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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Jornalismo cultural e arrogância
Cheguei atrasado e tive que sair mais cedo da mesa-redonda sobre jornalismo cultural, mas mesmo assim foi bacana estar lá. Os debatedores eram Jotabê Medeiros, repórter do jornal O Estado de São Paulo; Pablo Villaça, criador do site Cinema em Cena; e Bruno Moreschi, jovem formado pela UFSC que vem se especializando em textos sobre artes plásticas - colabora para a Piauí e a Bravo!. Enquanto ouvia a conversa fui me lembrando que os jornalistas especializados em cultura formam uma espécie de gueto dentro das redações - pelo menos sempre foi assim por onde eu passei. Muitos colegas das outras editorias os consideram metidos, porque "não se misturam" e costumam ser incisivos demais nas opiniões. Isso é certamente um estereótipo e tem inúmeras exceções, mas, como todo estereótipo, tem também um fundo de verdade. Quem atua na área de cultura tende a achar que faz um trabalho mais "nobre" que o das outras editorias. Cruzei com inúmeros casos assim na minha carreira e eu mesmo devo ter tido momentos de soberba quando trabalhei na área. Como frila há sete anos, posso afirmar que, de forma geral, os colegas de cultura são os de mais difícil relacionamento - aqueles que atendem o telefone meio de má vontade, fazem questão de parecer mal humorados e não se dão ao trabalho de responder quando não se interessam por uma sugestão de pauta. Acho também que há nesse meio uma grande confusão entre opinião e ofensa. Para exemplificar: durante a mesa-redonda, o Jotabê classificou determinado disco da Maria Rita de "bosta", a chamou de "cantora de segunda linha" e disse que a pior obra que já havia visto na vida foi o show do Caetano Veloso com o Roberto Carlos. Exageros desnecessários, ao meu ver. Mandei então uma pergunta aos três: "Como vocês lidam com a imagem de arrogância que os jornalistas da área cultural têm entre os próprios colegas?" As perguntas eram escritas, de tal forma que eu não pude explicar detalhadamente o que queria dizer - imaginei, contudo, que eles saberiam muito bem do que eu estava falando. Villaça admitiu que era arrogante e que adora sê-lo. Os outros disseram que não entenderam a pergunta. Bom, tá explicado aqui.
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putz, nunca tinha parado pra ver a coisa sob esse ângulo. Eu que sou metida na área da cultura fujo total desse esteriótico, não exatamente fujo, apenas não caibo totalmente nele, em relação a dificuldade de relacionamento, mal humor e esse tipo de coisa. A parte verdadeira é o lance da arrogânica, a gente tende a se achar mais "culto" que os colegas. Agora que escrevi fiquei com vergonha:( hihihihi...
ResponderExcluirQuando tiver um tempinho vou escrever lá no meu blog sobre uma experiência que tive hoje com um potencial cliente de um freela; ele queria me pagar 300 reais por mes pela produção de um jornal de 12 páginas. Que tal? Essa é a realidade do maranhão. Acredite!!
Abraço Maurício!
ah, agora você tocou num assunto interessante. jornalismo cultural, no Brasil, é, em geral, um lixo. "cultura", pra eles, é cinema e música. os cadernos de cultura são umas porcarias porque feitos justamente por arrogantes. encontrar um bom texto sobre filosofia, por exemplo, é quase impossível. geralmente, é aquela parte indigente da filosofia -e hermética. um dia, estava conversando com o grande filósofo e lógico Newton da Costa (agora, dei uma de jornalista de cultura). ele me disse justamente isto: que as editorias de cultura não tratam de cultura.
ResponderExcluirespecificamente sobre a filha da grande Elis, também não gosto dela, mas um crítico precisa embasar suas opiniões. o problema é que não têm formação suficiente pra isso. e ainda se acham. é um bando.