O Diracom é um coletivo de ativistas brasileiros que acreditam que o
direito à comunicação é uma condição essencial para a democracia. Bem, eles
não só acr...
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Repara na diferença do nível
A casa é nova, mas continuo chamando meu cafofo de cafofo (você pode tirar o sujeito da Urussanguinha, mas jamais tirará a Urussanguinha de dentro do sujeito). Já a Cris tem um studio.
Meu presente de 40 anos
A "minha biblioteca" citada no post anterior é, neste momento, apenas um conjunto de livros empilhados no chão. Temos um projeto fantástico para as estantes, mas há inúmeras prioridades: pagar as dívidas da construção da casa, equipar o banheiro que ficou faltando, instalar o sistema de aquecimento solar, construir a cisterna para coleta da água da chuva, providenciar os armários dos quartos, ajeitar o meu cafofo e o studio da Cris... Acho que só terei uma biblioteca de verdade lá por 2012.
Vem aí mais munição pra doido
Dizem que J. D. Salinger, o escritor norte-americano que morreu ontem, aos 91 anos, após décadas de reclusão, deixou 15 romances para serem publicados postumamente. Seu livro mais famoso, "O apanhador no campo de centeio", foi citado por Mark Chapman como inspiração para matar John Lennon e, como se não bastasse, por John Hincley Jr. para atirar em Ronald Reagan. Lembrar de todas essas histórias me deu vontade de ler o dito cujo, que deve estar em algum lugar da minha biblioteca.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Que inveja
Discursando neste momento no Congresso Americano, Obama renova o compromisso de endurecer o jogo com os bancos. Enquanto isso, aqui no Brasil, ao final do segundo mandato de um presidente que outrora foi visto pelos banqueiros como uma ameaça, as instituições financeiras continuam ganhando oceanos de dinheiro e prestando serviços cada vez mais pífios.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Perguntas que pairam no ar
Liguei para a Celesc para pedir a mudança no tipo da rede, de monofásica - usada durante a construção da casa - para trifásica. O pessoal da empresa terceirizada esteve aqui e alegou que não podia fazer a mudança porque o número da casa não estava pintado no cano de ferro do poste, algo que eu poderia fazer com esmalte, por exemplo. Eu disse que resolveria o problema imediatamente - levaria três minutos -, mas eles disseram que teriam que voltar depois, porque a regra é só mudar o tipo de ligação quando o número estivesse pintado. Aí liguei de novo para a Celesc e deram mais seis dias úteis de prazo. O pessoal veio de novo (dessa vez eu não estava em casa) e deixou um recado: faltou fechar com cimento a caixa de ferro sob o poste. Lá fui eu atrás do pedreiro para fazer o trabalho. Aí liguei de novo para a Celesc, esperei mais uns dias, eles vieram mais uma vez e descobriram que o breguete da conexão estava fora dos padrões. Outra tentativa perdida - e lá fui eu de novo correr atrás da solução. Ontem, finalmente fizeram a tal ligação. E eu fico me perguntando: por que eles não olham de uma vez só tudo o que está faltando? Será que recebem da Celesc por visita?
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Justiça seja feita
Dia desses tive um contato "à moda antiga" com uma assessoria de imprensa. Pedi uma entrevista à Azul, a nova companhia aérea, e tudo foi encaminhado rapidamente e sem burocracia. Poucas horas depois eu estava conversando com um diretor, que falou tranquilamente sobre tudo o que perguntei. Tomara que a empresa e a assessoria continuem assim.
Já que o Lunga baixou em mim...
Outro dia falei que estava cansado do ritual de entrar em contato com as assessorias de imprensa. É que antigamente era tudo mais simples e direto. Você ligava, dizia o que queria, o(a) assessor(a) retornava depois dizendo se seria possível ou não, e ponto final. Ultimamente se espalhou a onda de pedir para mandar algumas questões previamente por e-mail para que o "porta-voz" se prepare melhor para a entrevista (ou para que ele tente descobrir se a abordagem é positiva ou negativa e decida se vale a pena dar a entrevista, claro). Mas há uma onda ainda mais recente e irritante: perguntar que outras empresas vão aparecer na matéria. A fonte tem todo o direito de ser informada sobre a natureza da pauta e decidir se quer ou não prestar informações, mas perguntar sobre os demais entrevistados eu já considero intromissão e até mesmo falta de delicadeza. (Nada pessoal contra quem faz isso, pois sei que são as orientações recebidas.)
Ah, os gênios do marketing...
Acabo de receber um e-mail promocional da Saraiva anunciando descontos de 25% em "mais de mil livros que não podem faltar em sua biblioteca". Sim, sim, claro. Já estou preenchendo o cheque de R$ 38.970 para ficar com todos eles - afinal, não quero que minha biblioteca fique incompleta, sem títulos essenciais como "A encantadora de bebês resolve todos os seus problemas" e "As dez principais diferenças entre os milionários e a classe média".
É preciso resistir às tentações
Ontem recebemos a visita de um casal de amigos de São Paulo, a Luciana e o Thomás. Como eles gostam de contato com a natureza, sugeri que fizessem a trilha até a paradisíaca praia da Lagoinha do Leste pelo Matadeiro. Eles adoraram a ideia e se planejaram para acordar cedinho hoje. É nessas horas que um frila precisa ter disciplina, pois é o tipo de programa que eu adoraria fazer. O acúmulo de trabalho neste momento não permite, contudo.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Teoria e prática
- Tem muita gente ensinando sobre empreendedorismo nas melhores instituições sem jamais ter tido um negócio - reclamou um entrevistado, consultor de empresas especializado na área.
"Hehehe, ele precisa conhecer os cursos de jornalismo", pensei com os meus botões.
"Hehehe, ele precisa conhecer os cursos de jornalismo", pensei com os meus botões.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Notícias do editor
- O miolo está pronto e estamos trabalhando hoje na capa.
Aguardo ansioso. Ver a capa de um livro que você produziu apaixonadamente é, guardadas as devidas proporções, como ver pela primeira vez o rosto de um filho. Um momento inesquecível.
Patápio Silva, o sopro da arte vem aí.
Aguardo ansioso. Ver a capa de um livro que você produziu apaixonadamente é, guardadas as devidas proporções, como ver pela primeira vez o rosto de um filho. Um momento inesquecível.
Patápio Silva, o sopro da arte vem aí.
Ah, se o Bart ouve...
Aos três anos e meio, a Lígia vive falando coisas engraçadas.
- Quero ver o DVD daqueles Jetsons amarelinhos!
Referia-se aos Simpsons.
- Quero ver o DVD daqueles Jetsons amarelinhos!
Referia-se aos Simpsons.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
With a little help from my friends
O fenômeno se repetiu, como da outra vez em que citei a Lya aqui e ela citou a minha citação lá no twitter dela. O número de acessos ao Vida de Frila hoje já está além do dobro da média - 110 pessoas passaram por aqui até agora. (Poderosa, hein? Acho que vou falar de você todos os dias, mas da próxima vez vai ser uma fofoca maldosa para dar ainda mais ibope.)
Mudanças na vida de frila
Este meu sétimo ano como frila está consolidando uma mudança de rumo. Agora estou muito mais envolvido em projetos de longo prazo (livros, basicamente) do que em tarefas emergenciais. No começo, eu me dedicava quase que exclusivamente a matérias para jornais e revistas e vivia sob a constante pressão do deadline. Aos poucos, percebi que era importante ter projetos de longo duração para preencher os espaços entre uma e outra matéria - dessa forma nunca faltaria trabalho. Mas até meados do ano passado eu nunca havia trabalhado simultaneamente em mais do que dois projetos de longo prazo. Neste momento estou envolvido em cinco - dois deles recém-chegados. Não é uma mudança definitiva, mas é muito bem-vinda. Eu estava um pouco cansado do ritual de entrar em contato com assessoria de imprensa, aguardar retorno etc. Com projetos de longo prazo que dependem basicamente da minha dedicação, posso trabalhar a qualquer momento e em qualquer lugar. Basta carregar o notebook e o modem portátil. Mas vou continuar fazendo algumas matérias, para ver o mundo, manter a freguesia e não perder o ritmo de redação - e porque preciso ganhar dinheiro, claro.
Abre as asas sobre nós
Sempre dei importância especial ao nome dos lugares. Participei do movimento pela substituição do infame topônimo Florianópolis, há 15 anos, e fiquei indignado quando o nome da rua em que a minha mãe mora foi trocado do simpático "Beco Boa Vista" para o horrível "Servidão Antônio Copetti", mudança proposta por um vereador para homenagear sei lá quem. Agora estou morando na Travessa da Liberdade e adoro a singeleza e significado do nome. Espero que ninguém apareça com a ideia abobada de trocá-lo.
John e Paul, mais uma vez
A propósito da questão Lennon x McCartney sobre a qual falei outro dia aqui no blog, a sangue-bom e talentosa designer Lya Zumblick me mandou esse negócio bem legal aí do lado - o percentual que cabe a cada Beatle nas composições do grupo. É só clicar em cima para ampliar. Engraçado é que, olhando o gráfico por cima, a Lya - que gosta mais do John - viu uma predominância clara do John, enquanto eu - que gosto mais do Paul - vi uma predominância clara do Paul. Só mesmo somando os percentuais para chegar a uma conclusão. Qualquer hora vou fazer isso para tirar a questão a limpo.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Pobres consumidores
Meu amigo Profe Rogério foi às compras e andou se incomodando um bocado. Comigo também aconteceu uma boa esta semana. Liguei para a Oi pedindo um telefone fixo e, no dia seguinte, uma moça ligou para o meu celular às 7h30 da matina para marcar a instalação. Achei estranho o horário da ligação e comentei com ela, que respondeu toda animada: "Aqui a gente começa cedo!". "Que bom!", respondi sem muita convicção, segurando o bocejo. A instalação ficou marcada para dois dias adiante, pela manhã. No dia combinado não apareceu ninguém, e lá pelas quatro da tarde resolvi ligar para o serviço de atendimento ao consumidor, enfrentando aquela sequência absurda de "tecle isso" e "tecle aquilo" antes de falar com alguém. Quando finalmente cheguei a uma das atendentes, ela disse que não havia nenhum registro de que a instalação estava marcada e - mais surpreendente ainda - que os atendentes não tinham autonomia para marcar um dia e muito menos um período do dia para a instalação. O instalador iria direto à minha casa, sem avisar quando, e se não encontrasse ninguém ligaria para o telefone de contato que eu havia informado. Ou seja, a empresa espera que você faça plantão 24 horas em casa ou então que largue tudo o que estiver fazendo para atendê-la. E, mais inexplicavelmente ainda, permite que uma funcionária ligue às 7h30 da manhã para criar uma expectativa que não seria cumprida. Que bagunça, minha gente. Que bagunça. O atendimento ao consumidor nas empresas brasileiras está cada vez mais caótico e ninguém faz nada. Até o outrora temido Procon parece ter perdido sua força e credibilidade. E não adianta procurar atendimento diferenciado, pois tudo anda nivelado por baixo. Veja o caso do Rogério: ele teve experiências ruins em três redes varejistas concorrentes. É a mesma sensação que tenho em relação aos bancos, por exemplo: de nada adianta mudar, pois parecem ser todos farinha do mesmo saco.
Meia hora bem aproveitada
Ontem eu tinha um compromisso no Itacorubi às 9h30. Já estava chegando, às 9h10, quando a secretária do meu interlocutor ligou avisando que ele iria se atrasar meia hora. Pensei onde poderia passar o tempo e lembrei das sombras à beira-mar do Cacupé, a dez minutos dali. Sempre carrego um livro (o do momento é uma bela surpresa, Ishq e Mushq, da jovem autora queniana Priya Basil), garantia de momentos agradáveis onde quer que eu esteja, mesmo que seja uma enfadonha fila de banco. Chegando ao Cacupé, constatei que as sombras do primeiro estacionamento estavam todas ocupadas; segui então um pouco mais adiante até encontrar banquinhos sedutores bem em frente ao restaurante Zé do Cacupé. Parei no estacionamento do restaurante, que estava fechado, e no botequinho ao lado vi ninguém menos que o próprio Zé do Cacupé, um dos manezinhos mais "clássicos", sozinho em uma mesa, mexendo em um monte de remédios para tentar descobrir qual seria o do colesterol. Depois de ajudá-lo a encontrar o comprimido certo, gastei a minha meia hora ali, batendo papo com ele, que permanece totalmente lúcido e divertido aos 89 anos. Voltei ao compromisso sem ter lido uma linha sequer do livro, mas valeu a pena. Ô, se valeu. Zé do Cacupé faz parte de uma espécie em extinção.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A frescura do canudinho
Cresci no interior, e naquela época ninguém se preocupava em usar protetor solar, tomávamos água direto da torneira e leite direto da vaca, não vacinávamos cachorro e gato, andávamos com os pés descalços por todos os cantos, comíamos açúcar às colheradas e a TV tinha apenas dois canais. Nem por isso morremos (tirando um ou outro caso de doença misteriosa, claro). Em compensação, brincávamos na rua livremente até anoitecer, nossos pais não eram tão estressados, as drogas não estavam batendo à nossa porta, o cinema era barato, qualquer brinquedinho fuleiro nos deixava felizes, o Mussum e o Zacarias estavam vivos e os canudinhos eram bem mais fáceis de usar. Já repararam que agora eles vêm embalados um a um? Que saco! Pra quê isso? Alguém chupava e colocava de volta no porta-canudinhos? E se fosse, qual o problema de usar canudinho babado? Alguém vai morrer por causa disso? (Por falar em morte, e essa outra frescura de usar "risco de morte" em vez do velho e bom "risco de vida", hein?)
domingo, 10 de janeiro de 2010
Foi bom, mas poderia ter sido melhor
Está nas bancas a nova edição do Anuário Exame de Infraestrutura, para o qual colaboro há cinco anos. Além da matéria sobre o setor de saneamento, que tem sido minha tarefa ao longo desse período, fiquei também com a responsabilidade de fazer a matéria principal, um balanço dos dois governos Lula na área de infraestrutura. Depois de ouvir especialistas, analisar os números e os relatórios do PAC, a conclusão é agridoce: houve avanços significativos, mas o resultado poderia ter sido bem melhor diante da conjuntura favorável. Há um trecho que sintetiza bem o teor da reportagem: "Um dos méritos reconhecidos é a decisão de apostar no planejamento de longo prazo, algo que nem sempre foi levado a sério no Brasil, com consequências desastrosas para o desenvolvimento do país. Mas o segundo mandato está entrando na reta final em clima de frustração pelo progresso abaixo do esperado em muitas das obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC."
Samba de uma nota só
Morar no Campeche ainda era um sonho distante há mais de dez anos, quando escrevi pela primeira vez sobre as histórias do lugar. Depois fiz duas outras matérias sobre a suposta passagem de Exupèry por estas bandas, para a Gazeta Mercantil e, mais recentemente, para a Revista da Gol. A Cris também tem uma ligação íntima com o tema - ajudou a fazer pesquisas para um livro que seria publicado pela Udesc, mas ficou só no projeto. Acho que viver aqui era nosso destino. (Pronto, prometo que agora eu paro de falar no Campeche.)
Domingo de sol no Campeche
O silêncio da noite é quebrado pela algazarra dos canários-da-terra, quero-queros, sabiás, tico-ticos, corruíras, negos bumba, andorinhas e beija-flores que brincam nas acácias nativas. Depois de todo o cansaço da mudança, temos despertado um tanto entorpecidos pelos músculos ainda em recuperação e pela beleza das primeiras manhãs do resto das nossas vidas.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Como nos velhos tempos
Fiquei uma semana longe da internet, algo que há muito não acontecia. Primeiro foi a mudança que consumiu os meus dias, depois a viagem com os canadenses, e só ontem instalamos a internet na casa nova. Estou agora dando uma passada nos blogs dos amigos para saber das novidades - como a gravidez da Roberta e as últimas aventuras do Gian e da Lu em Nova York.
Feliz ano novo!
Um tanto atrasado, mas certamente ainda em tempo. Estive envolvido com a mudança (agora somos felizes moradores do Campeche) e nesta semana estou ciceroneando um casal de amigos canadenses, Ken e Mary, que está nos visitando. Demos um pulo com eles em Cambará do Sul, Gramado e Canela - e chega de férias, pois há muitas dívidas da casa nova a pagar. Seja bem-vindo, 2010!
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