domingo, 19 de abril de 2009

Sagrada pelada de segunda

Meu prazer em lidar com números me levou à condição de estatístico voluntário dos Peladeiros, turma de amigos (a maior parte jornalistas, mas com agregados de outras áreas) que joga bola toda semana desde 2002. O gramado preferido é o do Hospital Universitário - até porque, na nossa faixa etária, é bom saber que bastam dois minutos para encontrar atendimento médico. O Gustavo Cabral registra a ficha de cada jogo, junto com uma divertida "resenha" enviada por e-mail, e eu vou atualizando os números e divulgando periodicamente para a turma. Até hoje, foram 281 jogos e 4.326 gols marcados (sim, a média é de incríveis 15,4 gols por partida). Nada menos que 281 peladeiros já entraram em campo. É um espaço democrático. Sempre há convidados novos, às vezes até ex-jogadores profissionais - o exemplo mais recente foi Dão, centroavante que fez sucesso no Avaí no final da década passada. Muitos jogam só uma vez e nunca mais aparecem, possivelmente constrangidos pelo alto nível técnico da rapaziada, mas há um "núcleo duro" que comparece regularmente. Eu, que nesse meio tempo morei em São Paulo e andei viajando um bocado, participei de "apenas" 87 partidas - há 17 peladeiros mais assíduos. O maior fominha da história é justamente o Cabral, que completou 250 partidas na última segunda (noite que escolhemos por ser normalmente a mais tranquila nas redações). Muitos peladeiros ganham alcunhas que acabam incorporadas pelos próprios, a ponto de serem registradas nas costas do uniforme. O Cabral é o "Capslock", porque sempre escreve seus e-mails para a turma em caixa alta. O Sérgio Negrão (maior artilheiro dos Peladeiros, com 411 gols marcados em 237 jogos) é "Paçoca" desde o dia em que iniciou a partida comendo uma paçoquinha. O Alexandre Gonçalves é o "Esquerdinha", pela habilidade com a perna em questão (a direita mal serve para subir no ônibus, em compensação). André Gassen é o "Malborão" porque fumava um monte - felizmente largou o vício, mas o apelido é eterno. O Frank, com seu estilo de jogar plantado no ataque, é o "Mandioquinha" - e seu filho Léo virou naturalmente o "Aipim". O Mateus Boeing, que está passando uma temporada na Irlanda, recebeu a alcunha de "Fokkercem" graças ao sobrenome aéreo. Já o meu apelido é "Bombra". Começou Bomrício, depois virou Bombrício (às vezes eu jogava na defesa e outras vezes no ataque - era como o Bombril, com mil e uma utilidades) e foi naturalmente simplificado para Bombra. A melhor parte de tudo, no entanto, não é o jogo em si, mas o que chamamos de "pós-jogo": Denise e Adauto, o simpático casal que toca o bar do HU, tem preparado uma série de pratos típicos ilhéus especialmente para a gente, a preço de custo. Só no último mês tivemos sopa de siri e estrogonofe de camarão. Para amanhã, está anunciado um imperdível berbigão com arroz e farofa. Estão todos convidados!

18 comentários:

  1. "até porque, na nossa faixa etária, é bom saber que bastam dois minutos para encontrar atendimento médico".

    Atesto que isso é a mais pura verdade.

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  2. E sobre a perna direita que mal serve para subir no ônibus, atesta também que é a mais pura verdade?

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  3. Agora, em relação a afirmação que a a minha perna direita mal serve para subir no ônibus, só digo que o último que disse isso teve ir buscar a bola no fundo da renda 3 vezes depois de 3 chutes meus -- dois com a perna direita. Mas vou levar teu comentário como motivação invertida...:)))

    E aliás, meu único gol deste ano marquei lá com a Abraão, com a perna direita!!! Um golaço, aliás. :P

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  4. E esqueci que a perna direita também já deu passes precisos pra gols do Negão, do Rubinho...

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  5. pouxa, o cardápio de amanhã me deu água na boca... =D

    beijo!

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  6. Anita, tá convidada! E pode levar convidados, que joguem ou não futebol!

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  7. Assim tô quase propondo a troca da tua alcunha pra Direitinha. Mas não pega muito bem, né? Vai que o pessoal leva pro lado político da coisa... Além do mais, o chique é ser canhoto. Eu mesmo falei aqui outro dia sobre a minha inveja dos canhotos. Pode crer que a frase foi pura inveja. :)

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  8. Só queria saber se o Dorva anda indo aos jogos. Pedi para ele entregar um pequeno presentinho para você e para a Cris há umas oito segundas-feiras, mais ou menos, e nunca soube se ele realmente o fez. :)

    Eu lembro bem desses jogos de vocês. Normalmente, às terças-feiras ou havia conversas na redação sobre o número de gols e a disputa do artilheiro ou sobre quem havia machucado o quê. :)

    Beijos.
    Rafa

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  9. Ai, ai, ai, vou cobrar do Dorva. Na realidade ele só voltou a jogar há poucas semanas, agora que a Elis está um pouco maior. Obrigado por antecipação, Rafaela!

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  10. Muito bem registrada a existência peladeira, Bombra. É óbvio que catei o que havia sobre O Negrão (olha a 3ª pessoa futebolística aí, gente). Pelo jeito estavas em um momento amigo do Negrão (vulgo Paçoca) e preferiste citar o recorde de gols deste atleta. Bem sei que, numa mudança de vento, podem optar pelo meu recorde de derrotas; algo pra fazer pensar na carreira, pensar se o volume de gols é só fumaça que se espalha e ficam as derrotas... enfim... o que vale é se arriscar nas segunda.

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  11. Amigo Bombra,

    Eu sou um daqueles que se agregaram ao grupo, digo isso por não ser jornalista, mas também somos responsáveis por grande parte dos 15,4% dos gols, pois jogamos no Gol, digo nos os Goleiros do Peladeiros.

    Abraço a você por esse post e parabéns a todos os PELADEIROS!

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  12. Excelente registro, apenas trocaria "fominha" por abnegado, dedicado, participativo...
    E pelo comentário acho q o Negrão Chulapa Paçoca ficou magoado por vc não ter mencionado o dado estatístico mais significativo a respeito dele, o recorde de derrotas.

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  13. Fominha no bom sentido, Cabraleza. Tu és mesmo um abnegado, participativo, dedicado e vitaminado com flocos crocantes e o delicioso chocolate Nestlé. Quanto ao Paçoca, ele anda mesmo alardeando esse recorde de derrotas. Comportamento estranho, hein?

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  14. É claro que os goleiros têm uma imensa participação nessa média de 15,4 gols pro jogo, né, Ronay? Participação decisiva, eu diria.

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  15. meu médico não entende dessas coisas e fica me proibindo de jogar. vê se pode uma coisa dessas?

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  16. Teu médico deve ser daqueles que no colégio preferia vôlei e tinha borracha com cheirinho de morango, né não? E se for só para ficar plantado no ataque (como sempre, a propósito)? Brincadeirinha, Franketa. Preserva as tuas pernas, que têm muita Alice para carregar vida afora, e aparece no HU para cornetear e para o pós-jogo - que, afinal de contas, é a melhor parte mesmo.

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