terça-feira, 31 de março de 2009

A dieta do blog

Tenho postado com frequência acima da média porque estou de dieta. Aparentemente não há relação entre alhos e bugalhos, mas eu explico: é que substituí algumas daquelas visitas dissimuladas à geladeira - armadilha clássica do home office - pelas paradinhas para postar. Combinada à prática regular de atividades físicas (futebol, caminhadas, squash e levantamento de Lígia) e à determinação em manter distância segura dos doces, a estratégia deu certo. Perdi em um mês os quatro quilos que estavam sobrando e voltei ao peso dos tempos da universidade, 89 kg. Mas pretendo ir além para me tornar o triatleta que serei a partir do ano que vem.
P.S.: piadinha maldosa da Cris é que perdi dois quilos só hoje, quando passei máquina quatro nos cabelos (que estavam um verdadeiro ninho de mafagafos, admito).

As time goes by

Para lembrar que o primeiro trimestre do ano passou voando...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Brincadeiras à parte...

Estou cada vez mais convencido de que, infelizmente, Lula entrará para a história como um presidente que poderia ter feito mais do que fez. E que teria enfrentado problemas bem mais sérios caso não tivesse sido ajudado pela conjuntura internacional. É uma pena, pois respeito sua trajetória e simpatizo pessoalmente com ele - até estive nos velhos comícios do "Lula-lá, com toda certeza..."

Lula-ostra

Cada vez que coloca uma pitada de populismo barato em suas tentativas de simplificação o nosso presidente produz uma pérola. A mais recente foi credenciar a crise financeira aos "brancos de olhos azuis". Estou com um tremendo drama de consciência desde que o ouvi falar isso, mas acho que posso dormir tranquilo, já que meus olhos puxam mais para o verde. Além do mais, já vi muito branco de olhos castanhos fazendo besteira por aí.

A vaidade que nos persegue

Depois que concluí minha dissertação sobre o flautista Patápio Silva, alimentei o desejo de transformá-la aos poucos em um romance-reportagem arrebatador, cheio de alegorias, metáforas e outras requintadas figuras de linguagem. Pois um ano se passou e não encontrei tempo (e provavelmente, sem falsa imodéstia, também não encontraria talento) para a empreitada. Semana passada caiu a ficha e comecei a entrar em contato com editoras. Reli o texto, que já descansou o suficiente, e posso afirmar que, apesar da ausência de firulas, é uma biografia honesta e até mesmo interessante. Estou otimista quanto à publicação ainda neste ano. E bola pro mato que o jogo é de campeonato.

sábado, 28 de março de 2009

Memórias de minhas pautas tristes (1)

Janeiro de 1995, jornal O Estado. Diz o editor:
- Tem um sujeito aí na portaria que diz fabricar um shampoo milagroso para carecas. Estamos precisando de uma matéria descontraída para o final de semana. Vai lá e vê o que arranca dele.
E lá fui eu entrevistar o tal sujeito no refeitório do jornal. A matéria ocupou quase uma página inteira. Alguns trechos da obra-prima:
O senador Esperidião Amin está desafiado: Jacyr 'Boiadeiro' Vieira, vindo da distante cidade mineira de Nova Lima, garante que fabrica uma loção que faria crescer cabelos até na careca mais famosa do Brasil. 'Não importa qual é o problema dele', afirma. (...)
Ele descobriu a fórmula mágica há quase três décadas, mas a guardou durante todo esse tempo porque tinha medo do regime militar. 'Minha mãe contava que as pessoas inteligentes sumiam'. (...)
Aos poucos, conquistou a amizade de um eremita-raizeiro conhecido naquelas bandas como 'Tio Randolfo', que vivia numa caverna. (...)
Anos mais tarde, Jacyr decidiu tratar uma bicheira na pata de um cavalo com um dos preparados ensinados por Tio Randolfo. Para sua surpresa, percebeu que os pelos do local cresceram além do normal. (...)
'Há uma mulher em Nova Lima que estava careca havia 28 anos, e agora está com cabelos até os ombros', orgulha-se. (...)
Jacyr ressalta que o produto não é 'milagroso' a ponto de fazer crescer cabelo em qualquer parte do corpo. 'Se fosse assim, as mãos que massageiam a cabeça durante o banho ficariam cabeludas', raciocina. (...)

E ainda tive que repercutir...
'É impossível fazer crescer cabelos em Esperidião Amin', garante a farmacêutica-bioquímica Neide de Queiroz, professora de cosmetologia no Curso de Farmácia da UFSC. 'O caso dele não tem solução, porque os bulbos capilares já morreram e não há como ressuscitá-los.'

sexta-feira, 27 de março de 2009

Se deu mal

Acabo de encontrar, dentro de uma enciclopédia antiga que veio da casa dos pais da Cris, um trunfo e tanto para chantagens: redações e trabalhos escolares feitos por ela na oitava série. Diante de qualquer escorregada (tipo comprar sapatos em lojas virtuais sem a minha concordância - algo que ela jamais terá, he, he), publicarei neste blog alguns trechos altamente comprometedores do achado arqueológico.

A conexão Quilombo-Estreito

Eu e a Adri temos agora um pacto de sangue. Posso testemunhar que a cidade de Quilombo realmente existe, pois já estive lá e vi com estes olhos que a Terra há de comer, enquanto ela pode atestar, desde ontem, que eu não estava delirando ao ver a Penélope Cruz trabalhando como cobradora de ônibus em uma linha do Estreito.

O trabalho sem fronteiras

Outro dia recebi a encomenda de uma matéria para a Você S/A sobre empresas que já adotam no Brasil o trabalho móvel - ou seja, que não exigem dos funcionários presença diária no escritório. "É um assunto que você certamente domina bem", brincou a editora Daniela Diniz, uma das minhas parceiras constantes nesses cinco anos de frila. O texto está no número mais recente da Você S/A RH, filhote da revista com periodicidade trimestral e circulação direcionada a gestores de recursos humanos. O legal de ter saído nesse veículo é a possibilidade de conscientizar quem toma as decisões nas empresas sobre uma tendência que só traz vantagens para todas as partes envolvidas (além dos evidentes benefícios individuais, é uma solução coletiva para reduzir o trânsito e a poluição atmosférica). Uma pesquisa encomendada pela revista em parceria com a consultoria H2R ouviu 1.020 profissionais sobre o assunto e concluiu que há dez anos 70% deles trabalhavam em tempo integral na empresa, 49% mantêm essa condição e apenas 9% esperam estar do mesmo jeito daqui a dez anos. É uma transformação, aliás, que não se limita à relação com o trabalho - a tecnologia disponível hoje permite que cursos universitários e de vários outros tipos também possam ser parcialmente feitos a distância, com excelente aproveitamento.

Recordar é viver (6)

Estou fundando neste momento a Aparv, Associação das Pessoas com Apelidos Ridículos e Vergonhosos. O meu, por exemplo, é "Lixinho". Vou esclarecer a origem antes que alguém duvide dos meus hábitos de higiene. Minha querida sobrinha e afilhada Beatriz era pequenina e o "Tio Maurício" que ela tentava falar saía como "Tio Lixo". A Cris achou bonitinho e desde então - já se vão quase dez anos - me chama de Lixinho. O problema é quando estamos no supermercado lotado e ela, a cinco metros de distância:
- Lixinhô... Levo Nutry ou Trio? (Maio/2004)
P.S.: ultimamente a Cris tem adotado a redução "Li". Sorte minha.

Como nos velhos tempos

Qualquer dia surpreendo alguém com uma carta à moda antiga.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A falta que as cartas farão

O hábito de trocar cartas resultou em um dos mais importantes mananciais de pesquisa para historiadores, especialmente porque as pessoas costumavam guardar por toda a vida as correspondências que recebiam. Pena que a marcha do progresso esteja nos levando à definitiva substituição das cartas pelos e-mails - que, além da tendência à superficialidade e de não carregarem o charme da palavra manuscrita, simplesmente não existem do ponto de vista físico (a não ser que sejam impressos, mas não conheço ninguém que, pensando na posteridade, se preocupe em materializá-los e organizá-los em um arquivo). Pode-se até argumentar que os blogs ocupam em parte a função outrora exercida pelas cartas, e talvez seja verdade, mas o problema é que são igualmente efêmeros, já que o conteúdo atual da internet estará quase todo perdido daqui a dez anos. O mesmo se aplica às fotos digitais - qual é, afinal de contas, a vida útil de um CD ou DVD? Tudo leva a crer que decifrar este início de século não vai ser tarefa fácil para os historiadores do futuro...

Os estranhos caminhos da internet

Há alguns meses instalei aqui no blog o Sitemeter, que mede a audiência e fornece algumas outras informações que só agora observei com mais atenção. Uma delas é bem curiosa. De cada cinco visitas que recebo atualmente, uma tem chegado via Google, em decorrência quase sempre de pesquisas que não têm qualquer relação direta com o conteúdo do Vida de Frila, e sim com o uso, ao longo dos quase 500 posts acumulados por este blog, de todas as palavras incluídas na pesquisa. Alguns exemplos (extraídos apenas do grupo dos 100 visitantes mais recentes):
- "O lado feio da cidade do Rio de Janeiro" - segunda opção entre 495.000.
- "Uma foto de quem odeia a escola" - primeira opção entre 116.000.
- "Explique a origem do nome de Recife" - segunda opção entre 4.420.
- "Jogos sem ética" - quarta opção entre 290.000.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Diálogo insólito

Renato Russo - "Me diz: por que que o céu é azul?"
Leonardo da Vinci - "Digo que o azul que é visto na atmosfera não é sua própria cor, mas a causada pela umidade aquecida que se evaporou em partículas extremamente diminutas e imperceptíveis, as quais os raios solares atraem e as tornam luminosas contra a escuridão profunda, intensa, do fogo que forma a cobertura acima delas."
The Beatles - "Because the sky is blue, it makes me cry. Because the sky is blue..."

Juro que não é mentira

Um carro com alto-falante acaba de passar aqui na frente de casa anunciando um circo cuja principal atração são os Backyardigans no globo da morte.

Há 11 anos

Lembro como se fosse hoje do momento em que saí da maternidade pela primeira vez depois do nascimento do Lauro. Foi estranho e até um pouco assustador. O mundo parecia girar em câmera lenta e eu me sentia como se não estivesse ali, entre os humanos. Talvez porque tornar-se pai seja mesmo chegar aos céus. E todo pai considera seu filho especial, claro. Pois aquele sujeitinho que parecia um sapo (mas a gente achava lindo) cresceu, cresceu, ficou cabeludo e com olhos enormes. Já está quase no meu ombro - e olha que não sou baixo. Tornou-se um rapazinho doce e inteligente. E o melhor irmão que a Lígia poderia ter (ah, como ela adora o mano!). Parabéns, meu bom menino. Que a vida continue lhe sorrindo, sempre.

terça-feira, 24 de março de 2009

Recordar é viver (5)

Um borrachudo pegou o pé do Lauro, que ficou bem inchado. Eu estava passando pomada quando ele fez uma proposta:
- Pai, a gente podia virar uma dupla. Você é o ruim da cabeça e eu sou o doente do pé. (Maio/2004)
P.S.: uma "clássica" do Laurinho em homenagem aos 11 anos que ele completa amanhã.

Recordar é viver (4)

Já vi muito cara-de-pau nessa vida, mas o tal de Roy Bates é imbatível. Em 1967, ele invadiu uma plataforma marítima abandonada, que havia sido construída durante a Segunda Guerra para servir de apoio aos aviões aliados, e fundou o principado de Sealand. Aproveitou que a plataforma ficava em área neutra entre a França e a Inglaterra para registrá-la em seu nome, com base na legislação que considera sem dono objetos encontrados em águas internacionais. Criou constituição, bandeira, hino, selos, moedas e passaportes próprios. O objetivo? Fazer de Sealand um paraíso... fiscal. (Abril/2004)
P.S.: dá uma olhadinha no link "shop" do site. Que tal comprar o título de Barão de Sealand por uma mixaria?

Papo de almeidinha

O atento Eduardo Burckhardt, vivendo seus primeiros tempos de frila, descreve um dos lados mais obscuros da carteira assinada: a tendência de ficar se lamentando o tempo todo. É mesmo impressionante como as agruras do cotidiano parecem ser amenizadas quando colegas se unem para falar mal do chefe ou da empresa. Um verdadeiro esporte nacional, como diz o Dudu. Também já fiz isso, claro. Mas hoje, sem chefe e sem empregador para criticar, eu me pergunto: se estão tão insatisfeitas, por que as pessoas não buscam alternativas em vez de transferir a responsabilidade para os outros?

sábado, 21 de março de 2009

Da Vinci também era frila

E, como todo frila, às vezes pegava mais trabalho do que deveria. Perfeccionista que só, ele frequentemente atrasava as entregas. No caso da Última Ceia, enrolou o mecenas Ludovico Sforza com uma desculpa bem esfarrapada: "Vossa Excelência está ciente de que apenas a cabeça de Judas ainda não foi feita, e ele era, como todos sabem, um notório vilão. Portanto, a ele deve ser dada uma fisionomia correspondente a sua vileza. Para tal, durante um ano ou mais, noite e dia, eu tenho ido ao Borghetto - onde Vossa Excelência sabe que todos os rufiães da cidade vivem -, mas ainda não consegui descobrir um rosto de vilão correspondente ao que tenho em mente. Uma vez encontrado o rosto, terminarei a pintura em um dia. Contudo, se minha busca permanecer infrutífera, vou pegar as feições do superior que veio se queixar a Vossa Excelência e ele servirá perfeitamente ao que procuro." (Do meu livro de cabeceira no momento, "Leonardo, o primeiro cientista", escrito pelo jornalista inglês Michael White, Editora Record.)

Água, teoria e prática

Para não deixar o Dia Mundial da Água passar em branco - é amanhã, 22 de março -, a Exame me pediu em cima do laço um texto que descrevesse algumas iniciativas para combater a escassez mundial, problema que já atinge mais de um bilhão de pessoas. Por coincidência, caminhando hoje pelo centro de Florianópolis, flagrei vários casos de desperdício. Muita gente lavando calçadas com uso excessivo de água, especialmente em prédios residenciais e repartições públicas. Em frente ao arcebispado, na Rua Esteves Júnior, um rapaz aplicava um jato disperso sobre as grades - ação que não tinha a menor eficácia para efeito de limpeza, pois ele não esfregava coisa alguma. O pior de tudo foi na Avenida Trompowsky: água cristalina jorrando em grande quantidade por debaixo de um bueiro, no meio da calçada. O porteiro do prédio mais próximo disse que a Casan havia sido avisada, mas estava demorando um bocado para aparecer. Ao menos deparei com um bom exemplo: a funcionária de um condomínio usava um balde para limpar a calçada e, em vez de desperdiçar centenas de litros de água, escovava um bocado para tirar a sujeira.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Óculos têm anjo da guarda?

Meu estimado óculos de sol Revo, comprado em Vancouver em 1996, enfrentou hoje mais um capítulo de sua incrível trajetória de sobrevivência (já foi três vezes dado como perdido e caiu no chão outras tantas). Desta vez, deixei-o em cima do carro enquanto ajeitava a Lígia na cadeirinha... e esqueci dele, claro. Segui por cerca de 500 metros, incluindo uma conversão à esquerda, até parar num semáforo. Foi quando o motorista de trás buzinou para avisar, meio rindo, que havia um óculos em cima do carro. O pobrezinho havia se deslocado meio metro para a frente, quando dez centímetros para o lado seriam suficientes para que se espatifasse no chão. Esse vai morrer de velho, mesmo.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Recordar é viver (3)

- Vamos estar enviando o cartão para o seu endereço e...
- Posso dar uma sugestão? Não precisa falar "vamos estar enviando". Basta "vamos enviar" ou "enviaremos"...
- Ah, já me disseram isso. Mas é o treinamento que a gente recebe, sabe? Se eu falo de outro jeito na frente da minha supervisora ela pode ficar brava.
- E se você alegar que fica mais bonito?
- Acho que ela não vai concordar...
- Viu? Quando você conversa assim, descontraída, esquece de falar daquele outro jeito.
- Ih, ela tá vindo... Foi um prazer estar conversando com o senhor. Agradecemos a sua ligação. (Abril/2004)

Recordar é viver (2)

Você conhece algum monocelho – pessoa que tem uma sobrancelha grudada na outra? É uma irmandade com dezenas de famosos, como Frida Kahlo, Monteiro Lobato e Thierry Figueira. Um deles, o americano Mark Freedy, criou um site para divulgar mundo afora a ideologia monocelha. A cada semana o site põe em destaque um novo sobrancelhudo, seja ele célebre ou anônimo. É uma iniciativa de caráter social. Afinal, como diz Freedy, "durante muito tempo essas inocentes pessoas tinham que viver nas sombras - não porque sofriam preconceito, mas porque suas descomunais sobrancelhas estavam bloqueando a luz do sol". (Julho/2004)
P.S.: quem é mesmo o tal de Thierry Figueira?

Recordar é viver (1)

De vez em quando vou resgatar alguma coisinha do meu antigo blog, o fogo-fátuo. Essa é de agosto de 2004:
"Chegando ao centro de Bom Jardim da Serra à procura de um determinado ponto turístico, paro o carro e peço informações a um senhor que caminha pela calçada.
- Bom dia. Onde fica a Casa de Pedra?
- Ah, quem sabe bem é o meu filho. Ele é o secretário de turismo. E está bem ali, naquele portão do outro lado. Filho, vem cá!
Logo depois de pegar informações com o próprio secretário, sigo adiante, dobro a esquina... e sou parado por três policiais.
- Documentos, por favor.
E foi assim que, em uma cidadezinha de quatro mil habitantes, enfrentei minha primeira blitz de trânsito, depois de morar quase cinco anos em São Paulo e 13 em Florianópolis."

quarta-feira, 18 de março de 2009

Duas boas notícias

A primeira é que eu acertei no caso das roupas da Lígia - um pai encontrou a sacola e a entregou na secretaria do colégio (veja post "Esperança na humanidade", abaixo). A segunda é que a blogosfera voltou a contar com o talento e a delicadeza da querida professora Regina Carvalho. Se continuar nessa balada vou até apostar na loteria.

Haja tempo para tanto blog

Sugestão para quem não está com a corda de um deadline no pescoço: "As últimas", site que agrega dezenas de blogs brasileiros, a maioria escritos por jornalistas. A turma do saudoso NoMinimo está quase toda lá.

É para ontem

Além da queda geral na quantidade de frilas, a tal crise financeira trouxe um novo ingrediente ao mercado: a urgência. Antes, as redações decidiam com certa antecedência o que seria feito pela equipe fixa e o que seria repassado a colaboradores externos. Agora, com a ordem de conter os gastos ao máximo, frilas só têm sido convocados aos 45 minutos do segundo tempo, quando os editores percebem que a equipe não vai dar conta de tudo. Semana passada caíram duas dessas nas minhas mãos - "é para depois de amanhã no máximo, topa?". Topo, claro. Encaixes como esses são perfeitos para mim neste momento, pois basta dar uma parada rápida nos dois projetos de longo prazo que estou tocando.

Não hesite nesse verbo

Acabo de receber um release em que o verbo "hesitar" foi grafado como "exitar". É um erro relativamente comum, pois lembro de tê-lo visto em outras ocasiões.

Esperança na humanidade

Um prosaico acontecimento do cotidiano pode revelar o nosso grau de esperança na humanidade. Explico. A Lígia está na fase de tirar as fraldas, e ontem, quando a pegamos no colégio, a professora explicou que houve aquele contratempo típico - a pequena não pediu para ir ao penico e se molhou. Com isso, o uniforme foi substituído pela roupa reserva, incluindo as sandálias. A professora colocou o conjunto molhado em um saco plástico e o entregou amarrado à bolsa da Lígia. O fato é que, em algum lugar do trajeto entre a sala da menina e o carro, o saco plástico se desprendeu e caiu sem que percebêssemos. Só em casa nos demos conta. Como o carro estava praticamente em frente ao colégio, fiquei tranquilo: ao meu ver, há 90% de chances de que outro pai ou mãe tenha encontrado o pacote e entregue na secretaria do colégio. Para a Cris, é o contrário: mesmo que outro pai ou mãe tenha encontrado o pacote, as chances de que ele seja devolvido não passam de 20%, pois honestidade é virtude em falta no mercado ("Imagina se vão devolver um uniforme novinho e aquelas crocs lindas", argumenta a Cris). Já o Lauro, com a sabedoria de seus 11 anos, foi o mais ponderado - nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. "Se o pai ou mãe que achou foi um daqueles que estacionam na faixa de segurança ou em fila dupla, ou um daqueles que nem agradecem quando seguro o portão para eles passarem, acho que nos demos mal", raciocinou o menino. Mais tarde, quando eu souber o resultado, digo quem acertou.

terça-feira, 17 de março de 2009

A diferença entre Sampa e Floripa

Cada vez que vejo imagens de São Paulo inundada fico ainda mais feliz por termos tomado a decisão familiar de trocar a capital paulista por Floripa, cinco anos atrás - e por ter resistido a algumas boas propostas para voltar, especialmente a da Exame e a da Época Negócios. Continuo gostando um bocado de Sampa, mas a cidade é muito melhor para um visitante eventual do que para um morador. Floripa, ao contrário, é muito melhor para um morador do que para um visitante eventual.

Fundiu o motor da Fórmula 1

Eu, que já não andava muito ligado em Fórmula 1 - um esporte que depende muito mais das máquinas que dos homens -, vou abandonar a categoria de vez. Achei lamentáveis as mudanças nas regras anunciadas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Antes, a soma da pontuação obtida pelos oito primeiros colocados de cada corrida definia o campeão ao final da temporada. O critério agora passou a ser simplesmente o número de vitórias, um desprezo total pela regularidade. A mudança é ainda mais incompreensível porque acontece justamente depois de uma temporada rara, em que a disputa se manteve equilibrada até a última curva da última prova. Soa como uma tentativa desesperada de salvar um esporte decadente, que vem perdendo audiência ao redor do mundo ano após ano.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Uma breve explicação

Sobre o porquê de a palavra "Ganchos" aparecer tantas vezes quando se fala de Governador Celso Ramos: trata-se do antigo nome da cidade, substituído em decorrência do mesmo puxa-saquismo que fez nascer aberrações como Florianópolis e Borrazópolis.

Cenário de cinema

Já há alguns empreendimentos turísticos de padrão internacional em Governador Celso Ramos, como o resort Ponta dos Ganchos - cenário, aliás, de uma história interessante que eu estava para comentar aqui havia um bom tempo. Meu amigo Lauro Maeda, contemporâneo do curso de jornalismo (citado há alguns posts como meu parceiro de squash) e excelente fotógrafo que nos últimos tempos se especializou em casamentos, foi contratado no começo do ano para registrar a união do casal nova-iorquino Donald Graham e Ingrid Schau. Foi uma cerimônia não religiosa e sem convidados, realizada durante uma viagem do casal pela América do Sul. Eles haviam conhecido o trabalho do Maeda pela internet e ficaram imensamente satisfeitos com o resultado - opinião ainda mais valiosa pelo fato de Graham ser também fotógrafo, com um currículo que inclui Vogue, Elle e New York Times e retratos de celebridades como Sandra Bullock, Lenny Kravitz, Charlize Theron e Snoop Dogg.

Não duvido de nada

Governador Celso Ramos, outrora pacata colônia de pescadores localizada a 40 minutos de Floripa, está se transformando rapidamente em um lugar para ricos. A cidade vive agora a expectativa da instalação de um megaempreendimento turístico com capital espanhol, a Quinta dos Ganchos, que promete mundos e fundos - incluindo 10.000 empregos diretos, obras de saneamento básico e construção de escolas para a comunidade. A piadinha que já está correndo (mentira, acabei de inventar) é que os espanhóis pretendem aproveitar o know-how local - Governador Celso Ramos é o último reduto da famigerada farra do boi - para instalar uma praça de touradas bem no centro do resort.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pergunta que não quer calar

O que havia na cabeça de quem batizou o município paranaense de Borrazópolis?

Historinha tola

- Como é o seu nome?
- Migual.
- Migual? Deveria ser Miguel, certo? Foi erro de cartório?
- Não, é Migual mesmo. Miguel é meu irmão gêmeo.

terça-feira, 10 de março de 2009

O lado medieval do futebol

Impressionante como o futebol continua sendo extremamente amador em diversos aspectos, embora envolva cifras fantásticas. Vi no SporTV uma matéria sobre o "dia seguinte" do árbitro Cléber Abade, que apitou o clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians. Ele simplesmente voltou à rotina de gerente de banco e estava lá, atendendo aos clientes, como se nada tivesse acontecido. Todos os árbitros são obrigados a encarar a atividade como um bico, pois, apesar da visibilidade e da pressão, eles recebem uma merreca por jogo. O resultado é óbvio: divididos entre a profissão "de verdade", o convívio com a família e o bico, não há como se preparar adequadamente para o bico, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico. A imprensa vive caindo de pau em cima dos erros cometidos pelos árbitros e bandeirinhas nos jogos, mas raramente se vê alguém cobrando a profissionalização, saída obrigatória para elevar a qualidade das arbitragens.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Revelações chocantes sobre o meu passado

Ao me perguntar sobre como exibir, na coluna aí do lado, um trecho do post mais recente de cada blog amigo (uma das novidades da magnífica e arrebatadora repaginação visual pela qual este veículo acaba de passar), a Aline pôs fim a mais ou menos 16 anos de jejum. Deve ter sido por volta de 1993 que alguém me consultou pela última vez sobre qualquer coisa relacionada a tecnologia. De lá para cá, fui sendo gradualmente reconhecido como o analfabeto digital que sou hoje (com certo orgulho, já que isso tem lá seu charme, assim como quebrar cadeiras e bater a cabeça em tudo quanto é lugar). Pois bem, chegou o momento de uma revelação chocante... Fui programador de computador! Faz tempo, mas fui. Eu tinha 17 anos e estava no meu segundo emprego, no Centro de Processamento de Dados (CPD, lembra dessa sigla?) de uma consultoria de telecomunicações. Aprendi a programar em dBase, linguagem que já deve estar morta há séculos (fazendo uma analogia entre a história da informática e a história do mundo, claro). Eram micros Itautec de tela verde. Ainda nem havia Windows - o sistema operacional era o DOS. Os vírus da época chegavam a ser ingênuos: o "pingue-pongue", por exemplo, não passava de uma bolinha que só pulava de um lado para o outro da tela, apagando o que estava escrito. E, já que toquei no assunto, aí vai outra revelação: cheguei a prestar vestibular para Ciências da Computação! Sim, eu estava empolgadinho com o troço, meu irmão Beto já fazia o curso, a profissão era uma daquelas sempre citadas como "de futuro"... Graças ao bom Deus não fui aprovado e pude voltar à velha paixão - conta a lenda familiar que lá pelos cinco ou seis anos um parente distante perguntou o que eu seria quando crescesse e eu respondi de bate-pronto: "jornalista!".

Alice chegou!

E o Frank está todo bobo, claro! Que essa menina seja muito feliz. E veja só que coincidência: eu havia falado no post anterior sobre outra Alice que vem por aí. De onde se conclui que Alices de primeira qualidade estão sendo produzidas - agora só falta providenciar o país das maravilhas...

sábado, 7 de março de 2009

Meninas superfabulosas

Por falar em filhos, o querido casal Adriana e Lira e a fofura da Emília estão de blog novo, Gravidez em família, dedicado à espera pela Alice.

Um dia produtivo

Para completar o relato sobre o emocionante dia de ontem, pela manhã havíamos ficado duas horas no laboratório médico esperando a Lígia fazer xixi para exames de rotina. Xixi que acabou não vindo, a propósito. Diante da situação, impossível não lembrar do "Poema enjoadinho" de Vinícius de Moraes:
Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Pronto, desabafei

Um blog também serve para isso.

Eu odeio bancos (V)

Você pode se perguntar: e por que ele não troca de banco? Já pensei várias vezes nisso, mas será que vale a pena? Tenho aquela sensação de que os bancos são todos iguais, farinha do mesmo saco. Mas se algum das minhas caras leitoras ou dos meus caros leitores estiver muito satisfeito com o seu banco, favor me informar.

Eu odeio bancos (IV)

Liguei para a gerente da minha conta no Unibanco para perguntar porque eu não havia sido consultado sobre a veracidade da assinatura no cheque, antes da devolução. Ela disse que, com a fusão entre Unibanco e Itaú, o serviço de compensação foi centralizado em São Paulo e que, por isso, consultas do gênero deixaram de ser feitas - como se, com todos os recursos de comunicação disponíveis hoje, a distância geográfica pudesse ser justificativa (além do mais, para tentar vender serviços eles vivem telefonando até da Cochinchina). A confissão da gerente é uma evidência inegável de que a fusão entre os dois bancos está resultando na queda da qualidade dos serviços, o que contraria as determinações do Banco Central ao autorizá-la, fato que me levou a fazer uma denúncia a respeito. Não sei se vai adiantar alguma coisa - provavelmente não, pois o governo parece sempre fazer vistas grossas às irregularidades cometidas pelos bancos -, mas pelo menos a minha parte eu terei feito.

Eu odeio bancos (III)

Antes de todo esse vaivém, tive que sacar o dinheiro para trocar pelo cheque. Fui a uma agência do Unibanco e havia uma fila enorme para os caixas eletrônicos - no atendimento dentro da agência, a espera estava em duas horas. Lembrei então que eu poderia fazer o saque na Caixa Econômica. Fui a uma agência grande, com dezenas de caixas, mas também havia filas inacreditáveis - "dia de pagamento é assim mesmo", as pessoas diziam, conformadas. Vinte minutos depois, chegou a minha vez e... O limite diário de saque era R$ 1.000, e eu precisava de R$ 1.400 para trocar o cheque. Amaldiçoei meio mundo e me vi obrigado a encarar fila do Unibanco, que agora estava ainda maior, para pegar os R$ 400 restantes. Enfim, levei quase uma hora só para pegar o dinheiro...

Eu odeio bancos (II)

Na prefeitura, onde a informação da devolução do cheque ainda não havia chegado, me disseram para ir ao postinho do Santander onde eu havia feito o pagamento, no Pró-Cidadão da Felipe Schmidt. No postinho, o caixa disse que não poderia fazer nada - a prefeitura teria que emitir um novo boleto. Voltei então à prefeitura, e aí me disseram que não poderiam emitir novo boleto, já que, para o sistema, a taxa estava paga. Disseram para procurar o setor de contabilidade da prefeitura, em outro prédio, nos altos da Conselheiro Mafra. Chegando lá, a funcionária responsável não havia ido trabalhar (afinal, era sexta à tarde). Um colega dela me aconselhou a explicar a situação no postinho do Santander naquele mesmo prédio, onde me disseram que o cheque certamente estaria em outra agência do banco, na Tenente Silveira. Para evitar que eu fosse até lá sem necessidade, a funcionária se dispôs a dar uma ligadinha para comprovar a disponibilidade do cheque. A moça sumiu e, 20 minutos depois, reapareceu para dizer que não havia conseguido o contato ("Sabe como é, começo de mês, o movimento é tão grande que ninguém atende o telefone"). Fui assim mesmo e, chegando lá, por volta das 15h, a funcionária responsável pelos cheques devolvidos estava em horário de almoço - e não havia ninguém para atender em seu lugar! Àquela altura, o que eu poderia fazer? Esperei meia hora até ela voltar e, finalmente, trocar o meu cheque por dinheiro vivo.

Eu odeio bancos (I)

Tanto que resolvo o que é possível pela internet e evito ao máximo ir às agências. Mas ontem não teve jeito - fui submetido a um festival de incompetência. Tudo começou quando um funcionário despreparado da compensação do Unibanco, onde tenho conta há quase dez anos, decidiu que a assinatura que eu tinha colocado em um cheque não era a minha. Descobri a devolução por acaso, consultando o extrato, porque ninguém do banco me consultou a respeito. Era um cheque que eu havia usado para pagar uma taxa na prefeitura de Florianópolis, em valor relativamente alto, e a devolução certamente causaria algum tipo de transtorno. Decidi, então, ir atrás do tal cheque para trocá-lo por dinheiro em espécie e resolver o problema o quanto antes. Achei que gastaria uns 20 minutos, mas...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Telhado de vidro

Com tantos casos de pedofilia no currículo, o mínimo que a Igreja Católica deveria fazer em relação à triste história da menina de nove anos que engravidou do padrasto era ficar bem quietinha.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O lado mais divertido do futebol

A revista 4-4-2 selecionou 50 momentos curiosos ou engraçados relacionados ao futebol, quase sempre envolvendo a imprensa. Meus preferidos são o 28 e o 41.

Piadinha sem noção

A Ana Maria Braga entrevistou há pouco o rapaz que foi jogado em um penhasco pelos bandidos que roubaram seu carro, no Rio de Janeiro. Ao final da conversa, em que ele relatou o drama vivido ao lado da namorada, a apresentadora arrematou com uma frase inacreditável, dita em tom de pilhéria: "Pode ficar tranquilo que o pessoal que vai te levar em casa é legal".

Fenômeno da natureza

Está tão quente em Floripa que, aqui em casa, um cacho de banana dormiu verde e acordou maduro.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Mais uma chance

Findos o carnaval e as férias escolares, o dia de hoje teve o maior clima de começo "oficial" de 2009. Boa oportunidade para reforçar o compromisso com as resoluções de ano novo que já estavam caindo no esquecimento.

Ocaso de um jornal

Às vésperas de completar 150 anos, o Rocky Mountain News, de Denver, no Colorado, publicou sua última edição na sexta-feira, vencido pela crise financeira. Outras notícias do gênero certamente virão ao longo deste ano.

domingo, 1 de março de 2009

Vivendo e aprendendo

Ontem pela manhã fui jogar squash com o Gian e o Maeda. Confiante no preparo físico proporcionado pelas peladas de segunda, não me fiz de rogado: saquei, corri, pulei e rolei intensamente. Hoje descobri - da forma mais dolorida - que os músculos usados no squash não são, definitivamente, os mesmos usados no futebol.