quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A simplicidade é bela

Uma das coisas mais legais da mudança para o Campeche é o convívio estreito com a vizinhança, algo que eu não vivia desde a infância em Araranguá. Fizemos muitos novos amigos nesses dez meses. Tem gente de tudo quanto é profissão: empresário, atriz, funcionário público, enfermeira, palhaço, geólogo, professora, psicóloga, analista de sistemas, físico, engenheiro... Enfim, uma fauna diversificada. Assuntos não faltam quando a gente se reúne - e olha que todo final de semana temos inventado motivos para jogar conversa fora. Uma dessas novas amigas é a Dani, Daniela Vicentini, 37 anos, formada em Pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Ela nos presenteou com um exemplar do seu recém-lançado livro Arte brasileira nos acervos de Curitiba, concebido ao longo de três anos em parceria com um colega dos tempos de universidade, Fernando Burjato. É um livro bonito, com um projeto gráfico interessante, mas o maior mérito é a proposta de falar de arte com simplicidade, sem nenhum resquício de pedantismo. As obras mais importantes dos museus paranaenses são apresentadas em uma linguagem facilmente compreensível - qualquer palavra ou conceito que um estudante do ensino secundário talvez não conheça vem devidamente acompanhado de uma explicação. Que bom. Acho que muito da imagem de arrogância que a crítica cultural carrega vem justamente da pretensão de escrever apenas para os iniciados - não é à toa que os índices de leitura dos "segundos cadernos" dos jornais são tão baixos.

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