Os nove homens que carregam a cruz, construída com dois troncos de árvore, estão cansados mas não desistem. Falta pouco. Um deles, Quintino Zilli, não deveria fazer tanto esforço. Ele teve que abandonar o trabalho no campo porque sofre do coração. Viúvo, 49 anos, deixou a pequena propriedade em Chapecó sob o cuidado das duas filhas e, "há catorze meses", como faz questão de ressaltar, partiu para Criciúma, onde está trabalhando numa oficina de chapeação e pintura.
Chegaram. Com o suor escorrendo por debaixo do chapéu de palha, Quintino diz que não é fácil trocar o campo pela cidade. "Dá muita saudade. Quando veja uma terra parecida com a minha, então, me dá um aperto tão grande no peito que eu até choro", conta, com o olhar vertiginosamente azul voltado para a cruz que acabara de carregar.
A via-crúcis de Quintino pelas ruas de Florianópolis foi acompanhada por uma multidão. Dez mil agricultores e ex-agricultores vieram de toda Santa Catarina para a oitava Romaria da Terra, uma manifestação político-religiosa a favor da Reforma Agrária. A data, 12 de setembro, é dedicada a São Selésio, um mártir da Igreja Católica morto pelo Império Romano que virou santo porque nunca perdeu a fé.
Também para os romeiros, a esperança é a última que morre. E a solidariedade ainda está bem viva. Parados em frente à Catedral, dedicaram um minuto de silêncio - ambos, o minuto e o silêncio, religiosamente cumpridos - aos mortos nas chacinas da favela de Vigário Geral e dos meninos de rua da Candelária, no Rio de Janeiro, dos presidiários de São Paulo e dos índios Ianomâmis. Chapéus encostados nos peitos, eles ainda conseguem pensar nas outras vítimas de massacres sociais. Quando os sinos romperam o silêncio, o vôo assustado dos pombos confirmou o tom pacifista da manifestação. (...)
O Diracom é um coletivo de ativistas brasileiros que acreditam que o
direito à comunicação é uma condição essencial para a democracia. Bem, eles
não só acr...

Meu parabéns retroativo, Mauricio! :)
ResponderExcluirObrigado, Felipe, mas a validade já venceu faz um tempão. :)
ResponderExcluirFelipe, aqui é o Quintino Zilli, esta história é veridica, menos pelo fato de eu não ser viúvo, graças a Deus ainda estou com a minha esposa.
ResponderExcluirAgradeço se mudar para casado.
Obrigado Quintino