quinta-feira, 19 de novembro de 2009

As empresas mais desejadas

Pesquisa da consultoria Hewitt Associates revelou quais são as empresas em que os brasileiros mais gostariam de trabalhar. A Petrobras aparece disparada na primeira posição, a exemplo do que ocorrera na mesma pesquisa ano passado. O Google pulou da sexta para a segunda posição e a Natura da quinta para a terceira. Fiz a matéria para o Valor Econômico (está a partir da página 100 da revista Valor Carreira deste mês).

Uma revista só de boas notícias

Saiu o Anuário de Sustentabilidade da Exame, que destaca empresas com bons projetos de responsabilidade social e ambiental. Escrevi o perfil da Masisa, que se esforça para produzir painéis de madeira de forma sustentável. Além de explorar racionalmente os recursos que asseguram o fornecimento da matéria-prima – seja pelo manejo de florestas próprias ou pelo estabelecimento de parcerias ambientalmente corretas, baseadas em rigoroso controle da origem das madeiras –, a empresa aplica modernos conceitos de ecoeficiência. A nova fábrica, em Montenegro (RS), que começou a operar em maio, tem 99% da matriz composta por energia térmica renovável, proveniente do reaproveitamento de resíduos que até então se transformavam em passivo ambiental, como o pó e as cascas de madeira. Toda a água utilizada no processo industrial provém da chuva ou da reciclagem dos efluentes – a unidade tem um reservatório do tamanho de três campos de futebol, suficiente para quatro meses de consumo. Há ainda um “lavador de gases”, equipamento que impede que partículas muito finas de madeira expelidas durante o processo de fabricação dos painéis sejam lançadas na atmosfera.

Ainda sobre futebol

Dois jogadores do Palmeiras brigaram um com o outro e foram expulsos no jogo desta noite contra o Grêmio. Perfeito e justo - está na regra. O que ninguém entende é porque dois jogadores do São Paulo brigaram na rodada anterior, chegando também à agressão física, e foram advertidos apenas com cartões amarelos. Há uma regra específica para o São Paulo e outra para os demais clubes?

Seria bonito, Henry

Se você levantasse a mesma mão que conduziu a bola irregularmente e dissesse ao árbitro: "não, o gol não vale, a França não pode ir para a Copa com um roubo descarado desses". Mas você ficou quieto e comemorou a classificação do seu país com um sorriso amarelo, o sorriso de quem sabe que errou e não foi capaz de se redimir. Nenhum jogador faria isso, você pode alegar. Sim, o futebol é mesmo um mundo sórdido. Tanto entre profissionais quanto entre os peladeiros mais chinfrins, basta rolar a bola para que a ética e a cordialidade saiam de fininho pela linha de fundo.

In my life

There are places I'll remember
all my life, though some have changed.
Some forever, not for better;
some have gone and some remain.
All these places had their moments
with lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living,
in my life I've loved them all.

(Fãs dos Beatles, não deixem de visitar o thebeatles.com).

sábado, 14 de novembro de 2009

A turma tá mandando bem

É muito bom ver que os amigos estão produzindo um bocado - e em alto nível. Marta Scherer ganhou o prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo, concedido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, na categoria melhor dissertação de mestrado, com "Bilac, sem poesia – crônicas de um jornalista da Belle Époque". José Alfredo Abrão lança na próxima quinta em Corupá, Norte de Santa Catarina, seu curta-metragem Fritz, inspirado na trajetória do naturalista Fritz Müller (o trailer demonstra a qualidade da produção). E o novo livro de Lira Neto, a biografia do Padre Cícero, publicada pela Companhia das Letras, está chegando às livrarias como um dos grandes lançamentos do ano.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O humor das fontes

Fiquei devendo uma historinha autobiográfica semelhante à ocorrida entre Joaquim Ferreira dos Santos e o Grande Otelo (contada alguns posts abaixo). São várias as coincidências: eu também era repórter da Veja e fazia uma entrevista por telefone com um baixinho ainda mais baixinho: o cantor Nelson Ned. Trabalhava em uma matéria de capa sobre o crescimento dos evangélicos no Brasil e tinha que obter depoimentos de adeptos famosos. O Nelson Ned me atendeu de péssimo humor. Tentei explicar o que eu queria, mas ele não estava disposto a ouvir. Só a falar, e em tom ríspido. Acho que não gostou de algo que a revista havia publicado sobre ele em outra ocasião e a bomba estourou na minha mão. Enfim, a entrevista não rolou, ou foi tão ruim que não rendeu nada para a matéria. Reação semelhante, mas com uma ironia que às vezes até beirava a simpatia, teve o Fernando Gabeira quando fui entrevistá-lo sobre maconha para outra matéria de capa. Não os culpo por descontar na pessoa física que naquele momento representava a revista as frustrações em relação à instituição. Também faço isso de vez em quando com atendentes de telemarketing.
***
Lembrei de uma situação inversa: a forma gentil com que Paulo Autran me atendeu quando eu, repórter de cultura no jornal A Notícia, pensei em entrevistá-lo sobre o espetáculo que apresentaria alguns dias depois em Florianópolis. Parece mentira, mas eu simplesmente peguei a lista telefônica de São Paulo, encontrei o nome e liguei. E não é que ele, mais do que consagrado, atendeu com toda a cordialidade e paciência? O resultado está aqui.

Bela e ligeiramente problemática

Ficou curtinha a matéria para a Viagem e Turismo sobre o melhor estado para fazer turismo na opinião dos leitores da revista - mas foi o suficiente para dar o recado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Como diria Tom Jobim...

"A maior fonte de inspiração é o prazo." Sumi do blog porque estou desovando um frila atrás do outro. Mas, como bem definiu a moça que sentou atrás de mim outro dia no ônibus, "trabalhar demais é bom porque não dá tempo de pensar em bobagem".

domingo, 8 de novembro de 2009

A coragem de perseguir um sonho

Sete anos depois de deixar a equipe fixa da revista, voltei a trabalhar ao lado de vários ex-colegas na apuração de uma matéria de capa da Veja - a desta semana, sobre carreiras. Fiquei com a pauta sobre empreendedorismo. O texto original teve que ser reduzido e não explorou muito os personagens. Uma pena, pois fiquei especialmente encantado com a história da paisagista paulistana Gica Mesiara, 35 anos. Ela sempre quis fazer algo ligado à natureza, mas, de família simples, começou a trabalhar em um banco privado aos 18 anos porque precisava ajudar em casa. Dez anos depois, quando já ocupava um cargo importante – gerente de grandes contas – e havia alcançado estabilidade financeira, decidiu que era hora de retomar o antigo sonho. Não mudou radicalmente, no entanto. Durante três anos, acumulou o trabalho no banco com os primeiros projetos de paisagismo. Acordava às três da manhã para ir ao Ceagesp comprar flores e às nove estava no banco para cumprir o expediente. E precisava continuar tendo bom desempenho, pois não sabia se o plano B realmente daria certo. Só pediu demissão quando teve plena certeza do sucesso da nova empreitada. Fundada oficialmente em 2002, a Quadro Vivo se tornou referência na área de decoração ao se especializar em paisagismo vertical, executado em paredes e muros. Hoje, à frente de 25 colaboradores, Gica não tem dúvidas de que o esforço e as noites mal dormidas valeram a pena: está fazendo o que gosta, sendo reconhecida profissionalmente e contribuindo para deixar o mundo mais bonito.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dia do designer

Parabéns a esses seres criativos e engraçadinhos. Em homenagem à categoria, recordo a entrevista que fiz em 2002 com Vladimir Kagan, ícone do desenho de móveis - que felizmente continua em plena atividade, aos 82 anos.

Síndrome de Grande Otelo

Responda rápido: que situação proporciona maior estabilidade, um emprego de carteira assinada ou trabalhar como frila? A maioria das pessoas tende a responder que é o emprego de carteira assinada, influência de uma visão antiquada do mercado de trabalho. Posso assegurar que ser um frila que presta serviços com regularidade para diversos clientes é muito mais seguro do que ter um único patrão, que pode demiti-lo a qualquer momento. É tão óbvio! Ainda assim, muita gente continua achando que só atua como freelancer quem não encontrou um bom emprego de carteira assinada. De onde se conclui que frilas são menos capacitados, como insinuou Grande Otelo ao ser entrevistado pelo Joaquim Ferreira dos Santos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O preconceito contra frilas

"Foi sei lá quando, também não me lembro bem qual era o exato assunto. Talvez samba das antigas. Só sei que, do lado de cá do telefone, intrépido repórter em ação, eu perguntei alguma coisa para o Grande Otelo e ele, ator fabuloso e também compositor, autor do clássico 'Praça Onze', autoridade na história da música popular, ele estupefaciou-se do lado de lá com o que tinha ouvido da minha arguição.
'Meu filho', começou, 'você é freelancer, não?' - e imediatamente eu o imaginei com aqueles olhos esbugalhados que, quando entravam em close na tela, eram gargalhada certa na plateia. (...)
Otelo foi em frente, tentando parecer cruel como se estivesse vendo em mim um novo Oscarito para sparring. Quando ele soube que eu era do quadro fixo da revista Veja, revelou-se, ao seu jeito Atlântida de ser, sinceramente descrente:
'Meu filho, essa sua pergunta é pergunta de freelancer!'"

(Do Joaquim Ferreira dos Santos no livro "Em busca do borogodó perdido", que furou a fila e li de uma só vez enquanto esperava pelo atendimento no banco. Depois falo mais sobre o preconceito contra frilas - e conto uma história semelhante acontecida comigo.)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Floripa, eu te amo

É numa sexta-feira como esta, com sol aberto e muitos sorrisos nas ruas, que a gente esquece (e quase chega a perdoar) o provincianismo, a escassez de alternativas culturais e a incompetência dos administradores públicos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Manias de frila

Costumo trabalhar com a TV ligada ao fundo. É para ter a sensação de que estou conectado com o mundo - e para simular o zunzunzum das redações, também. (Este post é só para livrar a minha cara e você não ficar pensando que eu vejo a Ana Maria Braga. É que acabou o Bom Dia Brasil e eu não mudei de canal.)

Diálogo insólito

Sandra Annenberg - Ana Maria, você sabe qual é o maior medo dos cariocas hoje em dia?
Ana Maria Braga - Ah, Sandra, eu acho que é bala perdida.
Sandra Annenberg - Acertou em cheio!

Trilha sonora do inconsciente

Por falar em filmes e canções antigos, outro dia eu estava sonhando com esta música quando fui acordado pelo despertador, às seis da manhã. Desde então, a música não sai da minha cabeça. O Damien Rice tem outras legaizinhas.

E ainda chamam a TV?

Acaba de passar uma matéria no Jornal da Globo sobre um shopping em que os diretores trabalharam como faxineiros por algumas horas para sentir na pele como é dura a vida de proletário. Trata-se de um modismo que vem se proliferando pelos departamentos de recursos humanos. Ora, ora, liguem o ridiculômetro, por favor. Não é fazendo esse teatrinho que um gestor vai se aproximar verdadeiramente dos subordinados. O sujeito arma essa palhaçada hoje e amanhã já voltou a desfilar de nariz empinado pelos corredores.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Um homem do século passado

Ando com vontade de ver filmes antigos. Minhas músicas prediletas são da década de 1980 para trás. Fiz mestrado em História. Adoro mexer em jornais velhos. Detesto coisinhas tecnológicas. Sim, sou um sujeito empoeirado e carcomido.