"A seleção brasileira de futebol ocupa uma posição única nos esportes, como exemplo de um favorito com o qual todos simpatizam. Em geral, os torcedores, sobretudo os de futebol, odeiam os favoritos (o Real Madrid na Espanha, a Juventus na Itália, o Manchester United/Chelsea na Inglaterra). Mas o time brasileiro, o único a vencer a Copa do Mundo por cinco vezes, em todos os continentes em que ela já foi disputada, é adorado. Por isso, muitos dos torcedores de futebol têm, em se tratando de seleções nacionais, dois times: o seu próprio e o do Brasil." (trecho de um texto assinado pelo escritor alemão John Lanchester que encontrei aqui em casa numa National Geographic de 2006).
Não sei se eu é que estou ficando velho e insensível, mas tenho a impressão de que o entusiasmo dos brasileiros com a Copa do Mundo nunca esteve tão baixo quanto desta vez. Minha teoria é a de que o nível de entusiasmo é diretamente proporcional à beleza do jogo apresentado pela seleção, e não pelo seu grau de favoritismo. A atual seleção é favorita e vem apresentando excelentes resultados, mas seu jogo burocrático e frio não conquistou o coração dos torcedores. O símbolo do time, Kaká, é bom moço demais (que saudade das barbaridades que o Romário dizia - e fazia em campo). A falta de espirituosidade dos jogadores e do técnico é irritante. Dunga deixou bem claro que iria privilegiar a eficiência, e não a beleza, quando abriu mão de craques como Ronaldinho Gaúcho e Ganso. Mas não foi justamente a beleza, a descontração, a leveza do nosso futebol que transformou a seleção brasileira no segundo time de todo mundo, como definiu Lanchester? Corremos sério risco de vencer a Copa jogando feio, exatamente como aconteceu com a seleção de 1994 - cujo capitão, não por coincidência, era Dunga. A pergunta é: vale a pena ser campeão assim, com uma seleção cujo forte é a defesa e não o ataque? Ou é melhor partir pra cima e ver o que acontece, se-der-deu-se-não-der-não-deu? Em resposta, basta dizer que a seleção de 1982 é lembrada com muito mais carinho pelos brasileiros que a de 1994.
Já que não tem jeito, resta-nos agora torcer pelo Josué, o Felipe Melo, o Júlio Baptista... Ai, ai.
O Diracom é um coletivo de ativistas brasileiros que acreditam que o
direito à comunicação é uma condição essencial para a democracia. Bem, eles
não só acr...

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