O Diracom é um coletivo de ativistas brasileiros que acreditam que o
direito à comunicação é uma condição essencial para a democracia. Bem, eles
não só acr...
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Lennon ou McCartney?
Enquanto eu acabava de ler a biografia-monstro do John Lennon (que belo presente, Ana!), a Karla nos contava do show do Paul McCartney que ela teve o privilégio de presenciar na Irlanda (que inveja, Karla!). E aí fiquei pensando nas velhas discussões sobre o melhor Beatle e os estereótipos criados em torno de cada preferência. Gostar de Lennon é ser "revolucionário", enquanto gostar de McCartney é ser "quadrado". São rótulos obviamente superficiais, que simplificam demais a trajetória e a obra de cada um. Isso me levou mais uma vez a refletir sobre a tendência - comum entre nós, jornalistas - de estabelecer conceitos "oito ou oitenta". Parece que temos a obrigação de ter opinião definitiva sobre tudo... De minha parte, eu admito: não sei se o aquecimento global é causado pelo homem, se café faz bem ou faz mal, se o mundo nasceu espontaneamente ou se foi criado por Deus - e mais um monte de coisas.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
As leis que não pegam
Com a perspectiva da nossa mudança para os próximos dias, comecei a entrar em contato com todo aquele pessoal - telefone, cartão de crédito, TV a cabo - para a transferência de endereço e solicitação de novos serviços. E aí, como sempre, sofri um bocado com os calls centers, que continuam exatamente como eram antes da tal lei revolucionária que não mudou uma vírgula na qualidade do atendimento. A opção "falar com o atendente" continua lá no fim, o tempo de espera continua alto etc etc. É mais uma das leis brasileiras que começam com grande alarde e depois são simplesmente ignoradas. De imediato lembro de outras duas: limite de 15 minutos na fila do banco (hahaha) e a lei seca no trânsito (depois daquela fiscalização toda nos primeiros dias, tudo voltou a ser como antes).
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Obrigado, Tatiana
O blog Novo em Folha, do programa de treinamento da Folha de São Paulo, traz hoje um bom material sobre a vida de frila. Graças à leitora Tatiana, de Brasília, este humilde blog foi citado.
Revelações do Google (2)
Há dois anos, passei alguns dias em São Paulo para ajudar a produzir um guia turístico dos arredores da capital paulista. Nunca mais tive notícias desse trabalho, que por acaso encontrei na versão em inglês.
Revelações do Google (1)
Acabo de descobrir por acaso que o Vida de Frila foi citado por um jornal mineiro, o Hoje em Dia.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Vida de Frila, o livro
Chegou a hora de contar a novidade: este blog está virando livro. Estou na reta final de preparação dos originais e a publicação já está acertada com a editora. Para o texto ficar mais interessante, planejo ilustrá-lo com histórias envolvendo outros jornalistas, de qualquer área - texto, foto, arte, assessoria de imprensa, internet, TV, rádio etc. Se você fez um frila inusitado, ou se meteu em um tremendo frila-roubada, ou deixou de receber o combinado por um trabalho, ou conheceu a pessoa amada fazendo um frila, ou assinou uma matéria com o nome do cachorro porque trabalhava no concorrente, eu adoraria conhecer essa história e eventualmente contá-la no livro - dando o devido crédito, lógico (a não ser que seja melhor manter o anonimato, hehe). Quem quiser colaborar pode contar a história aqui mesmo ou mandar um e-mail para jornalistamauriciooliveira@gmail.com. Muitíssimo obrigado!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Só um adendo
Outro dia alguém comentou que exagero no marketing pessoal aqui no blog. Sim, admito que é exatamente esse o principal objetivo do Vida de Frila. Por que eu haveria de negar? Afinal de contas, lê quem quer, não é mesmo?
Se a ideia é unir trabalho e prazer...
Nada melhor do que atuar no mercado de vinhos. Assino no Valor Econômico de hoje uma matéria sobre as oportunidades de carreira que estão surgindo nesse setor. O Brasil tem uma média de consumo per capita ainda muito baixa - dois litros por ano, contra 28 litros na União Européia. Na expectativa de uma rápida expansão nos próximos anos, vinícolas, importadoras, distribuidoras, restaurantes, hotéis e supermercados investem na profissionalização dos seus negócios ligados ao vinho e contratam executivos com experiência em outras áreas. Um simbólico caso recente é o do paulistano Marcelo Toledo, 39 anos, dono de um vistoso currículo na área de bens de consumo e CEO do Miolo Wine Group desde meados de outubro. Aproveito para agradecer em público ao casal expert no tema Claudio e Rafaela, do Le Vin au Blog, pelas preciosas dicas. Não vou colocar um link para a matéria porque, por enquanto, a leitura está restrita aos assinantes. E agradeço se algum amigo aqui de Floripa tiver o jornal impresso na mão e puder guardar para mim, pois não o encontrei nas bancas do continente e não está nos meus planos atravessar a ponte.
O sonho de Paul
Graças à preciosa dica do Alex, meu guru para assuntos musicais, não perdi o primeiro especial sobre os Beatles que acaba de passar no Multishow - a série continua no próximo domingo, às 23 horas, com um documentário sobre como a Beatlemania se espalhou pelos Estados Unidos. Quando o programa citou Yesterday, lembrei da impressionante história sobre inspiração relacionada à canção que se tornou a mais executada de todos os tempos. Paul McCartney simplesmente acordou com a melodia na cabeça, tão clara que ele teve plena convicção de que se tratava de um tema de domínio público. Só depois de mostrá-la aos companheiros e a várias pessoas que entendiam de música teve certeza do ineditismo. Fez então a letra. Era algo tão diferente do que os Beatles haviam produzido até aquele ano de 1965 que Yesterday (que chegou a ter o título provisório de Scrambled Eggs, "Ovos mexidos") tornou-se, por decisão do grupo, a primeira canção gravada por um deles sem a participação dos demais.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
E ainda falam da Bahia
Escola de samba perde o título por usar samba "reciclado" de uma congênere paulista, concurso da Assembleia Legislativa é anulado por ter tido várias questões chupadas de outros concursos, prefeitura paga uma fortuna por uma árvore de 60 metros que na verdade tem 43 metros, diretor de presídio leva detento em carro oficial para cobrar dívidas de tráfico... Pelo jeito, a única lei em vigência aqui em Santa Catarina é a do menor esforço.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
No país da falta de delicadeza
Cena triste no banco. Uma senhora que não compreendeu de imediato o funcionamento da porta giratória foi alvo da impaciência do guarda, que, aos gritos do lado de dentro, tentava demonstrar a ela onde era preciso colocar a carteira. Todos os clientes que estavam do lado de dentro passaram a acompanhar a cena. Era visível o quanto aquela senhora estava constrangida por ser o alvo das atenções. Nenhum funcionário tomou a iniciativa de efetivamente auxiliá-la. Alguns, ao contrário, sorriam ironicamente. Quando finalmente conseguiu entrar, com ajuda de outro cliente que chegava, a humilde e digna senhora baixou a cabeça e pediu desculpas ao guarda.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Lua, tucano, ondas, pedras e nuvens
Acabo de passar alguns bons minutos esperando que as nuvens abrissem espaço para que a lua, até então parcialmente encoberta, pudesse enfim brilhar em todo o seu misterioso encanto. Vi a cena pela janela e me senti impelido a acompanhar a evolução daquele suave balé celeste. Foi o terceiro momento marcante de contemplação da natureza neste final de semana. Ontem, após ultrapassar um amontoado de rochas de uma praia pouco frequentada de Governador Celso Ramos, eu e o Lauro encontramos um recanto repleto de pedrinhas de diferentes cores e formatos, esculpidas pela ação das ondas - e lá ficamos um bom tempo à procura das "especiais". Demos uma de presente para a Lígia e ela adorou, a ponto de conversar com a pedra, dar banho e colocá-la para dormir. Hoje, a família inteira avistou um tucano (o mais lindo que já vi, com peito vermelho) em uma pequena árvore a poucos metros de onde estávamos. Nessas horas fica difícil continuar acreditando na inexistência de Deus.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Rumo ao topo dos mais vendidos

Tão logo acabei de ler a mais recente obra de Lira Neto, a excelente biografia do Padre Cícero, escrevi esta resenha, publicada no Diário Catarinense de hoje. Como brinde aos leitores do Vida de Frila, segue uma pingue-pongue com o autor, não incluída no site do jornal.
Cearense como o seu biografado, o jornalista Lira Neto, 45 anos, radicado em São Paulo desde 2003, tornou-se um dos autores mais bem-sucedidos – e disputados – do mercado editorial brasileiro. O livro sobre o Padre Cícero marca sua estreia na Companhia das Letras, depois da boa repercussão de duas obras publicadas pela Editora Globo – Maysa: Só Numa Multidão de Amores, base da minissérie da TV Globo sobre a cantora, e O Inimigo do Rei, biografia do escritor José de Alencar, Prêmio Jabuti de melhor biografia em 2007.
Quais são as suas primeiras recordações do Padre Cícero?
Nasci em Fortaleza. Historicamente, entre as classes médias da capital cearense, o nome de Padre Cícero é visto com ressalvas e prevenções. Talvez isso seja ainda resquício das feridas abertas pela Sedição de Juazeiro. Por isso, cresci ouvindo histórias pouco edificantes sobre o padre. Os mais velhos diziam que ele era um embusteiro, que queria dominar o mundo. Mais tarde, já na universidade, tive contatos com certa produção teórica a respeito de Cícero, livros e tratados acadêmicos que procuravam explicar o fenômeno por um viés marxista e que, quase sempre, não davam conta da complexidade do personagem. Somente durante a fase de pesquisa, ao descer às fontes primárias, ao consultar os documentos históricos, fui conhecendo melhor Cícero e suas circunstâncias.
Como foi o processo de apuração? A Igreja colaborou com a sua investigação?
Nos últimos anos fui quatro ou cinco vezes a Juazeiro, onde mergulhei no universo das romarias, visitei lugares históricos e fiz todo um trabalho de imersão na atmosfera e nos cenários por onde o biografado trilhou e andou. Tive a sorte de contar com a generosidade de grandes pesquisadores do tema, que me forneceram valiosa contribuição documental. Na Diocese do Crato, tive acesso também a um amplo e valioso material, composto de cerca de 900 cartas trocadas entre os protagonistas da história, o que inclusive serviu de espinha dorsal do trabalho. Também tive acesso, por meio de fontes privilegiadas, a documentos oriundos do Arquivo Secreto do Vaticano. A todo instante e a todas as fontes, sempre deixei clara a minha posição de jornalista agnóstico, de alguém que não pertence a nenhuma religião e que não é dado a acreditar em milagres. Meu compromisso ético foi o de fazer uma pesquisa rigorosa, uma investigação séria e isenta, sem cair na armadilha da apologia, de um lado, ou da mera desconstrução, de outro.
A longa trajetória de Padre Cícero tem vários aspectos surpreendentes. Que momento da pesquisa o deixou mais surpreso?
Difícil escolher, na vertiginosa trajetória de Padre Cícero, um determinado momento, um episódio específico que possa ser posto em destaque. Mas posso dizer que, se a pesquisa nos documentos eclesiásticos me eletrizou, também me senti arrebatado pela riqueza de informações e de peripécias do Padre Cícero político. Se o livro fosse um romance, provavelmente seria acusado pela crítica pela presumida inverossimilhança de muitas cenas. Não é fantástico constatar que aquilo tudo ali descrito e narrado, por mais que pareça ter saído da cachola de um ficcionista em estado de delírio, aconteceu realmente?
Quais parecem ser as chances efetivas de que o Padre Cícero venha a ser reconhecido como santo pela Igreja? Que etapas precisam ser vencidas?
O que parece evidente é que a reabilitação do padre – que morreu proscrito da Igreja – já está em pleno vigor. Ela será oficializada em um prazo de tempo bem reduzido, presumo. Para o Vaticano, reabilitar Cícero significa anistiá-lo das penas a que ele foi condenado em vida. O avanço evangélico no interior do Brasil compõe o pano de fundo desse processo bem visível de reincorporar Cícero ao catolicismo. Deixar que ele permaneça à margem da liturgia significa ignorar, igualmente, uma legião de milhões e milhões de devotos, peregrinos e romeiros que o tem na conta de um santo. Contudo, é preciso deixar claro que a reabilitação é apenas o primeiro passo para uma possível posterior beatificação e, em seguida, uma presumida canonização. Nesses casos, para oficializar alguém como santo, o rito da Santa Sé costuma ser lento. Por isso, é impossível estabelecer datas e arriscar previsões. Mas uma coisa é fato: a Igreja está pavimentando, desde já, o caminho para tal.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Futebol é arte
O sorteio dos grupos da Copa do Mundo, há pouco, trouxe de volta uma lembrança fascinante da infância: os pôsteres de todas as edições do torneio. No da próxima Copa, reproduzido ao lado, o contorno da cabeça do jogador lembra o formato do continente africano.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Que venham os paulistas
Assino na Viagem & Turismo de dezembro um especial sobre Santa Catarina, focado em Jurerê Internacional e Governador Celso Ramos.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Sentimento agridoce
Hoje foi meu último dia na editora. Depois de três meses, volto a ser dono de 100% do meu tempo. Mas foi uma experiência interessante e sentirei saudades.
Coisas idiotas que a gente faz
Noite passada, dirigindo pela Avenida Beira-Mar, vi meu ex-carro andando logo à frente. Apesar dos disfarces - uma série de adesivos meigos -, reconheci pela placa. Achei uma coincidência tão grande que senti necessidade de compartilhar com quem o dirigia. Parei ao lado no semáforo. Havia uma jovem ao volante e uma senhora de uns 50 anos no carona. Fiz um sinal demonstrando que queria dizer algo, mas a caroneira, que poderia simplesmente abaixar o vidro e me ouvir, levantou o dedo e fez nana-nina-note com cara de emburrada. Deve ter imaginado que eu queria cantar a moça - ou ela própria, sei lá. Tudo bem que eram dez e meia da noite, mas, caramba!, estamos em Floripa e aqui as pessoas deveriam relaxar mais. Não desisti e passei a mensagem por mímica. A moça entendeu e sorriu (ainda bem, porque a sequência de gestos - apontar para o carro dela e depois para mim - poderia ser interpretada como "vou roubar o seu carro"). Enquanto a jovem explicava tudo para a bru..., digo, para a pessoa ao lado, o semáforo abriu e segui adiante, pensando no papelão ridículo que eu havia feito. Por que diabos tal informação interessaria à nova dona do carro?
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Que o desfecho seja honesto
O Flamengo será campeão com méritos, claro, mas não há como negar que terá sido incrivelmente ajudado nas duas últimas rodadas. Ontem o Corinthians claramente fez corpo mole para prejudicar os rivais São Paulo e Palmeiras na luta pelo título, assim como o Grêmio deverá fazer contra o mesmo Flamengo, na rodada decisiva do campeonato, para não deixar o Inter ser campeão. A não ser que o Grêmio comprove ser tão grande quanto sua história demonstra e jogue para valer, sem se preocupar se o campeão será o Inter, o Palmeiras ou o São Paulo, clubes que dependem dele para continuar sonhando com o título. É a credibilidade do futebol brasileiro que está em jogo, algo bem mais importante que as rivalidades regionais.
Uma placa para a história
Eu tinha sete anos quando ocorreu a Novembrada, há exatas três décadas. Em 1994 acabei sendo testemunha, no entanto, de um momento importante relacionado ao movimento - que, para muitos analistas, representa o início da derrocada da ditadura militar no Brasil. Estudante de jornalismo, eu integrava o movimento "Cem Anos de Humilhação", que tinha como objetivo substituir o nome Florianópolis, imposto um século antes por puxa-sacos do presidente Floriano Peixoto ao final da Revolta da Armada. Estávamos organizando um julgamento simulado de Floriano para marcar o centenário do topônimo, quando surgiu uma testemunha-bomba: o coronel Nilo Marques nos procurou para contar que estava com a placa em homenagem ao "Marechal de Ferro", um dos estopins da revolta popular em 1979. Componente da guarda que fazia a segurança do presidente Figueiredo, ele recolheu a placa e a guardou em segredo por 15 anos, conforme relatado nesta matéria que integra a bela cobertura do Diário Catarinense sobre o tema. Levamos o coronel para contar essa história no julgamento, diante do auditório da UFSC lotado. Eu era um dos três advogados de acusação e a nossa tarefa ficou bem mais fácil com o belo relato feito pelo coronel. Floriano foi condenado. Pena que o nome em sua homenagem continua manchando a honra desta bela cidade.
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