sexta-feira, 9 de abril de 2010

Troquem o disco

A falta de transparência de muitas assessorias de imprensa anda me irritando um bocado. A versão oficial quando a empresa não quer dar a entrevista solicitada é sempre a de que "o porta-voz está viajando ou não tem agenda". E aí a gente fica insistindo, prorrogando o prazo, gastando vela com defunto ruim... Por que não dizem logo e claramente que a empresa não quer se pronunciar sobre o assunto e ponto final? Toda fonte tem o direito de escolher se vai ou não falar - logo, não há a menor necessidade de mentir. Acabei de pegar uma grande empresa de assessoria de São Paulo no contrapé: eu já sabia que um determinado executivo topava ser personagem de uma matéria, mas ele precisava ter a autorização da área de comunicação da empresa. Entrei em contato com a assessoria e depois de algum tempo lá veio o bla-bla-blá sobre a falta de agenda do executivo, quando, na verdade, a empresa simplesmente não gosta que os seus funcionários apareçam, talvez para não chamar a atenção dos concorrentes - que falta de confiança no próprio taco, hein?

4 comentários:

  1. ´bah, esse era o meu inferno. Odeio depender de assessoria de imprensa. O pior dos mundos é a indefinição. Não quer falar, abre o jogo. Mas a maior parte das fontes não gosta de negar, pra não ficar mal com os jornalistas. Eu já tive assessorado assim. O Pochmann nunca dizia que não queria falar. e eu tinha que enrolar o jornalista. ou seja, já estive dos dois lados. Essa profissão é mesmo uma bela de uma porcaria.
    ph

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  2. Ô, PH, não exagera, vai. A profissão é bela e cheia de alternativas. São só pequenos percalços. No meu caso, a solução já está em andamento em duas frentes. A primeira: estou tentando fazer matérias só sobre temas com os quais tenho afinidade, que possibilitem o uso de fontes que considero de fato interessantes e instigantes. A segunda: substituir gradualmente as tarefas de curto prazo, como as matérias para jornais e revistas, por projetos de longo prazo.

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  3. E é claro que tem gente boa, competente e transparente nas assessorias. Não quis generalizar, de forma alguma.

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  4. é, Maurício, é verdade. as assessorias são ótimas; você é que é um ranzinza.
    é claro que meu juízo "essa profissão é mesmo uma bela de uma porcaria" não está baseada nas dificuldades colocadas pelas assesorias de imprensa. Deu essa impressão, admito. Mas ele continua válido, no geral. Como disse em outro comentário, somewhere in the past, a oferta de frilas está muito ligada a essas matérias bobocas envolvendo assuntos como "não sei o quê sustentável", "gestão de não sei o quê"... pura arte de enrolar o leito. Tem leitor (e coleguinha) que adora; eu, não. Aliás, eu deixei redação de jornal pela pura falta de interesse de escrever aquelas bobagens que escrevia. E não tive a competência de alcançar esse nível aí de poder escolher sobre o quê escrever. Concordo contigo: os projetos de mais longo prazo são os melhores.
    Mas não estou de todo desgostoso com a profissão. Estou até me preparando para fazer um curso de TV. É tipo um college, de dois anos, período integral, no BCIT. Mas a vantagem é que não é só TV. Eles já preparam o cara pra ser multimídia. Essa é uma falha na minha formação que pretendo completar.
    Do que eu enchi o saco foi da velha versão do jornalismo impresso, de ter que cobrir um setor todo santo dia. Never more.
    ph

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