudável - além de mais tempo para as comparações, o vencedor não chega ao cargo tão cheio de si por ter obtido uma vitória esmagadora. Desta vez a escolha natural parecia ser a Marina, mas... Sábado fiz um bate-e-volta a São Paulo e, no corredor do aeroporto de Congonhas quase vazio, dei de cara com o Plínio caminhando em direção oposta. O velhinho sorriu de forma tão simpática que fui obrigado a cumprimentá-lo e dizer "parabéns pela sua campanha". Ele ficou tão feliz que me comoveu! Estava acompanhado apenas de um rapaz - certamente seu filho, pois era bem parecido. Nada de assessores e puxa-sacos. Com toda a simplicidade e simpatia, contou que estava indo para o debate da Record, que foi ontem, no Rio de Janeiro. Eu disse que o admirava por ser fiel às coisas em que acreditava e por ser o único candidato bem-humorado entre tantos carrancudos. Claro que não concordo com muitas de suas propostas e pontos de vista, mas, a esta altura do campeonato, o que importa? Prometi meu voto e vou cumprir. Gostei de fazer o velhinho feliz.
domingo, 26 de setembro de 2010
And the winner is...
Minha querida amiga Adriane Canan subiu duas vezes ao palco do Festival Nacional de Cinema e Vídeo Rural de Piratuba, em solenidade presenciada por mais de mil pessoas ontem à noite. Ela representava a equipe de Mulheres da Terra, documentário do qual foi roteirista e assistente da diretora Marcia Paraiso, vencedor da categoria documentário e também do prêmio de melhor filme de todo o festival (entre 120 trabalhos proveninentes de 21 unidades da federação). Mulheres da Terra mostra o trabalho das camponesas de Santa Catarina no resgate das sementes crioulas, passadas de geração a geração. Espírito de Porco, dos camaradas Dauro Veras e Chico Faganello, também recebeu um prêmio - o de melhor contribuição social. Parabéns, amigos!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Morro e não vejo tudo
Levaram para a delegacia um estudante de artes cênicas que resolveu fazer uma performance do jeito que veio ao mundo - ou seja, destrambelhado - em pleno Restaurante Universitário na hora do almoço. O evento fazia parte de uma tal de Semana Ousada da UFSC. Não sei o que é pior: achar que andar pelado no meio de um monte de gente almoçando é ousadia (quando na verdade não passa de pura falta de simancol) ou gastar combustível da viatura com o nosso Paulo Autran reencarnado. P.S.: fico imaginando a situação da caloura lá do interiorzão que escolheu justo esse dia para mostrar a universidade aos pais...
Pode comprar o livro tranquilo...
... pois conceitos como frila-rexona, momento-scrubble e momento-suprême liberté obviamente não estão no Manual do Frila: são bobagens exclusivas deste blog.
O momento-suprême liberté
Esse conceito vem da escola francesa e diz respeito à sensação única de ter zerado completamente a pauta de pendências. Dizem que é inúmeras vezes mais prazeroso que o momento-scrubble. Ainda não consegui chegar lá em sete anos como frila, pois sempre tenho projetos de longa duração correndo junto com as tarefas mais rápidas. Mas um dia pretendo finalmente sentir as delícias desse verdadeiro nirvana frilístico.
O momento-scrubble
Todo frila-rexona vive períodos de preocupação e angústia por conta da sensação de ter pego mais trabalho do que terá condições de realizar. Então você passa alguns dias no sufoco, estica o expediente, termina uma coisa aqui, outra ali, até que de repente sente ter chegado ao momento-scrubble: é quando percebe que, ao contrário do que parecia, dará conta das encomendas. Momentos-scrubble são uma delícia. Acabo de viver um nesta manhã.
Acabou o inverno
Ouçamos, pois, o sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. (Cortesia de três mulheres primaveris - Cecília, Marta e Ana Paula.)
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Frila-rexona
Troca de e-mails:
"Oi, Maurício, como vai? Gostaria de saber se estás livre e interessado em fazer um frila."
"Oi, Paulo! Tudo certinho, e você? Interessado, sempre; livre, quase nunca. Mas eu sou um frila-rexona: sempre cabe mais um. Manda ver."
(Essa só quem tem mais de 35 anos vai entender.)
"Oi, Maurício, como vai? Gostaria de saber se estás livre e interessado em fazer um frila."
"Oi, Paulo! Tudo certinho, e você? Interessado, sempre; livre, quase nunca. Mas eu sou um frila-rexona: sempre cabe mais um. Manda ver."
(Essa só quem tem mais de 35 anos vai entender.)
Nada como ter amigos
A Cris e a Adri espalharam a notícia e o Alex deu uma colher de chá no Coluna Extra. Resultado: todo mundo ficou sabendo do lançamento do livro!
Anotem na agenda!
Agora que o convite eletrônico ficou pronto, vou começar a convocar os amigos. Deixa eu ver que argumento posso usar... Vai ter coquetel! Ajudem a divulgar, por favor, pois se sobrar bebida será uma vergonha para a categoria dos jornalistas. Recebi ontem o livro e acho que ficou bacana, bem na proposta de ser um manual de leitura rápida e aplicação prática. Tem 128 páginas e custará R$ 25,90. Cabe bem no bolso, em ambos os sentidos. Aproveitei para reler o conteúdo, depois de dois meses, e, modéstia às favas, acho que cumpre o objetivo. Mas o mais legal de tudo vai ser ver os amigos no lançamento!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Tudo é "importante"
Ah, os modismos... Já percebeu como as pessoas andam usando a palavra "importante" no sentido de relevante, significativo? "A empresa obteve um crescimento importante", "o jogador sofreu uma lesão importante" etc
domingo, 19 de setembro de 2010
O lançamento em Floripa
O coquetel de lançamento do Manual do Frila em Floripa será na segunda-feira 4 de outubro, a partir das 18h30 na Saraiva Megastore do Shopping Iguatemi. É exatamente o dia em que completo 38 anos, mas ninguém - ninguém mesmo, hein? - precisa levar presente. A presença de todos já será o melhor presente.
A vida de frila chega à academia
Com projeto de pesquisa sobre os jornalistas freelancers de São Paulo, o mestrando em Comunicação pela USP Rafael Grohmann (rafael.gr@usp.br) está montando um banco de e-mails para envio posterior de um questionário. Já passei o contato de alguns colegas. Quem estiver atuando como frila em Sampa e quiser contribuir pode escrever para ele.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Dona Bilica vem aí
Essa vizinhança anda mesmo produtiva. A Vanderléia Will - Vandeka para os íntimos - vai apresentar sua divertidíssima Dona Bilica ao longo da semana que vem, no Largo da Alfândega. Imperdível! (A arte ao lado é assinada pelo fera Ayrton Cruz, com foto produzida pela não menos fera Cristiane Fontinha.)quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O lançamento em São Paulo
Marcado para 18 de outubro, na charmosa Livraria da Vila, o lançamento do Manual do Frila em São Paulo. Amigos da Pauliceia, anotem na agenda! O lançamento de Floripa deverá ocorrer ainda antes, possivelmente no dia 4 de outubro, meu aniversário. Pensei em juntar as duas festas numa só, a editora topou... Só falta definir o local (sugeri um bar, claro).A simplicidade é bela
Uma das coisas mais legais da mudança para o Campeche é o convívio estreito com a vizinhança, algo que eu não vivia desde a infância em Araranguá. Fizemos muitos novos amigos nesses dez meses. Tem gente de tudo quanto é profissão: empresário, atriz, funcionário público, enfermeira, palhaço, geólogo, professora, psicóloga, analista de sistemas, físico, engenheiro... Enfim, uma fauna diversificada. Assuntos não faltam quando a gente se reúne - e olha que todo final de semana temos inventado motivos para jogar conversa fora. Uma dessas novas amigas é a Dani, Daniela Vicentini, 37 anos, formada em Pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Ela nos presenteou com um exemplar do seu recém-lançado livro Arte brasileira nos acervos de Curitiba, concebido ao longo de três anos em parceria com um colega dos tempos de universidade, Fernando Burjato. É um livro bonito, com um projeto gráfico interessante, mas o maior mérito é a proposta de falar de arte com simplicidade, sem nenhum resquício de pedantismo. As obras mais importantes dos museus paranaenses são apresentadas em uma linguagem facilmente compreensível - qualquer palavra ou conceito que um estudante do ensino secundário talvez não conheça vem devidamente acompanhado de uma explicação. Que bom. Acho que muito da imagem de arrogância que a crítica cultural carrega vem justamente da pretensão de escrever apenas para os iniciados - não é à toa que os índices de leitura dos "segundos cadernos" dos jornais são tão baixos.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Jornalismo cultural e arrogância
Cheguei atrasado e tive que sair mais cedo da mesa-redonda sobre jornalismo cultural, mas mesmo assim foi bacana estar lá. Os debatedores eram Jotabê Medeiros, repórter do jornal O Estado de São Paulo; Pablo Villaça, criador do site Cinema em Cena; e Bruno Moreschi, jovem formado pela UFSC que vem se especializando em textos sobre artes plásticas - colabora para a Piauí e a Bravo!. Enquanto ouvia a conversa fui me lembrando que os jornalistas especializados em cultura formam uma espécie de gueto dentro das redações - pelo menos sempre foi assim por onde eu passei. Muitos colegas das outras editorias os consideram metidos, porque "não se misturam" e costumam ser incisivos demais nas opiniões. Isso é certamente um estereótipo e tem inúmeras exceções, mas, como todo estereótipo, tem também um fundo de verdade. Quem atua na área de cultura tende a achar que faz um trabalho mais "nobre" que o das outras editorias. Cruzei com inúmeros casos assim na minha carreira e eu mesmo devo ter tido momentos de soberba quando trabalhei na área. Como frila há sete anos, posso afirmar que, de forma geral, os colegas de cultura são os de mais difícil relacionamento - aqueles que atendem o telefone meio de má vontade, fazem questão de parecer mal humorados e não se dão ao trabalho de responder quando não se interessam por uma sugestão de pauta. Acho também que há nesse meio uma grande confusão entre opinião e ofensa. Para exemplificar: durante a mesa-redonda, o Jotabê classificou determinado disco da Maria Rita de "bosta", a chamou de "cantora de segunda linha" e disse que a pior obra que já havia visto na vida foi o show do Caetano Veloso com o Roberto Carlos. Exageros desnecessários, ao meu ver. Mandei então uma pergunta aos três: "Como vocês lidam com a imagem de arrogância que os jornalistas da área cultural têm entre os próprios colegas?" As perguntas eram escritas, de tal forma que eu não pude explicar detalhadamente o que queria dizer - imaginei, contudo, que eles saberiam muito bem do que eu estava falando. Villaça admitiu que era arrogante e que adora sê-lo. Os outros disseram que não entenderam a pergunta. Bom, tá explicado aqui.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Somewhere over the rainbow
Acabo de voltar de uma corridinha noturna à beira-mar, onde flagrei uma das aulas de música que Getúlio Inácio, um morador bem conhecido do Campeche, dá a crianças e adolescentes em seu galpão de pesca. Fiquei meio escondido atrás de uma árvore ouvindo aproximadamente 15 instrumentos de sopro tocando "Over the rainbow", de ponta a ponta, acompanhados por um bumbo que marcava o ritmo e dava um toque de nostalgia circense à cena. A rapaziada foi muito bem - certamente são alunos já de nível avançado. Voltei para casa pensando em como esse tipo de iniciativa pode ser fundamental para definir o futuro das pessoas. E então, já meio sem fôlego e com o cérebro pouco oxigenado, imaginei uma ONG, formada por jornalistas e outros profissionais das letras, que ajudasse as pessoas a ler e a escrever melhor, já que o analfabetismo funcional é um tremendo problema no Brasil - um problema que impede o exercício pleno da cidadania e que está na raiz de todos os outros grandes problemas do país, incluindo a violência. Quem sabe um dia?
Fraternidade
Hoje o meu irmão Alberto, o Beto, completa 40 anos, aquela idade tão simbólica, que muitos interpretam como o marco da metade da vida. Ele e o Marcus, meu irmão mais velho (vai fazer 42 no dia 30 de outubro, o Matusalém), sempre foram os gênios da casa. Eu, como todo caçula, o burraldinho. Lembro de uma vez que eles tiraram muito sarro porque eu disse que os Estados Unidos ficavam na Europa. E também porque eu falava com a língua travada, andava nas pontas dos pés e só aprendi a amarrar o cadarço aos 18 anos (e a falar a palavra "cadarço" aos 23). Enquanto o Marcus gostava das exatas - passou em um concurso atrás do outro e hoje trabalha no TRT -, o Beto tinha visível inclinação para as letras. Chegou a ganhar a etapa catarinense de um concurso de redações do qual participaram todos os estudantes de escolas públicas do estado, a Maratona Cívica. Mas em algum momento da adolescência ele se desviou do destino e se interessou pelos computadores. Passou para o vestibular de Ciências da Computação na UFSC - curso que abandonou no último semestre, o maluco. Então mergulhou nas leituras de Nietzsche e começou a rascunhar umas coisas meio doidas, que não mostrava para ninguém. Parecia que a alma de escritor havia se rebelado... Mas, no final das contas, ele voltou ao mundo da tecnologia. Hoje, é analista de Tecnologia Gráfica da 24/7 Inteligência Digital, em São Paulo, uma empresa que presta serviços de soluções digitais para as maiores agências de publicidade e os principais veículos de comunicação do país. Meu irmão, modéstia à parte, é o profissional que todos sonham ter na equipe. Antenado, dedicado, competente - e ainda por cima não deixa passar um errinho de revisão sequer. Sim, porque a alma de escritor continua ali. Minha sugestão de aniversário de 40 anos, Betaga, é que você volte a escrever nas horas vagas, ainda que sejam poucas. E que caminhe mais no Parque do Ibirapuera, já que trabalha bem aí do lado!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Não perca a Semana do Jornalismo
A Semana do Jornalismo da UFSC está com uma programação bem interessante, como sempre. Já que não dá para participar de tudo, escolhi meu dia: quarta-feira. Escolha o seu antes que acabe!
As melhores empresas para trabalhar
Saiu a nova edição do guia As Melhores Empresas para Trabalhar, ranking publicado pelas revistas Exame e Você S/A. Das empresas que visitei no Paraná, meu roteiro deste ano, duas estão entre as dez melhores - a montadora Volvo, sediada em Curitiba, e a surpreendente Gazin, que nasceu na pequena cidade de Douradina como fabricante de móveis e hoje atua em diversos segmentos, com faturamento anual de R$ 1,2 bilhão - o que já a coloca na 303ª posição entre as maiores empresas do país.
domingo, 12 de setembro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
Sobre as eleições
Numa das minhas andanças pelas empresas do Brasil, eu soube da história de um recém-promovido chefe que reuniu o pessoal, subiu numa cadeira e disse aos subordinados que dali em diante esperava ser seguido como se fosse Jesus Cristo. E passou a assinar seus e-mails com as iniciais "J.C." - sendo que ele se chamava Roberto. O poder é assim mesmo. Corrompe, tira as pessoas da casinha. Às vezes nem precisa muito - quantas vezes já nos deparamos com funcionários públicos que têm o rei na barriga ou com secretárias que se acham superpoderosas só porque controlam a agenda do chefe? Faz parte da índole humana, e provavelmente eu também passaria do ponto caso meu poder não se limitasse a mandar meu filho lavar a louça de vez em quando. Quando falamos em poder político, então, sai de baixo. Lula tem toda a certeza de que é Deus; Fernando Henrique e Collor também tinham (dos últimos presidentes, acho que só o Itamar Franco conseguiu manter certo grau de humildade, possivelmente porque chegou ao cargo por acidente). Enfim, todo esse blablablá é para dizer que, nessas eleições, tanto para presidente quanto para os demais cargos, o que salta aos olhos é acima de tudo a disputa pelo poder. Perdoem-me as exceções, caso existam, mas a ordem de prioridades dos candidatos é "eu, meu partido e o povo", quando deveria ser o inverso. O maior desalento é que, da forma como a política é feita no Brasil e as campanhas são financiadas, só quem age assim tem chances. Ou entra no jogo ou está fora. Então, na hora de votar, você tenta escolher aquele que parece ser o menos pior. Sempre faço isso e meus candidatos raramente se elegem... E, quando se elegem, frequentemente me decepciono.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Um bom jeito de começar o dia
Aí o peão fica bobo demais, ainda mais quando essas palavras vêm de um professor altamente respeitado.
O sétimo



Entre alguns livros que escrevi para outras pessoas e obras que não fico à vontade para chamar de livros - a exemplo de guias turísticos e compilações econômicas -, posso dizer que o Manual do Frila é o meu quinto livro. Os outros são Chacina em Anhatomirim (Editora Terceiro Milênio, 1996), Ponte Hercílio Luz - Tragédia Anunciada (Insular, 1997), Na Mira dos Headhunters (Campus, 2001) e História da Educação em Santa Catarina (Letras Brasileiras, 2010). Também está previsto para este ano Patápio Silva, o Sopro da Arte, pela Insular. Quem sabe o sétimo, esse número tão cheio de significados, venha a ser de ficção?
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Here comes the sun
A Exame que está nas bancas tem uma matéria minha sobre energia solar, com direito a personagem de Floripa. Foi acontecendo um tanto por acaso, como quase tudo na vida de frila, mas até que eu já tenho uma coleção considerável de reportagens sobre sustentabilidade, um dos meus temas prediletos.
Manual do Frila, o livro
Eis a descontraída capa do Manual do Frila, que acaba de entrar em pré-venda no site da Editora Contexto. Neste link dá para ler a introdução e ter outras informações sobre o livro.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Imprecisão e preconceito (3)
O leitor tende a considerar que tudo o que está escrito em um jornal é verdade absoluta - e faz julgamentos baseado nisso, o que aumenta muito a responsabilidade dos jornalistas. Vejamos, como exemplo, um comentário deixado no site do Diário Catarinense:
"Precisou que dois TURISTAS ajudassem o animal, pois se a cabra fosse depender do 'cordial' povo da minha cidade, ia ficar pendurada até morrer. Florianópolis é cidade líder em maus tratos a animais. Além da farra, sorrateiramente permitida pela Polícia Militar, abandonam cães como se fossem lixo e exploram os cavalos nas carroças de forma desumana, sem qualquer intervenção das 'otoridades'."
"Precisou que dois TURISTAS ajudassem o animal, pois se a cabra fosse depender do 'cordial' povo da minha cidade, ia ficar pendurada até morrer. Florianópolis é cidade líder em maus tratos a animais. Além da farra, sorrateiramente permitida pela Polícia Militar, abandonam cães como se fossem lixo e exploram os cavalos nas carroças de forma desumana, sem qualquer intervenção das 'otoridades'."
Imprecisão e preconceito (2)
Vamos agora a uma possível leitura implícita na escolha do termo "turistas": a de que os moradores de Florianópolis não são civilizados o suficiente para demonstrar bondade com os animais (afinal, Santa Catarina é a terra da farra do boi), de tal forma que um ato do gênero só poderia ter sido iniciativa de gente de fora, mais evoluída. Ou seja: um manezinho deixou a cabra amarrada em situação de perigo e turistas a salvaram. Maniqueísmo puro. Pode até não ter sido a intenção de quem escreveu - ou pode ter sido -, mas essa é uma mensagem subliminar do texto que acompanha o vídeo, assistido por milhares e milhares de pessoas no Jornal do Almoço e acessado por mais de 3.000 internautas só ontem. E quem comete esse ato falho? Justamente o Grupo RBS, que enfrenta uma tremenda dificuldade histórica para conquistar o coração dos catarinenses - especialmente pela forma predatória com que lidou com a concorrência local, a ponto de quase levá-la à extinção.
Estou mandando uma cópia do que escrevi sobre o caso da cabra ao editor-chefe do Diário, Nilson Vargas, com quem já trabalhei em dois veículos e tenho ótima relação. Sou testemunha do apego dele pela precisão e sei também da preocupação em estreitar os vínculos do jornal com a cidade. Talvez essas reflexões a partir de um detalhe mínimo - a escolha de uma palavra - possam contribuir de alguma forma.
Estou mandando uma cópia do que escrevi sobre o caso da cabra ao editor-chefe do Diário, Nilson Vargas, com quem já trabalhei em dois veículos e tenho ótima relação. Sou testemunha do apego dele pela precisão e sei também da preocupação em estreitar os vínculos do jornal com a cidade. Talvez essas reflexões a partir de um detalhe mínimo - a escolha de uma palavra - possam contribuir de alguma forma.
Imprecisão e preconceito (1)
Jornalismo é jornalismo; ficção é ficção. Nessa história da cabra houve um detalhe que chamou a atenção de muita gente: o fato de termos sido chamados - eu e o outro rapaz que ajudou a resgatar a bichinha - de "turistas", tanto pela reportagem da TV quanto pelo Diário Catarinense. Não sei quem era o outro rapaz - troquei duas palavras com ele -, mas, quanto a mim, são 20 anos de vida em Floripa, incluindo os últimos sete. Turista eu certamente não sou. Fico pensando nas razões que fizeram o redator optar por esse termo, em vez de simplesmente escrever "homens" e não correr o risco de produzir uma peça de ficção no lugar de um texto jornalístico. Não foi uma escolha muito inteligente, pois a chance estatística de que fôssemos ambos turistas era pequena: Floripa tem 400 mil habitantes e devia estar recebendo não mais do que 10 mil visitantes naquele dia. O local em que estávamos - em frente ao mirante da Lagoa da Conceição - é frequentado por turistas, mas milhares de pessoas que moram na cidade passam por ali diariamente (aliás, aposto que muitos turistas viram a cena antes da gente e nada fizeram). Ou será que os colegas do Diário concluíram que éramos turistas por estarmos de bermudas? A escolha do termo parece um detalhe menor, quase insignificante, mas é assim que se vai construindo a credibilidade de um veículo e do jornalismo como um todo. Muita gente que me conhece viu a cena e criticou o descuido com a informação, matéria-prima do jornalismo. O pior de tudo é que o pessoal do jornal teve a chance de corrigir o erro: meu filho Lauro mandou um e-mail e a Adri Canan ligou para a redação, pediu para falar com o chefe do plantão e disse que pelo menos um dos homens, que ela conhecia muito bem, não era turista coisa alguma. Foi tratada com certo desprezo e superioridade. E a informação, em destaque no site do Diário durante todo o dia de ontem, continuou errada.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Eu e a cabra
Estava eu dirigindo tranquilamente pelo Morro da Lagoa quando tive a atenção desviada para gritos desesperados. Era uma cabra branca que havia caído de um barranco e estava pendurada, se debatendo. Dei a volta, parei o carro, passei pela cerca de arame farpado e fui lá salvar a bichinha. Ela estava com a corda enrolada no pescoço e em uma das patas. Eu a sustentei no colo, como quem carrega um bebê, até que outro rapaz que chegou uns dois minutos depois de mim subisse no barranco para soltar a corda lá de cima. Enfim, tudo acabou bem. Eu só não contava com a presença de um cinegrafista da RBS TV ali em frente, no mirante. Resultado... Jornal do Almoço. (Antes que façam piadinhas: eu não conhecia a cabra e não mantinha qualquer relacionamento afetivo com ela.)
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Indo para a gráfica
Minha editora Luciana Pinsky (chique isso, hã?) acaba de contar que o Manual do Frila está indo amanhã para a gráfica e fica pronto no dia 20. A ideia é fazer um lançamento em São Paulo e outro em Floripa. Assim que tiver as datas eu aviso.
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