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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Por causa dela
Outro dia recebi aqui no blog a grata visita da Rita de Cássia, que foi minha editora há 15 anos no jornal O Estado, meu primeiro emprego em redação. Imediatamente lembrei de algo que ela me falou na época e incorporei desde então: "repórter meu não escreve 'por causa'!". De fato, é um cacófato feinho, que lembra a gripe suína e ainda por cima se aproxima demais da linguagem falada. Além das muitas alternativas ("em decorrência", "em virtude", "em consequência"), pode-se simplesmente evitar a necessidade de recorrer a qualquer uma dessas expressões - em vez de "Ele mal conseguia caminhar, por causa da dor que sentia", basta "Ele mal conseguia caminhar, pela dor que sentia" ou "Com a dor que sentia, ele mal conseguia caminhar". Acho que um dos componentes mais importantes do que se costuma chamar de "experiência" é isso: ir capturando ao longo dos anos o que as pessoas têm de bom a ensinar.
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Devido a sua editora, passou a escrever com mais consciência. ;)
ResponderExcluirBeijos.
ps.: Dorva prometeu entregar o presentinho na segunda-feira.
Com todo respeito à ressalva de vocês, não vejo problema em escrever "por causa". Talvez porque essa expressão esteja numa música de Jorge Ben que acho linda. É bem mais próximo da linguagem coloquial que os forçados "em decorrência" e "em virtude". Considerar "por causa" um cacófato é botar chifre em cabeça de porco :)
ResponderExcluirPor total falta de capacidade de encontrar algo cortês para dizer em relação a sua fonte, me abstenho.
ResponderExcluirQuanto ao "mérito": não há problema algum em "por causa". Pelo contrário: se você está falando da causa de alguma coisa, por que inventar outra palavra?Hoje em dia, poucos escrevem "por causa". A maioria prefere "por conta de", o que é muito pior.
Não quero ser acusado de preconceito linguístico - acho que toda palavra e expressão tem sua "utilidade", digamos assim -, mas, considerando que há uma distância no grau de formalidade entre o idioma falado e o escrito, certas expressões parecem não se encaixar bem de um lado ou de outro. "Em decorrência" é um exemplo de algo que soaria um tanto rococó na linguagem falada, mas que usamos com naturalidade na linguagem escrita (discordo que seja um uso "forçado", pois escrever coloquialmente não é apenas reproduzir a forma como falamos). "Por causa" é, na minha opinião, o inverso: usamos com frequência no cotidiano falado (e é natural que a música popular se aproprie disso), mas ao meu ver é uma expressão que não fica bem na linguagem escrita, especialmente em textos jornalísticos. Talvez esteja um tanto desgastada por ser uma construção elementar, usada em abundância nas redações escolares. Mas, enfim, é provável mesmo que seja puro preconceito meu... O importante é que não perco os amigos POR CAUSA dessas bobagens... :)
ResponderExcluirErrei. A maioria fala e escreve "em função de" em vez de "por causa de" - o que está errado! Concordo que as discussões sobre estilo são controversas, mesmo. Por mais que você seja flexível, as palavras têm significados. Há que se respeitá-los.
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