domingo, 31 de agosto de 2008

Feliz dia do blog!

Os sempre gentis Alex e Dauro me deram a imensa honra (e responsabilidade, em se tratando de dois feras da blogosfera) de estar entre os seus cinco indicados do blog day. Com isso, recebi a missão de fazer as minhas indicações:
1. Catarro Verde - quase um clássico, com oito anos de existência, escrito pelo sempre ranzinza Sérgio Faria.
2. Dark Roasted Blend - blog de fotos e imagens curiosas, perfeito para desperdiçar um bom tempo em frente ao computador.
3. Meu Projetinho de Vida - a experiência de ser mãe sob o ponto de vista da querida ex-colega de Gazeta Mercantil Roberta Lippi.
4. Taxi Tramas - observações aguçadas do taxista Mauro Castro, que percorre as ruas de Porto Alegre a bordo de seu Uno Mille vermelho.
5. Área 51 - notícias sobre avistamentos de OVNIs no Brasil e no mundo.

Mais um na multidão

Não é a primeira vez que alguém comenta a matéria que escrevi para o Lance!. Trata-se, na realidade, de um colega homônimo, especializado em esportes. Sorte minha que é um sujeito sério e competente. Chegamos a trocar scraps pelo orkut, fazendo troça com a responsabilidade mútua de zelar pela "nossa" reputação. Bem que eu gostaria de ter um nome exclusivo, mas, nascido Maurício de Lima Oliveira, que opções eu teria? Vida boa é de quem nem precisa de sobrenome - Cauby, Ziraldo, Millôr...

No supermercado Bistek

Simpática a moça que disse ao filhinho, bem quando eu passava ao lado deles:
- Dá a mão que aqui tem titio louco!

sábado, 30 de agosto de 2008

Ué, não eram anos dourados?

Na viagem do começo desta semana tive duas horas livres na simpática São Leopoldo (RS) e, passeando pelo centro da cidade, encontrei um sebo com uns 50 números da revista A Cigarra à venda, a R$ 3,50 a unidade. Meu primeiro impulso foi fazer uma oferta por tudo, mas me contive e escolhi apenas três exemplares representativos. Um deles, de agosto de 1947, traz uma reportagem da célebre dupla David Nasser (texto) e Jean Manzon (fotos) sobre o Egito. Outro, de abril de 1949, tem um ensaio fotográfico de Pierre Verger sobre o samba na Bahia (trouxe pensando sobretudo na Cris, que adorou - e comentou no blog dela). O terceiro exemplar tem a matéria cuja abertura reproduzo aqui. Em pleno outubro de 1956, auge daquela que hoje é considerada a "década de ouro" do Rio de Janeiro (quando a cidade ainda era a capital do país), o texto relata uma série de problemas: trânsito confuso, transporte coletivo ruim, falta de água, vagas insuficientes no ensino público, alto custo de vida etc. O desfecho parece ter sido escrito hoje (é só atualizar o modelo do carro e trocar a cidade para Brasília): "É assim que não se vive no Rio, meus amigos. Naturalmente não estão incluídos nessa categoria dos que 'não vivem' os amigos do governo, os que fazem bons negócios, importam 'cadillacs', ou sabem quando o dólar vai cair ou subir de preço. Estes - uma minoria - vivem outra vida, e seus nomes figuram sempre nas colunas sociais."

Nem tudo é inesperado

Graças a alguns trabalhos cíclicos, a vida de frila não é totalmente desprovida de rotina. Acabo de receber a incumbência, pelo quarto ano consecutivo, de escrever a matéria do Anuário Exame de Infra-Estrutura sobre o setor de saneamento. É um desafio, pois a idéia é sempre encontrar um ângulo novo - e saneamento é um setor em que as coisas evoluem lentamente, com poucas mudanças de um ano para o outro.

Sou o senhor do meu cafofo

Ufa! Acabo de dar uma boa organizada nas coisas ao meu redor, trabalho que comecei ontem à tarde. Revi a papelada acumulada e joguei fora o que não era necessário guardar, arrumei as prateleiras, organizei as contas (que a gente vai pagando e jogando de qualquer jeito na gaveta), resolvi pequenas pendências anotadas na agenda. Meu cafofo estava caótico. É muito boa a sensação de ter retomado o controle e de estar pronto para enfrentar o resto do ano. Aliás, depois de amanhã começa o terceiro quadrimestre. É um momento perfeito para valorizar tudo o que já se conseguiu em 2008, mas ainda a tempo de novas conquistas.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O Terceiro Mundo agradece

Nos Estados Unidos, CDs de música já são tratados como objetos pré-históricos, pois todo mundo está transferindo as faixas prediletas para o iPod. Sorte nossa, que temos amigos por lá: é a segunda vez que recebemos pelo correio uma remessa com uns 100 CDs, dos mais variados. Ótima companhia para um frila que passa muito tempo isolado do mundo em seu cafofo encantado.

Mudou a cidade ou mudei eu?

Noite passada, enquanto meu irmão jogava bola num campo indoor, o carro dele e de um amigo, estacionados em frente ao estabelecimento, foram atingidos por um motorista bêbado. Aí foi aquela confusão de delegacia madrugada adentro, mas pelo menos o sujeito foi preso em flagrante. Isso me lembrou um episódio semelhante que aconteceu comigo há uns 12 anos. Um bebum bateu no carro da Cris e de uma amiga dela, que participavam de uma festa de confraternização do trabalho. O sujeito fugiu, mas alguém anotou a placa. Graças a contatos na polícia, eu e o marido da amiga da Cris descobrimos o endereço, em um lugar muito suspeito, e fomos bater na casa do "elemento" às sete da manhã do dia seguinte. Ele nos atendeu com a maior cara de ressaca e de surpresa. Olhando em retrospectiva, não sei que idéia de jerico foi aquela. Seria o ímpeto da juventude ou a sensação de que Floripa não era tão perigosa e que os marginais daquela época não era tão marginais? O mais incrível é que, com medo de perder o emprego de motorista em uma cervejaria (que ironia), ele nos tratou da melhor forma possível e garantiu o conserto dos dois carros em um mecânico amigo.

Só gente talentosa

Adicionei novos e excelentes blogs amigos à lista que o prezado leitor enxerga à esquerda. Ativei o recurso que faz os atualizados mais recentemente aparecerem no topo, mas por alguma razão tecnológica que envolve um tal de feed alguns não entram na brincadeira e preferem ficar o tempo todo lá embaixo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Rumo ao bicampeonato

Meu caro amigo Lira Neto comemora a merecidíssima inclusão de seu Maysa - Só numa multidão de amores entre os dez finalistas da categoria Melhor Biografia do Prêmio Jabuti. Ano passado deu ele, com O inimigo do rei: uma biografia de José de Alencar. Tá demais o rapaz!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O meu vale mais que o seu

Dia desses peguei um frila agradável: resenhar 16 livros. O que estou acabando de ler é bem interessante - Previsivelmente Irracional, de Dan Ariely, lançado no Brasil pela Campus. Professor de psicologia em Harvard, o autor apresenta uma série de experiências para comprovar como somos influenciados por emoções, crenças e normas sociais no momento de tomar decisões. Um dos testes evidencia nossa tendência de supervalorizar o que possuímos, por estabelecer relações afetivas com esses objetos. Começou quando o time de basquete da Duke University conseguiu a classificação inédita para a final do campeonato nacional, evento que todos os alunos da instituição gostariam de presenciar. Diante da limitação de espaço no ginásio, a única saída foi coletar inscrições e sortear os lugares. Ariely e sua equipe entraram em ação logo depois do sorteio. Perguntaram aos sortudos por quanto estariam dispostos a vender o ingresso e àqueles que ficaram de fora quanto pagariam para estar no ginásio. O valor médio das propostas de compra foi US$ 170, enquanto a média dos preços pedidos para venda ficou em US$ 2.400 - ou seja, 14 vezes mais! Como se explica isso, se até a véspera todos desejavam o bem em questão com o mesmo fervor? Simples. As pessoas não ofereceram mais porque imaginavam outros bons programas que poderiam fazer com o mesmo dinheiro (ou seja, tinham referências concretas de comparação), enquanto as que haviam sido contempladas com o ingresso temiam perder a oportunidade de participar de um evento que se tornaria um marco em suas vidas, algo difícil de converter em valor monetário. Nesses casos, a emoção falou mais alto no momento de definir o valor.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Outra de consumidor indignado

É irritante como, no Brasil, muitas vezes somos obrigados a engrossar para conseguir as coisas. Desci em Floripa às 19h30, mas minha mala ficou em Porto Alegre. Fui reclamar no balcão da TAM. Eles já sabiam do erro e disseram que só seria possível entregá-la na minha casa amanhã, por volta do meio-dia, quando chegaria o vôo seguinte da empresa. Argumentei, com um tom de voz ainda tranqüilo, que a bagagem poderia ser enviada imediatamente por outra companhia aérea. O rapaz disse que não havia essa alternativa. Aí bastou engrossar a voz e fazer cara de zangado, falando as mesmíssimas coisas que eu já havia falado, para ele ir lá dentro e voltar em seguida dizendo que a mala chegará ainda hoje, por volta da meia-noite, em um vôo da Gol - e será entregue em minha casa logo em seguida. Então eu me pergunto: por que ele não se esforçou para oferecer de imediato a melhor alternativa? Por que esperou que eu demonstrasse irritação para só então consultar sei lá quem?

domingo, 24 de agosto de 2008

Rumo ao aeroporto, de novo

Daqui a pouco embarco para Porto Alegre, onde cumpro amanhã a última etapa do frila que iniciei na semana passada em Sampa, no Rio e em BH. À noite já estarei de volta.

Modernidade ou ignorância?

Acompanhei esses dias pelo bluebus, site voltado aos profissionais da publicidade, uma discussão sobre o excesso de coloquialidade nas propagandas de TV, iniciada pelo espanto de alguns com o uso da construção "vamos SE divertir" em um comercial do Carrefour. Leitores escreveram ao site alegando que o idioma é um "organismo vivo em constante mutação" e que é "preconceito" exigir a forma correta quando as pessoas na rua falam de outro jeito. Nesse exemplo específico, contudo, tenho a impressão de que foi uma cochilada geral do redator e de todo mundo que teve a chance de intervir antes de o comercial ir ao ar. Se foi de propósito, acho um tremendo desrespeito com o idioma e um péssimo exemplo para as crianças (podem me chamar de antiquado, não me importo).

sábado, 23 de agosto de 2008

Por falar em envelhecer

Dizem os pesquisadores que a felicidade descreve uma curva em forma de "u" ao longo da nossa vida, chegando ao ponto mais baixo aos 35 anos - justamente a minha idade atual. A sensação de bem-estar da infância diminuiria na juventude e mais ainda na casa dos 30, quando temos muitas responsabilidades: cuidar dos filhos pequenos, preocupar-se com pais idosos, trabalhar muito para consolidar a carreira e construir um pé-de-meia para o futuro. Depois o nível de felicidade volta a subir gradualmente. Não sei se concordo com a teoria. Aliás, tendo a achar que o meu "u" está de cabeça para baixo, pois não me considero menos feliz hoje do que em qualquer momento do passado.

Outro dia nem sabia ler...

Você sabe que seu filho está virando adolescente - e você "coroa", por tabela - quando ele diz que a revista predileta deixou de ser a Recreio e passou a ser a Mundo Estranho.

Um caso de arrogância empresarial

Uma das imobiliárias mais conhecidas de Florianópolis, a Brognoli, decidiu tomar uma atitude que considero uma das mais desastrosas que já conheci em termos de relacionamento com os clientes. Se alguém entra em uma das lojas da rede dizendo-se interessado em colocar um imóvel à venda, é informado de imediato que terá que pagar uma taxa de R$ 50 para que a imobiliária faça a avaliação do imóvel. A justificativa é de que muita gente estava usando os serviços "especializados" da imobiliária apenas para definir o valor de mercado e depois acabava realizando a venda por conta própria. Ou seja, ao receber um cliente em potencial a empresa parte da premissa de que está lidando com alguém desonesto, e não tem o menor pudor de deixar isso bem claro. Tal atitude equivale a mandar os clientes (ao menos aqueles com o mínimo de brio) de presente para os concorrentes - e isso é feito depois de ter conseguido o mais difícil, atraí-los para dentro da loja. O mais inacreditável do ponto de vista empresarial é que por míseros R$ 50 a imobiliária abre mão da possibilidade concreta de receber a comissão de 6% - ou seja, de faturar alguns milhares de reais sem grande esforço, pois o mercado da construção civil em Floripa está aquecido.

Brasileiro adora um barraco

Quando o Brasil ganha uma medalha de ouro, a comoção dos atletas é justa - sendo uma conquista rara para o país, é perfeitamente compreensível que a comemoração fuja do protocolo e seja um pouco mais "vistosa" que a dos países habituados ao pódio. Quando deixamos de ganhar, acho exagero aquela choradeira toda, os pedidos de desculpas, o clima de velório, mas ainda assim dá para entender os atletas, pressionados pela necessidade de bons resultados para assegurar patrocínio nos quatro anos seguintes e sentindo o peso da expectativa de milhões de compatriotas. O que não dá para entender são atitudes como a de algumas meninas do vôlei que, após a fantástica conquista do ouro, ficaram fazendo sinal de "cala a boca" para as câmeras. Não ficou claro se a intenção era mandar um recado para pessoas específicas ou para o povo brasileiro em geral, mas sem dúvida se tratava de uma referência à inacreditável (e justamente criticada) derrota para a Rússia nas semifinais de Atenas, quatro anos antes, quando a equipe perdeu o quinto set depois de ter desperdiçado seis chances seguidas de fechar o jogo. O momento de hoje era muito grande para atitude tão mesquinha e gestos tão deselegantes - embora isso não tire o brilho da conquista, claro.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Agora só restam dez

BH era uma das capitais brasileiras que eu ainda não conhecia. Estão faltando Rio Branco (AC), Macapá (AP), Vitória (ES), Goiânia (GO), São Luís (MA), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Aracaju (SE) e Palmas (TO). Eu chego lá. Quando, não sei, mas chego.

Só para deixar registrado

Vinte e quatro horas de permanência em Belo Horizonte foram suficientes para confirmar três coisas boas sobre a cidade: a simpatia das pessoas, a grande quantidade de botecos e a supremacia numérica feminina.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Dá um tempo, Galvão

Agora você vem com liçãozinha de moral dizendo que faltou "força mental" aos brasileiros que não ratificaram o suposto favoritismo nas Olimpíadas... Justo você, símbolo do ufanismo desmedido com que a maior parte da nossa imprensa trata as competições esportivas? Justo você, que sempre contribuiu - e muito - para transferir o peso de expectativas e frustrações de quase 200 milhões de pessoas às costas dos atletas? Justo você, que ganha uma fortuna enquanto os esportistas vivem mendigando patrocínio?

Por que ainda não proibiram?

Dizem que surge uma luz branca ofuscante na hora da morte, não é? No caso das estradas brasileiras, desconfio que seja o tal do farol Xenon, uma praga cada vez mais disseminada. Quem revende esse troço encontrou um jeito de tirar dinheiro de otário. Otário da pior espécie, porque além de ser otário não pensa nem um pouquinho nos outros.

Pena que não tem milhagem

Um motivo a mais para escolher a Gol além da simpatia das aeromoças: minha amiga Natasha Madov é uma das editoras da revista de bordo. Ela assina a matéria de capa da edição que está no ar, um perfil da designer Mana Bernardes. No mesmo número há uma frase ótima do Marcelo Tas: "O Brasil só vai ser um país decente quando o João Moreira Salles fizer um documentário sobre os bancos."

De quem estou falando?

D. era um funcionário correto, esforçado. Chegava no horário e cumpria as obrigações, mas sempre esteve longe de ser dos mais brilhantes e talentosos. Também não era bom em relacionamentos interpessoais. Vivia emburrado, com cara de poucos amigos. Se um colega chegava atrasado ou cometesse um pequeno equívoco, D. cobrava com tanta virulência que parecia ser o dono do negócio. Alguns confundiam essa postura com liderança, mas nas conversas de corredor D. era chamado pela maioria de puxa-saco. Certo dia, de uma hora para a outra, ele foi nomeado presidente da companhia. Uma grande surpresa, pois nunca havia exercido cargo executivo ou liderado um grupo de subordinados. O Conselho de Administração achava que as coisas andavam soltas demais e que era preciso colocar um linha-dura no comando da equipe. D. passou a moldá-la à própria imagem e semelhança. No começo até pareceu que ia dar certo, pois todos se esforçaram para não perder o emprego, mas aos poucos a alegria e a criatividade foram murchando, os resultados piorando... Até que a principal concorrente passou por cima como um trator. Agora a outrora respeitada líder de mercado está à beira da bancarrota. Culpa de D. ou do Conselho de Administração?
Em tempo: boatos dão conta de que a empresa está sendo negociada com investidores de Luxemburgo e que a transação pode ser fechada caso o próximo balanço não seja favorável.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Garotas de Copacabana

Oito e pouco da manhã. Nas areias da praia, a 20 metros do calçadão, uma adolescente em traje de banho usa uma pá - daquelas grandes - para cavar um buraco. Parece procurar algo.
Dez da noite. Numa mesa de boteco, uma aspirante a atriz descreve a quatro ou cinco amigos os avanços mais recentes na carreira. "Conheci ontem o fulano, que trabalha com o fulano, diretor da Globo, e ele ficou com o meu telefone pra gente sair."
Onze e pouco da noite. Numa das esquinas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, uma bela jovem, com um vestido vermelho encarnado contrastando com os cabelos loiros quase-brancos (seria estrangeira?), estica uma toalhinha e começa a montar um despacho com a tranqüilidade de quem organiza um piquenique.
Ah, as garotas de Copacabana - quem há de decifrá-las?

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Minha alma canta

Estou em Congonhas, esperando o vôo para o Rio, minha cidade natal. Como saí de lá aos cinco anos, nunca me senti carioca. Mas que alguma coisa acontece no meu coração quando vejo o Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara, ah, isso acontece.

domingo, 17 de agosto de 2008

Inté mais

Amanhã cedo sigo para três dias de frila para a Você S/A entre São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Vai ser corrido, mas tentarei dar um alô aqui no blog. Que todos tenhamos uma boa semana!

Ainda sobre jornalismo investigativo

Para ilustrar a amplitude do meu conceito de jornalismo investigativo, citei uma matéria que fiz em 2000, quando trabalhava na Gazeta Mercantil, em São Paulo. Descobri por acaso que o site do Ministério do Trabalho e Emprego possibilitava a consulta aos pedidos de visto de trabalho para estrangeiros feitos nos três anos anteriores. Cada ficha trazia o nome da empresa, o cargo que seria ocupado, o país de origem do profissional e o status do pedido (concedido, recusado ou sob análise). Era um tesouro - e contei com o apoio dos editores do jornal para explorá-lo durante alguns dias. Analisei uma a uma milhares de fichas. O resultado foi um ranking inédito das 20 empresas que mais haviam trazido executivos de fora para trabalhar no Brasil, com as origens mapeadas. A francesa Renault era a líder, com 62 casos no período, seguida pela espanhola Telefonica (56), a alemã Volkswagen (55) e a holandesa Gessy Lever (42). Outra conclusão baseada nos números foi a de que as multinacionais holandesas eram as que mais promoviam o pluralismo, trazendo executivos de diversas nacionalidades, enquanto as francesas eram as que mais defendiam a reserva de mercado aos compatriotas. Descrevi também a rotina de prestadoras de serviços especializadas em resolver problemas para os executivos recém-chegados, desde a recepção no aeroporto à indicação de empregadas domésticas, passando por acompanhamento a lojas e até mesmo necessidades pitorescas, como explicar ao cabeleireiro o corte de cabelo desejado pelo "gringo". A reportagem ocupou uma página inteira, foi a manchete do jornal naquele dia e teve grande repercussão - gerou várias matérias de TV.

Jornalismo é sinônimo de investigação

Sexta à noite participei de uma mesa-redonda sobre jornalismo investigativo promovida pela Faculdade Estácio de Sá. Acho que o conceito é normalmente visto com estreiteza, como bem ressaltou outro dia meu amigo Dauro. Virou sinônimo de "denúncia que derruba políticos". Na essência, contudo, qualquer reportagem é investigativa - basta ter que correr atrás de informações. Creio que minha maior contribuição no debate tenha sido, no entanto, sugerir aos estudantes de comunicação a leitura de quatro livros que considero exemplares: Hiroshima (John Hersey), A Sangue Frio (Truman Capote), Fama & Anonimato (Gay Talese) e Maysa - Só numa multidão de amores (Lira Neto).

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Vida de frila versão 2.0

Finalmente comecei a organizar a minha lista de blogs favoritos, aí à esquerda, com um recurso legalzinho - quem postou mais recentemente vem para cima. O maior beneficiado serei eu mesmo: agora vai ficar bem mais fácil visitar os amigos.

Ghost, pero no mucho

Seguiu ontem para a gráfica o meu quarto livro como ghost-writer, atividade que se encaixou muito bem na minha vida de frila. O primeiro foi há cinco anos, e, desde então, cada projeto tem puxado o outro - foram dois livros na área de gestão e dois de caráter biográfico. A grande vantagem é que são trabalhos de longo prazo, perfeitos para ir tocando nos momentos em que as reportagens, sempre com deadlines apertados, dão uma trégua. Não se trata de criar textos para outros assinarem, contudo: a premissa é ajudar os autores a dar forma a um conteúdo que, obrigatoriamente, eles precisam ter - e que me repassam aos poucos, em várias entrevistas. Vamos, assim, construindo o texto juntos. O mais engraçado é que meu nome nem deveria aparecer (afinal, fantasmas são invisíveis), mas todos os autores até agora fizeram questão de me citar nos agradecimentos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Carta aberta a Pedro Bial

Ei, Bial, cuidado. Você está se tornando um daqueles casos em que o jornalista parece querer chamar mais a atenção do que a notícia. Não precisa forçar a barra para mostrar que na China não há liberdade de expressão - ok, já sabemos disso. Não precisa forçar a barra para transformar pautas comuns em epopéias. Sugiro que você peça dispensa do próximo Big Brother, urgente. Esse troço tá te fazendo mal.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Prenúncio de tempestade

Nuvens carregadas tomam conta do céu e se movem em círculo, impacientes. Surge um vento repentino, com rajadas sucedidas por breves momentos de calmaria. Folhas de árvore se agrupam nos cantos em pequenos redemoinhos. Andorinhas voam baixo, desorientadas. Portas batem vizinhança afora. Primeiros ruídos distantes de trovoadas. Tensão no ar.
Talvez nem chova no último ato, mas todo o mise-en-scène já vale o ingresso.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Da série "bobagens que fiz"

Ganhei uma página inteirinha do jornal para falar do lançamento de um livro sobre o uso correto da vírgula. No dia da publicação, a autora, professora de Letras, liga para dizer que a matéria estava "ótima".
- Obrigado, professora. E as vírgulas, estavam todas no lugar? - perguntei, cheio de confiança.
- Estavam perfeitas. Parabéns.
Depois de uma pausa, contudo...
- O único problema é que me chamo Maria Tereza, e não Maria Helena.
Eu havia errado o nome dela 12 vezes.

A perfeição é possível

E quem provou isso foi uma pequena romena.

domingo, 10 de agosto de 2008

Eu e as celebridades

Admito que estou com cara de bobo na foto abaixo, ao lado do Betinho. Com o tempo, a gente aprende a disfarçar melhor a admiração pela fonte. No meu caso, um bom aprendizado foram os dois anos como repórter de cultura do jornal A Notícia, no final da década passada. Eu cobria tudo o que acontecia em Floripa, em todas as áreas - de teatro a artes plásticas, de música a dança. Entrevistei Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Irene Ravache, Ney Matogrosso, Lenine, Itamar Assumpção, Adriana Calcanhotto e Ana Botafogo, entre tantos outros nomes de peso. A situação mais pitoresca, contudo, aconteceu alguns anos mais tarde, quando eu era repórter da Veja. Estava cobrindo o caso do seqüestro do Sílvio Santos e precisava confirmar uma informação com Guilherme Stoliar, o sobrinho do apresentador que havia assumido as negociações com o seqüestrador. Stoliar não queria falar com a imprensa e fiquei de plantão na recepção da TV Anhangüera, onde ele trabalhava. Eu dizia à secretária que se voltasse à redação de mãos vazias levaria uma tremenda bronca do meu chefe. Duas horas depois, Stoliar anunciou que iria me atender em respeito ao meu profissionalismo, mas que a conversa seria testemunhada por um amigo que, por acaso, estava lá. Quando cheguei à sala, constatei que o amigo era ninguém menos que o narrador Silvio Luiz, aquele superengraçado e cheio de bordões. Ficamos os três lá, conversando sobre um assunto seríssimo, mas eu ria por dentro cada vez que olhava para o Silvio Luiz, lembrando das bobagens que ele soltava - e continua soltando - durante as transmissões dos jogos.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Vai ter serão no cafofo

Dificilmente passo um final de semana sem tocar no trabalho. É uma forma de compensar as horas usadas de segunda a sexta em outras atividades, privilégio de um frila. Neste momento estou especialmente encrencado, contudo. Tenho quatro matérias para escrever - e um Dia dos Pais para curtir. Minha sorte é que eu estava mesmo precisando de uma desculpa para ficar acordado de madrugada vendo as Olimpíadas.

A carta sobre Betinho

"As íris verde-claras do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, sempre fixas nas do interlocutor, dariam impressão de distância se não fossem tão transparentes. Emoldurado pelas sobrancelhas de fios brancos compridos e desgrenhados, o olhar tinha algo de insano. Difícil defini-lo. Parecia flutuar na tênue fronteira entre a delicadeza e a força.
Era um início de tarde ensolarado quando ele desceu no aeroporto de Florianópolis, há três anos. Foi recebido com aplausos por cerca de 300 pessoas. Trazia de Salvador uma fitinha azul amarrada ao pulso esquerdo, mas não revelou os pedidos que havia feito ao Senhor do Bom Fim. 'Já me aconteceu tanta coisa boa que me concedo o direito de sonhar', dizia.
Vinte e cinco horas depois, não mais que 30 pessoas - metade delas se despedindo festivamente de uma adolescente que embarcava no mesmo vôo - viam Betinho caminhar de volta até o avião. O tempo havia mudado - ameaçava chover. Betinho ia devagar, meio arcado, com os pés abertos para fora. O andar, meio de bêbado, meio de equilibrista, lembrava o de Carlitos. Voltou-se uma única vez para acenar aos que chamavam por ele e continuou andando. Pela oscilação da calça, percebia-se um tornozelo não mais grosso que um cabo de enxada.
O avião manobrou lentamente na pista. De repente, ganhou velocidade e levantou vôo. Subiu num ângulo de 45 graus e logo se perdeu no céu nublado. Aos que ficaram com os pés no chão, restou, embalados pela voz doce de Elis Regina, sonhar com a volta do irmão do Henfil."

Saudades do irmão do Henfil

Amanhã se completam 11 anos da morte de Betinho. A foto ao lado foi tirada pelo amigo Paulo de Tarso durante o dia em que recebemos do Zero, o jornal-laboratório do curso de jornalismo da UFSC, a tarefa de acompanhar a visita do sociólogo a Floripa, em abril de 1994. Na época, Betinho tinha 58 anos e pouco mais de 45 quilos. Fazia o exame de medição de células a cada dois meses e o prognóstico era de apenas mais um ano e meio. Foi bem além disso, com toda aquela vontade de viver. A matéria acabou nem sendo publicada pelo Zero, mas quando Betinho morreu escrevi uma página inteira sobre ele no jornal A Notícia, onde estava trabalhando em 1997. Uma parte do texto não coube na página e foi aproveitada, vejam vocês, na seção de leitores, como se fosse uma carta escrita por mim, devidamente assinada. Tornei-me, assim, um caso inusitado de repórter que publica uma reportagem e uma carta no mesmo jornal, sobre o mesmo assunto, no mesmo dia.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Já que toquei no assunto...

O que mais me espanta não é a cidade ter recebido o nome Florianópolis naquele momento de turbulência política do início da República, mas sobretudo o fato de o topônimo resistir até hoje, com todas as ondas de revisionismo do século XX. Trata-se claramente de uma afronta à memória da cidade; uma triste ironia que já dura 114 anos. Em 1994, quando a mudança do nome completou um século, participei de um movimento chamado Cem Anos de Humilhação, que tinha como objetivo colocar a discussão na pauta. Os colunistas sociais viviam dizendo que éramos um bando de desocupados, que havia coisa mais importante para se preocupar, mas continuo achando essencial que os moradores da cidade conheçam a história para, aí sim, decidirem se vale a pena continuar com o nome só porque ele já é "internacionalmente conhecido" e se tornou "uma marca de sucesso". O movimento teve bons momentos, como o julgamento simulado de Floriano - fui um dos três advogados de acusação - que lotou o auditório da reitoria da UFSC e atraiu a atenção da mídia. Em 1997, lancei o livro "Chacina em Anhatomirim" (Editora Terceiro Milênio), contando essa história em linguagem acessível, para adolescentes. Quem sabe as futuras gerações não reparam essa tremenda injúria?

Cidade tão linda, nome tão feio...

Como não gosto de deixar assunto pela metade e meu amigo Dauro Veras comentou o caso da potiguar Parnamirim - onde o bom senso felizmente acabou prevalecendo -, vou explicar porque me envergonho do nome Florianópolis. Trata-se de uma homenagem ao então presidente Floriano Peixoto, feita em 1894, com ele ainda vivinho da silva. Floriano havia acabado de abafar a Revolta da Armada (antigo nome da Marinha), que começara no Rio de Janeiro e veio parar por acaso em Desterro, antigo nome de Florianópolis. Depois dos primeiros conflitos no Rio, os revoltosos foram descendo pelo litoral até que decidiram invadir a pacata capital catarinense, que não tinha a menor condição de resistir. Desterro foi então declarada "capital provisória da República" e durante alguns meses a população se viu obrigada a conviver com os forasteiros. Enquanto isso, o governo comprava novos navios de guerra. Quando se viu em condições de retomar o controle da cidade, Floriano enviou uma missão liderada pelo coronel Moreira César, o Treme-Terra (só pelo apelido a gente tem uma idéia da delicadeza do sujeito), que não teve maiores dificuldades para cumprir a missão e iniciou uma verdadeira caça às bruxas, condenando sumariamente à morte qualquer cidadão suspeito de colaborar de alguma forma com os revoltosos. Estima-se que quase 200 pessoas tenham sido fuziladas na Fortaleza de Anhatomirim, a maior parte delas nativas. Como se já não bastasse tamanha barbárie, um deputado puxa-saco chamado Genuíno Vidal propôs a mudança do nome da cidade para Florianópolis - que significa, literalmente, "cidade de Floriano". Em meio a todo aquele terror, a idéia foi aprovada por unanimidade pelos nobres colegas de Genuíno.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Intimidades de uma equipe de reportagem

Hoje à tarde eu e a Cris fomos a Blumenau fazer uma matéria para a PIB, a revista especializada em internacionalização de empresas sobre a qual falei outro dia. De vez em quando rola a dobradinha doméstica texto-foto. Nessas ocasiões, tudo transcorre com o máximo de profissionalismo, claro. Uma vez cumprida a tarefa, no entanto, ela faz questão de voltar imediatamente a ser minha mulher:
- Vamos passar naquela loja de lençóis, tá?
- Eu queria tanto levar uns copos de cristal...
- A gente não pode voltar pra casa sem uma cuca de banana!
- Vou tomar um chopinho da Eisenbahn. Você não, que tá dirigindo.

Valeu a pena dormir às duas

Minha amiga Fernanda Colavitti, que trabalha na Galileu e é responsável pelo blog sexpedia, mandou muito bem esta madrugada no Jô. Imagino que o vídeo da divertida entrevista poderá ser visto em breve - talvez ainda hoje - no site do programa.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O mundo anda tão complicado

"Circular Específica - Maternal II
Srs. Pais
Realizamos um amigo secreto de frutas hoje durante nossa aula.
Seu(ua) filho(a) sorteou o(a) amigo(a): Arthur
Cuja fruta preferida é a(o): morango
A fruta supracitada deverá ser trazida na quarta-feira, dia 06/08, quando ocorrerá nossa revelação, e a mesma deverá estar preferencialmente embalada para presente."

Ainda sobre lendas urbanas

Elas nem sempre são inofensivas. Um exemplo histórico é a Revolta da Vacina, ocorrida em 1904 no Rio de Janeiro. Correu o boato de que a vacinação obrigatória contra a varíola, proposta pelo sanitarista Oswaldo Cruz, escondia o plano de exterminar os pobres da cidade. Foi o estopim para que a população - que já estava descontente por uma série de outras razões - se rebelasse contra o governo. Os três dias de conflito resultaram em 23 mortos, 67 feridos e quase mil prisões.

Sobre lendas urbanas

Tá bom, confesso que o "vulto misterioso" citado no post anterior fui eu que inventei para dar uma apimentada na história. É mais ou menos assim que nasce uma lenda urbana. Há dois anos recebi exatamente essa pauta para um especial da Superinteressante chamado "O livro das mitologias". Sob o título "Mentiras de pernas longas", o texto citava algumas lendas urbanas clássicas, como a loira do banheiro (um fantasma que assombra as escolas), os gatos-bonsais (criados dentro de garrafas), a carne de minhoca usada pelo McDonald's nos hambúrgueres e a faca escondida dentro do boneco do Fofão. Admita que você caiu em pelo menos uma delas, vá.

A maldição do Coringa

Quando Heath Ledger morreu vitimado por uma overdose de medicamentos, Jack Nicholson - que interpretara o vilão Coringa em um filme anterior da série - teria dito, enigmático: "Eu avisei a ele." Agora foi o acidente quase fatal com Morgan Freeman; um pouco antes o barraco familiar envolvendo Christian Bale, acusado de bater na própria mãe. Sem falar no técnico em efeitos especiais que morreu em um acidente durante as filmagens e no vulto misterioso que aparece em uma das cenas de "O cavaleiro das trevas". Pronto, está criada mais uma lenda de Hollywood. Bom para as bilheterias.

domingo, 3 de agosto de 2008

Onde estará Misha?

Com esse clima de Olimpíadas, fui ao youtube para reencontrar um personagem marcante da minha infância - o ursinho Misha, mascote de Moscou-80 - e acabei descobrindo porque a história do padre Adelir de Carli me dava uma sensação de déjà vu.

sábado, 2 de agosto de 2008

Viva as medidas civilizatórias

Nas entrelinhas da brilhante charge de Frank Maia (do jornal A Notícia, de Joinville) está a dúvida em torno da aplicação efetiva das novas regras relacionadas aos call centers. Sei não... Tomara que essa lei esteja pegando.

Puxa-saquismo redundante

Final de semana em Governador Celso Ramos, pequena e bela cidade litorânea catarinense, infelizmente célebre por ser o reduto em que a famigerada farra do boi resiste aos apelos da civilidade. O antigo nome do município era até simpático - Ganchos, referência ao litoral recortado -, mas algum puxa-saco teve a infeliz idéia de homenagear o tal do ex-governador e criar essa aberração de topônimo. Foi preciso incluir a palavra "governador" no nome porque, por incrível que pareça, já existia outra cidade catarinense chamada Celso Ramos. Resultado: as pessoas que nascem aqui nem sabem o que são. Ramenses? Rameiros? Celsorramistas? Governadorenses? Na dúvida, continuam se chamando de "gancheiros", como antigamente. Mas nem sei porque estou criticando os outros se o nome da minha própria cidade, Florianópolis, é resultado da mais deplorável e indigna das homenagens a um político. Sobre esse assunto falo outra hora, contudo. Não quero me irritar agora.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Historiadores versus jornalistas

Eu havia dito que faria alguns comentários sobre a relação entre Jornalismo e História quando concluísse a leitura do best-seller 1808, do jornalista Laurentino Gomes. Antes, devo lembrar que tenho 15 anos de militância no jornalismo e um breve contato acadêmico com a área de História - o meu mestrado, concluído no ano passado. Logo, meu juízo é possivelmente parcial em favor do Jornalismo, que é (e sempre será) a minha profissão. Acho que um trabalho como o de Gomes é imune a críticas relacionadas à ética, pois ele até exagera ao citar os autores que consultou (jornalistas costumam ser acusados de não dar o devido crédito aos historiadores) e deixa claro desde o começo que seu livro é resultado de uma grande reportagem, e não de uma investigação acadêmica. Ainda assim, tenho certeza que muitos historiadores ficaram indignados por ele ter usado a wikipedia como fonte de informação ou por ter citado autores de diferentes linhas e épocas sem qualquer ressalva nesse sentido. Até acho que os historiadores têm razão ao reclamar da superficialidade dos livros escritos por jornalistas - mas têm razão do ponto de vista deles, cuja obrigação profissional é buscar novas interpretações sobre o passado, com base em uma base teórica consistente e demonstrando conhecer a fundo toda a investigação anterior feita sobre o tema. Já os jornalistas querem apenas contar histórias de forma interessante, e isso muitas vezes coincide com o desejo do leitor (não por acaso, a maior parte das biografias e obras de caráter histórico que se tornam sucesso nas livrarias brasileiras são assinadas por jornalistas). Creio, no entanto, que historiadores também podem publicar livros bem-sucedidos comercialmente, desde que consigam abrir mão do hábito de escrever para os colegas e não para o leitor comum.

Lá vou eu de novo

Vida de frila é mesmo uma caixinha de surpresas. A qualquer momento alguém pode ligar perguntando: "Tá a fim de um trabalho no Rio e em Minas daqui a dez dias?" Claro que sim - aliás, raramente consigo me programar com tanta antecedência. Curiosamente, são dois estados que não visitei no meu recente périplo pelo país.