segunda-feira, 30 de junho de 2008

A Pipa é um sonho

Ontem, na viagem entre Natal e João Pessoa - preferi ir dirigindo, pois de avião demoraria 10 horas -, fiz uma parada estratégica na praia da Pipa, ainda em território potiguar, presença constante na lista das mais belas do Brasil feitas pelas publicações especializados em turismo. E é linda mesmo. Fiquei até o pôr-do-sol, exatamente às 17h30. Depois circulei pela vila repleta de charmosas ruas estreitas. Valeu tanto a pena que nem liguei ter que enfrentar, na seqüência, quase três horas de BR-101 à noite.

domingo, 29 de junho de 2008

Jingle bells

Natal é uma delícia, ainda mais nesta época do ano, com poucos turistas. Pode-se dirigir a 40 km/h pela Via Costeira, com a brisa entrando por um lado e a bela visão das dunas do outro. A cidade tem bons restaurantes e uma concentração interessante de bares na praia de Ponta Negra - local da foto ao lado, com o célebre Morro do Careca ao fundo (hoje é proibido subir nele, para preservá-lo). Além do mais, o povo é simpático, os índices de violência são baixos, faz calor o ano todo... Sigo agora para João Pessoa, já com saudades da linda capital potiguar.

Atravessando sem olhar, seus burros?

A caminho de Genipabu...


Ele está em Genipabu

Isso que é trocar de ramo: da demolição para a construção. E o cara não é fraco não. Escolheu uma das praias mais tchans do Rio Grande do Norte.

Um rasgo de melancolia

Enquanto escrevia o post anterior me lembrei do meu caro amigo Eloy Gallotti, meu mestre, que se foi há alguns anos. Dono de um texto brilhante e de uma carreira cheia de aventuras, como a participação ativa na imprensa alternativa e um período de exílio na França, ele não guardava nada do que escrevia. Dizia que isso era coisa para biblioteca. Que saudade, Eloy. Que saudade.

O valor de um bom conselho

Há 15 anos, quando publiquei minha primeira matéria no Zero, o jornal-laboratório do curso de jornalismo da UFSC, meu irmão mais velho, Marcus, me aconselhou a guardar tudo o que eu escrevesse. Acatei a sugestão e hoje tenho 25 pastas repletas de recortes. Mais do que prova da minha vaidade, esse arquivo tem sido muito útil. Outro dia, por exemplo, o editor da Grandes Guerras (um filhote da Superinteressante), Ernesto Yoshida, perguntou se eu conhecia alguma boa história de ex-combatente da Segunda Guerra Mundial. Lembrei que há uns dez anos, quando trabalhava no jornal A Notícia, conheci um senhor que lutara pelo exército nazista. Graças aos meus arquivos, encontrei a matéria e o nome dele - Klaus Engelhardt -, que eu havia esquecido. Ele vive agora em São Paulo e tem 83 anos. Deu um belo depoimento, publicado na edição da revista que está nas bancas. Brinquei com o Marcus que ia rachar o valor desse frila com ele...

Decifrado o enigma do breu branco

A amiga Anacris, deixando aflorar seu lado mulherzinha, informa que breu branco é uma espécie usada na fabricação de cosméticos chiques. A Natura tem um perfume e uma água de banho feitos com essa "resina perfumada que nasce do cerne das árvores", como diz o site da empresa. Considerando, contudo, que a palavra "breu" se consagrou como sinônimo de escuridão, bem que o pessoal lá do sul do Pará podia encontrar outro nome para a cidade, não é?

sábado, 28 de junho de 2008

Negócios da China

Quando eu era criança (nem faz tanto tempo assim), a China parecia coisa do outro mundo, tão distante quanto Marte. Agora tenho até amigos - como o querido casal Lu e Gian - passando férias por lá. O interesse pelo país-sede das Olimpíadas aumentou muito nos últimos tempos e isso se reflete diretamente nas atividades deste humilde frila: foram três matérias recentes sobre temas chineses. Uma bem grande sobre a chegada ao Brasil das multinacionais de olhinhos puxados, para a Amanhã, de Porto Alegre, e duas para a Exame: uma sobre a indústria automobilística e a outra sobre empreendedores que enriqueceram com negócios ligados à produção de energia limpa.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Viva as cidades médias

Fortaleza tem fortes contrastes sociais. Basta sair da Avenida Beira-Mar, freqüentada nos finais de tarde pela elite e a turistada gringa, para se defrontar com a dura realidade da pobreza. Algo que logo chama a atenção é que quatro em cada cinco carros têm película escura, instaladas principalmente por receio de assaltos, embora contribuam também para reduzir o calor. São problemas comuns às metrópoles brasileiras, claro. Não há comparação com o clima descontraído de Floripa, de Natal, onde estou agora, e de João Pessoa, meu próximo destino. Aliás, nunca esqueço do que o sociólogo italiano Domenico di Masi disse quando o entrevistei para as páginas amarelas da Veja, em 2001: nas cidades médias é que se produz conhecimento para valer, e não é de hoje. Florença tinha apenas 20 mil habitantes quando o Renascimento deu ao mundo dezenas de gênios.

Singeleza

Igreja no caminho para a ilha de Mosqueiro, a uma hora de Belém.



quinta-feira, 26 de junho de 2008

Só não ri porque já fiz pior

O cérebro humano é danado para fundir e confundir expressões. Certa vez, misturei "pé de atleta" com "calcanhar de Aquiles" e escrevi "pé de Aquiles" numa matéria de jornal. Lembrei disso hoje, quando um diretor de RH me falou que a empresa estava contratando um "personal trainee" para dar expediente na academia...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tenho um cordel no currículo

Carne de sol, macaxeira, baião de dois... Que delícia! Isso me faz lembrar do Mamédio, garçom gente boa do insuperável restaurante Andrade, em São Paulo, um entre milhões de nordestinos que ajudam a construir a maior metrópole das Américas. Ele foi o protagonista do cordel "As aventuras de Mamédio na cidade grande", trabalho de conclusão da especialização em foto que a Cris fez no Senac. A Cris teve a excelente idéia de reinterpretar as xilogravuras tradicionalmente utilizadas nesse tipo de literatura. Só que, para acompanhar as imagens, era preciso ter um texto... Adivinha para quem sobrou a tarefa? Arre égua, vixi Maria!

Lost in translation

Outro dia, na escala de Campo Grande, uma moça entrou no avião aos prantos e veio se sentar bem ao meu lado. Ela se chamava Milena e acabara de se despedir da mãe e das irmãs, que visitara após oito anos distante. Embarcaria naquela mesma noite para os Estados Unidos, onde o marido e a filha pequena a esperavam. Ontem vi que ela deixou um recado no orkut agradecendo a mim e à outra vizinha de poltrona, Vanessa, por tê-la ajudado a superar um momento difícil.

terça-feira, 24 de junho de 2008

A falta que faz um idealista

Pena ler as notícias sobre a crise na Caros Amigos após a morte do idealizador e editor-chefe, Sérgio de Souza. Sou muito grato a ele, que me recebeu para uma encorajadora conversa logo que cheguei a São Paulo, em 1999, sem conhecer quase ninguém por lá. Naquela época, publiquei na revista uma matéria sobre o flautista Patápio Silva, que viria a ser tema do meu mestrado em História. Ano passado, quando completou-se o centenário de morte de Patápio, voltei ao tema no site da Caros Amigos.

Lei das compensações

Metade da viagem já se foi. A parte mais difícil, com longos trechos de estrada, já passou. Agora estou em Fortaleza para iniciar a turnê de oito dias por cinco capitais do Nordeste. Em contrapartida, a saudade de casa começa a apertar cada vez mais.

Prefeito Barreirinhas, me explique essa

Gostaria de saber quem foi o gênio que batizou uma simpática cidade paraense por onde passei de Breu Branco. De acordo com o site da prefeitura (cujo lema é "Com fé venceremos") , a origem do nome é a grande quantidade de árvores de onde se extrai a resina utilizada na fabricação do breu. Nem assim me convenceu - onde raios entra o "branco" nessa história? Vou pedir maiores esclarecimentos ao prefeito Barreirinhas.

A polícia do Pará me persegue

Estar viajando sozinho pelas estradas pouco movimentadas do sul paraense e deparar com uma blitz policial não é das sensações mais agradáveis. Mas os dois policiais - que suavam adoidado embaixo daquele solão - foram cordiais e corretos. Pediram os documentos e segui tranqüilo. No ano passado, quando passei dez dias em Parauapebas (na região de Carajás e Serra Pelada) fazendo pré-produção para uma agência de publicidade, enfrentei momentos bem mais tensos. Durante o dia, o fotógrafo que me acompanhava, o mineiro Alexandre Mota, havia feito imagens gerais da cidade - incluindo a rua principal, onde ficavam as duas agências bancárias. À noite, alguém bateu à porta do meu quarto no hotel. Achei que fosse o Alexandre e gritei "entra, tá aberta", mas nada de ele entrar. Bateram de novo e falei "entra!" ainda mais alto. Na terceira vez, levantei um tanto irritado e abri a porta bruscamente - o que, logo percebi, foi um tremendo risco. Dei de cara com cinco fuzis apontados para a minha cabeça. Os policiais desconfiaram que éramos assaltantes de banco preparando terreno - como se assaltantes de banco dessem bandeira com uma enorme máquina fotográfica... O mais engraçado é que, feitos os devidos esclarecimentos, um minuto depois eles já nos tratavam como amigos de infância.

domingo, 22 de junho de 2008

Até mais, Belém

Estou me despedindo da acolhedora Belém, terra de gente simpática que pontua as frases com a expressão "égua". Ontem, meu dia de folga, aproveitei a cidade ao máximo. O centro tem o Forte do Presépio e o célebre Mercado Ver-o-Peso, além de museus como o de Arte Sacra. Surpreendi-me ao encontrar a Estação das Docas, reduto gastronômico que lembra muito Puerto Madero, em Buenos Aires. A capital paraense é repleta de árvores, especialmente mangueiras, e cores - como demonstra a foto ao lado, que tirei há pouco, durante a passagem do Arraial da Pavulagem, tradicional evento ligado às festas juninas. Adorei o tucunaré e o filhote, peixes típicos da região, e o sorvete do sabor caribó, mescla de castanha-do-Pará com cupuaçu. Também visitei Mosqueiro, a uma hora e meia de Belém, balneário com várias praias à beira do rio Pará. Só lamento não ter tido tempo de ir à Ilha de Marajó e de não poder ficar para o clássico entre Paysandu e Remo, daqui a pouco - tenho cinco horas de estrada pela frente, rumo ao Sul do Pará.

Taxistas são ótimos pauteiros

Foi justamente na cidade de Lábrea, terra natal do taxista Antônio (leia logo abaixo "Uma triste história da selva"), que a Polícia Federal descobriu um grande esquema de extração ilegal de madeira, como mostrou o Jornal Nacional ontem.

Que nem o chinesinho dos pratos

Um dos maiores desafios da vida de frila é estar envolvido até o pescoço em uma missão e ter que encontrar meios de resolver as pendências que surgem de trabalhos anteriores. O único jeito é esquecer que a palavra "impossível" existe.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Um pouquinho de marketing pessoal

Achei muito bonita a capa da Exame que está nas bancas, sobre a China. E juro que não estou elogiando só para dizer que tem uma materinha minha nessa mesma edição, sobre o aumento da procura por conselheiros independentes nas empresas brasileiras.

Uma triste história da selva

Desembarquei há pouco em Belém, com direito a um amanhecer em tom de mistério - mezzo ensolarado, mezzo chuvoso - na escala em Santarém. Ontem à noite fui ao centro de Manaus e circulei pelos arredores do imponente Teatro Amazonas, região repleta de casas antigas e barzinhos com mesas na calçada. No caminho para lá, o motorista de táxi, Antônio, me contou que acabara de voltar de uma viagem à terra natal, Lábrea, a uns 700 km de Manaus. Depois de duas décadas longe, ele chorou ao ver que as margens do rio Purus perderam as árvores gigantescas de sua infância - cupiúbas, sumaúmas, jacareúbas, intaúbas, jacarandás e miratingas, todas com quatro, cinco metros de diâmetro. Tudo se transformou em um grande capoeirão. Antônio contou também que trabalhou em uma serraria logo que chegou a Manaus e o patrão dele extraiu ilegalmente, de uma só tacada, mais de 3.000 troncos de mogno, a maior parte trocados com ribeirinhos por produtos de primeira necessidade.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Será que somos tão antipáticos assim?

Vi parte do jogo do Brasil em Guarulhos, no portão de embarque para Manaus. Como o mesmo avião ia para Caracas, havia muitos venezuelanos, especialmente um grupo de uns 20 sujeitos que deviam ser colegas de trabalho. Torciam descaradamente para a Argentina.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Aí está ela

Linda, não? A enxerguei do asfalto, quando passava pela região de Barra do Bugres (MT). Estava um pouco longe, no meio da mata. Entrei numa estradinha de terra, abri uma porteira e espantei um bode com cara de louco para chegar lá. Tem uns vinte metros de altura. Por coincidência, havia um livro de árvores brasileiras na sala de espera de uma das empresas que visitei hoje e encontrei a foto de uma irmãzinha dela. Salvo engano, trata-se de uma tabebuia impetiginosa - ou ipê rosa, para os íntimos.

Guga foi meu Sinatra

Por falar na matéria sobre o Guga, produzi-la me remeteu a um clássico texto que todos lemos no curso de jornalismo, "Frank Sinatra has a cold". Em 1966, Gay Talese foi escalado para fazer um perfil do Blue Eyes para a Esquire, mas nada de conseguir a entrevista. Decidiu então conversar com as pessoas-chave ao redor do dito cujo. Fiz o mesmo, guardadas as devidas (e põe devidas nisso) proporções. Enquanto o Guga estava naquela interminável turnê de despedida e nada de me ligar, falei com a mãe, dona Alice, o irmão, Rafael, o técnico, Larri Passos, o ex-companheiro de circuito Fernando Meligeni e um monte de amigos de Floripa e de outros lugares. Doze entrevistas ao todo. Três semanas depois, já em cima do deadline, consegui um rápido pingue-pongue de três ou quatro perguntas. Mas confesso que já estava até gostando de não ter aspas do personagem principal - afinal, foi exatamente isso que aconteceu com Talese, já que Sinatra permaneceu irredutível até o fim.

Um conselho do mui amigo

No final da minha matéria sobre o Guga, publicada na edição de maio, os editores da VIP fizeram uma brincadeirinha comparando o tenista a outros ídolos do esporte nacional. Lembraram algumas bolas fora do Pelé, do Oscar, do Ronaldo Fenômeno e do Senna. Foi o suficiente para alguns fãs do Senna escreverem indignados, como mostra a seção de leitores deste mês. É impressionante o fascínio que a morte na juventude desperta. Senna e Piquet foram do mesmo nível, mas, enquanto o primeiro morreu heroicamente na curva Tamburello, o outro andou freqüentando cursinho de reabilitação do Detran. Se você tem planos para a posteridade, portanto, trate de bater as botas antes que seja tarde demais.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Morram de inveja

Soube que Floripa teve a madrugada mais fria do ano, daquelas de deixar camada de gelo nos vidros dos carros. Aqui em Cuiabá está fazendo 30 graus, às oito da noite. Acho que vou pegar uma piscininha no hotel, he, he.

Amor à primeira vista

Ela fez valer a pena ter acordado às quatro da manhã e ter dirigido mais de 600 km pelo interiorzão do Mato Grosso. Estou de volta a Cuiabá e continuo fascinado pelo encontro de cinco horas atrás. Tanta beleza me deixou com os olhos cheios de lágrimas... Foi muita sorte tê-la visto ali, na beira da estrada, toda de rosa. Amanhã coloco uma foto dela. (Espero que a Cris não peça separação até lá.)

domingo, 15 de junho de 2008

O Brasilzão me espera

E já começo com uma aventura daquelas. Pelo quinto ano seguido, integro a equipe que visita as finalistas do Melhores Empresas para Trabalhar, anuário das revistas Exame e Você S/A. Neste ano tive a sorte de pegar um roteiro maravilhoso: Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Serão oito estados percorridos em 18 dias de viagem. É uma correria maluca, mas sempre sobra tempo para conhecer os lugares. Notícias aqui pelo blog.

Réquiem a fogo-fátuo

Eis que, dois anos depois do fim melancólico do fogo-fátuo, estou de volta à lida blogueira. A culpa é do brilhante colega Dauro Veras, que me lembrou dia desses da minha promessa de postar antes das Olimpíadas de 2008 - está lá, no texto derradeiro do finado. Desta vez, contudo, venho com um blog temático: as aventuras, ilusões e desilusões de um jornalista free-lancer. Não são poucas, garanto.