O Diracom é um coletivo de ativistas brasileiros que acreditam que o
direito à comunicação é uma condição essencial para a democracia. Bem, eles
não só acr...
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Que o desfecho seja honesto
O Flamengo será campeão com méritos, claro, mas não há como negar que terá sido incrivelmente ajudado nas duas últimas rodadas. Ontem o Corinthians claramente fez corpo mole para prejudicar os rivais São Paulo e Palmeiras na luta pelo título, assim como o Grêmio deverá fazer contra o mesmo Flamengo, na rodada decisiva do campeonato, para não deixar o Inter ser campeão. A não ser que o Grêmio comprove ser tão grande quanto sua história demonstra e jogue para valer, sem se preocupar se o campeão será o Inter, o Palmeiras ou o São Paulo, clubes que dependem dele para continuar sonhando com o título. É a credibilidade do futebol brasileiro que está em jogo, algo bem mais importante que as rivalidades regionais.
Uma placa para a história
Eu tinha sete anos quando ocorreu a Novembrada, há exatas três décadas. Em 1994 acabei sendo testemunha, no entanto, de um momento importante relacionado ao movimento - que, para muitos analistas, representa o início da derrocada da ditadura militar no Brasil. Estudante de jornalismo, eu integrava o movimento "Cem Anos de Humilhação", que tinha como objetivo substituir o nome Florianópolis, imposto um século antes por puxa-sacos do presidente Floriano Peixoto ao final da Revolta da Armada. Estávamos organizando um julgamento simulado de Floriano para marcar o centenário do topônimo, quando surgiu uma testemunha-bomba: o coronel Nilo Marques nos procurou para contar que estava com a placa em homenagem ao "Marechal de Ferro", um dos estopins da revolta popular em 1979. Componente da guarda que fazia a segurança do presidente Figueiredo, ele recolheu a placa e a guardou em segredo por 15 anos, conforme relatado nesta matéria que integra a bela cobertura do Diário Catarinense sobre o tema. Levamos o coronel para contar essa história no julgamento, diante do auditório da UFSC lotado. Eu era um dos três advogados de acusação e a nossa tarefa ficou bem mais fácil com o belo relato feito pelo coronel. Floriano foi condenado. Pena que o nome em sua homenagem continua manchando a honra desta bela cidade.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
The simple life
Este blog, dois endereços de e-mail, um telefone fixo, um celular e o acesso à internet são agora meus únicos canais de comunicação com o mundo. E pretendo ainda unificar os e-mails e os telefones tão logo seja possível. Desisti há um bom tempo do MSN, resisti ao Twitter, pulei fora do Orkut e acabo de abandonar a última lista de discussão da qual participava. Sei que estou na contramão ao me transformar em um ermitão virtual. Não estou dizendo que estou certo e nem criticando quem usa todos os canais que a tecnologia oferece. É apenas parte da minha busca.
E o transporte marítimo?
Enquanto as pontes de acesso à Ilha de Santa Catarina estão cada vez mais congestionadas e o trânsito em Floripa à beira do caos (a temporada de verão vai ser um inferno sem precedentes), não dá para entender porque o transporte marítimo entre o continente e a ilha, vocação óbvia da cidade, não é implantado de uma vez. Só pode ser por lobby das empresas de ônibus, que prestam um serviço caro e ruim. A forma como o tema da mobilidade urbana tem sido discutido na Câmara de Vereadores (leia no Damião) dá uma boa ideia de como andam as coisas por aqui.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Quatro livros no gatilho
Para terminar a exaltação umbiguística que foi esta sequência de posts, eu queria contar que os últimos três meses foram pródigos também em articulações literárias. Fechei com uma editora aqui de Floripa a publicação da biografia do flautista Patápio Silva, objeto da minha dissertação de mestrado em História. Deve sair ainda no primeiro semestre de 2010. Tenho um outro projeto em andamento com uma editora de São Paulo, cujo tema ainda não posso revelar, para publicação também em 2010 (vou me dedicar com tudo a esse projeto agora na virada do ano). Um dos livros que eu havia escrito para a Letras Brasileiras (e que ajudei a editar agora, na minha passagem pela editora) será publicado em breve - é um tema muito interessante relacionado à história de Santa Catarina. E tem ainda uma dobradinha texto-foto que eu e a Cris bolamos para ir produzindo aos poucos, nas "horas vagas".
Anotações do cotidiano
Estou desacelerando aos poucos. Ontem devorei algumas dezenas de páginas da biografia do John Lennon que a Ana Paula me deu de aniversário e me concedi o direito de ver um filme - Incendiário, com Michelle Williams em grande desempenho. Hoje trabalhei na editora pela manhã e saí no meio da tarde para caminhar com o Lauro (tomamos um picolé para celebrar o início das férias do menino, que passou direto, sem recuperação). Concluí há pouco um texto para a Exame, estou terminando outro para a Você S/A e amanhã escrevo uma matéria para o Valor que já está toda apurada. Com esses trabalhos, para três publicações com as quais colaborei ao longo de todo o ano, encerro uma sequência que testou meu sangue frio - houve momentos em que achei verdadeiramente que não daria conta. Mas, como diz o ditado, o que não mata engorda. Literalmente. Vejo pelas minhas bochechas que estou precisando fazer exercícios.
Noventa dias de loucura
Antes de setembro, eu achava que trabalhava muito. Nos últimos três meses, contudo, descobri o que é trabalhar muito DE VERDADE. Cumpri meio expediente na Letras Brasileiras e continuei tocando meus frilas no mesmo ritmo de antes. Às vezes as duas coisas se misturavam - eu lá na editora e uma fonte ligava no meu celular em resposta a um pedido de entrevista, por exemplo -, mas acho que consegui cumprir tudo a contento. Isso só foi possível graças à relação de confiança e respeito mútuos que tenho com o pessoal da editora, a quem agradeço desde já, a uma semana da minha despedida. Já estou com saudades e adoraria ficar, mas a vida de frila - da qual não penso em abrir mão por enquanto - é essencialmente solitária. Tenho certeza que fiz bons amigos, no entanto, e isso é que importa.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Infiltrado entre os ricos e famosos
Está nas bancas uma edição especial da Viagem e Turismo, "O melhor do verão", com matérias sobre os destinos prediletos dos leitores da revista. Escrevi sobre duas atrações de Floripa: o Costão do Santinho, eleito o melhor resort de praia do país, e Jurerê Internacional, escolhida a quinta melhor praia - atrás de Porto de Galinhas (PE), Jericoacoara (CE), Pipa (RN) e a também catarinense Bombinhas. No Costão do Santinho, a proposta era fazer um teste sem me identificar como jornalista. Fiquei hospedado entre os dias 3 e 4 de outubro - dia do meu aniversário, por coincidência. Como o texto deveria ser escrito em primeira pessoa, fiz alusão a esse fato logo no começo, até porque haveria um desdobramento: "Na manhã seguinte, dia do meu aniversário, um mensageiro entregou no quarto um bolo de chocolate, com vela e fósforos. Um bolo tão grande que me deixou ligeiramente constrangido com o desperdício: avisei no check-out que havia aquela preciosidade quase intacta no frigobar". (Pobre em hotel de rico não dá certo; fica com complexo de culpa). Já a matéria sobre Jurerê Internacional foi, basicamente, uma observação da fauna local. "De dia, moças superproduzidas praticam equilibrismo ao enfrentar o calçamento de petit pavê sobre saltos altíssimos, e nos lounges à beira da praia a juventude dourada dança despreocupadamente em trajes de banho e brinda a la dolce vita com muito champanhe. À noite, as baladas nas principais casas noturnas invadem a madrugada. Em frente às boates, rapagões bem nascidos fazem os motores de seus carrões importados rugirem. Ferraris já deixaram de ser uma raridade em Jurerê Internacional, mas o ronco típico da marca do cavalo rampante ainda causa certa comoção. Para chamar a atenção de verdade hoje em dia, contudo, só mesmo chegando de helicóptero."
As melhores escolas de negócios
A Você S/A deste mês traz o ranking das melhores escolas de negócios e dos melhores cursos de MBA do Brasil, resultado de uma já tradicional pesquisa feita pela revista em parceria com a Nielsen. As quatro primeiras do ranking repetiram a ordem exata do ano passado: Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, Fundação Dom Cabral de Minas, Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP) e Ibmec de São Paulo, que agora se chama Insper. Participei do processo visitando, há dois meses, duas das finalistas: a Capacitare, de Joinville (SC), e a Unisinos, de São Leopoldo (RS).
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
As empresas mais desejadas
Pesquisa da consultoria Hewitt Associates revelou quais são as empresas em que os brasileiros mais gostariam de trabalhar. A Petrobras aparece disparada na primeira posição, a exemplo do que ocorrera na mesma pesquisa ano passado. O Google pulou da sexta para a segunda posição e a Natura da quinta para a terceira. Fiz a matéria para o Valor Econômico (está a partir da página 100 da revista Valor Carreira deste mês).
Uma revista só de boas notícias
Saiu o Anuário de Sustentabilidade da Exame, que destaca empresas com bons projetos de responsabilidade social e ambiental. Escrevi o perfil da Masisa, que se esforça para produzir painéis de madeira de forma sustentável. Além de explorar racionalmente os recursos que asseguram o fornecimento da matéria-prima – seja pelo manejo de florestas próprias ou pelo estabelecimento de parcerias ambientalmente corretas, baseadas em rigoroso controle da origem das madeiras –, a empresa aplica modernos conceitos de ecoeficiência. A nova fábrica, em Montenegro (RS), que começou a operar em maio, tem 99% da matriz composta por energia térmica renovável, proveniente do reaproveitamento de resíduos que até então se transformavam em passivo ambiental, como o pó e as cascas de madeira. Toda a água utilizada no processo industrial provém da chuva ou da reciclagem dos efluentes – a unidade tem um reservatório do tamanho de três campos de futebol, suficiente para quatro meses de consumo. Há ainda um “lavador de gases”, equipamento que impede que partículas muito finas de madeira expelidas durante o processo de fabricação dos painéis sejam lançadas na atmosfera.
Ainda sobre futebol
Dois jogadores do Palmeiras brigaram um com o outro e foram expulsos no jogo desta noite contra o Grêmio. Perfeito e justo - está na regra. O que ninguém entende é porque dois jogadores do São Paulo brigaram na rodada anterior, chegando também à agressão física, e foram advertidos apenas com cartões amarelos. Há uma regra específica para o São Paulo e outra para os demais clubes?
Seria bonito, Henry
Se você levantasse a mesma mão que conduziu a bola irregularmente e dissesse ao árbitro: "não, o gol não vale, a França não pode ir para a Copa com um roubo descarado desses". Mas você ficou quieto e comemorou a classificação do seu país com um sorriso amarelo, o sorriso de quem sabe que errou e não foi capaz de se redimir. Nenhum jogador faria isso, você pode alegar. Sim, o futebol é mesmo um mundo sórdido. Tanto entre profissionais quanto entre os peladeiros mais chinfrins, basta rolar a bola para que a ética e a cordialidade saiam de fininho pela linha de fundo.
In my life
There are places I'll remember
all my life, though some have changed.
Some forever, not for better;
some have gone and some remain.
All these places had their moments
with lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living,
in my life I've loved them all.
(Fãs dos Beatles, não deixem de visitar o thebeatles.com).
all my life, though some have changed.
Some forever, not for better;
some have gone and some remain.
All these places had their moments
with lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living,
in my life I've loved them all.
(Fãs dos Beatles, não deixem de visitar o thebeatles.com).
sábado, 14 de novembro de 2009
A turma tá mandando bem
É muito bom ver que os amigos estão produzindo um bocado - e em alto nível. Marta Scherer ganhou o prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo, concedido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, na categoria melhor dissertação de mestrado, com "Bilac, sem poesia – crônicas de um jornalista da Belle Époque". José Alfredo Abrão lança na próxima quinta em Corupá, Norte de Santa Catarina, seu curta-metragem Fritz, inspirado na trajetória do naturalista Fritz Müller (o trailer demonstra a qualidade da produção). E o novo livro de Lira Neto, a biografia do Padre Cícero, publicada pela Companhia das Letras, está chegando às livrarias como um dos grandes lançamentos do ano.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
O humor das fontes
Fiquei devendo uma historinha autobiográfica semelhante à ocorrida entre Joaquim Ferreira dos Santos e o Grande Otelo (contada alguns posts abaixo). São várias as coincidências: eu também era repórter da Veja e fazia uma entrevista por telefone com um baixinho ainda mais baixinho: o cantor Nelson Ned. Trabalhava em uma matéria de capa sobre o crescimento dos evangélicos no Brasil e tinha que obter depoimentos de adeptos famosos. O Nelson Ned me atendeu de péssimo humor. Tentei explicar o que eu queria, mas ele não estava disposto a ouvir. Só a falar, e em tom ríspido. Acho que não gostou de algo que a revista havia publicado sobre ele em outra ocasião e a bomba estourou na minha mão. Enfim, a entrevista não rolou, ou foi tão ruim que não rendeu nada para a matéria. Reação semelhante, mas com uma ironia que às vezes até beirava a simpatia, teve o Fernando Gabeira quando fui entrevistá-lo sobre maconha para outra matéria de capa. Não os culpo por descontar na pessoa física que naquele momento representava a revista as frustrações em relação à instituição. Também faço isso de vez em quando com atendentes de telemarketing.
***
Lembrei de uma situação inversa: a forma gentil com que Paulo Autran me atendeu quando eu, repórter de cultura no jornal A Notícia, pensei em entrevistá-lo sobre o espetáculo que apresentaria alguns dias depois em Florianópolis. Parece mentira, mas eu simplesmente peguei a lista telefônica de São Paulo, encontrei o nome e liguei. E não é que ele, mais do que consagrado, atendeu com toda a cordialidade e paciência? O resultado está aqui.
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Lembrei de uma situação inversa: a forma gentil com que Paulo Autran me atendeu quando eu, repórter de cultura no jornal A Notícia, pensei em entrevistá-lo sobre o espetáculo que apresentaria alguns dias depois em Florianópolis. Parece mentira, mas eu simplesmente peguei a lista telefônica de São Paulo, encontrei o nome e liguei. E não é que ele, mais do que consagrado, atendeu com toda a cordialidade e paciência? O resultado está aqui.
Bela e ligeiramente problemática
Ficou curtinha a matéria para a Viagem e Turismo sobre o melhor estado para fazer turismo na opinião dos leitores da revista - mas foi o suficiente para dar o recado.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Como diria Tom Jobim...
"A maior fonte de inspiração é o prazo." Sumi do blog porque estou desovando um frila atrás do outro. Mas, como bem definiu a moça que sentou atrás de mim outro dia no ônibus, "trabalhar demais é bom porque não dá tempo de pensar em bobagem".
domingo, 8 de novembro de 2009
A coragem de perseguir um sonho
Sete anos depois de deixar a equipe fixa da revista, voltei a trabalhar ao lado de vários ex-colegas na apuração de uma matéria de capa da Veja - a desta semana, sobre carreiras. Fiquei com a pauta sobre empreendedorismo. O texto original teve que ser reduzido e não explorou muito os personagens. Uma pena, pois fiquei especialmente encantado com a história da paisagista paulistana Gica Mesiara, 35 anos. Ela sempre quis fazer algo ligado à natureza, mas, de família simples, começou a trabalhar em um banco privado aos 18 anos porque precisava ajudar em casa. Dez anos depois, quando já ocupava um cargo importante – gerente de grandes contas – e havia alcançado estabilidade financeira, decidiu que era hora de retomar o antigo sonho. Não mudou radicalmente, no entanto. Durante três anos, acumulou o trabalho no banco com os primeiros projetos de paisagismo. Acordava às três da manhã para ir ao Ceagesp comprar flores e às nove estava no banco para cumprir o expediente. E precisava continuar tendo bom desempenho, pois não sabia se o plano B realmente daria certo. Só pediu demissão quando teve plena certeza do sucesso da nova empreitada. Fundada oficialmente em 2002, a Quadro Vivo se tornou referência na área de decoração ao se especializar em paisagismo vertical, executado em paredes e muros. Hoje, à frente de 25 colaboradores, Gica não tem dúvidas de que o esforço e as noites mal dormidas valeram a pena: está fazendo o que gosta, sendo reconhecida profissionalmente e contribuindo para deixar o mundo mais bonito.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Dia do designer
Parabéns a esses seres criativos e engraçadinhos. Em homenagem à categoria, recordo a entrevista que fiz em 2002 com Vladimir Kagan, ícone do desenho de móveis - que felizmente continua em plena atividade, aos 82 anos.
Síndrome de Grande Otelo
Responda rápido: que situação proporciona maior estabilidade, um emprego de carteira assinada ou trabalhar como frila? A maioria das pessoas tende a responder que é o emprego de carteira assinada, influência de uma visão antiquada do mercado de trabalho. Posso assegurar que ser um frila que presta serviços com regularidade para diversos clientes é muito mais seguro do que ter um único patrão, que pode demiti-lo a qualquer momento. É tão óbvio! Ainda assim, muita gente continua achando que só atua como freelancer quem não encontrou um bom emprego de carteira assinada. De onde se conclui que frilas são menos capacitados, como insinuou Grande Otelo ao ser entrevistado pelo Joaquim Ferreira dos Santos.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O preconceito contra frilas
"Foi sei lá quando, também não me lembro bem qual era o exato assunto. Talvez samba das antigas. Só sei que, do lado de cá do telefone, intrépido repórter em ação, eu perguntei alguma coisa para o Grande Otelo e ele, ator fabuloso e também compositor, autor do clássico 'Praça Onze', autoridade na história da música popular, ele estupefaciou-se do lado de lá com o que tinha ouvido da minha arguição.
'Meu filho', começou, 'você é freelancer, não?' - e imediatamente eu o imaginei com aqueles olhos esbugalhados que, quando entravam em close na tela, eram gargalhada certa na plateia. (...)
Otelo foi em frente, tentando parecer cruel como se estivesse vendo em mim um novo Oscarito para sparring. Quando ele soube que eu era do quadro fixo da revista Veja, revelou-se, ao seu jeito Atlântida de ser, sinceramente descrente:
'Meu filho, essa sua pergunta é pergunta de freelancer!'"
(Do Joaquim Ferreira dos Santos no livro "Em busca do borogodó perdido", que furou a fila e li de uma só vez enquanto esperava pelo atendimento no banco. Depois falo mais sobre o preconceito contra frilas - e conto uma história semelhante acontecida comigo.)
'Meu filho', começou, 'você é freelancer, não?' - e imediatamente eu o imaginei com aqueles olhos esbugalhados que, quando entravam em close na tela, eram gargalhada certa na plateia. (...)
Otelo foi em frente, tentando parecer cruel como se estivesse vendo em mim um novo Oscarito para sparring. Quando ele soube que eu era do quadro fixo da revista Veja, revelou-se, ao seu jeito Atlântida de ser, sinceramente descrente:
'Meu filho, essa sua pergunta é pergunta de freelancer!'"
(Do Joaquim Ferreira dos Santos no livro "Em busca do borogodó perdido", que furou a fila e li de uma só vez enquanto esperava pelo atendimento no banco. Depois falo mais sobre o preconceito contra frilas - e conto uma história semelhante acontecida comigo.)
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