quarta-feira, 29 de abril de 2009

Processar ou não, eis a questão (2)

A indústria do dano moral nos Estados Unidos é muito criticada, mas contribui um bocado para melhorar as coisas por lá. Um exemplo que presenciei há três anos: estávamos no metrô de Washington quando uma mãe não conseguiu descer a tempo com o carrinho de bebê. A porta se fechou (de forma brusca e sem aviso sonoro ou visual) e ela se viu obrigada a ficar do lado de dentro e empurrar o carrinho para fora, com receio de que o bebê ficasse preso e fosse arrastado. Enquanto ela gritava desesperadamente "my baby!", eu e outros dois passageiros corremos para a alavanca de emergência que faz o metrô parar. Cheguei antes e a acionei. Passou pela minha cabeça que, naquela estação vazia, o carrinho poderia voltar e ser tragado pelo próprio trem em que estávamos ou então cair no fosso e ser atropelado pelo trem seguinte. Enfim, tomei a decisão numa fração de segundo. Muitos passageiros ficaram indignados, pois tinham compromissos e o processo para fazer o trem andar de novo é demorado. Em vez de reclamarem comigo, contudo, eles se dirigiam agressivamente à pobre mãe (até porque era uma imigrante africana), como se já não bastasse toda a angústia que ela estava sentindo. Pois, ao final de tudo isso, uma mulher se apresentou à moça como advogada e sugeriu um processo - e imediatamente começou a anotar contatos de eventuais testemunhas. Não sei se o processo foi adiante, mas certamente serviria para que o metrô buscasse alternativas para evitar a repetição do problema.

Um comentário:

  1. E a gente aqui no Brasil fica com medinho de chamar o ofensor pra conversar com o juiz.

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