domingo, 31 de maio de 2009

Chega de chororô

Muita gente na imprensa, na prefeitura e no governo de Santa Catarina está revoltada com a exclusão de Florianópolis da lista das cidades que terão jogos da Copa de 2014. Mas foi uma decisão absolutamente natural e esperada. E Floripa nada fez de errado - apenas não foi escolhida por uma série de razões lógicas. São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Manaus, Recife e Porto Alegre não poderiam ficar de fora, pois são, nessa ordem, as dez maiores cidades do país. Houve então a acertada decisão estratégica de ter uma sede no Pantanal, nossa grande atração para turistas estrangeiros ao lado da Amazônia. Cuiabá ficou com a vaga. Restava a última possibilidade, escolha que recaiu sobre Natal - cidade com o dobro da população da capital catarinense, bem mais próxima da Europa, igualmente bela e com melhores condições de mobilidade urbana. Além do mais, dois dos três estados do Sul já haviam sido contemplados, enquanto o Nordeste tem nove estados e merece ter quatro sedes. Sem falar que a Copa é realizada no meio do ano, época fria demais para aproveitar as praias do Sul, enquanto no Nordeste faz calor o ano todo. E mesmo que Natal não tivesse sido escolhida, Goiânia seria a opção seguinte, pois tem o triplo da população de Florianópolis e um belo estádio, o Serra Dourada. Não haveria explicação lógica, isso sim, para a inclusão de Floripa na lista.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Come with me in my gondola

O menino vai acampar durante o final de semana e a menina vai dormir na avó. O sábado é só nosso: completamos 12 anos de casamento. Parece que foi ontem que Hear My Song ecoou pela igrejinha da Lagoa da Conceição...

Gazeta Mercantil (1920-2009)

É triste pensar que um jornal com a tradição da Gazeta Mercantil pode ter publicado sua última edição hoje. Os administradores anunciaram uma parada de um mês para tentar reverter um quadro que parece irreversível. Para mim, ficam as lembranças da redação motivada e competente que encontrei no meu primeiro emprego em São Paulo, na virada de 1999 para 2000. O Valor Econômico acabara de ser lançado e a briga era boa. Depois, a crise financeira foi engolindo a Gazeta aos poucos. Torço por uma reviravolta.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Estão exagerando na dose

Dia desses, eu e a Cris vimos a capa da revista Crescer no supermercado e achamos que havia algo estranho. O Photoshop Disasters também...

O gol de Obina

Obina era ídolo no Flamengo, mas ainda não conseguiu fazer um golzinho sequer neste ano. Justo um centroavante, que vive de balançar as redes. Virou motivo de chacota - primeiro das outras torcidas, depois dos próprios flamenguistas. Para piorar, tem um biotipo de quem parece estar sempre muito acima do peso. Então o Palmeiras o contratou às vésperas de um jogo decisivo pela Libertadores - hoje à noite, no Palestra Itália, contra o Nacional, do Uruguai. O atual time do Palmeiras se encaixa bem ao seu estilo de jogo, enfiado na área. E o rapaz está com fome de bola. É por tudo isso que Obina fará, logo na estreia no novo clube, seu primeiro gol do ano.

A incompetência sem punição

Ontem, quando fui estacionar no centro de Floripa, o rapaz da Zona Azul não tinha cartão de uma hora para vender - aliás, ninguém tinha. Ele contou que o estoque havia acabado e a reimpressão estava demorando mais do que o esperado. Com isso, a primeira hora não estava sendo cobrada (e bastaria ir trocando de lugar a cada hora para manter a isenção ao longo do dia). Eu só gostaria de saber - espero que algum jornal faça a matéria - o tamanho do prejuízo para os cofres municipais causado pelo inexplicável descuido. Quer algo mais previsível e evitável do que isso? Se fosse uma empresa privada, o responsável iria para a rua sem dó nem piedade. Mas, como é serviço público...

Bizarrices divertidas

Mais um blog amigo na lista aí do lado: o divertido Bem Bizarro (Bembi, para os íntimos), da Cibele Godoy.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Boicote aos comerciantes abusados

Venho percebendo um aumento substancial na prática, vetada pelo Código de Defesa do Consumidor, de estabelecer preços diferentes para pagamento à vista e com cartão de crédito. Os comerciantes alegam pagar taxas altas demais às operadoras de cartão, mas é uma justificativa que não me convence: eles têm a escolha de aderir ou não ao cartão, aceitando as condições impostas. Jamais poderiam repassar custos que são deles aos clientes. Ontem enfrentei o extremo de só descobrir a diferença quando estava no caixa do posto de gasolina para pagar com cartão - na bomba aparecia o preço "à vista" e não havia qualquer comunicado sobre a diferença. A própria moça do caixa disse que toda hora tem reclamação e que torce para vir uma multa bem gorda para que o dono do posto deixe de ser picareta. Eu reclamo sempre e digo que não volto ali enquanto a prática permanecer - e tento cumprir a promessa. Sugiro aos meus milhares de leitores que façam o mesmo.

Císneys e asterísticos

Fomos ontem a Pomerode, cidadezinha de colonização alemã a duas horas de Floripa. Tem um zoológico até que bem cuidadinho. Andando por lá, relembrei o quanto as pessoas chamam cisne de císney (grafei com y porque a única explicação que consigo imaginar é uma possível confusão com Disney, por mais absurda que possa parecer). Acho que se trata do segundo erro mais comum do gênero, perdendo apenas para o "clássico" asterístico.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Boca na orelha para os brasileiros

A desclassificação do Boca Juniors ontem, depois da surpreendente derrota em plena La Bombonera para o Defensor, do Uruguai, foi talvez o passo mais importante para que um dos quatro clubes brasileiros ainda na disputa - Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras e São Paulo - conquiste o título da Libertadores. A tradição da camisa azul e amarela do Boca pesa demais nos momentos decisivos. Por falar nisso, a forma como as cores do mais popular clube argentino foram escolhidas, em 1907, é pra lá de curiosa. Três dirigentes estavam discutindo a questão à beira do porto de La Boca, o bairro de Buenos Aires em que o time foi criado, quando o presidente Rafael Brichetto gritou "Eureca!" e apontou para a bandeira de um navio sueco que passava. Sim, é a mais pura verdade. Essa é uma das deliciosas histórias relatadas em um belo livro sobre o centenário do Boca que comprei em um sebo de Buenos Aires - acho que estava baratinho por ser uma versão em inglês, com pouca saída.

Será que rende uma pauta?

Hoje pela manhã comecei a escrever um post, mas não terminei, sobre sobrenomes que remetem à atividade profissional exercida pela pessoa. Ao longo dos anos venho deparando com muitos casos do gênero, a ponto de até ter pensado em fazer uma coletânea. O assunto voltou a me intrigar ontem, quando li uma notícia sobre o ministro do STF Carlos Alberto Menezes Direito e a entrevista com um padeiro chamado não-sei-o-quê Trigo, coincidência que me fez lembrar dessa antiga cisma e me motivou a escrever sobre o tema aqui no blog. E por que fiz questão de contar que comecei o post ainda pela manhã? Acontece que eu havia pedido uma entrevista com uma consultoria de Minas Gerais especializada em agronegócios e no final da tarde tive o retorno de um dos diretores. O nome dele? Marcelo Pimenta! Minha teoria é que pode haver, de fato, alguma influência psicológica do sobrenome sobre a profissão escolhida. Imagine uma criança que desde cedo ouve comentários do tipo "com esse sobrenome, certamente vai ser advogado". São coisas assim que ficam guardadas no inconsciente. Eu, por exemplo, sempre sonhei em cultivar azeitonas.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A última fronteira

Nenhuma relação com o conteúdo do post anterior, mas estou estreando no universo das revistas femininas com uma matéria para a Women's Health. É o décimo-segundo título da Abril com o qual contribuo desde que virei frila, há cinco anos - os outros são Aventuras na História, Exame, Placar, Playboy, Quatro Rodas, Saúde, Superinteressante, Veja, Viagem e Turismo, Vip e Você S/A.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quem sabe ainda sou uma garotinha

Susana Vieira, a atriz que se acha a empada mais fresquinha e recheada da vitrine, destratou uma jovem apresentadora do Video Show, dizendo-se sem paciência com iniciantes. Engraçado, eu achava que ela tinha paciência até demais com a juventude... Bom, já que estou mesmo em pleno momento Leão Lobo e falando sobre a senhora em questão, que tal a capa da revista Quem? Acho que nem usaram Photoshop. Simplesmente recortaram a cabeça dela e colaram no corpo da Geovanna Tominaga, a apresentadora inexperiente.

terça-feira, 19 de maio de 2009

O micro e o macro

Uma empresa é como a casa de qualquer um de nós: dá lucro se as receitas superarem as despesas. Em tempos de crise, com maior dificuldade para fazer caixa, torna-se fundamental cortar despesas para equilibrar as contas. Uma grande empresa tem inúmeras possibilidades de reduzir custos, mas quase sempre ignora os desperdícios do cotidiano e parte para providências mais drásticas. Exemplo prático do que estou dizendo: a American Express acaba de anunciar a demissão de 4.000 funcionários ao redor do mundo, 6% da sua força de trabalho. Para reduzir custos, obviamente. Há duas semanas, contudo, liguei para o serviço de atendimento ao cliente da empresa para avisar que estava recebendo pelo correio, quase que diariamente, o mesmo folder publicitário sobre restaurantes associados - um material muito bem produzido, em papel de alta qualidade e envolto em um saco plástico. Incomodado com o desperdício e achando a situação absurda, decidi ligar após receber o tal folheto pela quinta ou sexta vez. Gastei meu tempo para passar uma informação preciosa à empresa: deveria estar ocorrendo alguma falha no sistema de mala direta. Falha que, uma vez identificada (e dependendo da dimensão), poderia resultar em economia de milhares de reais. Sim, o meu telefonema poderia valer milhares de reais para a empresa, sem exagero. E o que a atendente fez? Demonstrou total indiferença e pareceu mesmo não ter compreendido o motivo do contato, por mais que eu tentasse ser didático ao explicar. No final, ela disse que eu deveria ligar para outro número, pois aquele serviço não era adequado para uma demanda do gênero - mas eu estava falando com o atendimento ao cliente (e sou cliente), opção elogios/sugestões/reclamações! Se não era ali, onde poderia ser? Eu disse à moça que não iria fazer outra ligação, pois já havia prestado um tremendo favor à empresa, e reforcei a importância do que estava relatando. Entediada e ligeiramente grosseira, ela cortou a conversa como um robô:
- A American Express agradece a sua ligação. Posso ajudá-lo em algo mais?
O folheto chegou mais algumas vezes desde então. Ontem havia na caixa de correio uma nova edição do mesmo produto, que, suponho, seja reeditado mensalmente. Ou seja: o problema continua. Como não sou de desistir facilmente, entretanto, vou aproveitar que escrevi sobre o caso aqui no blog e mandar este texto para todos os e-mails que eu encontrar no site da empresa.

Vem aí o Porcurintcha

Os ícones de rivalidade da minha infância estão desaparecendo. Depois de Brahma e Antarctica, agora foi a vez da fusão Sadia-Perdigão. Qual será a próxima? Palmeiras e Corinthians?

Para reforçar a coleção de artesanato

Estou de volta depois de um final de semana agradável na encantadora Guararema e uma segunda-feira igualmente proveitosa em São Paulo - tive a manhã livre para matar saudades de Pinheiros, bairro em que moramos durante dois anos e local da reunião de ontem. Só na Fnac e nos sebos das redondezas gastei duas horas e meia... As viagens do Melhores Empresas para Trabalhar começam dentro de duas semanas - prazo perfeito para colocar os outros frilas em dia antes de partir. Os roteiros deste ano ainda não foram definidos, mas fiz meu lobby para ficar com Minas, único estado entre os mais importantes do país que não percorri nas seis edições anteriores (excluindo uma rápida visita a Juiz de Fora - que não conta, já que praticamente faz parte do Rio de Janeiro).

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O sossego está acabando

Amanhã cedo embarco para São Paulo. No final de semana vou visitar meu irmão Beto, minha cunhada Marli e meus sobrinhos Matheus e Davi, que estão morando em Guararema, a uma hora da capital paulista. Segunda participo da reunião preparatória do "Melhores Empresas para Você Trabalhar" da Exame - será meu sexto ano integrando a equipe de jornalistas que viajam pelo Brasil para visitar as finalistas. Ainda não faço ideia dos meus destinos. Às vezes a gente fica vários dias numa cidade grande e às vezes sai Brasil afora. Ano passado fui contemplado com um fascinante roteiro que incluiu dez estados de todas as regiões do país, ao longo de 25 dias. Completei 18.200 km pelo ar e outros 2.300 km dirigindo, sem falar nos deslocamentos dentro das cidades (foi justamente nas vésperas dessa aventura que criei o Vida de Frila - ficou tudo registrado lá nos primeiros posts). E, como sempre acontece quando vou viajar, estou correndo para deixar as coisas em dia. Só vou arrumar as malas lá pela meia-noite...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O primo das redações

Embora o cotidiano de um frila seja quase sempre solitário, há momentos em que você até consegue se sentir integrado às equipes com as quais colabora regularmente. Não chega a ser exatamente um membro da família, o que exigiria presença física e constante, mas conhece todo mundo e é conhecido por todos. Mais ou menos como aquele primo que aparece de vez em quando e depois some de novo.

Dá uma olhadinha nisso também

Não resisti.

De volta à década brega

Breve viagem a pesadelos da minha infância.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Verde é a cor da esperança

Enquanto o São Paulo recebeu de mão beijada a classificação para as quartas-de-final da Libertadores (a gripe suína levou o mexicano Chivas a desistir da competição), o Palmeiras teve que suar um bocado para chegar lá, vencendo o valente Sport há pouco nos pênaltis. Marcos teve uma atuação fantástica, ao defender três das quatro cobranças realizadas pelos pernambucanos. É bom ver o goleiro que se consagrou como pentacampeão do mundo em 2002 atuando em alto nível aos 36 anos, depois da sequência de contusões que quase o levou a abandonar a carreira. Trata-se de um dos sujeitos mais bacanas do futebol, sempre divertido, acessível, imune a arroubos de estrelismo e sem apego excessivo ao dinheiro - há alguns anos recusou uma proposta milionária para jogar na Inglaterra porque se sentia melhor no Palmeiras, clube do qual virou símbolo e, certamente, ídolo eterno. Daqui para a frente, a Libertadores pega fogo de vez. Dos oito finalistas, tudo indica que quatro serão brasileiros: além de São Paulo e Palmeiras, já assegurados na próxima fase, Grêmio e Cruzeiro estão bem encaminhados. E tem também o Boca... Para o Palmeiras, depois daquele gol inacreditável de Cleiton Xavier nos minutos finais do jogo contra o Colo-Colo e dos milagres de "São" Marcos hoje, tudo é possível.

Post 500 + 1

Fico cada vez mais surpreso com a presença de leitores que chegam ao Vida de Frila pelos caminhos mais inimagináveis. O blog está se aproximando da média de 100 visitas por dia, a maior parte de gente que não conheço. Meu perfil foi visto mais de 500 vezes nesse meio tempo. As possibilidades oferecidas pela internet são mesmo fascinantes - ainda mais para alguém que cresceu em uma cidade do interior, sem telefone em casa. Como vai ser isso tudo daqui a outros 30 anos, hein?

Post 500

Chego a ele às vésperas de completar um ano de blog. O excesso de blablablá se explica pelo fato de que o Vida de Frila se tornou o meu canal de comunicação com o mundo exterior quando estou enfurnado no escritório doméstico ou viajando por aí. É meu único canal internético (além dos e-mails, claro). Não tenho mais orkut, resisti ao facebook, não aderi ao twitter, não uso msn ou o comunicador do gmail (a não ser em casos específicos e raros) e nunca fui adepto de jogos eletrônicos. O único tempo que eu "perco" é aqui mesmo.

É por isso que me ufano

Três sujeitos sequestram um comerciante em Pindamonhangaba, interior paulista, e o levam para um cativeiro na vizinha Cruzeiro. Lá, tentam sacar dinheiro com o cartão da vítima, mas os dois caixas eletrônicos da cidade estavam quebrados. Nesse meio tempo, o comerciante escapa do cativeiro (onde era vigiado por uma velhinha que recebeu R$ 50 adiantados pelo serviço), vai à rodoviária e pega o ônibus de volta para sua cidade. Numa das paradas, adivinha quem entra no busão? Os três gênios do crime, em busca de caixas que funcionassem. O comerciante os viu, abaixou a cabeça para não ser reconhecido e desceu em Cachoeira Paulista, onde avisou a polícia. Os três foram presos. E mais a velhinha e outras pessoas que colaboraram com o "plano infalível".

As inovações do internetês

Os e-mails quase sempre estão chegando assim: "Oi Maurício", "Boa tarde Maurício", "Obrigado Maurício". Além dos parágrafos resolveram matar a vírgula também? (P.S.: só à Flavita eu concedo liberdade poética pelo seu "E agora José?" conscientemente desvirgulado).

sábado, 9 de maio de 2009

Ser pai é...

Acordar cedo num sábado chuvoso, depois de um vinhozinho na noite anterior, para levar o filho nos escoteiros.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Mais um post conservador

O filho de um primo havia passado no vestibular para jornalismo. Outro dia perguntei como ia o curso. "Mudei para informática. Afinal, preciso ganhar dinheiro!", respondeu ele. Parece que a preocupação precoce com grana é uma característica marcante dessa geração. Ano passado, fui fazer uma palestra sobre "empreendedorismo no jornalismo" numa faculdade e a rapaziada queria muito mais saber das questões práticas (se era preciso montar empresa, que veículo pagava melhor ou pior, se havia espaço para negociação do preço etc) do que propriamente das dores e delícias da vida de independente. No meu tempo de universidade quase ninguém pensava em virar empresário, mas muitos dos estudantes atuais de jornalismo planejam abrir um negócio logo depois de formados, pois não pretendem trabalhar em jornal para ganhar "uma miséria" - como se o aprendizado e o prazer envolvidos não tivessem valor. Boa parte concilia o jornalismo com outros cursos, planos B para a ameaça de viver miseravelmente. Enfim, numa sociedade que valoriza demais o consumo e o prestígio, parece que a turma não está disposta a começar por baixo e subir um degrau de cada vez.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sou mais o João Bananeira

Sei que vou perder pontos no mundinho intelectual, mas confesso que tentei pela segunda vez ler Macunaíma (já que paguei uma grana pela bela edição que tenho aqui em casa, comprada há uns dez anos) e me vi obrigado a parar de novo no meio. Coisa chata essa história de ficar inventando palavra, né, Mário de Andrade? Sou muito mais o seu contemporâneo Juó Bananére, o criador do idioma macarrônico. Pelo menos nos textos dele a gente ri um bocado, em vez de ficar pensando "o que será que o sujeito quis dizer com isso?". Veja só que obra de arte, intitulada "Versignos":

Quando vejo uma minina,
Fico logo paxonado!
Dô una ogliada p'ra ella,
I vô saino di lado.

Barbuleta di aza adurada,
Minina de migna paxó!
Agiugué nu giacaré,
I perdi meus duzentó!

Lá vê a lua surgino,
Uguali c'oa pomarolla;
Si vucê non gazá cumigo,
Ti batto c'oa gaçarola.

Piga-pau é passarigno,
O papagallo tambê.
Tico-tico non tê denti,
Migna avó tambê non tê.

A novidade do ano

Desde que eu e a Cris juntamos os trapinhos, em 1997, não passamos um ano sequer sem pelo menos uma grande novidade nas nossas vidas. Se não estou esquecendo de nada, foram dois filhos, três mudanças de cidade, seis mudanças de endereço, sete compras ou vendas de imóveis, sete mudanças de emprego da Cris e seis minhas, o meu mestrado e a especialização dela. Minha mãe diz - com certa razão, admito - que somos doidos. Bem, a novidade de 2009 está começando nesta semana: vamos construir uma casa. Um desafio e tanto, ainda mais tendo que conciliá-lo com a correria do cotidiano, mas a gente acorda todos os dias pra isso, né não?

Robertinha blogou geral

Quando a minha querida ex-colega de Gazeta Mercantil Roberta Lippi lançou o Meu Projetinho de Vida, sobre tudo que envolve a fofa da Luísa, fiz propaganda aqui mas simplesmente esqueci de incluir na lista aí do lado. Agora que ela tem mais um blog, o Vida de Cliente, tenho a chance de me redimir em dobro. Aliás, embora eu tenha ficado apenas quatro meses e meio na Gazeta - na virada de 1999 para 2000, logo que nos mudamos para São Paulo -, preservo até hoje muitos amigos daquela equipe. São lembranças desse tipo que às vezes provocam uma dorzinha no coração de um pobre frila solitário...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A morte dos parágrafos?

Primeiro vieram os jornais com um estilo de texto mais "telegráfico". Depois os blogs com parágrafos de uma frase só, como os de Barbara Gancia e Juca Kfouri (ai, ai, ai, será que o leitor precisa mesmo receber tudo assim tão mastigadinho?). E aí chega o Twitter, ajudando a consolidar uma geração de desparagrafados... Aliás, correndo o risco de parecer antiquado, assino embaixo o que disse o Edu Burckhardt sobre o Twitter.

Bando de crianças grandes

Um dos (muitos) hábitos risíveis da imprensa esportiva é inventar apelidos épicos para os atacantes do futebol. Ronaldo é o "Fenômeno"; Adriano, o "Imperador"; Luís Fabiano, o "Fabuloso"; Kléber, o "Gladiador"; Edmundo, o "Animal". Fala sério. Aliás, quando topo com essas mesas-redondas que abundam na TV, tenho muitas vezes a impressão de estar ouvindo a mesma conversa que ouviria de um grupo de adolescentes de 14 anos em torno de uma mesa de futebol de botão.

Quando o telefone toca...

- Você poderia passar uma semana em Belo Horizonte?
- Precisamos de alguém para cobrir férias na revista durante um mês. Interessa?
- Estou entrando em reunião com um cliente e preciso saber se você conseguiria estar aqui em São Paulo amanhã cedo.
- Vamos dar um especial sobre gripe suína e queríamos que você fosse à região de Chapecó conversar com produtores.
- Talvez tenhamos que mandar alguém à Holanda para entrevistar o presidente da Philips. Seu passaporte está em dia?

Sondagens fazem parte do cotidiano de frila. São consultas para verificar se você estaria disponível para um trabalho. Muitas vezes não dão em nada, porque costumam ser feitas numa fase em que o projeto em questão pode ser cancelado ou simplesmente porque o escolhido acaba sendo outro, pelas mais diversas circunstâncias. Ou, ainda, porque você não pode ou não quer fazer o trabalho, claro. Minha dica a quem está começando no mundo da frilagem é, portanto, não criar grandes expectativas e avaliar cuidadosamente se a missão proposta vale a pena. O lado bom das sondagens infrutíferas é que depois de duas ou três bolas na trave o gol acaba saindo.
P.S.: até para ajudar o delegado Protógenes Queiroz a escrever um livro fui sondado recentemente por uma editora. Mas ficou só na sondagem. Ainda bem, eu acho. Já pensou em que confusão eu iria me meter?

terça-feira, 5 de maio de 2009

A gente brinca, mas a zica tá braba

A nossa pelada de segunda se transformou no Big Brother: cada semana tem um eliminado. Ontem foi o goleiro Fernando Boppré, que quebrou o tornozelo ao prender a perna no gramado escorregadio. Dois meses de molho.

domingo, 3 de maio de 2009

Bolão do campeonato brasileiro

O desafio: imaginar como será a classificação final do Campeonato Brasileiro da Série A, que está para começar. Quem acertar a posição do time não perde nenhum ponto, enquanto cada posição para cima ou para baixo representará um ponto perdido (por exemplo, se você apostar que um time será campeão e ele chegar em sétimo, serão seis pontos perdidos). Ganha o apostador que somar a menor pontuação, claro. Participa quem fizer a aposta antes do começo do campeonato. Meu palpite: 1. Inter; 2. Palmeiras; 3. São Paulo; 4. Cruzeiro; 5. Grêmio; 6. Fluminense; 7. Corinthians; 8. Flamengo; 9. Santos; 10. Botafogo; 11. Atlético-PR; 12. Sport; 13. Atlético-MG; 14. Coritiba; 15. Vitória; 16. Goiás; 17. Barueri; 18. Náutico; 19. Avaí; 20. Santo André.

Politicamente incorreto, porém divertido

Na minha passagem pelo jornal O Estado, citada no post anterior, fiquei alguns dias na editoria de Polícia antes de ir para a Geral. O editor era o gente boníssima Edson Rosa, com quem eu voltaria a trabalhar alguns anos depois em A Notícia e que hoje é companheiro nas peladas de segunda. Ele me passou como primeira tarefa redigir as notas da coluna "Vias de Fato". O trabalho (divertidíssimo para um foca) consistia em dar um "molho" aos registros que chegavam da Central de Operações da Polícia Militar em linguagem telegráfica. Reproduzo a seguir algumas daquelas notas, omitindo os nomes dos envolvidos - que, no caso dos maiores de 18 anos, eram publicados:
Rei da cozinha - O problema de C. E. J., 18 anos, certamente não era fome. Se fosse, ele tentaria arranjar algo pronto ao invés de roubar uma chapa de lanches da loja Tomaz Refrigeração, no centro da capital. Pego com a mão na massa pelos policiais da 1a DP, o mestre-cuca vai ter que esperar um pouco mais para aprimorar os dotes culinários.
Caroninha esperta - Cansado de gastar sola de sapato, R. M., 27 anos, residente no Roçado, resolveu afanar a bicicleta de um vizinho. Mas o dono da magrela foi mais esperto e avisou por telefone a Polícia Militar. No final das contas, R. saiu-se até melhor do que esperava: conseguiu uma caroninha motorizada até a 2a DP de São José.
Estrela decadente - D. R., 30 anos, sempre quis ser uma estrela. Já que escalar a Catedral pintado de vermelho dava muito trabalho, ele preferiu ficar do jeito que veio ao mundo na Praia de Jurerê, Norte de Florianópolis. Mas a atuação foi um fracasso de público e de crítica. Sob intensos aplausos dos banhistas, o exibido foi tirado de cena por uma policial militar, que também não gostou nada do que viu.