sábado, 6 de novembro de 2010

And so it is

Durante 30 meses, este blog foi o meu veículo de comunicação com o mundo. Praticamente um diário. Qualquer dia vou reler os 1.003 posts e relembrar os inúmeros bons momentos registrados aqui.

Mas agora, com a publicação do Manual do Frila, sinto que o blog cumpriu o seu ciclo. Tudo o que eu queria dizer sobre a atividade de freelancer no jornalismo está no livro ou já foi escrito aqui no Vida de Frila.

Antes da despedida, queria apenas dizer que a ideia de desenvolver um trabalho voluntário, algo como oficinas de escrita e leitura para crianças e adolescentes carentes, não morreu. O fato de que vários colegas se propuseram a colaborar me deixou entusiasmado. Conversei com o Guga sobre o assunto - o Instituto Gustavo Kuerten trabalha com meninos e meninas de comunidades pobres - e ele vai ajudar a pensar num caminho para materializar o projeto. Aviso os amigos sobre possíveis novidades, ok?

No mais, o trabalho segue a mil. Escrevi a matéria de capa da Viagem & Turismo que está chegando às bancas, tive duas reportagens extensas publicadas pelo Valor Econômico na última semana, entreguei ontem mais uma matéria para a Exame, estou neste momento fazendo a última revisão de um livro de 200 páginas que escrevi em dois meses para uma empresa, preparo uma reportagem de fôlego para a Alfa, nova revista da Abril, e por aí vai.

Para não dar a sensação de que a vida tem sido só trabalho, o que felizmente não é verdade, ilustro este derradeiro post com imagens de diversão e felicidade - segunda-feira fui o Magnum em uma festa a fantasia dos anos 80. Mas fiquem tranquilos que já raspei o bigode!

Agradeço muitíssimo a companhia. Continuarei visitando os blogs queridos, claro.

Posso ser facilmente encontrado no e-mail jornalistamauriciooliveira@gmail.com. E lembrem-se, amigos: blogs, twitter, MSN, celulares com acesso a internet e todos os recursos que a tecnologia oferece não substituem o abraço, o afago, o olho no olho, o calor humano.

Beijos!

sábado, 30 de outubro de 2010

Não mais capital e com outro nome: já pensou?

Meu grande companheiro de redações Carlos Damião me dá a honra de ser citado na sua coluna de hoje. Eu havia escrito a ele dizendo ter sentido um certo incômodo pelo uso do termo "desocupados" para definir as pessoas que propõem a mudança da capital. Talvez porque tenha certo trauma com isso. Em 1994, participei do movimento Cem Anos de Humilhação, que propunha a troca do nome Florianópolis, e a primeira coisa que usavam para desqualificar a discussão era nos chamar de “desocupados”. Como quase tudo na vida, vejo vantagens e desvantagens em mudar a capital de lugar, assim como ocorre em relação à ideia de trocar o nome da cidade. No caso da mudança da capital, o debate pode ter o efeito positivo de mobilizar a população e o poder público na busca de soluções para os problemas de Florianópolis, assim como o nosso movimento pela substituição do nome contribuiu à época para que a população conhecesse melhor a história da cidade - fizemos até um julgamento simulado de Floriano Peixoto, com o auditório da UFSC lotado e cobertura em massa da mídia local. Trocar a capital de lugar ou o nome da cidade são decisões importantes, que precisam mesmo de décadas de amadurecimento e debate. Além do mais, o simples fato de serem discussões recorrentes demonstra que não são assuntos assim tão irrelevantes.

sábado, 23 de outubro de 2010

Decidi meu voto

E, pela primeira vez na minha já longa carreira de eleitor, ele será nulo. Cansei das baixarias de lado a lado, dos e-mails difamatórios, do vamos-ganhar-a-qualquer-custo. Não simpatizo pessoalmente com nenhum dos candidatos e acho que por trás de cada campanha há gente da pesada, que põe os interesses pessoais e partidários em primeiríssimo lugar. Não quero compactuar com isso. Espero uma campanha mais limpa e de melhor nível da próxima vez.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Post número 1.000!

Foi o anterior. Este já é o milésimo-primeiro. Há dois anos e quatro meses iniciei o Vida de Frila, que se tornou o meu principal canal de comunicação com o mundo externo, uma vez que não sou adepto de twitter, MSN e estou fora das redes sociais (na verdade, entrei no LinkedIn apenas para fazer uma matéria e as pessoas acabaram me encontrando; então achei que seria indelicado explicar que não estava lá a sério e fui ficando). Confesso que estou reavaliando a minha relação com todas essas ferramentas - afinal, não quero me transformar em um dinossauro. O próprio Vida de Frila deverá ser de alguma forma reformulado. Coisas para pensar no recesso de fim de ano. Neste momento, é só correria.

Mais uma noite especial

Só o fato de rever tanta gente querida nos dois lançamentos já valeu ter escrito o Manual do Frila. Como a Livraria da Vila fecha às dez, a festa continuou na Santa Pizza da Rua Harmonia, onde eu havia reservado uma mesa para os persistentes e os retardatários. Ficamos lá, alguns bons amigos colocando a saudade em dia. Aos que ficaram presos nos fechamentos, nos compromissos, enfim, nas armadilhas típicas da metrópole, ofereço uma nova oportunidade: o lançamento de Patápio Silva, o Sopro da Arte aqui em Floripa, em data a ser definida - só não vai ser já-já porque ninguém aguentaria, né?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Flash ao vivo

Estou em São Paulo desde ontem - antecipei a vida em decorrência de um compromisso de trabalho em pleno domingo - e neste momento trabalho no hotel como se estivesse no meu cafofo. A Cris não veio desta vez, amarrada pelo processo de seleção para um mestrado do qual está participando, mas em compensação já garanti os nossos ingressos para o show do Paul McCartney aqui em São Paulo, daqui a um mês (adoro esse cara!). Sei que vou encontrar muitos amigos no lançamento do meu livro hoje à noite, e isso me deixa muito feliz. Volto a Floripa só amanhã à noite e vou aproveitar para ir à Bienal. Estou saindo de uma fase incrível de acúmulo de trabalho e planejo até tirar alguns dias de férias nesse restinho de mês. Vai ser ótimo voltar a ver o mar do Campeche... Como dá para perceber, é um bom momento da vida. Beijo a todos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"Manual do Frila" em Sampa - é segunda!

Agora que uns 40 bons amigos já garantiram presença no lançamento do Manual do Frila em São Paulo e outros 40 disseram que vão fazer o máximo para escapar do trabalho a tempo (ah, São Paulo...), acho que já posso dispensar os figurantes que havia contratado. O mais legal de tudo é que vou rever muita gente querida, assim como aconteceu em Floripa.

Pena que não deu tempo...

... de incluir esta história no Manual do Frila. A fotógrafa citada é Fabrizia Granatieri, uma das colegas que ouvi para o livro. "Pois é, contando ninguém acredita", diz ela. Dura a vida de frila, hein?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um livro aberto

Obrigado, Rogério, pelas palavras sobre o Manual do Frila. De fato, estabelecer o nível de exposição pessoal foi um dos pontos mais delicados do projeto. Enquanto escrevia o livro, concluí que a atividade de freelancer está tão intrinsecamente ligada à vida cotidiana que não dá para falar de uma sem falar da outra. Por isso há tantos exemplos e histórias pessoais para ilustrar os meus pontos de vista.

De volta

Mergulhado em trabalho, passei alguns dias um tanto alienado do mundo. Agora tenho que voltar parte das minhas atenções ao lançamento do Manual do Frila em São Paulo - será na próxima segunda, a partir das 18h30, na Livraria da Vila (Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena). Espalhem a notícia!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O livro do ano

O Prêmio Jabuti vai eleger o "Livro do Ano" por escolha popular entre os finalistas selecionados pela crítica. Há as categorias ficção e não-ficção. Em não-ficção, recomendo com veemência a biografia Padre Cícero, escrita por Lira Neto. Vote aqui.

Um aniversário especial

Reuni bons amigos ontem à noite, no lançamento do Manual do Frila em Floripa, o que me deixou feliz da vida. Pessoas das mais diversas "tribos" estavam lá - a única coisa em comum entre todas é que cada uma é muito especial para mim. Outras não puderam estar, mas mandaram as boas vibrações. Muito obrigado a todos!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Um dialeto só dela

Depois de comer uma bela kombi-flor no almoço, a Lígia pegou o uniforme do colégio, que estava secando na área de ser visto, e subiu no carro feliz da vida:
- Hoje é dia de livroteca!

Lançamento hoje em Floripa!

Manual do Frila na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, das 18h30 às 20h30. Espero todo mundo lá! (Dá uma olhada na matéria que o Fifo Lima fez para o Diário Catarinense.)

Diversidade frilística

As duas matérias que assino na edição da revista Exame que está nas bancas sintetizam bem o que é a vida de frila. Uma trata da disputa das empresas do setor de saúde pelos consumidores da classe C e a outra é um perfil do restaurateur novaiorquino Keith McNally.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O papa-jabutis

Parabéns ao amigo Lira Neto, novamente entre os vencedores do Prêmio Jabuti - como virou rotina nos últimos anos -, desta vez com sua excelente biografia do Padre Cícero. Aliás, agora que se tornou público, posso mencionar a próxima missão do Lira, à qual ele já está se dedicando com a paixão de sempre: produzir uma biografia de Getúlio Vargas para a Companhia das Letras. Que tremendo desafio! Só mesmo com a capacidade e a experiência do Lira. Boa sorte, camarada!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A (estranha) experiência de ser fonte

Com a chegada do Manual do Frila às livrarias e o trabalho de divulgação feito pela assessoria de imprensa da Editora Contexto, começam a chegar pedidos de entrevista com o autor. É uma fase curiosa, em que me vejo subitamente do outro lado - o que também não deixa de ser um grande aprendizado. Em 2001, quando lancei Na Mira dos Headhunters por outra editora bem estruturada, a Campus, tive algumas experiências interessantes, como conversar ao vivo na CBN com o Heródoto Barbeiro e dar uma entrevista de 40 minutos para a Tamara Leftel, apresentadora à época do programa Conta-corrente, da Globo News. O tema inicial do Manual do Frila parecia ser de interesse mais restrito, mas alguns veículos estão aproveitando o gancho para colocar em pauta temas como teletrabalho, escritório doméstico e mudanças na relação capital-trabalho.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Da série "coisas que estamos cheios de ver"

Fotos que se aproveitam do momento em que duas pessoas estão se beijando no rosto para dar a impressão de que estão se beijando na boca. Chega, né?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Como decidi meu voto

No primeiro turno das eleições para presidente ou governador, sempre escolho um candidato que não aparece entre os dois líderes nas pesquisas. É a minha forma de contribuir para que haja segundo turno, algo que considero saudável - além de mais tempo para as comparações, o vencedor não chega ao cargo tão cheio de si por ter obtido uma vitória esmagadora. Desta vez a escolha natural parecia ser a Marina, mas... Sábado fiz um bate-e-volta a São Paulo e, no corredor do aeroporto de Congonhas quase vazio, dei de cara com o Plínio caminhando em direção oposta. O velhinho sorriu de forma tão simpática que fui obrigado a cumprimentá-lo e dizer "parabéns pela sua campanha". Ele ficou tão feliz que me comoveu! Estava acompanhado apenas de um rapaz - certamente seu filho, pois era bem parecido. Nada de assessores e puxa-sacos. Com toda a simplicidade e simpatia, contou que estava indo para o debate da Record, que foi ontem, no Rio de Janeiro. Eu disse que o admirava por ser fiel às coisas em que acreditava e por ser o único candidato bem-humorado entre tantos carrancudos. Claro que não concordo com muitas de suas propostas e pontos de vista, mas, a esta altura do campeonato, o que importa? Prometi meu voto e vou cumprir. Gostei de fazer o velhinho feliz.

domingo, 26 de setembro de 2010

And the winner is...

Minha querida amiga Adriane Canan subiu duas vezes ao palco do Festival Nacional de Cinema e Vídeo Rural de Piratuba, em solenidade presenciada por mais de mil pessoas ontem à noite. Ela representava a equipe de Mulheres da Terra, documentário do qual foi roteirista e assistente da diretora Marcia Paraiso, vencedor da categoria documentário e também do prêmio de melhor filme de todo o festival (entre 120 trabalhos proveninentes de 21 unidades da federação). Mulheres da Terra mostra o trabalho das camponesas de Santa Catarina no resgate das sementes crioulas, passadas de geração a geração. Espírito de Porco, dos camaradas Dauro Veras e Chico Faganello, também recebeu um prêmio - o de melhor contribuição social. Parabéns, amigos!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Morro e não vejo tudo

Levaram para a delegacia um estudante de artes cênicas que resolveu fazer uma performance do jeito que veio ao mundo - ou seja, destrambelhado - em pleno Restaurante Universitário na hora do almoço. O evento fazia parte de uma tal de Semana Ousada da UFSC. Não sei o que é pior: achar que andar pelado no meio de um monte de gente almoçando é ousadia (quando na verdade não passa de pura falta de simancol) ou gastar combustível da viatura com o nosso Paulo Autran reencarnado. P.S.: fico imaginando a situação da caloura lá do interiorzão que escolheu justo esse dia para mostrar a universidade aos pais...

Pode comprar o livro tranquilo...

... pois conceitos como frila-rexona, momento-scrubble e momento-suprême liberté obviamente não estão no Manual do Frila: são bobagens exclusivas deste blog.

O momento-suprême liberté

Esse conceito vem da escola francesa e diz respeito à sensação única de ter zerado completamente a pauta de pendências. Dizem que é inúmeras vezes mais prazeroso que o momento-scrubble. Ainda não consegui chegar lá em sete anos como frila, pois sempre tenho projetos de longa duração correndo junto com as tarefas mais rápidas. Mas um dia pretendo finalmente sentir as delícias desse verdadeiro nirvana frilístico.

O momento-scrubble

Todo frila-rexona vive períodos de preocupação e angústia por conta da sensação de ter pego mais trabalho do que terá condições de realizar. Então você passa alguns dias no sufoco, estica o expediente, termina uma coisa aqui, outra ali, até que de repente sente ter chegado ao momento-scrubble: é quando percebe que, ao contrário do que parecia, dará conta das encomendas. Momentos-scrubble são uma delícia. Acabo de viver um nesta manhã.

Acabou o inverno

Ouçamos, pois, o sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. (Cortesia de três mulheres primaveris - Cecília, Marta e Ana Paula.)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Frila-rexona

Troca de e-mails:
"Oi, Maurício, como vai? Gostaria de saber se estás livre e interessado em fazer um frila."
"Oi, Paulo! Tudo certinho, e você? Interessado, sempre; livre, quase nunca. Mas eu sou um frila-rexona: sempre cabe mais um. Manda ver."
(Essa só quem tem mais de 35 anos vai entender.)

Nada como ter amigos

A Cris e a Adri espalharam a notícia e o Alex deu uma colher de chá no Coluna Extra. Resultado: todo mundo ficou sabendo do lançamento do livro!

Anotem na agenda!

Agora que o convite eletrônico ficou pronto, vou começar a convocar os amigos. Deixa eu ver que argumento posso usar... Vai ter coquetel! Ajudem a divulgar, por favor, pois se sobrar bebida será uma vergonha para a categoria dos jornalistas. Recebi ontem o livro e acho que ficou bacana, bem na proposta de ser um manual de leitura rápida e aplicação prática. Tem 128 páginas e custará R$ 25,90. Cabe bem no bolso, em ambos os sentidos. Aproveitei para reler o conteúdo, depois de dois meses, e, modéstia às favas, acho que cumpre o objetivo. Mas o mais legal de tudo vai ser ver os amigos no lançamento!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tudo é "importante"

Ah, os modismos... Já percebeu como as pessoas andam usando a palavra "importante" no sentido de relevante, significativo? "A empresa obteve um crescimento importante", "o jogador sofreu uma lesão importante" etc

domingo, 19 de setembro de 2010

O lançamento em Floripa

O coquetel de lançamento do Manual do Frila em Floripa será na segunda-feira 4 de outubro, a partir das 18h30 na Saraiva Megastore do Shopping Iguatemi. É exatamente o dia em que completo 38 anos, mas ninguém - ninguém mesmo, hein? - precisa levar presente. A presença de todos já será o melhor presente.

Momento coruja

O Lauro foi finalista do concurso de fotos do Autonomia, o colégio em que ele estuda, com a foto ao lado, à qual deu o nome de "afeto". O tema do concurso era "O que nos faz felizes".

A vida de frila chega à academia

Com projeto de pesquisa sobre os jornalistas freelancers de São Paulo, o mestrando em Comunicação pela USP Rafael Grohmann (rafael.gr@usp.br) está montando um banco de e-mails para envio posterior de um questionário. Já passei o contato de alguns colegas. Quem estiver atuando como frila em Sampa e quiser contribuir pode escrever para ele.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dona Bilica vem aí

Essa vizinhança anda mesmo produtiva. A Vanderléia Will - Vandeka para os íntimos - vai apresentar sua divertidíssima Dona Bilica ao longo da semana que vem, no Largo da Alfândega. Imperdível! (A arte ao lado é assinada pelo fera Ayrton Cruz, com foto produzida pela não menos fera Cristiane Fontinha.)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O lançamento em São Paulo

Marcado para 18 de outubro, na charmosa Livraria da Vila, o lançamento do Manual do Frila em São Paulo. Amigos da Pauliceia, anotem na agenda! O lançamento de Floripa deverá ocorrer ainda antes, possivelmente no dia 4 de outubro, meu aniversário. Pensei em juntar as duas festas numa só, a editora topou... Só falta definir o local (sugeri um bar, claro).

A simplicidade é bela

Uma das coisas mais legais da mudança para o Campeche é o convívio estreito com a vizinhança, algo que eu não vivia desde a infância em Araranguá. Fizemos muitos novos amigos nesses dez meses. Tem gente de tudo quanto é profissão: empresário, atriz, funcionário público, enfermeira, palhaço, geólogo, professora, psicóloga, analista de sistemas, físico, engenheiro... Enfim, uma fauna diversificada. Assuntos não faltam quando a gente se reúne - e olha que todo final de semana temos inventado motivos para jogar conversa fora. Uma dessas novas amigas é a Dani, Daniela Vicentini, 37 anos, formada em Pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Ela nos presenteou com um exemplar do seu recém-lançado livro Arte brasileira nos acervos de Curitiba, concebido ao longo de três anos em parceria com um colega dos tempos de universidade, Fernando Burjato. É um livro bonito, com um projeto gráfico interessante, mas o maior mérito é a proposta de falar de arte com simplicidade, sem nenhum resquício de pedantismo. As obras mais importantes dos museus paranaenses são apresentadas em uma linguagem facilmente compreensível - qualquer palavra ou conceito que um estudante do ensino secundário talvez não conheça vem devidamente acompanhado de uma explicação. Que bom. Acho que muito da imagem de arrogância que a crítica cultural carrega vem justamente da pretensão de escrever apenas para os iniciados - não é à toa que os índices de leitura dos "segundos cadernos" dos jornais são tão baixos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Jornalismo cultural e arrogância

Cheguei atrasado e tive que sair mais cedo da mesa-redonda sobre jornalismo cultural, mas mesmo assim foi bacana estar lá. Os debatedores eram Jotabê Medeiros, repórter do jornal O Estado de São Paulo; Pablo Villaça, criador do site Cinema em Cena; e Bruno Moreschi, jovem formado pela UFSC que vem se especializando em textos sobre artes plásticas - colabora para a Piauí e a Bravo!. Enquanto ouvia a conversa fui me lembrando que os jornalistas especializados em cultura formam uma espécie de gueto dentro das redações - pelo menos sempre foi assim por onde eu passei. Muitos colegas das outras editorias os consideram metidos, porque "não se misturam" e costumam ser incisivos demais nas opiniões. Isso é certamente um estereótipo e tem inúmeras exceções, mas, como todo estereótipo, tem também um fundo de verdade. Quem atua na área de cultura tende a achar que faz um trabalho mais "nobre" que o das outras editorias. Cruzei com inúmeros casos assim na minha carreira e eu mesmo devo ter tido momentos de soberba quando trabalhei na área. Como frila há sete anos, posso afirmar que, de forma geral, os colegas de cultura são os de mais difícil relacionamento - aqueles que atendem o telefone meio de má vontade, fazem questão de parecer mal humorados e não se dão ao trabalho de responder quando não se interessam por uma sugestão de pauta. Acho também que há nesse meio uma grande confusão entre opinião e ofensa. Para exemplificar: durante a mesa-redonda, o Jotabê classificou determinado disco da Maria Rita de "bosta", a chamou de "cantora de segunda linha" e disse que a pior obra que já havia visto na vida foi o show do Caetano Veloso com o Roberto Carlos. Exageros desnecessários, ao meu ver. Mandei então uma pergunta aos três: "Como vocês lidam com a imagem de arrogância que os jornalistas da área cultural têm entre os próprios colegas?" As perguntas eram escritas, de tal forma que eu não pude explicar detalhadamente o que queria dizer - imaginei, contudo, que eles saberiam muito bem do que eu estava falando. Villaça admitiu que era arrogante e que adora sê-lo. Os outros disseram que não entenderam a pergunta. Bom, tá explicado aqui.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Somewhere over the rainbow

Acabo de voltar de uma corridinha noturna à beira-mar, onde flagrei uma das aulas de música que Getúlio Inácio, um morador bem conhecido do Campeche, dá a crianças e adolescentes em seu galpão de pesca. Fiquei meio escondido atrás de uma árvore ouvindo aproximadamente 15 instrumentos de sopro tocando "Over the rainbow", de ponta a ponta, acompanhados por um bumbo que marcava o ritmo e dava um toque de nostalgia circense à cena. A rapaziada foi muito bem - certamente são alunos já de nível avançado. Voltei para casa pensando em como esse tipo de iniciativa pode ser fundamental para definir o futuro das pessoas. E então, já meio sem fôlego e com o cérebro pouco oxigenado, imaginei uma ONG, formada por jornalistas e outros profissionais das letras, que ajudasse as pessoas a ler e a escrever melhor, já que o analfabetismo funcional é um tremendo problema no Brasil - um problema que impede o exercício pleno da cidadania e que está na raiz de todos os outros grandes problemas do país, incluindo a violência. Quem sabe um dia?

Fraternidade

Hoje o meu irmão Alberto, o Beto, completa 40 anos, aquela idade tão simbólica, que muitos interpretam como o marco da metade da vida. Ele e o Marcus, meu irmão mais velho (vai fazer 42 no dia 30 de outubro, o Matusalém), sempre foram os gênios da casa. Eu, como todo caçula, o burraldinho. Lembro de uma vez que eles tiraram muito sarro porque eu disse que os Estados Unidos ficavam na Europa. E também porque eu falava com a língua travada, andava nas pontas dos pés e só aprendi a amarrar o cadarço aos 18 anos (e a falar a palavra "cadarço" aos 23). Enquanto o Marcus gostava das exatas - passou em um concurso atrás do outro e hoje trabalha no TRT -, o Beto tinha visível inclinação para as letras. Chegou a ganhar a etapa catarinense de um concurso de redações do qual participaram todos os estudantes de escolas públicas do estado, a Maratona Cívica. Mas em algum momento da adolescência ele se desviou do destino e se interessou pelos computadores. Passou para o vestibular de Ciências da Computação na UFSC - curso que abandonou no último semestre, o maluco. Então mergulhou nas leituras de Nietzsche e começou a rascunhar umas coisas meio doidas, que não mostrava para ninguém. Parecia que a alma de escritor havia se rebelado... Mas, no final das contas, ele voltou ao mundo da tecnologia. Hoje, é analista de Tecnologia Gráfica da 24/7 Inteligência Digital, em São Paulo, uma empresa que presta serviços de soluções digitais para as maiores agências de publicidade e os principais veículos de comunicação do país. Meu irmão, modéstia à parte, é o profissional que todos sonham ter na equipe. Antenado, dedicado, competente - e ainda por cima não deixa passar um errinho de revisão sequer. Sim, porque a alma de escritor continua ali. Minha sugestão de aniversário de 40 anos, Betaga, é que você volte a escrever nas horas vagas, ainda que sejam poucas. E que caminhe mais no Parque do Ibirapuera, já que trabalha bem aí do lado!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Não perca a Semana do Jornalismo

A Semana do Jornalismo da UFSC está com uma programação bem interessante, como sempre. Já que não dá para participar de tudo, escolhi meu dia: quarta-feira. Escolha o seu antes que acabe!

As melhores empresas para trabalhar

Saiu a nova edição do guia As Melhores Empresas para Trabalhar, ranking publicado pelas revistas Exame e Você S/A. Das empresas que visitei no Paraná, meu roteiro deste ano, duas estão entre as dez melhores - a montadora Volvo, sediada em Curitiba, e a surpreendente Gazin, que nasceu na pequena cidade de Douradina como fabricante de móveis e hoje atua em diversos segmentos, com faturamento anual de R$ 1,2 bilhão - o que já a coloca na 303ª posição entre as maiores empresas do país.

domingo, 12 de setembro de 2010

sábado, 11 de setembro de 2010

Sobre as eleições

Numa das minhas andanças pelas empresas do Brasil, eu soube da história de um recém-promovido chefe que reuniu o pessoal, subiu numa cadeira e disse aos subordinados que dali em diante esperava ser seguido como se fosse Jesus Cristo. E passou a assinar seus e-mails com as iniciais "J.C." - sendo que ele se chamava Roberto. O poder é assim mesmo. Corrompe, tira as pessoas da casinha. Às vezes nem precisa muito - quantas vezes já nos deparamos com funcionários públicos que têm o rei na barriga ou com secretárias que se acham superpoderosas só porque controlam a agenda do chefe? Faz parte da índole humana, e provavelmente eu também passaria do ponto caso meu poder não se limitasse a mandar meu filho lavar a louça de vez em quando. Quando falamos em poder político, então, sai de baixo. Lula tem toda a certeza de que é Deus; Fernando Henrique e Collor também tinham (dos últimos presidentes, acho que só o Itamar Franco conseguiu manter certo grau de humildade, possivelmente porque chegou ao cargo por acidente). Enfim, todo esse blablablá é para dizer que, nessas eleições, tanto para presidente quanto para os demais cargos, o que salta aos olhos é acima de tudo a disputa pelo poder. Perdoem-me as exceções, caso existam, mas a ordem de prioridades dos candidatos é "eu, meu partido e o povo", quando deveria ser o inverso. O maior desalento é que, da forma como a política é feita no Brasil e as campanhas são financiadas, só quem age assim tem chances. Ou entra no jogo ou está fora. Então, na hora de votar, você tenta escolher aquele que parece ser o menos pior. Sempre faço isso e meus candidatos raramente se elegem... E, quando se elegem, frequentemente me decepciono.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Um bom jeito de começar o dia

Aí o peão fica bobo demais, ainda mais quando essas palavras vêm de um professor altamente respeitado.

O sétimo

Entre alguns livros que escrevi para outras pessoas e obras que não fico à vontade para chamar de livros - a exemplo de guias turísticos e compilações econômicas -, posso dizer que o Manual do Frila é o meu quinto livro. Os outros são Chacina em Anhatomirim (Editora Terceiro Milênio, 1996), Ponte Hercílio Luz - Tragédia Anunciada (Insular, 1997), Na Mira dos Headhunters (Campus, 2001) e História da Educação em Santa Catarina (Letras Brasileiras, 2010). Também está previsto para este ano Patápio Silva, o Sopro da Arte, pela Insular. Quem sabe o sétimo, esse número tão cheio de significados, venha a ser de ficção?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Here comes the sun

A Exame que está nas bancas tem uma matéria minha sobre energia solar, com direito a personagem de Floripa. Foi acontecendo um tanto por acaso, como quase tudo na vida de frila, mas até que eu já tenho uma coleção considerável de reportagens sobre sustentabilidade, um dos meus temas prediletos.

Manual do Frila, o livro

Eis a descontraída capa do Manual do Frila, que acaba de entrar em pré-venda no site da Editora Contexto. Neste link dá para ler a introdução e ter outras informações sobre o livro.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Imprecisão e preconceito (3)

O leitor tende a considerar que tudo o que está escrito em um jornal é verdade absoluta - e faz julgamentos baseado nisso, o que aumenta muito a responsabilidade dos jornalistas. Vejamos, como exemplo, um comentário deixado no site do Diário Catarinense:
"Precisou que dois TURISTAS ajudassem o animal, pois se a cabra fosse depender do 'cordial' povo da minha cidade, ia ficar pendurada até morrer. Florianópolis é cidade líder em maus tratos a animais. Além da farra, sorrateiramente permitida pela Polícia Militar, abandonam cães como se fossem lixo e exploram os cavalos nas carroças de forma desumana, sem qualquer intervenção das 'otoridades'."

Imprecisão e preconceito (2)

Vamos agora a uma possível leitura implícita na escolha do termo "turistas": a de que os moradores de Florianópolis não são civilizados o suficiente para demonstrar bondade com os animais (afinal, Santa Catarina é a terra da farra do boi), de tal forma que um ato do gênero só poderia ter sido iniciativa de gente de fora, mais evoluída. Ou seja: um manezinho deixou a cabra amarrada em situação de perigo e turistas a salvaram. Maniqueísmo puro. Pode até não ter sido a intenção de quem escreveu - ou pode ter sido -, mas essa é uma mensagem subliminar do texto que acompanha o vídeo, assistido por milhares e milhares de pessoas no Jornal do Almoço e acessado por mais de 3.000 internautas só ontem. E quem comete esse ato falho? Justamente o Grupo RBS, que enfrenta uma tremenda dificuldade histórica para conquistar o coração dos catarinenses - especialmente pela forma predatória com que lidou com a concorrência local, a ponto de quase levá-la à extinção.

Estou mandando uma cópia do que escrevi sobre o caso da cabra ao editor-chefe do Diário, Nilson Vargas, com quem já trabalhei em dois veículos e tenho ótima relação. Sou testemunha do apego dele pela precisão e sei também da preocupação em estreitar os vínculos do jornal com a cidade. Talvez essas reflexões a partir de um detalhe mínimo - a escolha de uma palavra - possam contribuir de alguma forma.

Imprecisão e preconceito (1)

Jornalismo é jornalismo; ficção é ficção. Nessa história da cabra houve um detalhe que chamou a atenção de muita gente: o fato de termos sido chamados - eu e o outro rapaz que ajudou a resgatar a bichinha - de "turistas", tanto pela reportagem da TV quanto pelo Diário Catarinense. Não sei quem era o outro rapaz - troquei duas palavras com ele -, mas, quanto a mim, são 20 anos de vida em Floripa, incluindo os últimos sete. Turista eu certamente não sou. Fico pensando nas razões que fizeram o redator optar por esse termo, em vez de simplesmente escrever "homens" e não correr o risco de produzir uma peça de ficção no lugar de um texto jornalístico. Não foi uma escolha muito inteligente, pois a chance estatística de que fôssemos ambos turistas era pequena: Floripa tem 400 mil habitantes e devia estar recebendo não mais do que 10 mil visitantes naquele dia. O local em que estávamos - em frente ao mirante da Lagoa da Conceição - é frequentado por turistas, mas milhares de pessoas que moram na cidade passam por ali diariamente (aliás, aposto que muitos turistas viram a cena antes da gente e nada fizeram). Ou será que os colegas do Diário concluíram que éramos turistas por estarmos de bermudas? A escolha do termo parece um detalhe menor, quase insignificante, mas é assim que se vai construindo a credibilidade de um veículo e do jornalismo como um todo. Muita gente que me conhece viu a cena e criticou o descuido com a informação, matéria-prima do jornalismo. O pior de tudo é que o pessoal do jornal teve a chance de corrigir o erro: meu filho Lauro mandou um e-mail e a Adri Canan ligou para a redação, pediu para falar com o chefe do plantão e disse que pelo menos um dos homens, que ela conhecia muito bem, não era turista coisa alguma. Foi tratada com certo desprezo e superioridade. E a informação, em destaque no site do Diário durante todo o dia de ontem, continuou errada.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Eu e a cabra

Estava eu dirigindo tranquilamente pelo Morro da Lagoa quando tive a atenção desviada para gritos desesperados. Era uma cabra branca que havia caído de um barranco e estava pendurada, se debatendo. Dei a volta, parei o carro, passei pela cerca de arame farpado e fui lá salvar a bichinha. Ela estava com a corda enrolada no pescoço e em uma das patas. Eu a sustentei no colo, como quem carrega um bebê, até que outro rapaz que chegou uns dois minutos depois de mim subisse no barranco para soltar a corda lá de cima. Enfim, tudo acabou bem. Eu só não contava com a presença de um cinegrafista da RBS TV ali em frente, no mirante. Resultado... Jornal do Almoço. (Antes que façam piadinhas: eu não conhecia a cabra e não mantinha qualquer relacionamento afetivo com ela.)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Indo para a gráfica

Minha editora Luciana Pinsky (chique isso, hã?) acaba de contar que o Manual do Frila está indo amanhã para a gráfica e fica pronto no dia 20. A ideia é fazer um lançamento em São Paulo e outro em Floripa. Assim que tiver as datas eu aviso.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

PhD em embromation

Estou fazendo uma matéria sobre o aumento do poder de consumo da classe C e pedi entrevistas para várias empresas sobre a estratégia para atingir essa faixa de público. Um assessor de imprensa me mandou dois parágrafos que são um primor em dizer coisa alguma - e ainda teve a cara de pau de perguntar se aquilo resolveria. Sinta o drama: "A companhia tem focado na inovação de seu mix de produtos de forma consistente, acreditando que a capacidade de oferecer produtos de ponta com boa relação custo-benefício seja o diferencial em seu negócio. A rede própria da empresa, que oferece serviços de alta qualidade a custos mais baixos na maioria dos casos, contribui de forma efetiva na elaboração de produtos com preços mais adequados e acessíveis ao mais diversos segmentos da população".

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ela, de novo

A Lígia tem usado um vocabulário cada vez mais sofisticado, mas às vezes dá uns escorregões hilários. Hoje pela manhã, a pequena propôs a brincadeira de polícia e bandido - e já foi escolhendo o papel que desempenharia:
- Eu sou o bandido com ranho na testa!
Ela quis dizer cicatriz.

Típico da vida de frila

Hoje à noite, compromisso em um hotel de Floripa. Amanhã, um pulo na região serrana para outro trabalho. No sábado, bate-e-volta em São Paulo para mais uma missão. A vida de frila não é, definitivamente, para quem gosta de rotina.

A arte de dizer não

Fechei mais alguns trabalhos de médio e longo prazos que, somados aos que eu já tinha, preenchem bem a minha agenda até o final do ano. A rigor, eu não precisaria pegar mais frilas pelos próximos três meses, mas isso me obrigaria a dizer muitos nãos - e recusar trabalho é algo delicado para um frila. Sigo a regra de jamais dizer não duas vezes seguidas para um parceiro frequente, já que a disponibilidade é um dos atributos fundamentais para criar e manter os vínculos. Administrar isso tudo às vezes é complicado e cansativo, mas a vida de frila é assim mesmo - ame-a ou deixe-a.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Maria chuteira

Trecho da brincadeira de mamãe e neném, uma das preferidas da Lígia - ela é a mamãe e eu sou o neném:
- Neném, teu pai mandou esse boneco pra você.
- Que legal! Quem é o meu pai, mamãe?
- Ele mora muito, muito longe. Lá na América do Sul.
- Mas qual é o nome dele?
- É o... É o... Chato do futebol.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ideias que morrem inéditas

O instinto de frila fala alto sempre que viajo, a trabalho ou lazer. Se uma boa pauta cruza o meu caminho, não a deixo escapar. Às vezes não dá certo, contudo. Em dezembro de 2008, ao visitar o Museu do Ar e do Espaço, em Washington, deparei com o veterano do Vietnã Kenny Wayne Fields vendendo um livro que contava a sua fascinante história como piloto. Em 1968, ele foi abatido e ficou 40 horas em fuga no Laos, até ser resgatado por uma operação que resultou em sete aviões norte-americanos destruídos ou seriamente avariados e cinco anos como prisioneiro de guerra para um de seus companheiros. Comprei o livro, entrevistei Fields ali mesmo e a Cris fez as fotos. Eu já imaginava para onde venderíamos a matéria: a Grandes Guerras, revista da Abril para a qual eu havia escrito alguns meses antes o perfil de Klaus Engelhardt, soldado do exército alemão durante a Segunda Guerra, que estava vivendo no Brasil. O pessoal da revista adorou a ideia, mas, como já havia um perfil na fila, minha materia teria que ser para dois meses adiante. Nesse meio tempo, a revista foi "descontinuada" e o frila naufragou antes mesmo que eu escrevesse o texto... Na correria do cotidiano, nem me animei a tentar vender a pauta para outro lugar. O maior incômodo é que o Fields me escreveu duas vezes perguntando sobre a reportagem. Resta-me torcer para que a história dele fique muito conhecida e vire um daqueles superfilmes de ação.

Nada como ir a campo

Quando viajo pelo Brasil para visitar finalistas do Melhores Empresas para Trabalhar - frila que me ocupa um mês por ano, entre junho e julho -, procuro identificar tendências de Recursos Humanos que possam render matérias. Duas sugestões de pauta decorrentes da última viagem acabam de se materializar: a dificuldade das empresas em oferecer estacionamento para todos os funcionários, agora que está muito fácil comprar um carro (na Você S/A deste mês, edição ainda não disponível no site da revista), e o surgimento de um novo cargo, o especialista em captação de talentos (na Você RH, filhote da Você S/A com circulação trimestral e dirigida a profissionais de Recursos Humanos).

Teresina e o Enem

Há algumas semanas, quando saiu o resultado do Enem, dei uma passada de olhos no ranking e logo tive a atenção despertada para a presença de várias escolas de Teresina entre as mais bem posicionadas do país - escrevi então um post a respeito. Hoje a manchete principal do IG trata do assunto e menciona possíveis razões para o destaque obtido pela capital piauiense: a carga horária estendida, a competição entre as escolas privadas da cidade e a vontade da juventude em mudar a imagem de atraso associada ao estado. Acho que são motivos fortes, mas não suficientes. Imagino que haja algum tipo de preparação especial para o Enem, a exemplo do que ocorre com os cursinhos pré-vestibulares. Mas é só um palpite leviano de quem está a milhares de quilômetros.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Dia belo, cenas tristes

Pressentindo a bela manhã, saí cedinho para caminhar na praia. Estava tão bom que fui do Campeche ao Morro das Pedras - acho que dá uns quatro quilômetros, na maior parte do tempo com areia bem fofa sob os pés. Eu estava com esperança de avistar uma baleia, mas encontrei apenas dois pinguins mortos (paciência; não se pode ganhar sempre). E vi as cenas que ilustram este post: várias casas destruídas pela maré. Digo que são tristes porque certamente causam sofrimento, mas é óbvio que as casas foram construídas em lugar inadequado. Não é por acaso que os antigos pescadores da ilha costumam dizer que o mar sempre vem buscar o que lhe pertence.

domingo, 15 de agosto de 2010

As crianças são uns docinhos

Ontem o colega e vizinho Dauro Veras deu um pulo aqui em casa com os meninos e fez uma pequena inversão com o protagonista das famosas Brunitezas:
- Ô, bolo, quer Bruno?
O que me leva à concluir que há uma onda de confusão entre crianças e alimentos, pois outro dia o Lauro recebeu um colega, o Froner, para prepararem uma receita como tarefa de escola. A Cris coordenou os trabalhos e em determinado momento disparou:
- Pretzel, põe o Froner no forno.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A lua sorri no céu

E eu sorrio aqui no meu cafofo, pois a sensação de estar saindo de um período complicado de acúmulo de trabalho é muito boa. Semana que vem volto às caminhadas à beira-mar, às doces horas de cumplicidade com os livros, aos deliciosos momentos de puro ócio, ao convívio com as pessoas queridas, ao sono regular e restaurador... Enfim, volto à vida desfrutada plenamente, como tem que ser.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De volta às redes sociais

Último post da série "coluna social": me inscrevi no LinkedIn apenas porque precisava fazer uma matéria, mas apareceu tanta gente legal pedindo para entrar na minha rede que agora sou obrigado a ficar.

Por falar em amigos talentosos...

O Caio Cezar deixou um comentário no post sobre o Morongo com um link para uma foto que fez do dono da Mormaii. Mas dá só uma navegada nas imagens anteriores e posteriores...

Filha de peixe

O primeiro número da Strass tem um perfil da Cláudia Raia assinado por Anita Grando Martins, a quem finalmente conheci na festa de lançamento da revista, terça à noite. Ouço falar da Anita desde que ela era uma pequena bailarina, pois trabalhei muitos anos ao lado do pai dela, Celso Martins, que sempre teve muito orgulho da filha. Pois o DNA prevaleceu e ela se tornou uma jornalista talentosa. O Celso é um exemplo para mim por diversos motivos. Acima de tudo, porque sempre exerceu a profissão apaixonadamente, mesmo com os muitos anos de janela. Em segundo lugar, porque continua altamente produtivo - está toda hora lançando um livro! Por fim - e isso é bastante relevante -, conseguiu se manter sempre como repórter, resistindo ao canto da sereia dos cargos de chefia, que pagam melhor. Veja o blog do pai aqui e o da filha, recém-chegada de andanças pelo mundo, aqui.

A sujeita é fera

Outra amiga que andou esbanjando talento é a Cléia Schmitz, à frente da recém-lançada Strass, uma revista feminina feita em Floripa. A garota da capa do número de estreia é a também querida Laine Valgas, a apresentadora de TV mais popular de Santa Catarina, outra contemporânea do curso de jornalismo da UFSC no começo da década de 90. Eu e a Cris demos nossa contribuiçãozinha para a revista - uma matéria sobre Buenos Aires com uma curiosa inversão de papéis: texto dela e fotos minhas. A revista pode ser vista na íntegra aqui.

O sujeito é fera

Acabo de receber o telefonema de um amigo querido e muito talentoso, o Lira Neto, cada vez mais consolidado como um dos biógrafos mais importantes do Brasil. É sempre bom saber o que ele anda aprontando. Dá uma olhada aqui.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dica de boteco

A necessidade de adaptar a bebida à companhia pode ser um tanto cruel com o fígado do peão. Só hoje à tarde teve cerveja com amigos, uísque com o sogro e vinho com a mulher. O mais incrível é que (ainda) não estou com dor de cabeça. Certamente porque - e aí está a utilidade pública deste post - fui bebendo muita água junto com tudo isso.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mudaram as estações

Saudade daquelas tardes de verão longas, com cigarras cantando e céu azul como os olhos de Perséfone. Aquelas tardes da infância que davam a sensação de que jamais chegariam ao fim. Mas chegavam - tanto é verdade que já não sou mais criança e carrego inúmeros fios brancos na barba que me protege do frio.

Baixando a bola da garotada

Cansadas da arrogância de boa parte dos jovens com formação de ponta, as grandes empresas estão cada vez mais valorizando o comportamento e a trajetória de vida ao escolher seus trainees. Matéria que assino na revista Valor Investe deste mês (a partir da página 60).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Dez perguntas para Morongo

Outro dia fui a Garopaba, uma hora ao Sul de Floripa, entrevistar o Marco Aurélio Raymundo, conhecido como Morongo, fundador da Mormaii. A matéria está na Exame PME deste mês e sobrou bastante material, que decidi aproveitar aqui no blog. Em 1974, médico recém-formado, Morongo se mudou de Porto Alegre para a então deserta Garopaba, onde iniciou um trabalho de atendimento à população carente. Sua única diversão era surfar... e o resto da história está contado abaixo.

Qual era o seu projeto de vida quando escolheu a medicina?
Quando me formei médico, queria ir para um lugar em que pudesse fazer a diferença. Escolhi Garopaba, que era um lugar lindo, mas também muito pobre. Não havia médico na região – fui o primeiro a morar aqui. As pessoas não tinham qualquer tipo de assistência e de orientação. Faziam as necessidades no chão, para você ter uma ideia. Comecei atendendo na minha casa, sem ganhar salário de ninguém. Muitos pacientes não tinham condições de me pagar e então traziam um pouco de farinha, de mandioca, uma dúzia de ovos, se não dava uma dúzia era meia dúzia, às vezes vinham com dois, três ovinhos (risos), às vezes vinham com uma tainha. Eram muito carinhosos e eu não passei fome. Foi um momento muito feliz, muito bonito da minha vida.

A gente sempre ouve falar que Garopaba era uma colônia de pescadores que foi descoberta por hippies. Você era hippie?
Sim. Eu era um médico ripanga. Até porque um médico que não fosse meio ripanga não ia fazer essa doideira de vir pra cá. Antes de me formar eu era um ripanga clássico, até na forma de me vestir.

E o surfe? Você já praticava?
Sim, mas o surfe naquela época era um esporte exclusivamente de verão para quem vivia aqui no sul. Eu praticava nas férias, em Torres. Ninguém imaginava surfar durante o inverno. Morando em Garopaba, no entanto, fui notando que as melhores ondas aconteciam no inverno. Condições perfeitas. Então veio a necessidade de ter uma roupa que ajudasse a surfar no frio, porque era a minha única fonte de lazer. Só que não havia esse produto à venda no Brasil. Uns dois anos depois que eu estava em Garopaba, fui à procura de um material e fiz a minha primeira roupa. Um amigo de Imbituba viu e pediu uma igual, daqui a pouco veio outro, e outro... Até que chegou um amigo de Itajaí, o Felipe, e encomendou dez roupas para colocar à venda na loja do pai. Eu resisti, mas acabei fazendo. Em menos de um mês ele voltou dizendo que havia vendido tudo e pediu mais 50! Aí tive que começar a pensar em como produzir industrialmente.

O material já era neoprene?
Tinha uma coisa bem parecida com a que se usa hoje. Esses materiais todos foram evoluindo. Por exemplo: o neoprene que a gente usa nem mais é derivado do petróleo, é feito de outras fontes. Mas na época existia uma companhia nos Estados Unidos que produzia um material usado como isolamento térmico. Como eles têm muito frio lá, precisam usar isolamento nos canos para que a água não congele e para que a água quente não esfrie muito rápido. Foi com esse material que fiz as primeiras roupas.

E como é que você, numa época pré-internet, teve acesso a essas informações?
Porque já fui muita coisa na vida, inclusive instrutor de mergulho (risos). Quando eu tinha 18 anos, já era profi de mergulho. Fui contratado para um trabalho na Península de Valdez, no Sul da Argentina. Lá usei roupas para mergulho que eram muito grossas – mais de um centímetro de espessura –, mas havia um material bem mais macio e maleável na gola. Quando eu estava em Garopaba pensando numa roupa para surfar, lembrei daquele material da gola. Peguei minha Brasília velha e fiz mais de 4.500 km até Puerto Madre só para descobrir que material era aquele e como poderia comprá-lo.

Em que momento você percebeu que tinha um negócio promissor nas mãos? Foi na encomenda de 50 roupas?
Sim... Porque ali eu tive que encontrar uma solução de produção em série. Fui até Caxias do Sul visitar uma empresa que fabricava uma máquina para costurar pelego, couro de ovelha para fazer tapetes. Pegavam retalhos, losangos, e a máquina era eficaz para costurar esse tipo de coisa. Eu achava que talvez pudesse servir também para costurar o neoprene. Fui lá e trabalhei durante um bom tempo com o pessoal da fábrica nas adaptações necessárias. Consegui dessa forma ter a minha primeira máquina que costurava neoprene. Mas mesmo assim não dava para continuar trabalhando sozinho. Quando começaram a vir as encomendas maiores, tive que pedir ajuda... Meus primeiros funcionários foram os meus pacientes de hanseníase. Afinal, esses aí não iam conseguir emprego mesmo. Foi quando percebi que a Mormaii poderia se transformar numa belíssima solução social para a cidade, ao gerar emprego para um monte de gente. Amenizar o problema econômico – a falta de dinheiro, a falta de emprego – seria o melhor caminho para combater o problema social e os problemas de saúde da população. Depois de alguns anos acumulando o trabalho como empresário e como médico, chegou o momento em que tive que optar. Abri mão da medicina, pois àquela altura já havia outros colegas na cidade e como empresário eu poderia fazer mais. Hoje são mais de 200 empregos diretos e várias empresas satélites que trabalham com a marca Mormaii aqui na cidade.

A escolha do nome da empresa é uma história famosa. “Mor”, de Morongo. O “i” dobrado é uma referência ao Hawaii...
E o “Ma” vem de Maíra, minha primeira esposa, que me suportou por dez anos aqui em Garopaba, depois não aguentou mais e foi embora para o Hawaii, onde mora até hoje. E eu terminei me casando com uma outra mulher fantástica, que se chama Marisa. Ou seja, a gente troca de mulher mas não troca o nome da empresa.

Quais as preocupações que você tem tido para perpetuar essa marca, fazer com que a empresa sobreviva às próximas gerações...
Olha, isso não me preocupa muito. Porque meu filho, que é budista, já me falou da lei da impermanência. Nada é eterno. Nem nosso planeta é eterno, nem o sol, nem nada. Então não tem essa noia de perpetuar. Tem só a obrigação de fazer bem feito enquanto for. Só isso. Essa noia de perpetuar é um dos grandes erros que nós, humanos, cometemos.

Você não está preocupado em criar conselho profissional de administração, trazer executivo profissional, essas coisas?
Porra nenhuma. Profissional é a nossa atitude, como um todo. Somos extremamente profissionais. Mas, acima de tudo, estou preocupado com a qualidade de vida, minha e de quem trabalha aqui.

Você continua fazendo test-drive dos produtos da Mormaii?
Pois é, continuo. E ninguém me paga hora-extra, nem adicional por insalubridade (risos)... Se você chegar no meu carro agora vai ver que está cheio de tranqueira. Terminando a nossa conversa vou direto entrar na água.

Vem surgindo detrás das montanhas azuis

Só agora soube que saiu no Valor de anteontem uma matéria minha sobre as oportunidades de trabalho decorrentes da expansão da malha ferroviária brasileira. Está tendo muita repercussão - já foi reproduzida em dezenas de blogs e clippings. Se você quiser ler, basta googlar o título, "Ampliação da malha ferroviária no país cria oportunidades".

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Todo frila é esquizofrênico

Já virou tradição no começo das manhãs de segunda aqui na empresa: eu me sento comigo mesmo e a gente faz uma reunião de planejamento da semana. Dividimos as tarefas, combinamos quem vai ter direito a uma folga e quem vai ficar tocando as coisas (geralmente essa parte sobra pra mim). Depois rola uma breve sessão de avaliação da semana anterior. Primeiro faço alguns elogios ao meu desempenho - começar pelo lado bom é uma técnica clássica de feedback - e em seguida lasco a lenha nas minhas mancadas. O clima fica um pouco tenso, mas no final deixamos pra lá e vamos tomar um cafezinho.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O preço da dignidade

Felipe Massa disse numa coletiva que não vai mais ceder posições ao companheiro de equipe, Alonso. Agora é tarde, bobo. Você desperdiçou uma oportunidade preciosa de se transformar, finalmente, em herói nacional. Depois de anos em que Rubinho ficou lambendo as botas de Schumacher, bastava alegar que não poderia decepcionar milhões de brasileiros que torcem por você. Teria apoio em massa da opinião pública de seu país. E o que perderia com isso? O emprego? Pode até ser. Mas ficaria o belo exemplo para a posteridade. (E vamos combinar que grana você já tem de sobra, né?)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Olhe para o céu

Salvo uma ignorância astronômica de minha parte, Vênus está brilhando como nunca neste momento - ao menos aqui em Floripa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Teoria e realidade

A propósito do post anterior, um trechinho do Manual do Frila, que está no prelo:
Vez ou outra a gente vê algum consultor aconselhando quem trabalha em casa a cumprir rituais semelhantes aos de um emprego convencional – começar sempre no mesmo horário, vestir-se com “roupas de escritório” e manter os horários das refeições, sem ataques à geladeira no meio do expediente. Como assim, cara-pálida? Qual é a graça de ser frila se você não pode atacar a geladeira de vez em quando?
Tenho a impressão que as pessoas que dão esses conselhos jamais trabalharam em um escritório doméstico. Para mim, a orientação mais estranha é a de vestir-se (e maquiar-se, no caso das mulheres) como se fosse sair de casa. Se você tem o privilégio de trabalhar em ambiente tão acolhedor e íntimo, por que iria abrir mão da possibilidade de usar roupas confortáveis? Para “fingir” que está em um escritório? Posso assegurar que boa parte dos homens adoraria deixar de fazer a barba todos os dias. Se eu tenho esse privilégio, por que não desfrutar dele?
Claro que é importante ter um espaço reservado para trabalhar, um local que ofereça o sossego e a privacidade necessários. Deve-se conscientizar os familiares – inclusive as crianças – de que aquele cômodo é um reduto de trabalho (meus filhos chamam o meu escritório de “cafofo do papai”). Mas é uma ilusão imaginar que você permanecerá tão perto da família sem que vez ou outra tenha que interagir.
Não tem jeito: trabalhar em casa envolve o risco de ser considerado alguém sempre disponível. Se a sua mulher está preparando o almoço e não consegue abrir a lata de extrato de tomate, o que ela vai fazer? Fingir que você não está bem ali ao lado e pedir ajuda ao vizinho? “Desculpa, o Maurício está em casa, mas não posso incomodá-lo com essas coisas insignificantes.”

Resistir quem há de?

Eu trabalhando no cafofo, eis que aparece uma figurinha de três anos e meio, quase quatro:
- Papi, é o seguinte: quero colinho.

Por falar em afilhados...

Ganhei ontem o meu segundo: eu e a Cris batizamos o Vinícius, filho dos amigos Eliane e Daleco. Que o nome de poeta o inspire vida afora!

Parabéns

À minha sobrinha e afilhada Beatriz, que completa 16 anos hoje. Outro dia era um bebê com coqueirinho na cabeça... Caramba, acho que esse negócio de umidade, dna e condor deve mesmo fazer algum sentido.

E fez-se o milagre

De repente o peão aqui começou a sentir dor no joelho esquerdo. Dependendo da posição, doía pacas. Passei o sábado inteiro com a dor e ouvi todas aquelas piadinhas - "é problema de dna - data de nascimento avançada", "deve ser a umidade - uma idade avançada", "é a idade do condor - com dor em tudo" etc. Pois a dor continuava ontem até o final da tarde, quando, totalmente irresponsável, decidi mesmo assim bater uma bola com a garotada do condomínio. E não é que a dor passou completamente depois da pelada? Hoje estou ótimo, 100%. Não sei qual é a explicação científica, mas, de qualquer forma, foi um alerta para que eu retomasse imediatamente as caminhadas na praia, que havia abandonado durante o período de viagens. Recomecei hoje, com tempo carrancudo e tudo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O próximo

O Manual do Frila, inspirado neste blog, já aparece na lista dos próximos lançamentos da Editora Contexto.

História da educação em Santa Catarina

Saiu o primeiro dos meus três - que acabaram virando quatro no meio do caminho - livros previstos para este ano: História da Educação em Santa Catarina, pela Editora Letras Brasileiras. É um livro de mesa, ilustrado com imagens de dezenas de estabelecimentos públicos e privados de todas as regiões do estado. A obra é resultado de uma encomenda da editora para suprir uma lacuna do mercado. Há bons trabalhos de historiadores sobre temas específicos ou períodos delimitados, mas não havia um livro que sintetizasse toda a trajetória do ensino catarinense.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A nova Florença renascentista?

Por favor, não interprete o que vou descrever aqui como preconceito, mas apenas como constatação de que há algo muito estranho ocorrendo com o Enem. Os resultados do teste acabam de ser divulgados e seis escolas de Teresina aparecem entre as 40 com melhor pontuação no país - incluindo a segunda colocada. Apenas para efeito de comparação, a catarinense melhor posicionada é o Ielusc, de Joinville, em 131º, e a melhor de Florianópolis é o Colégio Catarinense, em 514º. Ou há uma revolução comparável ao Renascimento ocorrendo na capital piauiense ou uma investigação se faz necessária com urgência...

sábado, 17 de julho de 2010

Papai Papudo

Realmente estou perdendo discussões muito importantes estando fora do Twitter.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sou um sujeito arcaico

Por falar em Beto, jantamos juntos em São Paulo e ele tentou me convencer a aderir ao Twitter. Quem sabe, quem sabe... Acho mesmo que estou virando um sujeito desatualizado e que preciso tomar cuidado com isso. Por exemplo: a Localiza oferecia carros com GPS e eu recusei, pois adoro usar o Guia Quatro Rodas e parar em postos de gasolina para tirar as dúvidas com os frentistas. Perder-se faz parte das viagens (e eu diria até que é uma das partes mais legais). Substituir tudo isso por um computadorzinho falando "faça isso, faça aquilo" não me parece nem um pouco emocionante...

A inesgotável bizarrice do mundo

Um site divertido indicado pelo meu irmão Beto.

Três décadas antes...

Quando eu era criança e morava em Araranguá, o Jorge Bornhausen era o governador biônico de Santa Catarina. Lembro de uma vez em que ele foi visitar a cidade e nós, criancinhas de escolas públicas, tivemos que ir lá com bandeirinhas saudar a autoridade nomeada pelos militares. Felizmente o Brasil e eu mudamos muito nesses 30 anos. Já o sr Bornhausen...

Dr Jorge e eu

Cheguei em Congonhas e vi que o Jorge Bornhausen estava aguardando o mesmo voo para Floripa. Pensei: "só falta sentar ao meu lado". Ele foi um dos primeiros a embarcar e eu, como sempre, fui um dos últimos (não entendo porque as pessoas saem correndo para formar uma fila enorme assim que liberam o embarque - medo de que o avião vá embora sem elas?). Quando cheguei à minha poltrona 27A, adivinha quem estava na 27C? Caramba, essa Lei de Murphy é implacável... (Se fosse a Juliana Paes aposto que haveria pelo menos umas 20 fileiras nos separando.) Pedi licença com toda a educação que minha mãe me deu, ele tirou o cinto e levantou com aquele ar de "como ousa?". No rápido momento em que estávamos ambos de pé fiquei pensando na incrível capacidade que alguém pode ter de olhar de cima para baixo mesmo tendo uns 20 centímetros a menos. Agradeci e não ouvi resposta, mas logo percebi que o tratamento VIP não era só comigo. O comissário de bordo que ofereceu balas ficou falando sozinho, pois o meu vizinho de poltrona não aceitou, nem recusou, nem agradeceu - simplesmente agiu como se não houvesse ninguém ali. E o sujeito é político, meu deus! Primeiro caso de político antipático que eu conheço. Tão logo ficou confirmado que não haveria ninguém na poltrona entre nós, ele tomou conta da dita cuja, colocando ali um pacote com revistas. Sempre pensei que nesse caso há um acordo tácito entre as pessoas - cada um usa metade da poltrona vaga (bem que eu queria um lugarzinho para colocar o saco cheio de shiitakes que havia comprado baratinho na Liberdade). Resumo da ópera: é muito raro eu passar uma viagem sem trocar palavra com o vizinho, mas desta vez fiz questão de abrir uma exceção. Pedi o fone de ouvido e fiquei ali estalando os dedos, feliz. Na hora do lanche, tomei uma cerveja e fiquei imaginando os pensamentos alheios: "proletariado é tudo cachaceiro, mesmo". A única coisa boa é que as revistas ficaram na poltrona e eu levei para casa, inteiramente di grátis, uma IstoÉ e uma IstoÉ Dinheiro.

Home, sweet home

Minha mãe sempre diz: viajar é bom, mas nada como voltar para casa. É verdade. Depois de um mês de voos e estradas, acabou ontem a minha temporada de viagens.

domingo, 11 de julho de 2010

Fúria e amor

A conquista da Espanha me deixa feliz principalmente pelo amigo Pepe, espanhol que teve a sorte de presenciar esse momento na terra natal, para onde viajou há uns dez dias com a Vandeca e as crianças. Ela escreveu há pouco contando que o país está uma loucura e postou algumas fotos que comprovam isso. Tenho certeza que muitas histórias estão começando por lá neste exato momento. Sei bem do que estou falando: eu e a Cris ficamos definitivamente juntos na festa da Copa de 1994.

sábado, 10 de julho de 2010

Menas complicação, gente!

Estava eu numa fila quando não pude deixar de reparar que o rapaz atrás de mim, em animada conversa com a amiga que o acompanhava, chamou o polvo que acerta os resultados da Copa de molúsculo. Deve ser irmão daquela ex-professora de português do Lauro que teimou com ele que o certo é asterístico (gota d'água para o menino ter trocado de colégio, a propósito). O pessoal gostam de complicar...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Hasta la vista, babies

O sábado será agitado e domingo cedo parto para mais uma série de viagens. Acho que vou demorar um pouquinho para reaparecer por aqui. Fiquem bem!

Um belo livro - de corpo e alma

Nove meses depois de tê-lo ganho dos amigos da Letras Brasileiras como presente de aniversário, estou finalmente lendo - talvez a palavra mais apropriada seja saboreando - meu exemplar da edição especialíssima de Moby Dick publicada pela Cosac Naify. Adoro ler um livro bonito como esse, claro, mas gostava também da sensação de saber que ele estava na fila - por isso a demora. A história é maravilhosa, com um texto soberbo e uma tradução primorosa (e tem tudo a ver com a minha fase marítima pós-mudança para o Campeche). Olha só o primeiro parágrafo: "Trate-me por Ishmael. Há alguns anos - não importa quantos ao certo -, tendo pouco ou nenhum dinheiro no bolso, e nada em especial que me interessasse em terra firme, pensei em navegar um pouco e visitar o mundo das águas. É o meu jeito de afastar a melancolia e regular a circulação. Sempre que começo a ficar rabugento; sempre que há um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que, sem querer, me vejo parado diante de agências funerárias, ou acompanhando todos os funerais que encontro; e, em especial, quando minha tristeza é tão profunda que se faz necessário um princípio moral muito forte que me impeça de sair à rua e rigorosamente arrancar os chapéus de todas as pessoas - então percebo que é hora de ir o mais rápido possível para o mar. Esse é o meu substituto para a arma e para as balas. Com garbo filosófico, Catão corre à sua espada; eu embarco discreto num navio. Não há nada de surpreendente nisso. Sem saber, quase todos os homens nutrem, cada um a seu modo, uma vez ou outra, praticamente o mesmo sentimento que tenho pelo oceano." Impossível parar de ler.

Sobre a Copa

Brasileiro tem mania de procurar culpados e deixa de reconhecer os méritos alheios. A verdade é que a Holanda jogou muito no segundo tempo, com inteligência e vigor físico. Engoliu o Brasil. Agora o mundo está caindo nos ombros do Felipe Melo, mas ele fez exatamente o que se esperava dele. Nenhuma surpresa. Se é para buscar um culpado, que seja o Kaká - que não fez nada do que se esperava dele.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O mundo dá voltas...

... E o peão teve uma tarde de marajá. Com todas as tarefas urgentes resolvidas - esperando apenas o retorno de pedidos de entrevistas de uma matéria que estou fazendo para o Valor -, sozinho em casa e com um dia esplendoroso do lado de fora, transformei a praia em escritório. Coloquei chinelos, óculos escuros, uma bermuda furada e uma camiseta puída, para aumentar ainda mais a sensação de vagabundagem. Levei apenas o celular, um livro com crônicas de Charles Dickens, um lápis e duas folhas A4 dobradas, para eventuais anotações. Estava sentado num tronquinho trazido pela ressaca, apreciando ora a paisagem da esquerda (que você vê à esquerda), ora a da direita (à direita), quando uma das fontes ligou e comecei a entrevistá-lo - ele possivelmente de terno e gravata em um escritório de São Paulo e eu sem camisa, olhando para a Ilha do Campeche (que você vê à esquerda). O som das ondas ao fundo já era um indício forte, mas em certo momento uma rajada de vento o levou a perguntar se eu estava na praia. Com aquela sensação de ter sido pego em flagrante, quase respondi "sim, mas não é nada disso que você está pensando!"

Peão trabalhando com sono

quarta-feira, 30 de junho de 2010

2010.2

Foi-se a metade de um ano intenso, talvez o mais intenso de todos. Cheguei a dizer que tinha a impressão de que nada acontecia aos 37, mas estava tremendamente enganado. Vem aí o segundo semestre. Deus nos guarde.

sábado, 26 de junho de 2010

Verde-amarelo

Cinco dias fora de casa foram suficientes para as acácias florescerem.

Chega a ser ridículo

Impressionante como o tráfego aéreo brasileiro é desnecessariamente concentrado em São Paulo. Para vir de Londrina a Floripa (700 km), tive que fazer Londrina-Guarulhos (com escala em Curitiba) e Guarulhos-Floripa, o que resultou em 1.500 km.

O período easy rider do ano

Nesta semana fiz o roteiro entre Foz do Iguaçu e Londrina para o Melhores Empresas - o momento mais glamouroso foi cruzar a fronteira para jantar em Puerto Iguazu, na Argentina. No mais, enfrentei muita estrada. É um frila fisicamente extenuante, mas dá para suportar bem porque as viagens se concentram em um mês. Além do mais, adoro esse espírito easy rider que me fez percorrer 15 estados nos últimos sete anos. Já visitei 14 das 23 empresas programadas para este ano. Semana que vem fico em Floripa, pois teremos - se tudo der certo contra o Chile - dois jogos do Brasil na Copa.

sábado, 19 de junho de 2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

Nívers de hoje

Não é só Aline que está soprando velinhas - parabéns, querida! Este blog que vos fala está completando dois aninhos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Felipão de volta ao Palmeiras!

Agora sim o alviverde voltará a ser imponente, como diz o hino. Luiz Felipe Scolari tem uma tremenda identificação com o clube, assim como o atacante Kleber Gladiador, que também está voltando. Chega de mercenários como Keirrison e Vágner Love!

sábado, 12 de junho de 2010

A Copa da desesperança

"A seleção brasileira de futebol ocupa uma posição única nos esportes, como exemplo de um favorito com o qual todos simpatizam. Em geral, os torcedores, sobretudo os de futebol, odeiam os favoritos (o Real Madrid na Espanha, a Juventus na Itália, o Manchester United/Chelsea na Inglaterra). Mas o time brasileiro, o único a vencer a Copa do Mundo por cinco vezes, em todos os continentes em que ela já foi disputada, é adorado. Por isso, muitos dos torcedores de futebol têm, em se tratando de seleções nacionais, dois times: o seu próprio e o do Brasil." (trecho de um texto assinado pelo escritor alemão John Lanchester que encontrei aqui em casa numa National Geographic de 2006).
Não sei se eu é que estou ficando velho e insensível, mas tenho a impressão de que o entusiasmo dos brasileiros com a Copa do Mundo nunca esteve tão baixo quanto desta vez. Minha teoria é a de que o nível de entusiasmo é diretamente proporcional à beleza do jogo apresentado pela seleção, e não pelo seu grau de favoritismo. A atual seleção é favorita e vem apresentando excelentes resultados, mas seu jogo burocrático e frio não conquistou o coração dos torcedores. O símbolo do time, Kaká, é bom moço demais (que saudade das barbaridades que o Romário dizia - e fazia em campo). A falta de espirituosidade dos jogadores e do técnico é irritante. Dunga deixou bem claro que iria privilegiar a eficiência, e não a beleza, quando abriu mão de craques como Ronaldinho Gaúcho e Ganso. Mas não foi justamente a beleza, a descontração, a leveza do nosso futebol que transformou a seleção brasileira no segundo time de todo mundo, como definiu Lanchester? Corremos sério risco de vencer a Copa jogando feio, exatamente como aconteceu com a seleção de 1994 - cujo capitão, não por coincidência, era Dunga. A pergunta é: vale a pena ser campeão assim, com uma seleção cujo forte é a defesa e não o ataque? Ou é melhor partir pra cima e ver o que acontece, se-der-deu-se-não-der-não-deu? Em resposta, basta dizer que a seleção de 1982 é lembrada com muito mais carinho pelos brasileiros que a de 1994.
Já que não tem jeito, resta-nos agora torcer pelo Josué, o Felipe Melo, o Júlio Baptista... Ai, ai.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Oficina de roteiro cinematográfico

Eu certamente gostaria de participar se não estivesse viajando. Segue na íntegra o release assinado pela Adri Canan:
NPD-SC realiza oficina gratuita de introdução ao roteiro cinematográfico
Estão abertas até 16 de junho as inscrições para mais uma oficina gratuita promovida pelo Núcleo de Produção Digital de Santa Catarina (NPD-SC). A oficina de introdução ao roteiro será ministrada pela roteirista paranaense Sabina Anzuategui.
Formada em Cinema e Vídeo pela ECA-USP, com mestrado sobre roteiros de mídias interativas e pesquisa de doutorado sobre telenovelas brasileiras da década de 70, Sabina é professora de roteiro no curso de Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero. Autora do romance “Calcinha no Varal” (Cia. das Letras, 2005), é roteirista dos filmes “Desmundo” (Alain Fresnot, 2003), “A Casa de Alice” (Chico Teixeira, 2007), “Garoto Cósmico” (Alê Abreu, 2007) e "Como Esquecer" (Malu de Martino), com lançamento previsto para outubro. Também participou do documentário “Nasceu o Bebê Diabo em São Paulo” (Renata Druck, 2002) e colaborou em “Quanto Vale ou é Por Quilo?” (Sérgio Bianchi, 2005) e na série "Alice" (HBO, 2008).
As aulas acontecem nos dias 21 e 22 de junho, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. As inscrições devem ser feitas pelo endereço www.npdsc.ufsc.br. Serão selecionados 25 participantes.

E aí a gente pensa...

... na absurda desigualdade social que permanece neste país.

Taí uma boa carreira

Administrar a grana alheia. Assino no Valor Econômico de hoje uma matéria sobre o crescimento do mercado de gestão de fortunas no Brasil. Sim, os ricaços terceirizam esse serviço (que eu certamente faria com prazer caso tivesse uma fortuna). A boa fase econômica do país, associada à maior incidência de aberturas de capital, fusões e aquisições de empresas, está fazendo com que o número de milionários brasileiros cresça rapidamente. A edição deste ano do ranking publicado pela revista Forbes inclui o número recorde de 18 brasileiros com patrimônio acima de US$ 1 bilhão – a soma dessas fortunas chega a US$ 90,3 bilhões. Na versão anterior da lista, os 14 representantes do país tinham patrimônio em conjunto de “apenas” US$ 40,6 bilhões. Estima-se que os brasileiros com mais de R$ 1 milhão disponíveis para investimentos possuam, em conjunto, pelo menos R$ 400 bilhões – quantia suficiente para comprar 800 mil confortabilíssimos apartamentos de R$ 500 mil.

Chegou a hora de pegar estrada

Meu pedido foi atendido e ficarei com um estado próximo - o Paraná - no processo do Melhores Empresas para Trabalhar deste ano. Com isso, montei uma programação que me permitirá voltar a Floripa nos finais de semana e estar por aqui nos dias de jogos do Brasil na Copa. É o sétimo ano seguido - desde que virei frila - em que visito as finalistas do concurso promovido pelas revistas Exame e Você S/A. O processo ocorre sempre entre meados de junho a meados de julho, período que já deixo reservado na agenda. Ainda tenho uns dias para colocar as coisas em dia antes de mergulhar nas viagens. Vou dando notícias - aliás, este blog começou justamente para registrar as minhas aventuras para o Melhores Empresas há dois anos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Update dos livros

Em decorrência sobretudo do meu blog Vida de Frila, sou eventualmente convidado a dar palestras ou participar de mesas-redondas em cursos de jornalismo. Numa dessas ocasiões, um dos estudantes parece ter se ofendido quando eu disse que fazia trabalhos por encomenda:
- Quer dizer que se a revista mandar você fazer uma matéria falando bem de Jesus, você faz, e se mandar falar mal, você faz também?
Expliquei ao rapaz que “trabalhar por encomenda” não significa abrir mão dos princípios básicos do jornalismo – imparcialidade, ouvir os dois lados, fugir de pré-concepções e preconceitos etc. Mas a forma como ele interpretou o que eu havia dito reforçou a minha sensação de que os cursos de jornalismo nem sempre preparam os estudantes para o mercado “de verdade”, pelo simples fato de que muitos professores não sabem como as coisas funcionam. Alguns saíram direto da graduação para o mestrado e depois para o doutorado, e nem chegaram a enfrentar uma redação. Outros até passaram por redações, mas estão há tanto tempo na academia que perderam o contato com a realidade.

Trecho do meu livro sobre a vida de frila, cuja versão final do texto acaba de ser aprovada pela editora. Lançamento previsto para setembro. Já a biografia do Patápio está prontinha para ir à gráfica, mas o lançamento ficou para depois da Copa.

Os mistérios da natureza humana

Por que os amanheceres provocam uma certa sensação de euforia e os ocasos trazem um sopro de melancolia? Será que é algo atávico, que vem dos nossos antepassados, ou simplesmente uma releitura metafórica que o nosso inconsciente faz das dualidades luz-escuridão e começo-fim?

Perseverança

A madrugada sonha tanto em ser azul
Até que finalmente acontece.

Um homem e uma laranja

Levanto, estico as pernas, espreguiço de norte a sul o meu corpo cansado. Caminho até a cozinha. Chá? Café? Cerveja? Enquanto decido, meu olhar encontra uma linda laranja solitária no balcão. Ela me dá uma piscadela irresistível, e então tudo acontece. Ah, as gotículas que saltavam nos meus lábios enquanto eu a despia... Desde já inesquecível é aquela laranja, tão doce quanto o beijo de Eurídice.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A gangorra da vida de frila

Há duas situações antagônicas que enfrento com certa frequência: a angústia de estar entupido de trabalho e o alívio de sair de uma fase dessas. Com mais esta noite de dedicação, sentirei finalmente o alívio. E voltarei às gaivotas, que me entendem tão bem.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Patrão exigente

Aqui em casa é assim: para selecionar empregados domésticos eu exijo diploma de doutorado e comprovação de vínculo empregatício com universidade federal. Foto: Cibele Godoy.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Riozinho do Campeche, 6h50

Acordei hoje às quatro para levar um casal de tios muito queridos ao aeroporto - eles moram em Caldas Novas (GO). É claro que, na volta, fui presenciar o nascer do sol na praia. Tenho ido com frequência, como vocês bem sabem, e sempre descubro algo novo. Aprendi que nenhum amanhecer é igual ao outro. Talvez seja um recado sutil da natureza para que aproveitemos bem cada dia. Então... Aproveite o seu.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ufa ufa ufa

Hoje pela manhã fui ao colégio do Lauro, a convite da professora de português Ana Carina, para conversar com duas turmas - inclusive a dele - sobre jornalismo e histórias de vida. Momento certamente tenso para um rapazinho de 12 anos. O pai ali na frente de todos os colegas... Assim que nos reencontramos fora da sala fui logo perguntando:
- E aí, queimei o teu filme?
- Não. Mandou bem.
Ufa.

domingo, 30 de maio de 2010

No final sempre dá certo

O volume de trabalho e de compromissos que me aguarda nesta semana é aparentemente tão impossível de ser cumprido - ainda mais com o feriado (para os outros) de quinta - que neste momento eu não sei se sento e choro, se dou um pulo na praia para bater um papo com a gaivota ou se simplesmente encaro a realidade e mando ver desde já. Ok, eu sei que a opção correta é a três.

À Cris

Treze anos de casamento hoje. O número da sorte.

sábado, 29 de maio de 2010

Cinema com inteligência

Mas sem pedantismo. É o blog do Zé Geraldo Couto, que mora aqui em Floripa e trabalha para a Folha. Meu ex-companheiro de peladas, gente boa pacas (ex porque eu abandonei as peladas; ele continua firme). Demorou, mas vou colocar já na lista dos recomendados aí do lado.

Os sites mais visitados do Brasil

O Google divulgou o ranking dos 1.000 sites mais acessados do mundo em abril - lista que, curiosamente, exclui o próprio Google, que deve ser disparado o primeiro lugar. O Facebook aparece na frente, com 540 milhões de visitantes. Há os seguintes sites com a extensão ".com.br" na lista:
95º UOL (23 milhões de visitantes)
182º Terra (15 milhões)
357º Baixaki (9,1 milhões)
468º Mercado Livre (7,5 milhões)
477º IG (7,5 milhões)
536º Abril (6,8 milhões)
2.354.134.747º Vida de Frila (1,8 mil)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O segredo da gaivota (I)

Devo, então, contar-lhes como tudo começou. Não espero que acreditem em cada palavra, pois nem mesmo eu acreditaria.

Hahaha, gostaram do início? Chupei de uma revista de sacanagem. Depois dessa introdução cheia de não me toques, o sujeito começa a contar as maiores barbaridades. Aparece até pônei na jogada.

Mas vamos ao que interessa. Era o início de um dia feio de inverno – uma manhã enfarruscada, como diria minha tia Ermelinda, que o diabo a tenha em bom lugar. Ela foi a única que estudou um pouco na família e usava essas palavras diferentes só pra humilhar a gente. De que adiantou? Nadica. Morreu na miséria, a desgraçada.

Então. Era o início de um dia enfarruscado de inverno, naquele horário em que a gente não encontra ninguém na rua além dos bêbados muito bêbados e dos trabalhadores muito trabalhadores.

Eu não tava tão bêbado – o efeito da garrafa de 51 que eu zerei meia hora antes já tinha passado – e também não sou lá um grande trabalhador.

Ganho a vida fazendo – como é mesmo que se diz? – expedientes. Nunca fui um bandido bandido, que nem o Pedrão Biloca, batedor de carteira de mão cheia, ou o meu primo, o Zeno da Zena, que tá cumprindo 12 anos por assalto a joalheria.

Eu faço mais a linha generalista. Golpe em viúva, bilhete premiado, boa-noite cinderela, essas brincadeirinhas que depois até a vítima acha engraçado.

Mas, voltando ao assunto... Desculpa, eu tenho esse hábito de ser... Como é mesmo que se diz? Relapso? Não, peraí, deixa eu olhar no dicionário... É uma palavra tipo distraído, mas não é bem isso. Ah, taqui. Disperso. Eu sou meio disperso.

Então. Eu tava na rua prospectando oportunidades. Resolvi começar o expediente bem cedo naquele dia, apesar da chuvinha de molhar otário – no caso, eu mesmo – e do vento desgraçado nas orelhas.

Passei na feira e afanei uma manga e duas bananas, pra manter a forma. O otário do verdureiro nunca me flagrou no ato. Passo ali duas vezes por semana, não compro porra nenhuma, e o cara nunca desconfiou. Este mundo é mesmo cheio de otário.

Segui até a praia. A noite tinha sido de mudança de lua, o que significa maré cheia, o que significa um monte de lixo na areia. Vocês não imaginam o que eu já encontrei no meio daquela porcariada toda. Moeda antiga, um anel de ouro, uma escova de dente quase novinha - uso até hoje - e uma embalagem de pomada Minâncora com um bilhete dentro escrito “Branca de Neve esteve aqui”, em letra bem caprichada de mocinha.

O bom de procurar lixo na praia é que, se você não encontra nada que preste, sempre corre o risco de dar um ganho em algum otário desfilando com um tênis cheio de frufru ou com um daqueles aparelhinhos de escutar música que eu não sei o nome. Só sei que o Torquato compra por 20 mangos.

O Torquato é um baita pilantra. Você chega lá com a mercadoria e ele sempre diz que não interessa, que tá com várias iguaizinhas no estoque, tudo encalhado. Aí você baixa o preço, só falta pedir pelo amor de deus, e no final ele aceita o negócio, mas “só pra te ajudar porque tu é meu camarada”. Desgraçado. Tu vende o negócio pela metade do que vale e ainda sai de lá pensando: “cacete, esse Torquato é gente boa mesmo.” Cara, se eu fosse bandido bandido mesmo, enfiava a peixeira nesse cabra.

Mas eu já falei que não sou um bandido bandido. Sou só um merdinha que quer um pouco de paz e amor na vida. Não tenho culpa se essas coisas custam dinheiro.

Pois é. Então. Aquele dia a bagulhada da ressaca tava fraquinha. Uma pilha enferrujada, um ralo de banheiro, um monte de tampa de margarina... Não entendo porque sempre tem um monte de tampa de margarina no lixo da ressaca. Quem será o desgraçado que come tanta margarina lá em alto mar? A Pequena Sereia, o Nemo, o Aquaman?

(continua)