terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Já que o Lunga baixou em mim...

Outro dia falei que estava cansado do ritual de entrar em contato com as assessorias de imprensa. É que antigamente era tudo mais simples e direto. Você ligava, dizia o que queria, o(a) assessor(a) retornava depois dizendo se seria possível ou não, e ponto final. Ultimamente se espalhou a onda de pedir para mandar algumas questões previamente por e-mail para que o "porta-voz" se prepare melhor para a entrevista (ou para que ele tente descobrir se a abordagem é positiva ou negativa e decida se vale a pena dar a entrevista, claro). Mas há uma onda ainda mais recente e irritante: perguntar que outras empresas vão aparecer na matéria. A fonte tem todo o direito de ser informada sobre a natureza da pauta e decidir se quer ou não prestar informações, mas perguntar sobre os demais entrevistados eu já considero intromissão e até mesmo falta de delicadeza. (Nada pessoal contra quem faz isso, pois sei que são as orientações recebidas.)

3 comentários:

  1. Tem toda razão. Também acontece comigo (tem algumas empresas específicas que fazem isso) e eu também fico p. da vida.
    Sei que o cliente é que exige essas coisas, mas a assessoria tem que ter peito pra dizer pro cara que não é assim que funciona.
    Algumas empresas dessa nossa área de carreiras adoram fazer isso porque não querem aparecer ao lado de empresas que eles desprezam como concorrentes.

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  2. totalmente inapropriado. sempre que me perguntava isso, eu nunca respondia.
    Por isso é que eu digo: assessor não é jornalista. Em muitos países, quando o cara passa pro outro lado do balcão, deve, inclusive, se desfiliar do sindicato ou associação de jornalistas. Isso vai contra a mentalidade cartorial brasileira de que, se o cara tem diploma, é jornalista. Não é o papel que lhe confere o título, mas a função. Assessor atende ao patrão e ponto final. Se for jornalista, bom pro patrão, porque tem um empregado qualificado. Mas só por isso.

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  3. Fala Maurício! Gosto destes teus posts questionadores do papel do assessor de imprensa - fazem repensar nosso trabalho, ao mesmo tempo que mostram o quão simples precisamos ser neste relacionamento com os jornalistas para que possamos ser, de fato, parceiros na busca de informações, opiniões e visões.

    Quanto à provocação do ph, concordo, mas discordo :) Eu sou jornalista de formação e assessor de imprensa. Não atuo como jornalista, mas a formação contribui para que tenha conhecimento das técnicas e possa dialogar e entender melhor às necessidades de quem está "do outro lado do balcão".

    Ao mesmo tempo, tento passar esta cultura do jornalismo para os clientes para que entendam os procedimentos e posturas que devem ter frente ao jornalistas - com o cuidado de não o tornar meros reprodutores de discursos vazios e puramente institucionais.

    É isso :) Maurício, continue o debate em novos posts, sempre.

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