O Diracom é um coletivo de ativistas brasileiros que acreditam que o
direito à comunicação é uma condição essencial para a democracia. Bem, eles
não só acr...
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Xô, solidão!
A partir de terça voltarei a dar expediente em um local fixo de trabalho - mas apenas à tarde e por um período de três meses. Aceitei convite da editora Letras Brasileiras para ajudar no fechamento de uma série de projetos nesse final de ano, incluindo alguns em que eu já estava envolvido. Continuarei tocando outros frilas, contudo, pois construir uma casa não é fácil e certamente sairemos dessa empreitada com a corda no pescoço. O mais interessante é que o novo trabalho me trará um pouco de rotina, depois de seis anos solto no mundo, e me dará a chance de amenizar a solidão da vida de frila sobre a qual falávamos outro dia aqui no blog.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
É a viga, é o vão, festa da cumieira
Manda a tradição que, assim que fica pronta a cobertura de uma casa em construção, deve-se organizar a festa da cumieira. Ontem, no final da tarde, fizemos a nossa. Enquanto eu preparava o churrasco para a equipe de pedreiros (que está fazendo um excelente trabalho), meu sogro, Lindomir, tratou de entretê-los com suas histórias de pescaria. A Cris não aparece nas imagens mas estava lá, "cuidando" das cervejas e sendo a fotógrafa oficial do evento.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O "sem falta" e o "com certeza"
Se alguém usar uma dessas expressões ao prometer algo para você, fique seriamente desconfiado de que a promessa não será cumprida. Do jeito que as coisas andam, a frase "ainda hoje, sem falta" pode ser interpretada como "Vai esperando, otário", enquanto "ainda hoje, com certeza" quase sempre significa "Pena que não podemos ter certeza de nada nesse mundo". Se o interlocutor usar as duas expressões combinadas na mesma frase, então, é dor de cabeça na certa. Da assessoria de imprensa ao fabricante de tijolos, tenho ouvido muitos "com certeza" e "sem falta" que deixam de ser honrados - e sequer se dão ao trabalho de telefonar para avisar que a promessa não será cumprida. Minha conclusão é de que as pessoas perderam a vergonha de não honrar a palavra dada, assim como já não têm vergonha de jogar papel no chão ou de não parar na faixa de segurança para os pedestres.
O que aconteceu com você, Clive Kelly?
"Depois de 40 anos de viagem pelos mares do mundo, o capitão inglês Clive Kelly chegou a Florianópolis no veleiro Survival. (...) Ele decidiu percorrer o mundo quando tinha 14 anos, em 1954. Embarcou num pesqueiro e foi para o Pólo Norte. Só parou de velejar por alguns anos para virar empresário musical. Teve cinco casas de espetáculos na Inglaterra e agenciou ninguém menos que os Rolling Stones, no início da carreira. (...) Kelly brigou com os Rolling Stones em 1961. 'Eles estão me devendo um show', garante. 'Havia um show programado e 3.000 pessoas esperando, mas o Mick Jagger chegou avisando que os outros estavam bêbados', conta. O show teve que ser cancelado e Kelly arcou com os prejuízos. 'Agora quero que façam um show na Amazônia para os índios, mas eles estão tentando escapar.' (...) Kelly está preparando um livro, contando as aventuras nos mares e histórias de bastidores do show business. Uma das revelações é que Brian Epstein, o empresário que transformou os Beatles num sucesso, teria sido assassinado, e não morrido de overdose, como foi divulgado. 'Eu sei porque era íntimo dele', garante Kelly." (jornal A Notícia, novembro de 1995)
O QUE ACONTECEU COM ELE: ano passado, voltou para Londres e se deu conta de que alguém tinha vendido o apartamento que lhe pertencia e ficado com a grana. Processou os supostos culpados, mas perdeu. E continua esperando que os Rolling Stones paguem o show.
O QUE ACONTECEU COM ELE: ano passado, voltou para Londres e se deu conta de que alguém tinha vendido o apartamento que lhe pertencia e ficado com a grana. Processou os supostos culpados, mas perdeu. E continua esperando que os Rolling Stones paguem o show.
Nova série no blog
Nesses 15 anos de jornalismo deparei com muitos personagens interessantes. O destino de alguns deles me deixa um bocado curioso... Por isso pensei na série "O que aconteceu com você?", patrocinada pelo Google. Daqui a pouco tem a estréia.
Mais um desempregado no mundo
Algum gênio do marketing da Microsoft polonesa decidiu que não caía bem ter um figurante negro em um anúncio da empresa, então simplesmente substituiu a cabeça pela de um típico polonês. Talvez ele tenha tido apenas a intenção ingênua de dar uma aparência local a um anúncio enlatado, mas era óbvio que a história iria vazar e abalar a imagem da empresa.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Um domingo especial
Eu nunca havia sonhado em ter um sítio, mas acho que mudei de ideia domingo, ao conhecer a casa dos pais da minha velha (ou melhor, antiga) amiga Kátia na cidade de Antônio Carlos, a 40 minutos de Floripa. Eles reformaram uma casinha colonial construída em 1919, cercada por um lindo terreno com fonte de água e um morro repleto de árvores, muitas delas possivelmente centenárias. A cereja do bolo desse dia especial foi ter dado um beijo na Amandita pelo seu nono aniversário. E foi assim que o final de semana passou não voando, mas flanando.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Como um assunto puxa o outro...
Sabe as viagens de fusca que citei aí embaixo? Pois é. Minha mãe era a motorista. Mulher corajosa, que encarou o desafio de aprender a dirigir depois dos 40. Outro dia, vendo que uma seguradora estava promovendo um concurso para encontrar o pior motorista do país, pensei seriamente em contar as peripécias da dona Vanda. Vê só se ela não teria boas chances:
- Quando o semáforo ficou verde, ela engatou a ré em vez da primeira e bateu no ônibus que estava atrás.
- Subindo a serra rumo a Cambará do Sul, deixou o carro morrer no meio do morro e não conseguiu mais sair do lugar - nem para a frente, tampouco para trás. Tivemos que chamar um trator para rebocá-la.
- Em plena BR-101, havia uma luzinha que piscava insistentemente. De repente, fumaceira. Motor fundido por falta de óleo.
- Bateu no muro ao tentar entrar na garagem de casa. O muro foi arrumado, mas não durou nem dois dias. Bateu de novo no mesmo lugar.
- E a mais clássica de todas: passando pela cidade de Jacinto Machado, ignorou o cordão de isolamento que indicava desvio e passou por cima do tapete de corpus christi cuidadosamente preparado pela população ao longo da noite para a procissão que estava prestes a começar. Pirulitou-se rapidinho para não ser crucificada no lugar do outro.
P.S.: para o bem de todos e felicidade geral da nação, dona Vanda pendurou o volante faz algum tempo.
- Quando o semáforo ficou verde, ela engatou a ré em vez da primeira e bateu no ônibus que estava atrás.
- Subindo a serra rumo a Cambará do Sul, deixou o carro morrer no meio do morro e não conseguiu mais sair do lugar - nem para a frente, tampouco para trás. Tivemos que chamar um trator para rebocá-la.
- Em plena BR-101, havia uma luzinha que piscava insistentemente. De repente, fumaceira. Motor fundido por falta de óleo.
- Bateu no muro ao tentar entrar na garagem de casa. O muro foi arrumado, mas não durou nem dois dias. Bateu de novo no mesmo lugar.
- E a mais clássica de todas: passando pela cidade de Jacinto Machado, ignorou o cordão de isolamento que indicava desvio e passou por cima do tapete de corpus christi cuidadosamente preparado pela população ao longo da noite para a procissão que estava prestes a começar. Pirulitou-se rapidinho para não ser crucificada no lugar do outro.
P.S.: para o bem de todos e felicidade geral da nação, dona Vanda pendurou o volante faz algum tempo.
Falando em propagandas do passado...
Com esse negócio de comprar material de construção, deixei escapar a trilha sonora de um comercial da minha infância e, para minha surpresa, a Cris também sabia a música inteirinha. Um belo case de permanência. Eis a letra do jingle (alguém mais lembra?): "O João de Barro/ Pra ser feliz, meu senhor/ Construiu sua casinha na casa do construtor/ Faça igual ele/ Para economizar/ Material de construção é com Philippi S.A."
Lanchinho saudável
Um sábado inesquecível
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
A babaquice não tem limite
A gente se depara com muito adesivo de carro estúpido, como "Não me inveje: trabalhe" e "Falar de mim é fácil, difícil é ser eu". Mas o que vi hoje em um Palio extrapola todos os limites da convivência em sociedade: "Tem um corno atrás de mim". O pior é que o cidadão certamente acha que está sendo engraçado...
Palpite de leigo
Há quase nada de revolucionário no Twitter - um modismo que vai passar e ser esquecido, assim como ocorreu com o Second Life e está ocorrendo com o Orkut. Pronto, podem me apedrejar.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Mais um pouco de futebol
Por falar em bolão, um jogo divertido para quem gosta de futebol é o Cartola, do infracitado SporTV. A gente escala um time para cada rodada do Brasileirão e recebe uma pontuação que depende do desempenho na "vida real" dos jogadores escolhidos. Até que estou bem, considerando que o jogo tem mais de um milhão de inscritos - ocupo no momento a posição 1.127 no ranking nacional e a 52 entre os participantes de Santa Catarina.
A velha caixinha de surpresas
Chegamos à metade do Campeonato Brasileiro e fiz uma apuração parcial do bolão organizado aqui pelo Vida de Frila. Funcionava assim: o participante apostava numa ordem de classificação dos 20 times. Se acertasse na chapa ao final do campeonato, não perderia ponto algum. Cada posição para cima ou para baixo de um time o faria perder um ponto, de tal forma que o vencedor do bolão será aquele que tiver a menor pontuação. E não é que o líder isolado do momento é o Lauro, com seus 11 anos? Ele tem 96 pontos, contra 102 meus e 106 do Marcus e do Glauco, que seguram juntos a lanterninha. Sim, apenas três leitores além do dono do blog toparam participar dessa bobagem. E isso porque um é meu filho e outro meu irmão...
Os efeitos da queda do diploma
O SporTV está selecionando jovens recém-formados para serem correspondentes internacionais - projeto anunciado pela emissora como "o melhor emprego do mundo". Como o fim da exigência do diploma é recente e a polêmica continua viva, o regulamento toma o cuidado de citar preferência por egressos dos cursos de jornalismo (o que, na prática, não quer dizer nada). Aposto, contudo, que a ressalva desaparecerá aos poucos dos processos seletivos realizados daqui para a frente.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Dado o pontapé inicial...
A campanha "Metrô, o Melhor Amigo de São Paulo", para a qual encontrei os personagens iniciais a serviço da agência MPM, abriu um concurso para que as pessoas contem suas histórias.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Saindo da gaveta
Sempre que viajo para o exterior a lazer tento vender alguns frilas na volta, com o duplo objetivo de deixar registros para a posteridade e recuperar parte dos gastos. Acaba de sair um desses, que aguardou nada menos que oito meses na gaveta da Você S/A. É um texto pequeno, mas que ficou bonito na página dupla da seção de viagem, com a foto bem grande.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Bem-vindo ao clube
Adorei essa chamadinha do programa Cilada, do Bruno Mazzeo. Tira um sarro daquela série sou f. pra c. da Nextel.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Esse cara é fera
O curso de jornalismo da UFSC ganha um reforço e tanto: Rogério Christofoletti. Seja feliz na nova casa, meu caro. Teus alunos certamente serão.
Continuando o papo do post anterior...
O meu caso é de simbiose plena entre vida profissional e pessoal. As coisas andam juntas o tempo todo. Não sigo aquelas recomendações clássicas relacionadas a escritórios domésticos, como "defina horários fixos" e "vista-se como se fosse sair de casa". Tenho meu cafofo reservado, mas frequentemente levo o notebook para o epicentro da confusão doméstica (talvez seja uma forma de matar as saudades do delicioso tumulto das redações). A minha experiência demonstra que essa mistura entre pessoal e profissional tem mais pontos positivos do que negativos. Ontem, por exemplo, fizemos um passeio em família a Canelinha, a uma hora de Floripa, para comprar tijolos - há 112 olarias na cidadezinha. As crianças faltaram à aula (uma vez ou outra não faz mal) e passamos a quarta-feira nos divertindo - fiz apenas uma rápida entrevista por celular. Em compensação, estou projetando muitas horas em frente ao computador durante o final de semana, já que pouco pude me dedicar ao trabalho desde segunda e preciso colocar as coisas em dia. Tudo isso tem a ver, contudo, com o meu momento de vida, que inclui uma menininha espoleta de três anos e a necessidade de trabalhar muito. A partir de um certo momento, provavelmente 2011, quero reduzir o ritmo e aí sim estabelecer uma divisão mais formal entre trabalho e vida pessoal. Planos que têm tudo a ver com o que foi dito no post anterior...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Uma coisa assim meio Friends
Cada vez mais amigos vão enveredando pelo caminho da frilância - ou da prestação de serviços a um cliente exclusivo, sem vínculo empregatício - e fico me perguntando sobre os motivos que nos fazem optar por soluções individuais nessa burocracia toda de abrir e manter empresa, pagar contador, montar escritório etc. Por acaso bati um papo com o Alex sobre o tema e relembramos antigos projetos de cooperativas de jornalistas. Eu achava a idéia um tanto utópica quando envolvia jovens recém-formados, mas hoje, com a nossa turma mais madura e "situada no mundo", imagino que seria uma boa saída para facilitar a vida e tornar nosso cotidiano menos solitário - haveria, enfim, com quem tomar um cafezinho no meio da tarde. Imagine um grupo de cinco, seis ou sete colegas que tenham bom relacionamento e se respeitem profissionalmente reunidos em um mesmo escritório - cada um com a sua baia, como em uma redação de jornal. A união de forças seria sobretudo operacional (as carreiras continuariam sendo individuais), embora alguns trabalhos certamente pudessem ser compartilhados. Parece interessante, hã?
domingo, 9 de agosto de 2009
Planejamento estratégico
São tantas e tantas coisas para resolver nesta semana que eu e a Cris marcamos uma reunião extraordinária de planejamento para daqui a pouco, às dez da noite.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Até breve, BH
Consegui dar uma escapada agora à tarde para visitar a bela exposição sobre Marc Chagall que começou esta semana aqui em Belo Horizonte. Amanhã cedo embarco de volta para Floripa, após quatro dias de um trabalho agradável (como quase todo trabalho relacionado a meio ambiente) em uma cidade muito agradável - que, por coincidência, visitei três vezes neste ano para frilas não relacionados uns aos outros. Assim sendo, só me resta supor que logo estarei de volta.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Um inesperado encontro
Eu havia encontrado meu amigo e ex-colega de universidade Clayton Wosgrau no vôo de Floripa para BH. Ele trabalha na assessoria de comunicação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Santa Catarina e estava vindo a Minas prestar consultoria na instalação de uma TV para o TRT local (chique, não?). Ontem à noite, a gente se encontrou em um boteco da Savassi. Ele levou o sogrão, que mora aqui em BH: trata-se do ex-jogador de futebol Danival de Oliveira, 56 anos, meio-campo habilidoso que jogou no Atlético Mineiro na década de 1970 e chegou a disputar quatro partidas pela seleção brasileira na Copa América de 1975 - venceu todas e fez três gols. Figuraço, cheio de histórias para contar sobre os técnicos e jogadores da época. Noite muito divertida.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Olhos de criança
Nós, jornalistas, jamais podemos deixar de ver o mundo com olhos de criança, "(...) dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal. Tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, um ninho de guaxo, uma concha de caramujo, o voo dos urubus, o zunir das cigarras, o coaxar dos sapos, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra." (Rubem Alves)
O jeito mineiro de fazer política
Ontem presenciei uma demonstração clássica do jeito mineiro de fazer política. Fui à abertura, aqui em Belo Horizonte, de um fórum internacional sobre aquecimento global, com a presença de dezenas de cientistas brasileiros e estrangeiros. Houve uns dez discursos, incluindo o do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e o do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Cada vez que um deles mencionava ações em Minas Gerais em prol do meio ambiente, um rapaz da platéia se levantava e gritava "é mentira!". Quando chegou a vez do governador, Aécio Neves, o rapaz logo se manifestou. Aécio então disse: "Fui criado na democracia e acho que o contraditório é sempre importante. Gostaria de convidar o nosso amigo a vir aqui e falar o que quiser." O rapaz - integrante do Movimento pelas Terras e Águas de Minas Gerais - subiu à tribuna e, tremendo de nervoso com a inesperada oportunidade diante de 500 pessoas e de toda a mídia local, leu um manifesto e realmente disse o que quis, de forma civilizada, durante uns 20 minutos. Ao retomar a palavra, o governador agradeceu a colaboração, disse que ficava feliz em perceber que a discussão sobre aquecimento global estava mobilizando a sociedade e se comprometeu a ler com atenção o manifesto. E seguiu com o seu discurso.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
O que mais vem por aí?
Os nomes curiosos têm me perseguido nos últimos dias. Primeiro foram os médicos que operaram a minha mãe: Éden, o cirurgião, e Eros, o anestesista. Agora é a moça da agência de viagens que mandou minha passagem por e-mail: Paloma Madeira.
Minas, lá vou eu de novo
Estou arrumando as malas para mais uma viagem. Um dos meus "fornecedores" de frilas mais assíduos ligou hoje à tarde perguntando se eu poderia encarar uma missão urgente em Belo Horizonte - cidade que a essa altura já conheço bem, pois estive lá há pouco mais de um mês, para outro trabalho. Estou em plena correria para organizar tudo antes de embarcar amanhã, no final da manhã (situação que conheço bem, pois minhas viagens quase nunca são precedidas de noites tranquilas). Se eu arranjar tempo e tiver algo interessante para contar, passo por aqui. Hasta la vista, babies.
sábado, 1 de agosto de 2009
Anotações do hospital (II)
No hospital, não apenas terminei a leitura do perturbador O Mundo Segundo Garp (papel que no cinema foi feito por Robin Williams), como devorei Os Cães Ladram, coletânea de textos de Truman Capote. Uma das características que mais me fazem admirar um autor é a criatividade para figuras de linguagem, metáforas e comparações - e isso Capote tem de sobra. Dois exemplos:
"Enquanto esperava, perambulei pelo local num entorpecimento ansioso, imaginando se o leiloeiro ou qualquer um dos presentes fazia alguma idéia do valor e da raridade daquele tinteiro, suficiente para pagar a faculdade de gêmeos siameses."
"Quase todo haitiano que aparece para visitar traz um presente simples e geralmente curioso: uma lata de sardinha, um rolo de barbante; mas esses mimos são dados com tamanha dignidade e carinho que - ah! - as sardinhas engoliram pérolas e o fio é prata pura."
"Enquanto esperava, perambulei pelo local num entorpecimento ansioso, imaginando se o leiloeiro ou qualquer um dos presentes fazia alguma idéia do valor e da raridade daquele tinteiro, suficiente para pagar a faculdade de gêmeos siameses."
"Quase todo haitiano que aparece para visitar traz um presente simples e geralmente curioso: uma lata de sardinha, um rolo de barbante; mas esses mimos são dados com tamanha dignidade e carinho que - ah! - as sardinhas engoliram pérolas e o fio é prata pura."
Anotações do hospital (I)
Ok, admito que o título é meio sensacionalista, mas é que passei os últimos três dias no Hospital de Caridade como acompanhante da minha mãe (ela fez uma cirurgia e está ótima; obrigado pela preocupação). Revisitei ambientes que vi destruídos no dia seguinte ao grande incêndio de 1994, que atingiu 70% do hospital e matou nove pessoas - um número que poderia ter sido bem maior se não fosse a rápida mobilização da vizinhança para retirar os doentes. Nem sei como conseguimos entrar lá na época (eu e duas amigas, a futura historiadora Kátia Juncks e a futura arqueóloga Fabiana Comerlato), pois o acesso certamente era controlado. Talvez as meninas tenham se apresentado aos Bombeiros como pesquisadoras. Eu estava no segundo ano do curso de jornalismo e lembro de ter produzido uma matéria para o jornal-laboratório Zero (acho que o texto não chegou a ser publicado - vou checar nos meus arquivos se ficou algum registro disso). O que mais me marcou naquele dia foi ter encontrado, entre os destroços do canto direito do saguão de entrada, um exemplar quase inteiramente queimado de um livro em que ainda era possível ler o título, O Mais Importante é o Amor. Piegas, mas simbólico.
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