quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Parágrafo trabalhoso

Eu estava fazendo uma pesquisa nos meus arquivos quando deparei com uma matéria que escrevi em 2001 para a Veja, intitulada "Não atire o pau no gato", sobre as pequenas crueldades que as crianças costumam cometer. Como a Lígia está bem na fase de puxar o cabelo dos amiguinhos da escola e receber mordidas em troca, ou vice-versa, reli as duas páginas. E fiquei espantado ao lembrar da mão-de-obra para produzir o último parágrafo, o que incluiu contato com cada uma das personalidades citadas (e provavelmente com outras que acabaram não sendo incluídas no texto). Ei-lo:
(...) Tanto assim que todo mundo tem uma história do gênero para contar. O sambista carioca Dudu Nobre, por exemplo, sempre colocava a culpa das artes que aprontava na irmã mais nova - e sentia um prazer sádico ao vê-la apanhar pelo que não havia feito. Já o músico e apresentador de TV João Gordo não apenas inventava apelidos para todos os colegas como, aproveitando-se do porte avantajado, chegava a extorquir dinheiro dos mais fracos na hora do recreio. A musa das quadras de vôlei Leila Barros também fez das suas apesar do rosto angelical - vivia pegando no pé de uma colega rica e gordinha, apelidando-a de "Baleia", "Rolha", "Boneco de Neve" e outras designações do gênero. A deputada federal Rita Camata lembra-se de que já foi capaz de fazer picadinho da camisa de um colega da primeira série só porque ele riu de sua trança. Já o escritor Luis Fernando Veríssimo teve experiências mais sutis: "Uma vez tentei provocar uma luta entre uma formiga vermelha e uma preta, mas não consegui. Acho que elas eram primas", conta.

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