segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Se a ideia é unir trabalho e prazer...

Nada melhor do que atuar no mercado de vinhos. Assino no Valor Econômico de hoje uma matéria sobre as oportunidades de carreira que estão surgindo nesse setor. O Brasil tem uma média de consumo per capita ainda muito baixa - dois litros por ano, contra 28 litros na União Européia. Na expectativa de uma rápida expansão nos próximos anos, vinícolas, importadoras, distribuidoras, restaurantes, hotéis e supermercados investem na profissionalização dos seus negócios ligados ao vinho e contratam executivos com experiência em outras áreas. Um simbólico caso recente é o do paulistano Marcelo Toledo, 39 anos, dono de um vistoso currículo na área de bens de consumo e CEO do Miolo Wine Group desde meados de outubro. Aproveito para agradecer em público ao casal expert no tema Claudio e Rafaela, do Le Vin au Blog, pelas preciosas dicas. Não vou colocar um link para a matéria porque, por enquanto, a leitura está restrita aos assinantes. E agradeço se algum amigo aqui de Floripa tiver o jornal impresso na mão e puder guardar para mim, pois não o encontrei nas bancas do continente e não está nos meus planos atravessar a ponte.

O sonho de Paul

Graças à preciosa dica do Alex, meu guru para assuntos musicais, não perdi o primeiro especial sobre os Beatles que acaba de passar no Multishow - a série continua no próximo domingo, às 23 horas, com um documentário sobre como a Beatlemania se espalhou pelos Estados Unidos. Quando o programa citou Yesterday, lembrei da impressionante história sobre inspiração relacionada à canção que se tornou a mais executada de todos os tempos. Paul McCartney simplesmente acordou com a melodia na cabeça, tão clara que ele teve plena convicção de que se tratava de um tema de domínio público. Só depois de mostrá-la aos companheiros e a várias pessoas que entendiam de música teve certeza do ineditismo. Fez então a letra. Era algo tão diferente do que os Beatles haviam produzido até aquele ano de 1965 que Yesterday (que chegou a ter o título provisório de Scrambled Eggs, "Ovos mexidos") tornou-se, por decisão do grupo, a primeira canção gravada por um deles sem a participação dos demais.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

E ainda falam da Bahia

Escola de samba perde o título por usar samba "reciclado" de uma congênere paulista, concurso da Assembleia Legislativa é anulado por ter tido várias questões chupadas de outros concursos, prefeitura paga uma fortuna por uma árvore de 60 metros que na verdade tem 43 metros, diretor de presídio leva detento em carro oficial para cobrar dívidas de tráfico... Pelo jeito, a única lei em vigência aqui em Santa Catarina é a do menor esforço.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

No país da falta de delicadeza

Cena triste no banco. Uma senhora que não compreendeu de imediato o funcionamento da porta giratória foi alvo da impaciência do guarda, que, aos gritos do lado de dentro, tentava demonstrar a ela onde era preciso colocar a carteira. Todos os clientes que estavam do lado de dentro passaram a acompanhar a cena. Era visível o quanto aquela senhora estava constrangida por ser o alvo das atenções. Nenhum funcionário tomou a iniciativa de efetivamente auxiliá-la. Alguns, ao contrário, sorriam ironicamente. Quando finalmente conseguiu entrar, com ajuda de outro cliente que chegava, a humilde e digna senhora baixou a cabeça e pediu desculpas ao guarda.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Lua, tucano, ondas, pedras e nuvens

Acabo de passar alguns bons minutos esperando que as nuvens abrissem espaço para que a lua, até então parcialmente encoberta, pudesse enfim brilhar em todo o seu misterioso encanto. Vi a cena pela janela e me senti impelido a acompanhar a evolução daquele suave balé celeste. Foi o terceiro momento marcante de contemplação da natureza neste final de semana. Ontem, após ultrapassar um amontoado de rochas de uma praia pouco frequentada de Governador Celso Ramos, eu e o Lauro encontramos um recanto repleto de pedrinhas de diferentes cores e formatos, esculpidas pela ação das ondas - e lá ficamos um bom tempo à procura das "especiais". Demos uma de presente para a Lígia e ela adorou, a ponto de conversar com a pedra, dar banho e colocá-la para dormir. Hoje, a família inteira avistou um tucano (o mais lindo que já vi, com peito vermelho) em uma pequena árvore a poucos metros de onde estávamos. Nessas horas fica difícil continuar acreditando na inexistência de Deus.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Rumo ao topo dos mais vendidos


Tão logo acabei de ler a mais recente obra de Lira Neto, a excelente biografia do Padre Cícero, escrevi esta resenha, publicada no Diário Catarinense de hoje. Como brinde aos leitores do Vida de Frila, segue uma pingue-pongue com o autor, não incluída no site do jornal.

Cearense como o seu biografado, o jornalista Lira Neto, 45 anos, radicado em São Paulo desde 2003, tornou-se um dos autores mais bem-sucedidos – e disputados – do mercado editorial brasileiro. O livro sobre o Padre Cícero marca sua estreia na Companhia das Letras, depois da boa repercussão de duas obras publicadas pela Editora Globo – Maysa: Só Numa Multidão de Amores, base da minissérie da TV Globo sobre a cantora, e O Inimigo do Rei, biografia do escritor José de Alencar, Prêmio Jabuti de melhor biografia em 2007.

Quais são as suas primeiras recordações do Padre Cícero?
Nasci em Fortaleza. Historicamente, entre as classes médias da capital cearense, o nome de Padre Cícero é visto com ressalvas e prevenções. Talvez isso seja ainda resquício das feridas abertas pela Sedição de Juazeiro. Por isso, cresci ouvindo histórias pouco edificantes sobre o padre. Os mais velhos diziam que ele era um embusteiro, que queria dominar o mundo. Mais tarde, já na universidade, tive contatos com certa produção teórica a respeito de Cícero, livros e tratados acadêmicos que procuravam explicar o fenômeno por um viés marxista e que, quase sempre, não davam conta da complexidade do personagem. Somente durante a fase de pesquisa, ao descer às fontes primárias, ao consultar os documentos históricos, fui conhecendo melhor Cícero e suas circunstâncias.

Como foi o processo de apuração? A Igreja colaborou com a sua investigação?
Nos últimos anos fui quatro ou cinco vezes a Juazeiro, onde mergulhei no universo das romarias, visitei lugares históricos e fiz todo um trabalho de imersão na atmosfera e nos cenários por onde o biografado trilhou e andou. Tive a sorte de contar com a generosidade de grandes pesquisadores do tema, que me forneceram valiosa contribuição documental. Na Diocese do Crato, tive acesso também a um amplo e valioso material, composto de cerca de 900 cartas trocadas entre os protagonistas da história, o que inclusive serviu de espinha dorsal do trabalho. Também tive acesso, por meio de fontes privilegiadas, a documentos oriundos do Arquivo Secreto do Vaticano. A todo instante e a todas as fontes, sempre deixei clara a minha posição de jornalista agnóstico, de alguém que não pertence a nenhuma religião e que não é dado a acreditar em milagres. Meu compromisso ético foi o de fazer uma pesquisa rigorosa, uma investigação séria e isenta, sem cair na armadilha da apologia, de um lado, ou da mera desconstrução, de outro.

A longa trajetória de Padre Cícero tem vários aspectos surpreendentes. Que momento da pesquisa o deixou mais surpreso?
Difícil escolher, na vertiginosa trajetória de Padre Cícero, um determinado momento, um episódio específico que possa ser posto em destaque. Mas posso dizer que, se a pesquisa nos documentos eclesiásticos me eletrizou, também me senti arrebatado pela riqueza de informações e de peripécias do Padre Cícero político. Se o livro fosse um romance, provavelmente seria acusado pela crítica pela presumida inverossimilhança de muitas cenas. Não é fantástico constatar que aquilo tudo ali descrito e narrado, por mais que pareça ter saído da cachola de um ficcionista em estado de delírio, aconteceu realmente?

Quais parecem ser as chances efetivas de que o Padre Cícero venha a ser reconhecido como santo pela Igreja? Que etapas precisam ser vencidas?
O que parece evidente é que a reabilitação do padre – que morreu proscrito da Igreja – já está em pleno vigor. Ela será oficializada em um prazo de tempo bem reduzido, presumo. Para o Vaticano, reabilitar Cícero significa anistiá-lo das penas a que ele foi condenado em vida. O avanço evangélico no interior do Brasil compõe o pano de fundo desse processo bem visível de reincorporar Cícero ao catolicismo. Deixar que ele permaneça à margem da liturgia significa ignorar, igualmente, uma legião de milhões e milhões de devotos, peregrinos e romeiros que o tem na conta de um santo. Contudo, é preciso deixar claro que a reabilitação é apenas o primeiro passo para uma possível posterior beatificação e, em seguida, uma presumida canonização. Nesses casos, para oficializar alguém como santo, o rito da Santa Sé costuma ser lento. Por isso, é impossível estabelecer datas e arriscar previsões. Mas uma coisa é fato: a Igreja está pavimentando, desde já, o caminho para tal.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Futebol é arte

O sorteio dos grupos da Copa do Mundo, há pouco, trouxe de volta uma lembrança fascinante da infância: os pôsteres de todas as edições do torneio. No da próxima Copa, reproduzido ao lado, o contorno da cabeça do jogador lembra o formato do continente africano.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Que venham os paulistas

Assino na Viagem & Turismo de dezembro um especial sobre Santa Catarina, focado em Jurerê Internacional e Governador Celso Ramos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sentimento agridoce

Hoje foi meu último dia na editora. Depois de três meses, volto a ser dono de 100% do meu tempo. Mas foi uma experiência interessante e sentirei saudades.

Coisas idiotas que a gente faz

Noite passada, dirigindo pela Avenida Beira-Mar, vi meu ex-carro andando logo à frente. Apesar dos disfarces - uma série de adesivos meigos -, reconheci pela placa. Achei uma coincidência tão grande que senti necessidade de compartilhar com quem o dirigia. Parei ao lado no semáforo. Havia uma jovem ao volante e uma senhora de uns 50 anos no carona. Fiz um sinal demonstrando que queria dizer algo, mas a caroneira, que poderia simplesmente abaixar o vidro e me ouvir, levantou o dedo e fez nana-nina-note com cara de emburrada. Deve ter imaginado que eu queria cantar a moça - ou ela própria, sei lá. Tudo bem que eram dez e meia da noite, mas, caramba!, estamos em Floripa e aqui as pessoas deveriam relaxar mais. Não desisti e passei a mensagem por mímica. A moça entendeu e sorriu (ainda bem, porque a sequência de gestos - apontar para o carro dela e depois para mim - poderia ser interpretada como "vou roubar o seu carro"). Enquanto a jovem explicava tudo para a bru..., digo, para a pessoa ao lado, o semáforo abriu e segui adiante, pensando no papelão ridículo que eu havia feito. Por que diabos tal informação interessaria à nova dona do carro?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Que o desfecho seja honesto

O Flamengo será campeão com méritos, claro, mas não há como negar que terá sido incrivelmente ajudado nas duas últimas rodadas. Ontem o Corinthians claramente fez corpo mole para prejudicar os rivais São Paulo e Palmeiras na luta pelo título, assim como o Grêmio deverá fazer contra o mesmo Flamengo, na rodada decisiva do campeonato, para não deixar o Inter ser campeão. A não ser que o Grêmio comprove ser tão grande quanto sua história demonstra e jogue para valer, sem se preocupar se o campeão será o Inter, o Palmeiras ou o São Paulo, clubes que dependem dele para continuar sonhando com o título. É a credibilidade do futebol brasileiro que está em jogo, algo bem mais importante que as rivalidades regionais.

Uma placa para a história

Eu tinha sete anos quando ocorreu a Novembrada, há exatas três décadas. Em 1994 acabei sendo testemunha, no entanto, de um momento importante relacionado ao movimento - que, para muitos analistas, representa o início da derrocada da ditadura militar no Brasil. Estudante de jornalismo, eu integrava o movimento "Cem Anos de Humilhação", que tinha como objetivo substituir o nome Florianópolis, imposto um século antes por puxa-sacos do presidente Floriano Peixoto ao final da Revolta da Armada. Estávamos organizando um julgamento simulado de Floriano para marcar o centenário do topônimo, quando surgiu uma testemunha-bomba: o coronel Nilo Marques nos procurou para contar que estava com a placa em homenagem ao "Marechal de Ferro", um dos estopins da revolta popular em 1979. Componente da guarda que fazia a segurança do presidente Figueiredo, ele recolheu a placa e a guardou em segredo por 15 anos, conforme relatado nesta matéria que integra a bela cobertura do Diário Catarinense sobre o tema. Levamos o coronel para contar essa história no julgamento, diante do auditório da UFSC lotado. Eu era um dos três advogados de acusação e a nossa tarefa ficou bem mais fácil com o belo relato feito pelo coronel. Floriano foi condenado. Pena que o nome em sua homenagem continua manchando a honra desta bela cidade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

The simple life

Este blog, dois endereços de e-mail, um telefone fixo, um celular e o acesso à internet são agora meus únicos canais de comunicação com o mundo. E pretendo ainda unificar os e-mails e os telefones tão logo seja possível. Desisti há um bom tempo do MSN, resisti ao Twitter, pulei fora do Orkut e acabo de abandonar a última lista de discussão da qual participava. Sei que estou na contramão ao me transformar em um ermitão virtual. Não estou dizendo que estou certo e nem criticando quem usa todos os canais que a tecnologia oferece. É apenas parte da minha busca.

E o transporte marítimo?

Enquanto as pontes de acesso à Ilha de Santa Catarina estão cada vez mais congestionadas e o trânsito em Floripa à beira do caos (a temporada de verão vai ser um inferno sem precedentes), não dá para entender porque o transporte marítimo entre o continente e a ilha, vocação óbvia da cidade, não é implantado de uma vez. Só pode ser por lobby das empresas de ônibus, que prestam um serviço caro e ruim. A forma como o tema da mobilidade urbana tem sido discutido na Câmara de Vereadores (leia no Damião) dá uma boa ideia de como andam as coisas por aqui.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quatro livros no gatilho

Para terminar a exaltação umbiguística que foi esta sequência de posts, eu queria contar que os últimos três meses foram pródigos também em articulações literárias. Fechei com uma editora aqui de Floripa a publicação da biografia do flautista Patápio Silva, objeto da minha dissertação de mestrado em História. Deve sair ainda no primeiro semestre de 2010. Tenho um outro projeto em andamento com uma editora de São Paulo, cujo tema ainda não posso revelar, para publicação também em 2010 (vou me dedicar com tudo a esse projeto agora na virada do ano). Um dos livros que eu havia escrito para a Letras Brasileiras (e que ajudei a editar agora, na minha passagem pela editora) será publicado em breve - é um tema muito interessante relacionado à história de Santa Catarina. E tem ainda uma dobradinha texto-foto que eu e a Cris bolamos para ir produzindo aos poucos, nas "horas vagas".

O verão chegou

E a máquina quatro meu cabelo raspou.

Anotações do cotidiano

Estou desacelerando aos poucos. Ontem devorei algumas dezenas de páginas da biografia do John Lennon que a Ana Paula me deu de aniversário e me concedi o direito de ver um filme - Incendiário, com Michelle Williams em grande desempenho. Hoje trabalhei na editora pela manhã e saí no meio da tarde para caminhar com o Lauro (tomamos um picolé para celebrar o início das férias do menino, que passou direto, sem recuperação). Concluí há pouco um texto para a Exame, estou terminando outro para a Você S/A e amanhã escrevo uma matéria para o Valor que já está toda apurada. Com esses trabalhos, para três publicações com as quais colaborei ao longo de todo o ano, encerro uma sequência que testou meu sangue frio - houve momentos em que achei verdadeiramente que não daria conta. Mas, como diz o ditado, o que não mata engorda. Literalmente. Vejo pelas minhas bochechas que estou precisando fazer exercícios.

Noventa dias de loucura

Antes de setembro, eu achava que trabalhava muito. Nos últimos três meses, contudo, descobri o que é trabalhar muito DE VERDADE. Cumpri meio expediente na Letras Brasileiras e continuei tocando meus frilas no mesmo ritmo de antes. Às vezes as duas coisas se misturavam - eu lá na editora e uma fonte ligava no meu celular em resposta a um pedido de entrevista, por exemplo -, mas acho que consegui cumprir tudo a contento. Isso só foi possível graças à relação de confiança e respeito mútuos que tenho com o pessoal da editora, a quem agradeço desde já, a uma semana da minha despedida. Já estou com saudades e adoraria ficar, mas a vida de frila - da qual não penso em abrir mão por enquanto - é essencialmente solitária. Tenho certeza que fiz bons amigos, no entanto, e isso é que importa.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Infiltrado entre os ricos e famosos

Está nas bancas uma edição especial da Viagem e Turismo, "O melhor do verão", com matérias sobre os destinos prediletos dos leitores da revista. Escrevi sobre duas atrações de Floripa: o Costão do Santinho, eleito o melhor resort de praia do país, e Jurerê Internacional, escolhida a quinta melhor praia - atrás de Porto de Galinhas (PE), Jericoacoara (CE), Pipa (RN) e a também catarinense Bombinhas. No Costão do Santinho, a proposta era fazer um teste sem me identificar como jornalista. Fiquei hospedado entre os dias 3 e 4 de outubro - dia do meu aniversário, por coincidência. Como o texto deveria ser escrito em primeira pessoa, fiz alusão a esse fato logo no começo, até porque haveria um desdobramento: "Na manhã seguinte, dia do meu aniversário, um mensageiro entregou no quarto um bolo de chocolate, com vela e fósforos. Um bolo tão grande que me deixou ligeiramente constrangido com o desperdício: avisei no check-out que havia aquela preciosidade quase intacta no frigobar". (Pobre em hotel de rico não dá certo; fica com complexo de culpa). Já a matéria sobre Jurerê Internacional foi, basicamente, uma observação da fauna local. "De dia, moças superproduzidas praticam equilibrismo ao enfrentar o calçamento de petit pavê sobre saltos altíssimos, e nos lounges à beira da praia a juventude dourada dança despreocupadamente em trajes de banho e brinda a la dolce vita com muito champanhe. À noite, as baladas nas principais casas noturnas invadem a madrugada. Em frente às boates, rapagões bem nascidos fazem os motores de seus carrões importados rugirem. Ferraris já deixaram de ser uma raridade em Jurerê Internacional, mas o ronco típico da marca do cavalo rampante ainda causa certa comoção. Para chamar a atenção de verdade hoje em dia, contudo, só mesmo chegando de helicóptero."

As melhores escolas de negócios

A Você S/A deste mês traz o ranking das melhores escolas de negócios e dos melhores cursos de MBA do Brasil, resultado de uma já tradicional pesquisa feita pela revista em parceria com a Nielsen. As quatro primeiras do ranking repetiram a ordem exata do ano passado: Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, Fundação Dom Cabral de Minas, Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP) e Ibmec de São Paulo, que agora se chama Insper. Participei do processo visitando, há dois meses, duas das finalistas: a Capacitare, de Joinville (SC), e a Unisinos, de São Leopoldo (RS).

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

As empresas mais desejadas

Pesquisa da consultoria Hewitt Associates revelou quais são as empresas em que os brasileiros mais gostariam de trabalhar. A Petrobras aparece disparada na primeira posição, a exemplo do que ocorrera na mesma pesquisa ano passado. O Google pulou da sexta para a segunda posição e a Natura da quinta para a terceira. Fiz a matéria para o Valor Econômico (está a partir da página 100 da revista Valor Carreira deste mês).

Uma revista só de boas notícias

Saiu o Anuário de Sustentabilidade da Exame, que destaca empresas com bons projetos de responsabilidade social e ambiental. Escrevi o perfil da Masisa, que se esforça para produzir painéis de madeira de forma sustentável. Além de explorar racionalmente os recursos que asseguram o fornecimento da matéria-prima – seja pelo manejo de florestas próprias ou pelo estabelecimento de parcerias ambientalmente corretas, baseadas em rigoroso controle da origem das madeiras –, a empresa aplica modernos conceitos de ecoeficiência. A nova fábrica, em Montenegro (RS), que começou a operar em maio, tem 99% da matriz composta por energia térmica renovável, proveniente do reaproveitamento de resíduos que até então se transformavam em passivo ambiental, como o pó e as cascas de madeira. Toda a água utilizada no processo industrial provém da chuva ou da reciclagem dos efluentes – a unidade tem um reservatório do tamanho de três campos de futebol, suficiente para quatro meses de consumo. Há ainda um “lavador de gases”, equipamento que impede que partículas muito finas de madeira expelidas durante o processo de fabricação dos painéis sejam lançadas na atmosfera.

Ainda sobre futebol

Dois jogadores do Palmeiras brigaram um com o outro e foram expulsos no jogo desta noite contra o Grêmio. Perfeito e justo - está na regra. O que ninguém entende é porque dois jogadores do São Paulo brigaram na rodada anterior, chegando também à agressão física, e foram advertidos apenas com cartões amarelos. Há uma regra específica para o São Paulo e outra para os demais clubes?

Seria bonito, Henry

Se você levantasse a mesma mão que conduziu a bola irregularmente e dissesse ao árbitro: "não, o gol não vale, a França não pode ir para a Copa com um roubo descarado desses". Mas você ficou quieto e comemorou a classificação do seu país com um sorriso amarelo, o sorriso de quem sabe que errou e não foi capaz de se redimir. Nenhum jogador faria isso, você pode alegar. Sim, o futebol é mesmo um mundo sórdido. Tanto entre profissionais quanto entre os peladeiros mais chinfrins, basta rolar a bola para que a ética e a cordialidade saiam de fininho pela linha de fundo.

In my life

There are places I'll remember
all my life, though some have changed.
Some forever, not for better;
some have gone and some remain.
All these places had their moments
with lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living,
in my life I've loved them all.

(Fãs dos Beatles, não deixem de visitar o thebeatles.com).

sábado, 14 de novembro de 2009

A turma tá mandando bem

É muito bom ver que os amigos estão produzindo um bocado - e em alto nível. Marta Scherer ganhou o prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo, concedido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, na categoria melhor dissertação de mestrado, com "Bilac, sem poesia – crônicas de um jornalista da Belle Époque". José Alfredo Abrão lança na próxima quinta em Corupá, Norte de Santa Catarina, seu curta-metragem Fritz, inspirado na trajetória do naturalista Fritz Müller (o trailer demonstra a qualidade da produção). E o novo livro de Lira Neto, a biografia do Padre Cícero, publicada pela Companhia das Letras, está chegando às livrarias como um dos grandes lançamentos do ano.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O humor das fontes

Fiquei devendo uma historinha autobiográfica semelhante à ocorrida entre Joaquim Ferreira dos Santos e o Grande Otelo (contada alguns posts abaixo). São várias as coincidências: eu também era repórter da Veja e fazia uma entrevista por telefone com um baixinho ainda mais baixinho: o cantor Nelson Ned. Trabalhava em uma matéria de capa sobre o crescimento dos evangélicos no Brasil e tinha que obter depoimentos de adeptos famosos. O Nelson Ned me atendeu de péssimo humor. Tentei explicar o que eu queria, mas ele não estava disposto a ouvir. Só a falar, e em tom ríspido. Acho que não gostou de algo que a revista havia publicado sobre ele em outra ocasião e a bomba estourou na minha mão. Enfim, a entrevista não rolou, ou foi tão ruim que não rendeu nada para a matéria. Reação semelhante, mas com uma ironia que às vezes até beirava a simpatia, teve o Fernando Gabeira quando fui entrevistá-lo sobre maconha para outra matéria de capa. Não os culpo por descontar na pessoa física que naquele momento representava a revista as frustrações em relação à instituição. Também faço isso de vez em quando com atendentes de telemarketing.
***
Lembrei de uma situação inversa: a forma gentil com que Paulo Autran me atendeu quando eu, repórter de cultura no jornal A Notícia, pensei em entrevistá-lo sobre o espetáculo que apresentaria alguns dias depois em Florianópolis. Parece mentira, mas eu simplesmente peguei a lista telefônica de São Paulo, encontrei o nome e liguei. E não é que ele, mais do que consagrado, atendeu com toda a cordialidade e paciência? O resultado está aqui.

Bela e ligeiramente problemática

Ficou curtinha a matéria para a Viagem e Turismo sobre o melhor estado para fazer turismo na opinião dos leitores da revista - mas foi o suficiente para dar o recado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Como diria Tom Jobim...

"A maior fonte de inspiração é o prazo." Sumi do blog porque estou desovando um frila atrás do outro. Mas, como bem definiu a moça que sentou atrás de mim outro dia no ônibus, "trabalhar demais é bom porque não dá tempo de pensar em bobagem".

domingo, 8 de novembro de 2009

A coragem de perseguir um sonho

Sete anos depois de deixar a equipe fixa da revista, voltei a trabalhar ao lado de vários ex-colegas na apuração de uma matéria de capa da Veja - a desta semana, sobre carreiras. Fiquei com a pauta sobre empreendedorismo. O texto original teve que ser reduzido e não explorou muito os personagens. Uma pena, pois fiquei especialmente encantado com a história da paisagista paulistana Gica Mesiara, 35 anos. Ela sempre quis fazer algo ligado à natureza, mas, de família simples, começou a trabalhar em um banco privado aos 18 anos porque precisava ajudar em casa. Dez anos depois, quando já ocupava um cargo importante – gerente de grandes contas – e havia alcançado estabilidade financeira, decidiu que era hora de retomar o antigo sonho. Não mudou radicalmente, no entanto. Durante três anos, acumulou o trabalho no banco com os primeiros projetos de paisagismo. Acordava às três da manhã para ir ao Ceagesp comprar flores e às nove estava no banco para cumprir o expediente. E precisava continuar tendo bom desempenho, pois não sabia se o plano B realmente daria certo. Só pediu demissão quando teve plena certeza do sucesso da nova empreitada. Fundada oficialmente em 2002, a Quadro Vivo se tornou referência na área de decoração ao se especializar em paisagismo vertical, executado em paredes e muros. Hoje, à frente de 25 colaboradores, Gica não tem dúvidas de que o esforço e as noites mal dormidas valeram a pena: está fazendo o que gosta, sendo reconhecida profissionalmente e contribuindo para deixar o mundo mais bonito.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dia do designer

Parabéns a esses seres criativos e engraçadinhos. Em homenagem à categoria, recordo a entrevista que fiz em 2002 com Vladimir Kagan, ícone do desenho de móveis - que felizmente continua em plena atividade, aos 82 anos.

Síndrome de Grande Otelo

Responda rápido: que situação proporciona maior estabilidade, um emprego de carteira assinada ou trabalhar como frila? A maioria das pessoas tende a responder que é o emprego de carteira assinada, influência de uma visão antiquada do mercado de trabalho. Posso assegurar que ser um frila que presta serviços com regularidade para diversos clientes é muito mais seguro do que ter um único patrão, que pode demiti-lo a qualquer momento. É tão óbvio! Ainda assim, muita gente continua achando que só atua como freelancer quem não encontrou um bom emprego de carteira assinada. De onde se conclui que frilas são menos capacitados, como insinuou Grande Otelo ao ser entrevistado pelo Joaquim Ferreira dos Santos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O preconceito contra frilas

"Foi sei lá quando, também não me lembro bem qual era o exato assunto. Talvez samba das antigas. Só sei que, do lado de cá do telefone, intrépido repórter em ação, eu perguntei alguma coisa para o Grande Otelo e ele, ator fabuloso e também compositor, autor do clássico 'Praça Onze', autoridade na história da música popular, ele estupefaciou-se do lado de lá com o que tinha ouvido da minha arguição.
'Meu filho', começou, 'você é freelancer, não?' - e imediatamente eu o imaginei com aqueles olhos esbugalhados que, quando entravam em close na tela, eram gargalhada certa na plateia. (...)
Otelo foi em frente, tentando parecer cruel como se estivesse vendo em mim um novo Oscarito para sparring. Quando ele soube que eu era do quadro fixo da revista Veja, revelou-se, ao seu jeito Atlântida de ser, sinceramente descrente:
'Meu filho, essa sua pergunta é pergunta de freelancer!'"

(Do Joaquim Ferreira dos Santos no livro "Em busca do borogodó perdido", que furou a fila e li de uma só vez enquanto esperava pelo atendimento no banco. Depois falo mais sobre o preconceito contra frilas - e conto uma história semelhante acontecida comigo.)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Floripa, eu te amo

É numa sexta-feira como esta, com sol aberto e muitos sorrisos nas ruas, que a gente esquece (e quase chega a perdoar) o provincianismo, a escassez de alternativas culturais e a incompetência dos administradores públicos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Manias de frila

Costumo trabalhar com a TV ligada ao fundo. É para ter a sensação de que estou conectado com o mundo - e para simular o zunzunzum das redações, também. (Este post é só para livrar a minha cara e você não ficar pensando que eu vejo a Ana Maria Braga. É que acabou o Bom Dia Brasil e eu não mudei de canal.)

Diálogo insólito

Sandra Annenberg - Ana Maria, você sabe qual é o maior medo dos cariocas hoje em dia?
Ana Maria Braga - Ah, Sandra, eu acho que é bala perdida.
Sandra Annenberg - Acertou em cheio!

Trilha sonora do inconsciente

Por falar em filmes e canções antigos, outro dia eu estava sonhando com esta música quando fui acordado pelo despertador, às seis da manhã. Desde então, a música não sai da minha cabeça. O Damien Rice tem outras legaizinhas.

E ainda chamam a TV?

Acaba de passar uma matéria no Jornal da Globo sobre um shopping em que os diretores trabalharam como faxineiros por algumas horas para sentir na pele como é dura a vida de proletário. Trata-se de um modismo que vem se proliferando pelos departamentos de recursos humanos. Ora, ora, liguem o ridiculômetro, por favor. Não é fazendo esse teatrinho que um gestor vai se aproximar verdadeiramente dos subordinados. O sujeito arma essa palhaçada hoje e amanhã já voltou a desfilar de nariz empinado pelos corredores.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Um homem do século passado

Ando com vontade de ver filmes antigos. Minhas músicas prediletas são da década de 1980 para trás. Fiz mestrado em História. Adoro mexer em jornais velhos. Detesto coisinhas tecnológicas. Sim, sou um sujeito empoeirado e carcomido.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Lilica e eu

No dia do meu aniversário. Foto de Cris Fontinha, com a câmera do Douglas. (Ressalto apenas que o meu nariz não é tão grande assim - trata-se de uma lente que distorce a realidade.)

domingo, 25 de outubro de 2009

Quem vai chegar lá?

É claro que, como palmeirense, estou chateado com as derrotas do meu time nas últimas rodadas do Brasileirão. Mas que o campeonato ficou sensacional, isso ficou. Seis times de grande torcida - Palmeiras, São Paulo, Inter, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Flamengo - permanecem com chances reais de chegar ao título. E faltam apenas sete rodadas!

Cada tijolo conta uma história

Faltam uns três meses para a casa ficar pronta - ou melhor, habitável, pois a restrição orçamentária nos obrigará a deixar algumas coisas para depois. Ontem fomos a Jaraguá do Sul, a duas horas de Floripa, comprar madeira de demolição para o deque. Foi uma experiência bem mais divertida e rica do que imaginávamos, pois os donos do negócio, o casal Juan Carlos e Érica (ele, argentino, ela, paulista de uma pequena cidade do interior), são muito gente boa. Ficamos horas batendo papo. Esse é um dos aspectos mais legais de estar construindo: as histórias "paralelas" que ficam para a posteridade.

Falidos e felizes

Quando íamos começar a construir a casa, muita gente nos fez dois alertas. "Vocês vão se incomodar muito com mão-de-obra" não se confirmou, felizmente. Tivemos a sorte de escolher um excelente arquiteto, Darley Voltolini - com quem, além de tudo, temos muita empatia -, e de contratar uma equipe de construção de alto nível, em todos os sentidos. Já o outro alerta - "o orçamento sempre estoura" - infelizmente se confirmou. Isso quer dizer que 2010 certamente será também um ano de muito trabalho, para amenizar as dívidas. E de pouco tempo para os livros, por consequência. Mas estaremos onde sempre sonhamos, felizes e saudáveis. Isso é que importa. O resto, corre-se atrás.

Angústia literária

É ter uns 15 livros ótimos à espera e só encontrar tempo para poucas páginas por dia. Tem sido assim nas últimas semanas. Enquanto isso, o passivo vai aumentando. Passei sexta à noitinha na Livraria Catarinense da Felipe Schmidt e não resisti à banquinha das promoções - que, para minha surpresa, desta vez não se limitava a títulos religiosos e de auto-ajuda. Mordendo os lábios para me controlar, levei apenas "Travessia de verão", de Truman Capote, e "Em busca do borogodó perdido", do Joaquim Ferreira dos Santos, a R$ 9,90 cada. Para o final da fila, queridos.

Gente que faz

É um prazer ver nomes amigos entre os finalistas do tradicional Prêmio Esso de Jornalismo, especialmente os de Dauro Veras e Fernanda Colavitti, além do prêmio especial de melhor contribuição à imprensa concedido ao Congresso em Foco - mérito, em grande parte, do Lúcio Lambranho.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Kinsey e eu

O que me deu a ideia do texto reproduzido no post anterior foi, na verdade, a tal Escala de Kinsey. Eu havia acabado de publicar uma matéria sobre o célebre sexólogo (sim, já escrevi sobre temas que vocês nem imaginam).

O impacto de uma deusa

No período em que trabalhei na Veja, havia uma seçãozinha chamada "Para contar no bar". Era preciso preenchê-la com um texto espirituoso e que ao mesmo tempo trouxesse algum conhecimento ao leitor - e ainda por cima ilustrar com uma foto. A roubada muitas vezes sobrava para mim, claro. Certo dia, o editor chegou com uma linda imagem da modelo Luize Altenhofen, 21 aninhos à época, e decretou:
- Temos que usar esta foto no "Para contar no bar". Inventa alguma coisa.
Fiquei ali olhando para a Luize, matutando, olhando mais um pouquinho... Até que veio uma ideia:
Como medir o impacto de uma deusa
Que efeito provoca a modelo aí embaixo, a gaúcha Luize Altenhofen, de 21 anos? Para calcular, você pode usar uma das escalas inventadas pelos cientistas para medir o impacto dos fenômenos mais diversos.
- Escala Richter: mede a magnitude dos terremotos com base na movimentação do solo e na área atingida. Vai de 0 a 10. Acima de 6 já provoca enorme devastação.
- Escala de Glasgow: avalia o grau de inconsciência de um paciente. Vai de 3 (morte cerebral) a 15 (estado normal), com base em estímulos motores e sinais de comunicação emitidos pelo paciente.
- Escala de Beaufort: descreve a velocidade do vento. Vai de 0 (calmaria) a 12 (furacão).
- Escala de Epworth: determina o grau de sonolência. Pode ir de 0 a 24. Acima de 12, os especialistas recomendam tratamento médico.
- Escala de Kinsey: foi usada em sexologia para medir a possibilidade de mudança da opção sexual. Vai de 0 (exclusivamente heterossexual) a 6 (homossexual convicto).

A vingança de Lya

Cheguei hoje na editora e disse à Lya:
- Teu blog deve estar bombando, hein? Afinal de contas, foi citado no Vida de Frila.
Aí ela contou no Twitter que eu a havia citado, e eis que, em decorrência disso, este blog que vos fala bateu o recorde de acessos desde a inauguração - exatas 100 visitas até o momento. Nunca antes na história do Vida de Frila uma centena de pessoinhas havia passado por aqui em um mesmo dia.
Ok, eu admito a força do Twitter, mas continuarei fora dessa. E tenho dito.

Como o diabo gosta

O post anterior foi o 666º do Vida de Frila, média de 40 por mês desde a estreia, há 17 meses.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Procura-se um campeão

O jogo do Palmeiras estava tão chato que fiquei aqui postando e viajando na internet enquanto o time perdia para o Santo André por 2 a 0, partida que acaba de acabar. Terceira derrota seguida do líder. É um campeonato muito estranho, esse Brasileirão: parece que ninguém quer ser campeão.

Maiores empresas do Sul

Já está nas bancas o anuário "500 maiores do Sul" da revista Amanhã, de Porto Alegre. Trata-se de um ranking de grande credibilidade, realizado há 19 anos. Há uma representante de cada estado entre as três maiores: Gerdau (Porto Alegre, RS), Vivo (Londrina, PR) e Bunge (Gaspar, SC), nessa ordem. Contribuí para a edição escrevendo os perfis da Usina Santa Terezinha (maior no setor de açúcar e álcool), Electrolux (eletroeletrônicos), WEG (máquinas e equipamentos), Tupy (metalurgia), Klabin (papel e celulose) e Sanepar (serviços públicos).

Direto de Amã

A mesma edição da Valor Investe que citei há pouco tem uma matéria bacana do Dudu Burckhardt sobre a Jordânia.

Foi mal aí, meninas

Por falar em design, a Lya Zumblick, minha colega na editora e neta do grande artista plástico catarinense Willy Zumblick (1913-2008), tem um site e um blog bem legais. A japonesa grávida que a ela tanto cita é a Juliana, também gente boa. (Estou fazendo uma média porque andei dando muito trabalho para as duas.)

As melhores escolas de economia

A revista Valor Investe deste mês tem uma matéria minha sobre as melhores escolas de economia do mundo. Entrevistei estudantes brasileiros como Tatiana Didier, 29 anos, nascida em Brasília e criada no Rio, que optou pelo doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT) após ter sido aprovada na seleção de várias das melhores universidades dos Estados Unidos. Achei muito interessante a solução gráfica dada à matéria: o ilustrador Pepe Casals reproduziu a fachada das dez instituições perfiladas.

Sim, coisas acontecem aos 37

Quando fiz aniversário, há 15 dias, disse ter a impressão de que nada de relevante acontece com uma pessoa aos 37 anos. Vários amigos discordaram, mas quem deu argumentos definitivos foi a Valéria Lages, que convive com essa idade desde dezembro. Jornalista especializada em temas ambientais, ela foi a Fernando de Noronha fazer um trabalho para o Projeto Tamar e acabou se envolvendo com outras pesquisas não apenas sobre tartarugas, mas também golfinhos, tubarões, ouriços e polvos. Mergulha todos os dias, às vezes à noite, para fazer fotos subaquáticas. Vez ou outra visita um navio naufragado. Como se não bastasse, conheceu a equipe de TV holandesa e belga que está refazendo a rota de Darwin e foi convidada a participar de alguns trechos monótonos e chatos, tipo Galápagos-Taiti. De minha parte, já mudei definitivamente de conceito sobre os 37 anos. A vida anda efervescente - tanto que mal tenho passado aqui pelo blog...

Festa no chiqueiro

Desta vez não estou falando do Palmeiras, e sim do filme "Espírito de Porco", dos amigos Chico Faganello e Dauro Veras. A sessão desta quinta em Floripa já está lotada - mas ainda há reservas disponíveis para sexta e sábado.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Chagall no Rio

Para quem está no Rio ou vai passar por lá nas próximas semanas, recomendo a exposição com 300 obras de Marc Chagall que começa hoje no Museu Nacional de Belas Artes. Vi a exposição em Belo Horizonte dois meses atrás. Meu quadro predileto é esse ao lado, "Farmácia em Vitebsk", pintado em 1914.

Fernanda Montenegro e o medo da morte

A semana passou voando e sequer dei um pulo aqui no blog, mas hoje há um bom motivo: o aniversário de 80 anos da grande atriz Fernanda Montenegro. Há dez anos, numa entrevista, perguntei a ela sobre o medo da morte:
Certa vez você disse que o maior medo que tem da morte é deixar de ver a natureza. Qual foi a paisagem que mais lhe encantou até hoje?
Eu espero que lá em cima também exista natureza (risos), porque a ideia de não ver mais o mar, os pássaros e as árvores me deixa realmente assustada. Toda paisagem é inesquecível, cada uma a seu modo, desde as geleiras da Patagônia até a floresta amazônica, passando por tantas outras que eu já encontrei por aí... Acho que não dá para escolher a preferida.
E se você tivesse que escolher uma paisagem para a tela de proteção do computador?
Ah, seriam as geleiras da Patagônia.
Essa resposta me motivou a abrir a matéria chamando Fernanda de "quebra-gelo em forma de gente", de tão acessível, bem humorada e paciente que ela é. De passagem por Floripa, ficou nada menos que duas horas e meia na entrevista coletiva. Eram poucos os veículos e no final das contas deu tempo para cada um fazer uma exclusiva...

domingo, 11 de outubro de 2009

Novos blogs amigos

Fazia algum tempo que eu precisava atualizar a lista dos blogs amigos: Renata e PH no Canadá e o Ipsis Litteris da Daise, minha colega na editora - uma alma poética e sonhadora, como vocês logo perceberão.

Argentina, milonga anunciada

O gol milagroso no último segundo do jogo contra o Peru, ontem, aliviou um pouco a situação da Argentina, mas o risco de ficar fora da Copa continua alto. Tudo se resolverá na próxima quarta no desde já histórico confronto contra o Uruguai, em Montevidéu. Quem vencer assegurará presença na África do Sul, mas quem perder ficará de fora caso o Equador vença o já classificado Chile, o que é muito provável. Como o Uruguai precisa da vitória, vai ser difícil para a Argentina suportar a pressão. Juro que não estou secando os hermanos, mas meu feeling diz que a Argentina acordará de luto na quinta.

Para toda a vida, para além da morte

As críticas que eu havia lido sobre o japonês A Partida, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano, diziam se tratar de uma obra sobre a morte. Depois de assisti-lo ontem à noite, contudo, acho - provavelmente por identificação - que a essência da história é mostrar como as experiências da infância nos acompanham pelo resto da vida.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os olhos azuis de dona Celeste

Dando sequência à série em que busco informações sobre personagens interessantes com os quais cruzei em reportagens do passado, é com grande prazer que encontro notícias recentes de dona Maria Celeste, que acaba de completar 90 anos. Em 1999, ela venceu a primeira edição do Prêmio Real de Talentos da Maturidade com um de seus lindos bordados naif - ocasião em que eu, então repórter do jornal A Notícia, escrevi sobre a doce senhora de olhos azuis.

Gostou da anterior?

E que tal esta, da ponte Hercílio Luz, majestosa aos 83 anos?

Não é à toa que dá aula

Incrível, mas a Cris fez essa foto da igreja da Lagoa da Conceição - onde casamos há 12 anos - com uma latinha de Pomarola, utilizando a técnica chamada pinhole. Por falar na Cris, ela anda a mil - está cumprindo neste momento o terceiro frila da semana para a Folha de São Paulo.

O troco de Obama

Lula havia dito que a escolha do Rio como sede das Olimpíadas 2016 o deixou com "dó" de Obama. Pois ontem o presidente norte-americano levou o Nobel da Paz - reconhecimento com o qual, imagino eu, Lula sonha desde que ensaiou uma campanha mundial contra a fome, ainda no primeiro mandato. O prêmio para o recém-empossado Obama soa um tanto precipitado, embora o contraste com o estilo de Bush certamente o tenha favorecido.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hoje, o jogo do título

Depois do tropeço do São Paulo ontem contra o Coritiba - empate por 2 a 2 em pleno Morumbi -, arrisco afirmar que uma vitória do Palmeiras hoje sobre o Avaí deixa o querido Palestra com as duas mãos na taça. Abrirá sete pontos de vantagem para o atual tricampeão brasileiro, faltando apenas dez rodadas, das quais o Palmeiras tem confrontos supostamente menos difíceis que o São Paulo em sete. Inter e Atlético não parecem fortes o suficiente para entrar na briga pelo título. Considerando que o Palmeiras tem jogado bem, com consistência e maturidade, é difícil imaginar uma reviravolta. Só espero que o Avaí não apronte hoje... Toc, toc, toc.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

The day after

Este ano todo mundo acertou em cheio nos presentes (embora eu sempre diga que não precisa, que estar perto das pessoas queridas já me basta, etc e tal, há quem insista em manter esse hábito pequeno-burguês). Camisetas são sempre bem-vindas para um sujeito que DETESTA entrar em lojas de roupas. A Cris e as crianças me deram uma carteira nova, bonitona, de couro - a antiga estava bem acabadinha. Minha mãe escolheu algo típico de mãe: já que não pode mais passar talquinho, mandou ver um kit sabonete-perfume-barba. A Mônica e o Lu foram criativos: cervejas Eisenbahn de vários calibres. E tem os livros, claro. Quatro preciosidades que sintetizam o bom gosto dos meus amigos. A Júlia e o Inácio vieram com "A alma encantadora das ruas", do João do Rio; a Lu e o Gian com "O apanhador no campo de centeio", de J. D. Salinger; a Ana, o Douglas e a dona Conceição com a biografia "John Lennon, a vida", de Philip Norman, que eu estava louco para ler. Hoje, a cereja do bolo: o pessoal da editora me deu o belíssimo "Moby Dick" editado pela Cosac Naify. E agora, o que atacar primeiro? Doce impasse...

domingo, 4 de outubro de 2009

Você pra mim foi o sol

Sei lá por que começamos a cantar "Escrito nas Estrelas" hoje, no carro. O Lauro perguntou que desafinação toda era aquela e explicamos que não há ninguém com mais de 35 anos que não tenha imitado a voz da Tetê Espíndola. Achamos esse vídeo para mostrar a ele. Repare no figurino da dupla do back vocal. Década chique a de 80, hein?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Domingo faço 37

É um número engraçado - parece que nada acontece com a pessoa quando ela tem 37 anos. Alguns amigos que já passaram pela experiência tentam me convencer do contrário. "Você vai ver que muuuuuuuuuitas coisas acontecem com você aos 37 anos", assegura a Cléia. "É uma idade simpática. Nem garotão, nem velhusco", diz o Dauro. Já a Marta usou um argumento definitivo: "Fazer 37 é ótimo! O pior vai chegando depois." O fato é que decidi comemorar com um almoço no Deca do Canto da Lagoa, rodeado de gente querida. Meio-dia, já que tem criança na parada. Amanhã vou passar o dia trabalhando e talvez não consiga falar com todo mundo, até porque é nessas horas que descubro como a minha agenda é caótica. Segue então a convocação aqui pelo blog - leitor fiel merece ter informação privilegiada.

Amor filial

Minha relação com o Rio, cidade em que nasci, é mais ou menos como eu imagino que aconteça quando um filho só conhece o pai depois de adulto: afeto contido e a descoberta gradual de coisas em comum. Saí de lá aos cinco anos de idade e só voltei quando já era dono do meu nariz. Fui umas dez vezes ao longo da última década, quase sempre a trabalho. A desconfiança do início foi dando lugar à admiração. Hoje me sinto muito bem por lá.

Viva o Rio!

Tem que ser muito coração de pedra para não se emocionar com a escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016. Vai haver superfaturamento, desvio de verbas etc etc? Seria ingenuidade acreditar que não. Há problemas sérios no país? Óbvio que sim. Mas a preparação para sediar a Copa e as Olimpíadas significa justamente a oportunidade de unir o país em torno de um objetivo nobre: tornar real, ainda que por algumas semanas, a velha utopia da confraternização universal. Acho que seremos um país muito melhor depois de tudo isso.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Não há protagonismo sem coadjuvação

Devorei A misteriosa chama da rainha Loana, de Umberto Eco, nos voos de ida e volta a São Leopoldo. Eco ativou uma lembrança perdida da minha infância ao citar o Escovinha, comparsa do Bafo de Onça nas histórias da Disney (o livro trata exatamente disso: pequenos fragmentos da vida que esquecemos em algum lugar do passado). Nos quadrinhos e desenhos animados, sempre tive simpatia especial pelos coadjuvantes - reflexo talvez do meu próprio cotidiano, já que nos tempos de escola nunca fui o mais bonito, nem o mais inteligente, tampouco o mais comportado e muito menos o mais rico, embora não fosse também o mais feio, o mais burro, o mais bagunceiro ou o mais pobre (que também têm seus momentos de protagonismo). Inspirado pela redescoberta do Escovinha, passei a fazer, ainda no avião, um exercício para trazer à memória outros coadjuvantes. Lembrei, entre muitos outros, do Bacana, o integrante da turma do Manda-Chuva que usava uma echarpe; da Pipa, a amiga gordinha da Tina; e do Pedrão, o grandalhão frequentemente trapaceado pelo Zé Carioca (ele aparece ao lado do papagaio na capa de revista que ilustra este post).

domingo, 27 de setembro de 2009

Joelho no plexo solar

Este comercial do Logan é um dos meus preferidos, pois contém uma rara qualidade: a gente não cansa de vê-lo. Ritmo e humor na medida certa, trilha sonora perfeita. Não é novo (foi feito em 2007), mas, como está voltando ao ar, vale a citação.

sábado, 26 de setembro de 2009

Vinícius e eu

Fiquei surpreso ao encontrar, ainda perambulando pela internet, este texto sobre Vinícius que escrevi há mais de onze anos (o Lauro tinha só quatro meses de vida!).

Vinícius e Obama

Por falar em Vinícius, ele é citado por Barack Obama no livro autobiográfico "A origem dos meus sonhos" (clique na imagem para ampliar).

Os sábados de Vinícius

Por falar em sábado, todos conhecem o poema "O dia da criação", do Vinícius de Moraes. Mas ele escreveu outra vez sobre o tema, inspirado em nostálgicos sábados do passado:
Porque hoje é sábado, comprei um violão para minha filha Susana, a fim de que ela aprenda dó maior e cante um dia, ao pé do leito de morte de seu pai, a valsa "Lágrimas de dor", de Pixinguinha – e seu pai possa assim cerrar para sempre os olhos entre prantos e galgar a eternidade ajudado pela mão negra e fraterna do grande valsista.
Porque hoje é sábado, desejarei ser de novo jovem e tremer, como outrora, à idéia de encontrar a mulher casada, de pés de açucena; desejarei ser jovem e olhar, como outrora, meus bícepes fortes diante do espelho.
Porque hoje é sábado, desejarei estar num trem indo de Oxford para Londres, e à passagem da estação de Reading lembrar-me de Oscar Wilde, a escrever na prisão que o homem mata tudo o que ele ama.
Porque hoje é sábado, desejarei estar de novo num botequim do Leblon, com meu amigo Rubem Braga, ambos negros de sol e com os cabelos, ai, sem brancores; desejarei ser de novo moreno de sol e de amores, eu e meu amigo Rubem Braga, pelas calçadas luminosas da praia atlântica, a pele salgada de mar e de saliva de mulher, ai...
Porque hoje é sábado, desejarei receber uma carta súbita, contendo sobre uma folha de papel de linho azul a marca em batom de uns grossos lábios femininos, e ver carimbado no timbre o nome Florença.
Porque hoje é sábado, desejarei que a lua nasça em castidade, e que eu a olhe no céu por longos momentos, e que ela me olhe também com seus grandes olhos brancos cheios de segre.
Porque hoje é sábado, desejarei escrever novamente o poema sobre o dia de hoje, sentindo a antiga perplexidade diante da palavra escrita em poesia e como dantes, levantar-me com medo da coisa escrita e ir olhar-me ao espelho para ver se eu era eu mesmo.
Porque hoje é sábado, desejarei ouvir cantar minha mãe em velhas canções perdidas, quando a tarde deixava um alto silêncio na casa vazia de tudo que não fosse sua voz infantil.
Porque hoje é sábado, desejarei ser fiel, ser para sempre fiel; ser com o corpo, com o espírito, com o coração fiel à amiga, àquela que me traz no seu regaço desde as origens do tempo e que, com mãos de pluma, limpa de preocupações e angústia a minha fronte imensa e tormentosa.

Manhã de sábado

Depois de seis anos de frila, a divisão entre dias úteis e finais de semana praticamente deixou de existir para mim. Frequentemente preciso olhar na agenda ou perguntar para alguém em que dia estamos (fiz isso ontem para o dono da galeteria em que almocei em São Leopoldo e ele me olhou com certa estranheza - como alguém pode ignorar que é sexta-feira?). Em casa, com os horários da Cris também flexíveis na maior parte dos dias, a única diferença dos sábados e domingos é que as crianças não vão para a escola, o que aumenta a possibilidade de programas em família. Apesar de tudo isso, no entanto, é impossível não se contagiar com o clima de descontração que se espalha por aí nas manhãs de sábado.

Nada como as estatísticas

A querida Adri Canan me disse outro dia que ando reclamão demais aqui no blog. Preocupado com a questão, encomendei uma pesquisa ao DataFrila, que avaliou os últimos quatro meses e concluiu que 79% dos posts podem ser considerados bem humorados, contra 21% de críticas ou reclamações. De cada cinco posts, portanto, só um é mal humorado. Acho que ainda não estou tão ranzinza assim, Adri.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Semana movimentada

Foi bem divertida (e, espero, proveitosa para os estudantes) a mesa-redonda com ex-alunos na Semana do Jornalismo da UFSC. Parabéns ao pessoal que organizou todo o evento. Agora vou abraçar meu travesseiro que amanhã tem bate-e-volta a São Leopoldo (RS), para o Melhores MBAs.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Haja paciência

Tento não endossar estereótipos, mas às vezes é impossível. Acompanhe, na troca de e-mails reproduzida abaixo, o que acontece quando a ineficiência do serviço público se une ao nariz empinado do mundo acadêmico.

21/10/2008
Prezado Maurício Oliveira,
Gostaríamos de convidá-lo a colaborar através da preparação de um artigo sobre "Patápio Silva" a ser apresentado para publicação em nossa seção RETRATO. Esta seção tem por objetivo destacar a trajetória e importância histórica de personagem que marcou a história do país, revalorizando tanto figuras consagradas quanto personagens anônimas. O texto pode combinar seu significado histórico e aspectos da vida privada. Observe que, ao contrário das revistas acadêmicas, não há necessidade de o texto e as idéias serem inéditos. O mais importante é que eles sejam formulados de forma acessível para divulgação a leitores que nem sempre tem acesso a artigos e capítulos publicados em revistas e livros especializados. Para elaborarmos as novas edições seria bom contarmos com seu texto até 21 de Novembro de 2008. (…) Caso aceite nosso convite, pedimos a gentileza de não apresentar texto sobre o tema a publicações similares por um prazo de 120 dias.
Cordialmente,
Fulano de Tal (pesquisador – Revista de História da Biblioteca Nacional)


21/10/2008
Olá, Fulano de Tal. Vai ser um prazer colaborar. Enviarei o material o quanto antes, provavelmente antes da data estipulada. Um abraço e obrigado pelo convite.

20/11/2008
Fulano de Tal, segue o texto. Fico à disposição para quaisquer ajustes ou complementos.

21/11/2008
Olá, Maurício. Acuso o recebimento do texto e agradeço o envio. Em breve nós entraremos em contato para eventuais pedidos de alteração no artigo e para avisá-lo sobre a publicação.
Abraços, Fulano de Tal.


(dois meses de silêncio sepulcral)

27/01/2009
Bom dia, Fulano de Tal. Gostaria apenas de confirmar o interesse da Revista de História em publicar o texto sobre Patápio Silva.

27/01/2009
Caro Maurício,
O seu texto ainda esta na pré-produção, onde passará por uma leitura critica. Depois será encaminhado ao Conselho Editorial para discussão. Só depois ele entra na fase de produção, onde será editado para ser publicado. Como esse processo é um pouco demorado, não tenho como confirmar uma data para a publicação.


(oito meses de silêncio sepulcral)

18/09/2009
Prezado Autor,
Há algum tempo enviamos um e-mail convidando-lhe para escrever um artigo para a REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL. Como não obtivemos sua resposta, ratificamos nosso interesse em seu tema e desejo de tê-lo como nosso colaborador.
Fulana de Tal, pesquisadora.


18/09/2009
Oi, Fulana de Tal. Enviei o artigo há uns oito meses. Eu até iria perguntar sobre o interesse em publicá-lo efetivamente. Posso enviá-lo novamente, sem problema. Vou repassar a você em seguida a troca de e-mails com o rapaz que havia entrado em contato comigo e o artigo. Obrigado.
(Seguem e-mails com o artigo e com as ilustrações)

21/09/2009
Prezado Maurício Oliveira,
Em nosso cadastro de artigos recebidos não consta o que o senhor nos enviou. Agradeceríamos, imensamente, se o senhor pudesse enviá-lo novamente e pedimos desculpas pelo transtorno.


21/09/2009
Fulana de Tal,
já lhe enviei, ainda na sexta-feira, o artigo e todas as ilustrações neste mesmo e-mail. Peço o favor de confirmar o recebimento.

(um dia de silêncio sepulcral)

22/09/2009
Fulana de tal,
não me leve a mal, mas fiquei surpreso com a confusão toda em relação à minha colaboração para a revista. A prioridade de publicação é de vocês - afinal, foi daí que partiu o pedido -, mas depois de um ano de espera acho que tenho o direito de encaminhá-lo a outro veículo. Vamos combinar assim: se o artigo não for publicado até a edição de dezembro, vou repassá-lo a outra publicação, ok?

23/09/2009
Por enquanto não temos previsão da publicação de seu artigo. Como o envio já completou 120 dias, o senhor poderá publicá-lo em outro meio de comunicação, caso seja de seu interesse. Agradecemos o seu envio e caso queira nos mandar mais algum artigo, favor encaminhar para o nosso novo e-mail: artigos@revistadehistoria.com.br.
Fulana de Tal (pesquisadora)


23/09/2009
Ok, Fulana de Tal. Parabéns pela organização da revista.

(silêncio sepulcral eterno)

Baladinha de quarta

Acabo de chegar da minibaladinha com meu amigo Barella, que veio palestrar na Semana do Jornalismo da UFSC. Coitado. Ele viaja bem cedo nesta quinta e vai do aeroporto direto para o trabalho, e ainda assim eu o arrastei para um boteco na Lagoa da Conceição com pagode ao vivo (fique claro que era a única opção). Antes disso, fomos a uma pizzaria com o pessoal que está organizando a Semana e os outros convidados da noite, Flavio Dieguez e Paul Jurgens. Horas divertidas, com muitos causos de redações. Nesta quinta, 17h30, tem a mesa-redonda com quatro ex-alunos, eu incluído. Estão todos convidados.
P.S.: nenhum canário cantando por aqui no momento.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O segredo do canarinho

Quinze para as cinco da matina. Eu finalizava os preparativos para pegar a estrada quando o silêncio até então absoluto foi rompido por um canário, que começou a cantar de forma estridente - e até mesmo quase obsessiva, eu diria - na pitangueira do quintal de casa. Era impossível enxergá-lo em meio à noite ainda escura e ligeiramente chuvosa. Caminhei até a árvore e o bichinho continuou lá, sem parar de cantar a plenos pulmões. E assim permaneceu até eu sair, quinze minutos depois (a Cris é testemunha dos momentos finais, pois acordou para se despedir de mim). Influenciado por filmes como "O segredo da libélula" e um tanto entorpecido por acordar tão cedo, fiquei pensando se ali não estava um antepassado tentando me avisar de alguma coisa. Quem sabe meu pai, talvez o avô da Cris (que morou muito tempo nesta mesma casa e sempre dizia para eu dirigir com cuidado). Redobrei a atenção na estrada e cá estou eu, são e salvo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Terça de agenda lotada

Planejo sair às cinco da matina rumo a Joinville, onde visito uma escola de negócios para o anuário Melhores MBAs do Brasil, da Exame/Você S.A., que segue metodologia semelhante à do Melhores Empresas para Trabalhar. Bato e volto a tempo de trabalhar à tarde na Letras Brasileiras, já na reta final do primeiro dos três meses que estou passando por lá (aproveito a deixa para dizer que está sendo muito legal compartilhar o teto com a turma sangue bom da editora).

Essa história está cheirando mal

Outro dia falei aqui do fedor exalado pela estação de tratamento de esgoto na entrada de Floripa. Esse é apenas o lado mais visível (ou melhor, mais cheirável) do histórico descaso de Santa Catarina com o saneamento. Não por acaso, a capital do estado despencou da 10ª para a 34ª posição no ranking do Instituto Trata Brasil, uma das ONGs mais respeitadas no setor, a ponto de ser citada como exemplo de má qualidade de gestão, com tarifas altas e serviços ruins. Apesar do expressivo aumento da tarifa média (de R$ 1,59 para R$ 2,39 em quatro anos), os investimentos caíram de 82% para apenas 21% do caixa gerado pela operação do sistema, descreve o relatório da ONG. A pergunta que não quer calar é: para onde está indo esse dinheiro?

sábado, 19 de setembro de 2009

Nem pense em deixar de ver isso

Depois do sumiço do Belchior e do vexame da Vanusa com o Hino Nacional, dá uma olhada no que aconteceu com o Biafra em pleno "voar, voar, subir, subir"...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pura coincidência

Falei aí embaixo do Karatê Kid e acabo de descobrir que o filme vai ganhar um remake, com ninguém menos que Jackie Chan no papel de sr Miyagi.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Me ajuda aí, senhor Miyagi

Eu no notebook, tentando me concentrar no trabalho, quando a Cris grita lá da TV:
- Amor, corre aqui, corre aqui!
Levanto imediatamente e sigo com a urgência pedida.
- Olha o Ralph Macchio! Tá fazendo uma participação especial na Ugly Betty. Nossa, ele deve ter uns 60 anos! Sim, porque quando eu tinha uns dez ele tinha uns 16...
- Mas você não tem 54 anos, Cris.
- Agora fiquei curiosa. Dá um google pra descobrir a idade dele?
Volto para o computador, desta vez bem devagarinho.
- Nasceu em 1961. Tem 48 anos - grito.
- Mesmo assim não parece, né?
- É...
(Onde eu estava mesmo?)
P.S.: você enche o meu saquinho mas eu gosto de você, você enche o meu saquinho mas eu gosto de você, tudo o que eu queria era saber por quê, tudo o que eu queria era saber por quê!

Aberta a temporada de botecos

Uma das coisas legais da Semana do Jornalismo é que vai ser uma boa chance de rever amigos que não encontro há um tempão. Um deles é o José Eduardo Barella, editor de internacional do Estadão, gente finíssima, com quem dividi baia na Veja no começo desta década. Outro é o Lúcio Lambranho, que está morando em Brasília e vem para a mesa-redonda de ex-alunos da UFSC. E tem ainda o pessoal "sumido" que mora por aqui mesmo, como o professor Rogério Fofoletti - ops, revelei sem querer o apelido dele.

Como são escolhidas as melhores empresas

Tudo começa com a inscrição gratuita das interessadas em participar. Os funcionários preenchem um questionário sigiloso, de onde resultam 70% da nota final da empresa. A equipe da Fundação Instituto de Administração (FIA) da USP, parceira no processo, avalia as políticas de Recursos Humanos e daí saem mais 20% da nota. Esses 90% definem a linha de corte das 200 finalistas, visitadas por nós, jornalistas - etapa que produz os 10% restantes da nota e define as 150 empresas vencedoras. Neste ano, a campeã foi a Caterpillar, fabricante de máquinas industriais e agrícolas instalada em Piracicaba (SP). A medalha de prata ficou com a Masa, que produz eletroeletrônicos em Manaus (AM), e a de bronze com a Volvo, fabricante de chassis de ônibus e caminhões sediada em Curitiba (PR).

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mas que frila abusado!

Está nas bancas a edição 2009 do Guia "As 150 melhores empresas para você trabalhar", parceria das revistas Exame e Você S/A. É o sexto ano seguido em que participo do processo, como um dos 15 jornalistas (12 da equipe fixa da redação e três frilas) que visitam as 200 finalistas Brasil afora e escrevem as matérias sobre as vencedoras. Este ano visitei 25 empresas de Minas e São Paulo, mas o roteiro muda a cada ano. É sempre um mês inteiro de viagens, entre junho e julho. Uma experiência fantástica e riquíssima que já me levou a 15 estados. Estou com um dilema em relação ao ano que vem, contudo: teremos a Copa do Mundo e quero ver os jogos do Brasil ao lado do Lauro. Na Copa passada, eu estava visitando empresas no Rio de Janeiro (vi dois jogos do Brasil nos botecos de Copacabana). Mas o menino ainda era muito pequeno para entender o momento marcante que uma Copa do Mundo representa para nós, brasileiros. Na Copa de 2014, ao contrário, ele será um adolescente de 16 anos e provavelmente vai preferir ver os jogos com os amigos. Enfim, a Copa 2010 é a "nossa" Copa, minha e do meu filho, aquela que o Lauro lembrará pelo resto da vida - assim como a de 1982 está entre as minhas principais recordações da infância. Qual a saída? Abrir mão de um frila que adoro fazer? Que nada. É só pedir para o meu roteiro do ano que vem ser aqui na região Sul, que eu não cumpro há alguns anos. Nos dias de jogos do Brasil, volto correndo para casa. Afinal de contas, já sou um dos mais experientes da equipe e tenho direito a algumas regalias...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Semana do Jornalismo

Começa na próxima segunda a 8ª Semana do Jornalismo da UFSC, evento que ganha força a cada ano. Na quinta, dia 24, às 17h30, participo de uma mesa-redonda com ex-alunos do curso. Os outros convidados são três feras: a Kiria Meurer, repórter da RBS TV e correspondente da Globo em Santa Catarina; o Frank Maia, cartunista de A Notícia; e o Lúcio Lambranho, repórter do Congresso em Foco responsável pelas reportagens que denunciaram a farra das passagens aéreas y otras cositas.

domingo, 13 de setembro de 2009

Minha pequena Guimarães Rosa

Aos três anos, a Lígia já está dominando um grande vocabulário. Mas às vezes ainda se confunde - e teima que está com a razão. Deu certo trabalho convencê-la de que as pessoas fazem aniversário, e não aviversário, e que ela tropeçou em um buraco, e não em um furaco. Mas até que os neologismos da Lígia fazem sentido. Afinal, quem completa mais um ano está vivendo (aviversário define perfeitamente a data) e um buraco não passa de um furo em algum lugar - logo, furaco vai direto ao ponto.

Por falar em saneamento...

Estou começando a levantar informações para a matéria do Anuário de Infraestrutura da Exame sobre o setor de saneamento no Brasil. É o quinto ano consecutivo em que fico com a tarefa. Prova de que a vida de frila não é o tempo todo instável e imprevisível...

Cheirinho da loló

Quem atravessa a ponte e entra na Ilha de Santa Catarina é invariavelmente recebido pelo odor putrefato emanado da estação de tratamento construída no Aterro da Baía Sul. Uma vergonha para uma cidade turística. Todo mundo já se acostumou com isso e acha que é normal, mas dia desses eu estava conversando com um diretor da Copasa, a empresa de saneamento de Minas Gerais que é referência internacional em sustentabilidade, e ele me disse, mesmo sem conhecer os detalhes do projeto, que cheiro ruim permanente em uma estação de esgoto indica falha operacional. E que, independente da causa, há tecnologia disponível para resolver o problema. Aliás, o descaso com a questão do esgoto em Santa Catarina como um todo é uma tremenda vergonha para o Estado, que está entre os mais atrasados do país na área de saneamento.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A etiqueta do guarda-chuva

Virou moda usar uns guarda-chuvas enormes, já repararam? Considerando as nossas calçadas estreitas, acho que é uma manifestação descabida de individualismo e despreocupação com o outro. Você é obrigado a sair do caminho quando vem um troço desses. É mais ou menos que nem picape: normalmente vai ali um sujeito arrogante.

sábado, 5 de setembro de 2009

O que aconteceu com você, Manoela Balan?

"Quem viu Xuxa e Angélica no começo da carreira aposta que Manoela Balan, 11 anos, tem um belo futuro pela frente. Tanto que o produtor do primeiro CD da menina é o mesmo que encaminhou as duas loiras mais famosas do Brasil ao sucesso. (...) A primeira apresentação 'profissional' foi num restaurante de Joinville, onde a família morava. Diante de um irresistível microfone vago, ela se ofereceu para cantar. 'A Manoela nunca pediu um brinquedo que não fosse relacionado à música. Só quer saber de teclado, microfone, CD, essas coisas', conta a mãe, Maria Roseli Balan. (...) Aí começaram a surgir convites para apresentações em festas, formaturas e shoppings. Em novembro do ano passado, veio a primeira prova de fogo. Na Festa do Boi Ralado no Espeto, em Itaiópolis, um público de 12 mil pessoas esperava pela apresentação da menina. Com um repertório de canções animadas e conhecidas, ela conquistou a todos. 'Cantar para dez ou para dez mil é a mesma coisa', assegura Manoela." (A Notícia, 17 de março de 1999)
O QUE ACONTECEU COM ELA: Aos 22 anos, está morando no Rio de Janeiro e continua dedicada à carreira de cantora. Apresentou-se recentemente no Domingão do Faustão. Mais vídeos podem ser vistos aqui.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cheiro de grama

Testemunhe a gênese de um cineasta: Heitor Caramez, filho do meu grande e saudoso mestre Eloy Gallotti e da querida Sonia Caramez. O rapaz, que era um pirralho até outro dia, tá mandando muito bem atrás das câmeras. Com vocês, Que cheiro de grama cortada no frio.

Já tô bem tamanho!

Hoje eu sinto que cresci bastante
Hoje eu sinto que estou muito grande
Sinto mesmo que sou um gigante
Do tamanho de um elefante
É que hoje é meu aniversário
E quando chega meu aniversário
Eu me sinto bem maior
Bem maior
Bem maior
Do que eu era antes...
(P.S.: gostei tanto do post da Cris que resolvi copiar descaradamente. A letra é de uma canção bonitinha do Palavra Cantada).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Beleza de deixar louco

Minha amiga Julia Berutti, com quem estou tendo o prazer de voltar a trabalhar sob o mesmo teto, acaba de repassar uma notícia muito interessante sobre um tipo de loucura que acomete turistas. Morando em Floripa, eu achava que éramos nós que ficávamos loucos com os turistas, mas parece que o inverso também acontece. Bem que eu já desconfiava que algum parafuso da cacholeta dá uma afrouxada no momento em que o sujeito depara com esta vista deslumbrante da Lagoinha do Leste, após duas horas de caminhada na trilha. Pelo menos foi o que aconteceu com os três elementos que aparecem na foto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Já fui mais equilibrado

Literalmente falando. Na pelada desta noite, escorreguei umas sete vezes na grama suavemente molhada pelo orvalho. Saí com os dois joelhos em pandarecos. A única vantagem é que joelhos ralados têm lá seu charme quando viram casquinha.