segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ufa ufa ufa

Hoje pela manhã fui ao colégio do Lauro, a convite da professora de português Ana Carina, para conversar com duas turmas - inclusive a dele - sobre jornalismo e histórias de vida. Momento certamente tenso para um rapazinho de 12 anos. O pai ali na frente de todos os colegas... Assim que nos reencontramos fora da sala fui logo perguntando:
- E aí, queimei o teu filme?
- Não. Mandou bem.
Ufa.

domingo, 30 de maio de 2010

No final sempre dá certo

O volume de trabalho e de compromissos que me aguarda nesta semana é aparentemente tão impossível de ser cumprido - ainda mais com o feriado (para os outros) de quinta - que neste momento eu não sei se sento e choro, se dou um pulo na praia para bater um papo com a gaivota ou se simplesmente encaro a realidade e mando ver desde já. Ok, eu sei que a opção correta é a três.

À Cris

Treze anos de casamento hoje. O número da sorte.

sábado, 29 de maio de 2010

Cinema com inteligência

Mas sem pedantismo. É o blog do Zé Geraldo Couto, que mora aqui em Floripa e trabalha para a Folha. Meu ex-companheiro de peladas, gente boa pacas (ex porque eu abandonei as peladas; ele continua firme). Demorou, mas vou colocar já na lista dos recomendados aí do lado.

Os sites mais visitados do Brasil

O Google divulgou o ranking dos 1.000 sites mais acessados do mundo em abril - lista que, curiosamente, exclui o próprio Google, que deve ser disparado o primeiro lugar. O Facebook aparece na frente, com 540 milhões de visitantes. Há os seguintes sites com a extensão ".com.br" na lista:
95º UOL (23 milhões de visitantes)
182º Terra (15 milhões)
357º Baixaki (9,1 milhões)
468º Mercado Livre (7,5 milhões)
477º IG (7,5 milhões)
536º Abril (6,8 milhões)
2.354.134.747º Vida de Frila (1,8 mil)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O segredo da gaivota (I)

Devo, então, contar-lhes como tudo começou. Não espero que acreditem em cada palavra, pois nem mesmo eu acreditaria.

Hahaha, gostaram do início? Chupei de uma revista de sacanagem. Depois dessa introdução cheia de não me toques, o sujeito começa a contar as maiores barbaridades. Aparece até pônei na jogada.

Mas vamos ao que interessa. Era o início de um dia feio de inverno – uma manhã enfarruscada, como diria minha tia Ermelinda, que o diabo a tenha em bom lugar. Ela foi a única que estudou um pouco na família e usava essas palavras diferentes só pra humilhar a gente. De que adiantou? Nadica. Morreu na miséria, a desgraçada.

Então. Era o início de um dia enfarruscado de inverno, naquele horário em que a gente não encontra ninguém na rua além dos bêbados muito bêbados e dos trabalhadores muito trabalhadores.

Eu não tava tão bêbado – o efeito da garrafa de 51 que eu zerei meia hora antes já tinha passado – e também não sou lá um grande trabalhador.

Ganho a vida fazendo – como é mesmo que se diz? – expedientes. Nunca fui um bandido bandido, que nem o Pedrão Biloca, batedor de carteira de mão cheia, ou o meu primo, o Zeno da Zena, que tá cumprindo 12 anos por assalto a joalheria.

Eu faço mais a linha generalista. Golpe em viúva, bilhete premiado, boa-noite cinderela, essas brincadeirinhas que depois até a vítima acha engraçado.

Mas, voltando ao assunto... Desculpa, eu tenho esse hábito de ser... Como é mesmo que se diz? Relapso? Não, peraí, deixa eu olhar no dicionário... É uma palavra tipo distraído, mas não é bem isso. Ah, taqui. Disperso. Eu sou meio disperso.

Então. Eu tava na rua prospectando oportunidades. Resolvi começar o expediente bem cedo naquele dia, apesar da chuvinha de molhar otário – no caso, eu mesmo – e do vento desgraçado nas orelhas.

Passei na feira e afanei uma manga e duas bananas, pra manter a forma. O otário do verdureiro nunca me flagrou no ato. Passo ali duas vezes por semana, não compro porra nenhuma, e o cara nunca desconfiou. Este mundo é mesmo cheio de otário.

Segui até a praia. A noite tinha sido de mudança de lua, o que significa maré cheia, o que significa um monte de lixo na areia. Vocês não imaginam o que eu já encontrei no meio daquela porcariada toda. Moeda antiga, um anel de ouro, uma escova de dente quase novinha - uso até hoje - e uma embalagem de pomada Minâncora com um bilhete dentro escrito “Branca de Neve esteve aqui”, em letra bem caprichada de mocinha.

O bom de procurar lixo na praia é que, se você não encontra nada que preste, sempre corre o risco de dar um ganho em algum otário desfilando com um tênis cheio de frufru ou com um daqueles aparelhinhos de escutar música que eu não sei o nome. Só sei que o Torquato compra por 20 mangos.

O Torquato é um baita pilantra. Você chega lá com a mercadoria e ele sempre diz que não interessa, que tá com várias iguaizinhas no estoque, tudo encalhado. Aí você baixa o preço, só falta pedir pelo amor de deus, e no final ele aceita o negócio, mas “só pra te ajudar porque tu é meu camarada”. Desgraçado. Tu vende o negócio pela metade do que vale e ainda sai de lá pensando: “cacete, esse Torquato é gente boa mesmo.” Cara, se eu fosse bandido bandido mesmo, enfiava a peixeira nesse cabra.

Mas eu já falei que não sou um bandido bandido. Sou só um merdinha que quer um pouco de paz e amor na vida. Não tenho culpa se essas coisas custam dinheiro.

Pois é. Então. Aquele dia a bagulhada da ressaca tava fraquinha. Uma pilha enferrujada, um ralo de banheiro, um monte de tampa de margarina... Não entendo porque sempre tem um monte de tampa de margarina no lixo da ressaca. Quem será o desgraçado que come tanta margarina lá em alto mar? A Pequena Sereia, o Nemo, o Aquaman?

(continua)

Novas revelações sobre a gaivota que fala

Ela vem de outra dimensão e desaparece em buracos que se abrem no céu.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sobre as desvantagens de não ser milionário

Dando aquela passadinha obrigatória nos blogs amigos, captei no ar a seguinte tuitada do Dauro: "A vida teima em bater na minha porta com assuntos bem mais interessantes que os que me pagam as contas. Também acontece com você?" O tempo todo, meu caro. O tempo todo.

O segredo da gaivota

Enquanto eu tirava esta foto, uma gaivota flutuou bem em cima de mim, pairando no ar contra o vento, e chegou tão perto dos meus ouvidos que tive a impressão de que me contaria algum segredo. Acho até que chegou a falar alguma coisa, mas a onda arrebentou bem na hora e não consegui entender.

Sonhos que desmoronam

É muito triste o que vi hoje na Praia da Armação, cujas casas estão sucumbindo à força do mar. Os moradores estão desesperados, como não poderia deixar de ser. Quem conhece o local há mais tempo e o vê hoje fica realmente encafifado: o que está acontecendo para uma mudança tão rápida no nível do oceano e na força das ondas? (Para saber mais sobre o assunto, recomendo visita ao blog do grande repórter Celso Martins).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

As profundas reflexões do alvorecer

Perto da praia tem um cachorro - cruza da pastor alemão com vira-latas - que não tem uma orelha. Foi batizado de Tevez, mas eu acho que o nome perfeito seria Van Dog.

Tainha e mau humor

Os pescadores de tainha são, na maioria, tremendamente ranzinzas. É como se o mau humor fizesse parte da tradição passada de pai para filho. Eles dão um peixe a quem ajuda a puxar a rede, mas é muito mais pela obrigação de honrar o legado do que propriamente por reconhecimento à colaboração. Hoje bem cedo fui caminhar na praia do Campeche, como tenho feito regularmente, e lá havia um punhado deles, de prontidão, à espera do primeiro lance da temporada - a expectativa aumentou nas últimas horas com a queda da temperatura. Cheguei perto do grupo e ia até puxar papo quando um deles mandou um recado que certamente era para mim, embora não tenha olhado em minha direção: "aqui só camarada ganha peixe". Ou seja, ele estava insinuando que eu havia aparecido por lá apenas porque havia a perspectiva de um lance. Ora, vá. A praia é pública.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Toda vida é fascinante

Levei a Lígia hoje para vacinar contra o H1N1 (a campanha foi ampliada para a faixa etária entre dois e quatro anos) e durante a meia hora de espera fizemos dois novos amigos entre as pessoas que esperavam atendimento no Posto de Saúde do Campeche. Sentada do lado direito, Munique, uma moça de 20 anos que nasceu e sempre viveu no bairro. O nome deveria ser Monique, mas por algum engano acabou grafado como o da cidade alemã. Ela está à procura de emprego, mas a falta de experiência atrapalha. Eu a aconselhei a continuar firme na busca e a agarrar a primeira oportunidade com disposição e vontade de aprender, que isso já será um tremendo diferencial. Do nosso lado esquerdo, Einstein - isso mesmo, Einstein! -, um goiano radicado em Floripa que trabalha em projetos ambientais e nas horas vagas é guitarrista de uma banda de reggae. A mãe foi fazer carreira militar nos Estados Unidos, onde vive há muitos anos, e acabou casando com um investigador do FBI. Ora eu conversava um pouco com a Munique, ora com o Einstein. Ambos mencionaram morar perto do supermercado Bayar, e então apresentei um ao outro com esse "gancho". Eles descobriram que tinham vários conhecidos em comum e talvez engatem uma amizade a partir daí. De minha parte, fico feliz em perceber que, depois de quase duas décadas no jornalismo, continuo tão ou mais interessado por histórias de vida do que quando comecei. Que essa chama jamais se apague.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O fim de Lost

Não vi um episódio sequer de Lost, mas mesmo assim o seriado que terminou ontem me garantiu alguns momentos de diversão: acompanhar em blogs especializados as discussões entre quem achou o final lindo e poético (embora continuem sem entender patavina) e aquelas que dizem ter sido enroladas ao longo de seis anos. Acho curiosas as tentativas de intelectualizar uma discussão sobre algo que não passa de um produto de entretenimento. Por que as pessoas não admitem que viam o negócio apenas por diversão, e não para refletir profundamente sobre a essência e os mistérios da vida? Os caras iam escrevendo o roteiro e testando o que ajudava a dar audiência. Sabiam que poderiam criar as situações mais surrealistas, pois tudo se resolveria com um final "aberto a interpretações". Pode parecer cruel para quem ficou matutando ao longo de seis anos sobre o significado disso ou daquilo, mas... Já que o momento é de interpretações, tenho o meu palpite: talvez o título do seriado seja uma referência irônica e subliminar ao tempo perdido pelos telespectadores, hã?

domingo, 23 de maio de 2010

Um dia de domingo

Preparei hoje esta deliciosa paella para os vizinhos. (Mentira. O chef foi o Pepe Nuñez, diretor de teatro e espanhol legítimo. Eu só fiz a pose e o Edu, outro camarada bacana que a vida tratou de trazer para perto da gente, tirou a foto, tornando-se cúmplice da armação.)

sábado, 22 de maio de 2010

See you tomorrow

Consegui avançar uns 15 anos na vida da moça. O problema é que ela viveu 100 (não, não é a biografia da Dercy Gonçalves). Café, bolo de chocolate e Jorge Drexler são ótimas companhias, mas tenho que admitir que estou me entregando a Sandman - aquele papo de ver o sol surgir por detrás da montanha não passava de retórica poética (de terceira categoria, a propósito). Então, como já dizia Cid Moreira... Boa noite.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O post do pino solto

Vida de frila é meio maluca. Temos que aproveitar os momentos de inspiração, se é que isso existe. Cá estou eu, portanto, em plena noite de sexta, mergulhado em uma missão inusitada: dez dias para escrever uma biografia a partir de materiais esparsos - transcrições de entrevistas, currículos, discursos, citações na internet etc. Aceitei essa pequena loucura sobretudo para ajudar um amigo editor pressionado pelos prazos, embora a remuneração não seja ruim. Mas confesso que mal conheci a minha personagem e já estou me apaixonando, assim como me apaixonei inúmeras vezes ao longo da carreira de jornalista. Nunca me esqueço, por exemplo, do ermitão Tibúrcio, que vivia sozinho na Lagoinha do Leste e juntava garrafas pet para enfeitar sua casinha. Anos depois de conhecê-lo, soube que ele havia posto fim à própria vida, desiludido por um amor não correspondido. Que personagem! As obras de ficção que pretendo escrever no futuro têm lugar reservado para Tibúrcio. De onde se conclui que as obras de ficção que pretendo escrever no futuro não serão obras de ficção - tudo o que tenho feito até agora é colher material. Enfim, enfim, este post já está se alongando demais. O que quero mesmo é saber o que vai acontecer com a minha personagem da vez, de tal forma que talvez a noite passe num sopro e eu ainda esteja por aqui quando o sol surgir por trás do Morro do Lampião. Afinal, não sei se já disse isso, vida de frila é meio maluca.

BBB (brasileiro é bicho burro)

Conforme comentei alguns posts abaixo, tomei a vacina contra o H1N1 esses dias em São Paulo, num posto em plena Avenida Paulista. Gastei um minuto, pois havia três simpáticas enfermeiras à disposição e ninguém na minha frente. Leio agora que, com o prazo da campanha perto do fim, apenas 40% das pessoas na faixa etária entre 30 e 39 anos já foram vacinadas e que hoje foi um dia de filas enormes. Há certas coisas que, definitivamente, não dá para entender.

O retrato de Lou Salomé

Se inventassem uma máquina do tempo que permitisse conhecer uma pessoa que já morreu, minha escolha seria Lou Salomé (1861-1937). Eu havia apenas ouvido falar da mulher que tirou Nietzsche, Freud, Rilke e mais uma meia dúzia de intelectuais do prumo - influenciando decisivamente a obra de todos eles e levando um ou outro à loucura ou ao suicídio -, até que deparei com o instigante perfil incluído no livro A Vida das Musas (que tenho há alguns anos e estou finalmente lendo). "Embora Lou gostasse de citar a descrição lisonjeira de Freud (ou assim supunha ela) de si mesma como um 'domingo' no meio de seus colegas mais sisudos trabalhando em suas pesquisas durante a semana, o fato é que ela e os homens que influenciou não poderiam levar-se mais a sério. Todos eles pensavam em termos grandiosos, abstratos, e eram impulsionados por um poderoso imperativo messiânico. Ninguém, no grupo pouco comum que Lou escolheu dentro da massa disponível da humanidade, duvidava sequer por um momento que seu trabalho individual era uma questão de vida ou morte; e parte da eficácia de Lou como musa pode ser atribuída à sua crença de que eles estavam certos", descreve a autora Francine Prose.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Beijoqueiro e a Wikipédia

Não me pergunte como - talvez só Freud possa explicar um negócio desses -, mas de repente lembrei do Beijoqueiro, um português maluco que aparecia nos eventos mais importantes e tentava beijar as celebridades. Sem nada urgente para fazer (conforme descrevi no post anterior), dei um google e cheguei à Wikipédia, que tem um verbete sobre o sujeito. Verbete iniciado de forma pitoresca: "As informações sobre o Beijoqueiro (2 de março de 1940), alcunha atribuída pela imprensa a José Alves de Moura, por seu hábito de aparecer em eventos beijando celebridades, são poucas e desencontradas." Mais engraçada ainda é a divisão da biografia entre "ascensão" (período iniciado ao beijar Frank Sinatra durante a célebre apresentação no Maracanã, em 1980) e "declínio" (a partir de 1999, quando foi visto beijando compulsivamente o asfalto da Avenida Presidente Vargas, no Rio). O fundo do poço ocorreu em 2007, quando ele beijou a Dercy Gonçalves na boca em plena festa de 100 anos da moça. Um verbete como esse merecia um grand finale: "Nos dias atuais, o Beijoqueiro anda pelo Rio de Janeiro. Alguns dizem que ele está maluco, pois pede pessoas em casamento, oferecendo muito dinheiro."

O melhor trabalho do mundo

Ainda bem que quase sempre tenho trabalhos urgentes para entregar. Quando não há nada urgente, minha tendência natural é postergar. Acho que é assim com todo mundo. Afinal, por mais que a gente goste do que faz, passar a tarde estirado no sofá lendo um bom livro tem lá seu apelo. Ontem, dei uma paradinha para relaxar e puxei uma coletânea de contos do Rubem Fonseca, Ela e Outras Mulheres. Pretendia ler apenas por dez minutos, mas, quando me dei conta, havia devorado os 27 contos - 170 páginas de aproximadamente 1.400 caracteres cada. Minha sorte é que ler faz parte do meu trabalho, pois, para escrever, preciso estar sempre lendo. Sou mesmo um sujeito sortudo.

A escolha de Belluzzo

O Palmeiras elegeu um homem preparado e bem intencionado, Luiz Gonzaga Belluzzo, para presidir o clube. Trata-se de um economista renomado, conhecedor profundo das teorias de administração e tudo o mais. Mas o futebol é um mundo onde a malandragem predomina - e esse não é o mundo de Belluzzo. Fico imaginando quantas armações devem ocorrer nos bastidores sem que ele sequer tome conhecimento. As sucessivas demissões dos técnicos Luxemburgo, Jorginho, Muricy e Antônio Carlos, as constantes brigas entre jogadores e as intromissões da torcida revelam uma tremenda falta de rumo. E o que Belluzzo deve fazer agora? Insistir numa situação que se tornou quase insustentável, sob o risco de levar o Palmeiras de volta à Segunda Divisão, ou renunciar ao cargo e deixar o clube à mercê daqueles que têm intimidade com a malandragem? Escolha difícil.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Não me canso de estar pegando no pé deles

- Aqui não mora ninguém com esse nome.
- Peço então o favor de que o senhor esteja desconsiderando esta ligação.
Por que os gênios do telemarketing tentam substituir fórmulas simples, eficazes e consagradas como "Desculpe, foi engano" por aberrações quilométricas e gerundísticas?

domingo, 16 de maio de 2010

presidencia@paidetodos.ceu

Os ditos populares são sábios e precisos. Um deles diz que há três coisas que não devem ser discutidas: futebol, religião e política. Cada vez mais concordo com isso, pois percebo o quanto as pessoas tendem a confundir "ter opinião" com "ser o dono da verdade". Dia desses, acompanhei uma discussão entre duas pessoas que apoiam os principais candidatos à presidência. Maravilha, isso é democracia. Mas cada um tentava desqualificar a opinião alheia com afirmações categóricas e definitivas, como se o mundo se limitasse aos "bons que estão do meu lado" e aos "maus que estão do outro lado". Nenhum deles reconhecia qualquer aspecto positivo no outro lado - e isso, pode-se dizer, é a síntese do que se costuma chamar de intolerância. O mais engraçado é que, para quem acompanhava a discussão com certo distanciamento partidário-ideológico, era como o roto criticando o esfarrapado, pois não parece haver tanta diferença entre um e outro. Quando se fala sobre futebol, então, é um show de preconceitos capaz de contaminar até mesmo as pessoas mais esclarecidas. Por fim, jamais entendi como as pessoas podem afirmar que a sua religião é a "correta", enquanto as demais são as "incorretas". Há algum canal direto de comunicação com Deus que eu ainda não conheço? Um "Fale com o Todo-Poderoso"? Qual o e-mail Dele?

From here to eternity

Estou tentando implantar aqui em casa uma espécie de cota para filmes antigos: um clássico a cada três locações. Não é uma meta fácil, diante do apelo dos novos filmes e do acervo defasado das locadoras. Mas os filmes antigos já se tornaram eternos, enquanto um Avatar da vida precisa amadurecer por meio século para chegar lá (nesse caso específico, aliás, acho que nem chegará).

A pesca da tainha, 115 anos atrás

Começou hoje a temporada de pesca artesanal das tainhas, ritual que se mantém exatamente do jeito que era em 1895, quando Virgílio Várzea publicou Mares e campos - Quadros da vida rústica catarinense. Com sorte, quem estiver caminhando por uma praia de Floripa durante os dois próximos meses poderá presenciar a cena descrita por ele (e, conforme manda a tradição, ganhar uma bela tainha caso ajude a puxar a rede):
"Os camaradas e ajudantes das redes colhiam, agora, com admirável trabalho de destreza, as primeiras malhas. O peixe sentindo-se em seco, entrou a saltar, aos milhares, com relâmpagos cor de prata (...). E o peixe começou a alastrar a praia, numa onda vida e colossal de corpos fulgurantes, torneados, polidos, como formados de aço, a se debater, aos roncos, numa angústia e convulsão de morte, as bocas abertas, ofegantes, como exalando almas. Eram tainhas do corso, de mais de meio metro, lançadas ali aos milhares, de barriga argêntea e dorso verde negro, a cabeça alentada, a chicotear tremulamente, com as escamosas caudas de prata, o pó alvo, granulado de areia. As redes rojavam agora, em desordem, naquele pedaço da costa, com o seu esburacado tecido de malhas, à maneira de velhas bambinelas rasgadas, sacudidas à babugem e lixaria das praias.
- Cem mil! Gritou o Zé Souza, erguendo-se e mandando botar para baixo a canoa que patroava."

quinta-feira, 13 de maio de 2010

No tempo do reboquete

Meu amigo Cley Scholz, que trabalha no Estadão, está de blog novo por lá, o Reclames, que mostra e comenta anúncios de antigamente no jornal. Já foi para a lista de indicados aí do lado.

A tal da globalização

Eu, que moro em Floripa, assino na Você S/A deste mês uma matéria sobre o crescimento das oportunidades de trabalho no Nordeste.

Não esqueçam da vacina

Tomei a vacina contra o H1N1 ontem, em plena Avenida Paulista. Como a maior parte dos meus amigos está na faixa dos 30, vale o lembrete.

Ela me levou aos céus

Desci há pouco em Floripa a bordo de um avião da TAM pilotado por uma mulher. Foi o pouso mais suave que já tive.

terça-feira, 11 de maio de 2010

De volta ao aeroporto

Nem vou desarrumar as malas. Amanhã cedo parto para dois dias de trabalho em São Paulo. Até a volta!

Buenos Aires (6)

Este é Gustavo, um fileteador - trata-se de uma tradicional arte portenha. Estou tentando vender um frila a respeito, com um gancho interessante que descobri por lá. Eu e a Cris sempre vendemos uns frilinhas na volta das viagens, com o duplo objetivo de recuperar parte do investimento e deixar registros para a posteridade. (Foto: Cristiane Fontinha)

Buenos Aires (5)

Toda cidade tem lugares turísticos que basta visitar uma vez na vida. Dispensamos El Caminito e La Bombonera, o estádio do Boca Juniors, em nome de descobertas como o simpático bairro de Villa Crespo e alguns excelentes restaurantes e cafés que a Cris conheceu em blogs descolados. Mas há também os lugares que precisam ser sempre revistos, como Puerto Madero (na foto).

Buenos Aires (4)

Enquanto a feira de rua realizada aos domingos tem de tudo um pouco, o Mercado de San Telmo é especializado em antiguidades. Visitá-lo é como entrar numa máquina do tempo. Olha só quantas quinquilharias nas prateleiras.

Buenos Aires (3)

A feira de San Telmo, realizada aos domingos, tem trilha sonora de primeira qualidade. Muitos músicos de formação erudita tocam nas ruas. O violonista que aparece na foto me impressionou com a execução de Carmina Burana.

Buenos Aires (2)

Buenos Aires é perfeita para walkaholics - as ruas oferecem uma infinidade de cenas encantadoras. Em lugares assim pode-se caminhar por horas e horas.

Buenos Aires (1)

Foram três dias perfeitos em Buenos Aires - sol com frio, uma delícia. Na cidade só se fala do Bicentenário (no próximo dia 25 comemoram-se os 200 anos da Revolução de Maio, estopim do processo que culminou com a independência do país seis anos depois, em 1816). Na foto, a Casa Rosada aparece cercada por tapumes para a preparação dos festejos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Modelo de mão?

Sim, isso existe. Descobri por acaso enquanto procurava por outro Gargiulo. E olha que o cara trabalha um bocado.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um blogueiro em crise

Neymar, como se fabrica um pequeno monstro. Amigos não deviam falar de política. Convocação por e-mail para cortar o cabelo. Marcelo Mirisola detonando Floripa. Como era a pesca da tainha há mais de um século. Pequenas flores vermelhas que nascem de espinhos, metáfora da vida. Chico ou Caetano? Memória afetiva. Todos esses são posts que não se materializaram nos últimos dias. Será que o Vida de Frila está com os dias contados ou é só uma crise passageira?