quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A arte de dizer não

Fechei mais alguns trabalhos de médio e longo prazos que, somados aos que eu já tinha, preenchem bem a minha agenda até o final do ano. A rigor, eu não precisaria pegar mais frilas pelos próximos três meses, mas isso me obrigaria a dizer muitos nãos - e recusar trabalho é algo delicado para um frila. Sigo a regra de jamais dizer não duas vezes seguidas para um parceiro frequente, já que a disponibilidade é um dos atributos fundamentais para criar e manter os vínculos. Administrar isso tudo às vezes é complicado e cansativo, mas a vida de frila é assim mesmo - ame-a ou deixe-a.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Maria chuteira

Trecho da brincadeira de mamãe e neném, uma das preferidas da Lígia - ela é a mamãe e eu sou o neném:
- Neném, teu pai mandou esse boneco pra você.
- Que legal! Quem é o meu pai, mamãe?
- Ele mora muito, muito longe. Lá na América do Sul.
- Mas qual é o nome dele?
- É o... É o... Chato do futebol.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ideias que morrem inéditas

O instinto de frila fala alto sempre que viajo, a trabalho ou lazer. Se uma boa pauta cruza o meu caminho, não a deixo escapar. Às vezes não dá certo, contudo. Em dezembro de 2008, ao visitar o Museu do Ar e do Espaço, em Washington, deparei com o veterano do Vietnã Kenny Wayne Fields vendendo um livro que contava a sua fascinante história como piloto. Em 1968, ele foi abatido e ficou 40 horas em fuga no Laos, até ser resgatado por uma operação que resultou em sete aviões norte-americanos destruídos ou seriamente avariados e cinco anos como prisioneiro de guerra para um de seus companheiros. Comprei o livro, entrevistei Fields ali mesmo e a Cris fez as fotos. Eu já imaginava para onde venderíamos a matéria: a Grandes Guerras, revista da Abril para a qual eu havia escrito alguns meses antes o perfil de Klaus Engelhardt, soldado do exército alemão durante a Segunda Guerra, que estava vivendo no Brasil. O pessoal da revista adorou a ideia, mas, como já havia um perfil na fila, minha materia teria que ser para dois meses adiante. Nesse meio tempo, a revista foi "descontinuada" e o frila naufragou antes mesmo que eu escrevesse o texto... Na correria do cotidiano, nem me animei a tentar vender a pauta para outro lugar. O maior incômodo é que o Fields me escreveu duas vezes perguntando sobre a reportagem. Resta-me torcer para que a história dele fique muito conhecida e vire um daqueles superfilmes de ação.

Nada como ir a campo

Quando viajo pelo Brasil para visitar finalistas do Melhores Empresas para Trabalhar - frila que me ocupa um mês por ano, entre junho e julho -, procuro identificar tendências de Recursos Humanos que possam render matérias. Duas sugestões de pauta decorrentes da última viagem acabam de se materializar: a dificuldade das empresas em oferecer estacionamento para todos os funcionários, agora que está muito fácil comprar um carro (na Você S/A deste mês, edição ainda não disponível no site da revista), e o surgimento de um novo cargo, o especialista em captação de talentos (na Você RH, filhote da Você S/A com circulação trimestral e dirigida a profissionais de Recursos Humanos).

Teresina e o Enem

Há algumas semanas, quando saiu o resultado do Enem, dei uma passada de olhos no ranking e logo tive a atenção despertada para a presença de várias escolas de Teresina entre as mais bem posicionadas do país - escrevi então um post a respeito. Hoje a manchete principal do IG trata do assunto e menciona possíveis razões para o destaque obtido pela capital piauiense: a carga horária estendida, a competição entre as escolas privadas da cidade e a vontade da juventude em mudar a imagem de atraso associada ao estado. Acho que são motivos fortes, mas não suficientes. Imagino que haja algum tipo de preparação especial para o Enem, a exemplo do que ocorre com os cursinhos pré-vestibulares. Mas é só um palpite leviano de quem está a milhares de quilômetros.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Dia belo, cenas tristes

Pressentindo a bela manhã, saí cedinho para caminhar na praia. Estava tão bom que fui do Campeche ao Morro das Pedras - acho que dá uns quatro quilômetros, na maior parte do tempo com areia bem fofa sob os pés. Eu estava com esperança de avistar uma baleia, mas encontrei apenas dois pinguins mortos (paciência; não se pode ganhar sempre). E vi as cenas que ilustram este post: várias casas destruídas pela maré. Digo que são tristes porque certamente causam sofrimento, mas é óbvio que as casas foram construídas em lugar inadequado. Não é por acaso que os antigos pescadores da ilha costumam dizer que o mar sempre vem buscar o que lhe pertence.

domingo, 15 de agosto de 2010

As crianças são uns docinhos

Ontem o colega e vizinho Dauro Veras deu um pulo aqui em casa com os meninos e fez uma pequena inversão com o protagonista das famosas Brunitezas:
- Ô, bolo, quer Bruno?
O que me leva à concluir que há uma onda de confusão entre crianças e alimentos, pois outro dia o Lauro recebeu um colega, o Froner, para prepararem uma receita como tarefa de escola. A Cris coordenou os trabalhos e em determinado momento disparou:
- Pretzel, põe o Froner no forno.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A lua sorri no céu

E eu sorrio aqui no meu cafofo, pois a sensação de estar saindo de um período complicado de acúmulo de trabalho é muito boa. Semana que vem volto às caminhadas à beira-mar, às doces horas de cumplicidade com os livros, aos deliciosos momentos de puro ócio, ao convívio com as pessoas queridas, ao sono regular e restaurador... Enfim, volto à vida desfrutada plenamente, como tem que ser.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De volta às redes sociais

Último post da série "coluna social": me inscrevi no LinkedIn apenas porque precisava fazer uma matéria, mas apareceu tanta gente legal pedindo para entrar na minha rede que agora sou obrigado a ficar.

Por falar em amigos talentosos...

O Caio Cezar deixou um comentário no post sobre o Morongo com um link para uma foto que fez do dono da Mormaii. Mas dá só uma navegada nas imagens anteriores e posteriores...

Filha de peixe

O primeiro número da Strass tem um perfil da Cláudia Raia assinado por Anita Grando Martins, a quem finalmente conheci na festa de lançamento da revista, terça à noite. Ouço falar da Anita desde que ela era uma pequena bailarina, pois trabalhei muitos anos ao lado do pai dela, Celso Martins, que sempre teve muito orgulho da filha. Pois o DNA prevaleceu e ela se tornou uma jornalista talentosa. O Celso é um exemplo para mim por diversos motivos. Acima de tudo, porque sempre exerceu a profissão apaixonadamente, mesmo com os muitos anos de janela. Em segundo lugar, porque continua altamente produtivo - está toda hora lançando um livro! Por fim - e isso é bastante relevante -, conseguiu se manter sempre como repórter, resistindo ao canto da sereia dos cargos de chefia, que pagam melhor. Veja o blog do pai aqui e o da filha, recém-chegada de andanças pelo mundo, aqui.

A sujeita é fera

Outra amiga que andou esbanjando talento é a Cléia Schmitz, à frente da recém-lançada Strass, uma revista feminina feita em Floripa. A garota da capa do número de estreia é a também querida Laine Valgas, a apresentadora de TV mais popular de Santa Catarina, outra contemporânea do curso de jornalismo da UFSC no começo da década de 90. Eu e a Cris demos nossa contribuiçãozinha para a revista - uma matéria sobre Buenos Aires com uma curiosa inversão de papéis: texto dela e fotos minhas. A revista pode ser vista na íntegra aqui.

O sujeito é fera

Acabo de receber o telefonema de um amigo querido e muito talentoso, o Lira Neto, cada vez mais consolidado como um dos biógrafos mais importantes do Brasil. É sempre bom saber o que ele anda aprontando. Dá uma olhada aqui.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dica de boteco

A necessidade de adaptar a bebida à companhia pode ser um tanto cruel com o fígado do peão. Só hoje à tarde teve cerveja com amigos, uísque com o sogro e vinho com a mulher. O mais incrível é que (ainda) não estou com dor de cabeça. Certamente porque - e aí está a utilidade pública deste post - fui bebendo muita água junto com tudo isso.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mudaram as estações

Saudade daquelas tardes de verão longas, com cigarras cantando e céu azul como os olhos de Perséfone. Aquelas tardes da infância que davam a sensação de que jamais chegariam ao fim. Mas chegavam - tanto é verdade que já não sou mais criança e carrego inúmeros fios brancos na barba que me protege do frio.

Baixando a bola da garotada

Cansadas da arrogância de boa parte dos jovens com formação de ponta, as grandes empresas estão cada vez mais valorizando o comportamento e a trajetória de vida ao escolher seus trainees. Matéria que assino na revista Valor Investe deste mês (a partir da página 60).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Dez perguntas para Morongo

Outro dia fui a Garopaba, uma hora ao Sul de Floripa, entrevistar o Marco Aurélio Raymundo, conhecido como Morongo, fundador da Mormaii. A matéria está na Exame PME deste mês e sobrou bastante material, que decidi aproveitar aqui no blog. Em 1974, médico recém-formado, Morongo se mudou de Porto Alegre para a então deserta Garopaba, onde iniciou um trabalho de atendimento à população carente. Sua única diversão era surfar... e o resto da história está contado abaixo.

Qual era o seu projeto de vida quando escolheu a medicina?
Quando me formei médico, queria ir para um lugar em que pudesse fazer a diferença. Escolhi Garopaba, que era um lugar lindo, mas também muito pobre. Não havia médico na região – fui o primeiro a morar aqui. As pessoas não tinham qualquer tipo de assistência e de orientação. Faziam as necessidades no chão, para você ter uma ideia. Comecei atendendo na minha casa, sem ganhar salário de ninguém. Muitos pacientes não tinham condições de me pagar e então traziam um pouco de farinha, de mandioca, uma dúzia de ovos, se não dava uma dúzia era meia dúzia, às vezes vinham com dois, três ovinhos (risos), às vezes vinham com uma tainha. Eram muito carinhosos e eu não passei fome. Foi um momento muito feliz, muito bonito da minha vida.

A gente sempre ouve falar que Garopaba era uma colônia de pescadores que foi descoberta por hippies. Você era hippie?
Sim. Eu era um médico ripanga. Até porque um médico que não fosse meio ripanga não ia fazer essa doideira de vir pra cá. Antes de me formar eu era um ripanga clássico, até na forma de me vestir.

E o surfe? Você já praticava?
Sim, mas o surfe naquela época era um esporte exclusivamente de verão para quem vivia aqui no sul. Eu praticava nas férias, em Torres. Ninguém imaginava surfar durante o inverno. Morando em Garopaba, no entanto, fui notando que as melhores ondas aconteciam no inverno. Condições perfeitas. Então veio a necessidade de ter uma roupa que ajudasse a surfar no frio, porque era a minha única fonte de lazer. Só que não havia esse produto à venda no Brasil. Uns dois anos depois que eu estava em Garopaba, fui à procura de um material e fiz a minha primeira roupa. Um amigo de Imbituba viu e pediu uma igual, daqui a pouco veio outro, e outro... Até que chegou um amigo de Itajaí, o Felipe, e encomendou dez roupas para colocar à venda na loja do pai. Eu resisti, mas acabei fazendo. Em menos de um mês ele voltou dizendo que havia vendido tudo e pediu mais 50! Aí tive que começar a pensar em como produzir industrialmente.

O material já era neoprene?
Tinha uma coisa bem parecida com a que se usa hoje. Esses materiais todos foram evoluindo. Por exemplo: o neoprene que a gente usa nem mais é derivado do petróleo, é feito de outras fontes. Mas na época existia uma companhia nos Estados Unidos que produzia um material usado como isolamento térmico. Como eles têm muito frio lá, precisam usar isolamento nos canos para que a água não congele e para que a água quente não esfrie muito rápido. Foi com esse material que fiz as primeiras roupas.

E como é que você, numa época pré-internet, teve acesso a essas informações?
Porque já fui muita coisa na vida, inclusive instrutor de mergulho (risos). Quando eu tinha 18 anos, já era profi de mergulho. Fui contratado para um trabalho na Península de Valdez, no Sul da Argentina. Lá usei roupas para mergulho que eram muito grossas – mais de um centímetro de espessura –, mas havia um material bem mais macio e maleável na gola. Quando eu estava em Garopaba pensando numa roupa para surfar, lembrei daquele material da gola. Peguei minha Brasília velha e fiz mais de 4.500 km até Puerto Madre só para descobrir que material era aquele e como poderia comprá-lo.

Em que momento você percebeu que tinha um negócio promissor nas mãos? Foi na encomenda de 50 roupas?
Sim... Porque ali eu tive que encontrar uma solução de produção em série. Fui até Caxias do Sul visitar uma empresa que fabricava uma máquina para costurar pelego, couro de ovelha para fazer tapetes. Pegavam retalhos, losangos, e a máquina era eficaz para costurar esse tipo de coisa. Eu achava que talvez pudesse servir também para costurar o neoprene. Fui lá e trabalhei durante um bom tempo com o pessoal da fábrica nas adaptações necessárias. Consegui dessa forma ter a minha primeira máquina que costurava neoprene. Mas mesmo assim não dava para continuar trabalhando sozinho. Quando começaram a vir as encomendas maiores, tive que pedir ajuda... Meus primeiros funcionários foram os meus pacientes de hanseníase. Afinal, esses aí não iam conseguir emprego mesmo. Foi quando percebi que a Mormaii poderia se transformar numa belíssima solução social para a cidade, ao gerar emprego para um monte de gente. Amenizar o problema econômico – a falta de dinheiro, a falta de emprego – seria o melhor caminho para combater o problema social e os problemas de saúde da população. Depois de alguns anos acumulando o trabalho como empresário e como médico, chegou o momento em que tive que optar. Abri mão da medicina, pois àquela altura já havia outros colegas na cidade e como empresário eu poderia fazer mais. Hoje são mais de 200 empregos diretos e várias empresas satélites que trabalham com a marca Mormaii aqui na cidade.

A escolha do nome da empresa é uma história famosa. “Mor”, de Morongo. O “i” dobrado é uma referência ao Hawaii...
E o “Ma” vem de Maíra, minha primeira esposa, que me suportou por dez anos aqui em Garopaba, depois não aguentou mais e foi embora para o Hawaii, onde mora até hoje. E eu terminei me casando com uma outra mulher fantástica, que se chama Marisa. Ou seja, a gente troca de mulher mas não troca o nome da empresa.

Quais as preocupações que você tem tido para perpetuar essa marca, fazer com que a empresa sobreviva às próximas gerações...
Olha, isso não me preocupa muito. Porque meu filho, que é budista, já me falou da lei da impermanência. Nada é eterno. Nem nosso planeta é eterno, nem o sol, nem nada. Então não tem essa noia de perpetuar. Tem só a obrigação de fazer bem feito enquanto for. Só isso. Essa noia de perpetuar é um dos grandes erros que nós, humanos, cometemos.

Você não está preocupado em criar conselho profissional de administração, trazer executivo profissional, essas coisas?
Porra nenhuma. Profissional é a nossa atitude, como um todo. Somos extremamente profissionais. Mas, acima de tudo, estou preocupado com a qualidade de vida, minha e de quem trabalha aqui.

Você continua fazendo test-drive dos produtos da Mormaii?
Pois é, continuo. E ninguém me paga hora-extra, nem adicional por insalubridade (risos)... Se você chegar no meu carro agora vai ver que está cheio de tranqueira. Terminando a nossa conversa vou direto entrar na água.

Vem surgindo detrás das montanhas azuis

Só agora soube que saiu no Valor de anteontem uma matéria minha sobre as oportunidades de trabalho decorrentes da expansão da malha ferroviária brasileira. Está tendo muita repercussão - já foi reproduzida em dezenas de blogs e clippings. Se você quiser ler, basta googlar o título, "Ampliação da malha ferroviária no país cria oportunidades".

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Todo frila é esquizofrênico

Já virou tradição no começo das manhãs de segunda aqui na empresa: eu me sento comigo mesmo e a gente faz uma reunião de planejamento da semana. Dividimos as tarefas, combinamos quem vai ter direito a uma folga e quem vai ficar tocando as coisas (geralmente essa parte sobra pra mim). Depois rola uma breve sessão de avaliação da semana anterior. Primeiro faço alguns elogios ao meu desempenho - começar pelo lado bom é uma técnica clássica de feedback - e em seguida lasco a lenha nas minhas mancadas. O clima fica um pouco tenso, mas no final deixamos pra lá e vamos tomar um cafezinho.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O preço da dignidade

Felipe Massa disse numa coletiva que não vai mais ceder posições ao companheiro de equipe, Alonso. Agora é tarde, bobo. Você desperdiçou uma oportunidade preciosa de se transformar, finalmente, em herói nacional. Depois de anos em que Rubinho ficou lambendo as botas de Schumacher, bastava alegar que não poderia decepcionar milhões de brasileiros que torcem por você. Teria apoio em massa da opinião pública de seu país. E o que perderia com isso? O emprego? Pode até ser. Mas ficaria o belo exemplo para a posteridade. (E vamos combinar que grana você já tem de sobra, né?)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Olhe para o céu

Salvo uma ignorância astronômica de minha parte, Vênus está brilhando como nunca neste momento - ao menos aqui em Floripa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Teoria e realidade

A propósito do post anterior, um trechinho do Manual do Frila, que está no prelo:
Vez ou outra a gente vê algum consultor aconselhando quem trabalha em casa a cumprir rituais semelhantes aos de um emprego convencional – começar sempre no mesmo horário, vestir-se com “roupas de escritório” e manter os horários das refeições, sem ataques à geladeira no meio do expediente. Como assim, cara-pálida? Qual é a graça de ser frila se você não pode atacar a geladeira de vez em quando?
Tenho a impressão que as pessoas que dão esses conselhos jamais trabalharam em um escritório doméstico. Para mim, a orientação mais estranha é a de vestir-se (e maquiar-se, no caso das mulheres) como se fosse sair de casa. Se você tem o privilégio de trabalhar em ambiente tão acolhedor e íntimo, por que iria abrir mão da possibilidade de usar roupas confortáveis? Para “fingir” que está em um escritório? Posso assegurar que boa parte dos homens adoraria deixar de fazer a barba todos os dias. Se eu tenho esse privilégio, por que não desfrutar dele?
Claro que é importante ter um espaço reservado para trabalhar, um local que ofereça o sossego e a privacidade necessários. Deve-se conscientizar os familiares – inclusive as crianças – de que aquele cômodo é um reduto de trabalho (meus filhos chamam o meu escritório de “cafofo do papai”). Mas é uma ilusão imaginar que você permanecerá tão perto da família sem que vez ou outra tenha que interagir.
Não tem jeito: trabalhar em casa envolve o risco de ser considerado alguém sempre disponível. Se a sua mulher está preparando o almoço e não consegue abrir a lata de extrato de tomate, o que ela vai fazer? Fingir que você não está bem ali ao lado e pedir ajuda ao vizinho? “Desculpa, o Maurício está em casa, mas não posso incomodá-lo com essas coisas insignificantes.”

Resistir quem há de?

Eu trabalhando no cafofo, eis que aparece uma figurinha de três anos e meio, quase quatro:
- Papi, é o seguinte: quero colinho.

Por falar em afilhados...

Ganhei ontem o meu segundo: eu e a Cris batizamos o Vinícius, filho dos amigos Eliane e Daleco. Que o nome de poeta o inspire vida afora!

Parabéns

À minha sobrinha e afilhada Beatriz, que completa 16 anos hoje. Outro dia era um bebê com coqueirinho na cabeça... Caramba, acho que esse negócio de umidade, dna e condor deve mesmo fazer algum sentido.

E fez-se o milagre

De repente o peão aqui começou a sentir dor no joelho esquerdo. Dependendo da posição, doía pacas. Passei o sábado inteiro com a dor e ouvi todas aquelas piadinhas - "é problema de dna - data de nascimento avançada", "deve ser a umidade - uma idade avançada", "é a idade do condor - com dor em tudo" etc. Pois a dor continuava ontem até o final da tarde, quando, totalmente irresponsável, decidi mesmo assim bater uma bola com a garotada do condomínio. E não é que a dor passou completamente depois da pelada? Hoje estou ótimo, 100%. Não sei qual é a explicação científica, mas, de qualquer forma, foi um alerta para que eu retomasse imediatamente as caminhadas na praia, que havia abandonado durante o período de viagens. Recomecei hoje, com tempo carrancudo e tudo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O próximo

O Manual do Frila, inspirado neste blog, já aparece na lista dos próximos lançamentos da Editora Contexto.

História da educação em Santa Catarina

Saiu o primeiro dos meus três - que acabaram virando quatro no meio do caminho - livros previstos para este ano: História da Educação em Santa Catarina, pela Editora Letras Brasileiras. É um livro de mesa, ilustrado com imagens de dezenas de estabelecimentos públicos e privados de todas as regiões do estado. A obra é resultado de uma encomenda da editora para suprir uma lacuna do mercado. Há bons trabalhos de historiadores sobre temas específicos ou períodos delimitados, mas não havia um livro que sintetizasse toda a trajetória do ensino catarinense.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A nova Florença renascentista?

Por favor, não interprete o que vou descrever aqui como preconceito, mas apenas como constatação de que há algo muito estranho ocorrendo com o Enem. Os resultados do teste acabam de ser divulgados e seis escolas de Teresina aparecem entre as 40 com melhor pontuação no país - incluindo a segunda colocada. Apenas para efeito de comparação, a catarinense melhor posicionada é o Ielusc, de Joinville, em 131º, e a melhor de Florianópolis é o Colégio Catarinense, em 514º. Ou há uma revolução comparável ao Renascimento ocorrendo na capital piauiense ou uma investigação se faz necessária com urgência...

sábado, 17 de julho de 2010

Papai Papudo

Realmente estou perdendo discussões muito importantes estando fora do Twitter.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sou um sujeito arcaico

Por falar em Beto, jantamos juntos em São Paulo e ele tentou me convencer a aderir ao Twitter. Quem sabe, quem sabe... Acho mesmo que estou virando um sujeito desatualizado e que preciso tomar cuidado com isso. Por exemplo: a Localiza oferecia carros com GPS e eu recusei, pois adoro usar o Guia Quatro Rodas e parar em postos de gasolina para tirar as dúvidas com os frentistas. Perder-se faz parte das viagens (e eu diria até que é uma das partes mais legais). Substituir tudo isso por um computadorzinho falando "faça isso, faça aquilo" não me parece nem um pouco emocionante...

A inesgotável bizarrice do mundo

Um site divertido indicado pelo meu irmão Beto.

Três décadas antes...

Quando eu era criança e morava em Araranguá, o Jorge Bornhausen era o governador biônico de Santa Catarina. Lembro de uma vez em que ele foi visitar a cidade e nós, criancinhas de escolas públicas, tivemos que ir lá com bandeirinhas saudar a autoridade nomeada pelos militares. Felizmente o Brasil e eu mudamos muito nesses 30 anos. Já o sr Bornhausen...

Dr Jorge e eu

Cheguei em Congonhas e vi que o Jorge Bornhausen estava aguardando o mesmo voo para Floripa. Pensei: "só falta sentar ao meu lado". Ele foi um dos primeiros a embarcar e eu, como sempre, fui um dos últimos (não entendo porque as pessoas saem correndo para formar uma fila enorme assim que liberam o embarque - medo de que o avião vá embora sem elas?). Quando cheguei à minha poltrona 27A, adivinha quem estava na 27C? Caramba, essa Lei de Murphy é implacável... (Se fosse a Juliana Paes aposto que haveria pelo menos umas 20 fileiras nos separando.) Pedi licença com toda a educação que minha mãe me deu, ele tirou o cinto e levantou com aquele ar de "como ousa?". No rápido momento em que estávamos ambos de pé fiquei pensando na incrível capacidade que alguém pode ter de olhar de cima para baixo mesmo tendo uns 20 centímetros a menos. Agradeci e não ouvi resposta, mas logo percebi que o tratamento VIP não era só comigo. O comissário de bordo que ofereceu balas ficou falando sozinho, pois o meu vizinho de poltrona não aceitou, nem recusou, nem agradeceu - simplesmente agiu como se não houvesse ninguém ali. E o sujeito é político, meu deus! Primeiro caso de político antipático que eu conheço. Tão logo ficou confirmado que não haveria ninguém na poltrona entre nós, ele tomou conta da dita cuja, colocando ali um pacote com revistas. Sempre pensei que nesse caso há um acordo tácito entre as pessoas - cada um usa metade da poltrona vaga (bem que eu queria um lugarzinho para colocar o saco cheio de shiitakes que havia comprado baratinho na Liberdade). Resumo da ópera: é muito raro eu passar uma viagem sem trocar palavra com o vizinho, mas desta vez fiz questão de abrir uma exceção. Pedi o fone de ouvido e fiquei ali estalando os dedos, feliz. Na hora do lanche, tomei uma cerveja e fiquei imaginando os pensamentos alheios: "proletariado é tudo cachaceiro, mesmo". A única coisa boa é que as revistas ficaram na poltrona e eu levei para casa, inteiramente di grátis, uma IstoÉ e uma IstoÉ Dinheiro.

Home, sweet home

Minha mãe sempre diz: viajar é bom, mas nada como voltar para casa. É verdade. Depois de um mês de voos e estradas, acabou ontem a minha temporada de viagens.

domingo, 11 de julho de 2010

Fúria e amor

A conquista da Espanha me deixa feliz principalmente pelo amigo Pepe, espanhol que teve a sorte de presenciar esse momento na terra natal, para onde viajou há uns dez dias com a Vandeca e as crianças. Ela escreveu há pouco contando que o país está uma loucura e postou algumas fotos que comprovam isso. Tenho certeza que muitas histórias estão começando por lá neste exato momento. Sei bem do que estou falando: eu e a Cris ficamos definitivamente juntos na festa da Copa de 1994.

sábado, 10 de julho de 2010

Menas complicação, gente!

Estava eu numa fila quando não pude deixar de reparar que o rapaz atrás de mim, em animada conversa com a amiga que o acompanhava, chamou o polvo que acerta os resultados da Copa de molúsculo. Deve ser irmão daquela ex-professora de português do Lauro que teimou com ele que o certo é asterístico (gota d'água para o menino ter trocado de colégio, a propósito). O pessoal gostam de complicar...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Hasta la vista, babies

O sábado será agitado e domingo cedo parto para mais uma série de viagens. Acho que vou demorar um pouquinho para reaparecer por aqui. Fiquem bem!

Um belo livro - de corpo e alma

Nove meses depois de tê-lo ganho dos amigos da Letras Brasileiras como presente de aniversário, estou finalmente lendo - talvez a palavra mais apropriada seja saboreando - meu exemplar da edição especialíssima de Moby Dick publicada pela Cosac Naify. Adoro ler um livro bonito como esse, claro, mas gostava também da sensação de saber que ele estava na fila - por isso a demora. A história é maravilhosa, com um texto soberbo e uma tradução primorosa (e tem tudo a ver com a minha fase marítima pós-mudança para o Campeche). Olha só o primeiro parágrafo: "Trate-me por Ishmael. Há alguns anos - não importa quantos ao certo -, tendo pouco ou nenhum dinheiro no bolso, e nada em especial que me interessasse em terra firme, pensei em navegar um pouco e visitar o mundo das águas. É o meu jeito de afastar a melancolia e regular a circulação. Sempre que começo a ficar rabugento; sempre que há um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que, sem querer, me vejo parado diante de agências funerárias, ou acompanhando todos os funerais que encontro; e, em especial, quando minha tristeza é tão profunda que se faz necessário um princípio moral muito forte que me impeça de sair à rua e rigorosamente arrancar os chapéus de todas as pessoas - então percebo que é hora de ir o mais rápido possível para o mar. Esse é o meu substituto para a arma e para as balas. Com garbo filosófico, Catão corre à sua espada; eu embarco discreto num navio. Não há nada de surpreendente nisso. Sem saber, quase todos os homens nutrem, cada um a seu modo, uma vez ou outra, praticamente o mesmo sentimento que tenho pelo oceano." Impossível parar de ler.

Sobre a Copa

Brasileiro tem mania de procurar culpados e deixa de reconhecer os méritos alheios. A verdade é que a Holanda jogou muito no segundo tempo, com inteligência e vigor físico. Engoliu o Brasil. Agora o mundo está caindo nos ombros do Felipe Melo, mas ele fez exatamente o que se esperava dele. Nenhuma surpresa. Se é para buscar um culpado, que seja o Kaká - que não fez nada do que se esperava dele.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O mundo dá voltas...

... E o peão teve uma tarde de marajá. Com todas as tarefas urgentes resolvidas - esperando apenas o retorno de pedidos de entrevistas de uma matéria que estou fazendo para o Valor -, sozinho em casa e com um dia esplendoroso do lado de fora, transformei a praia em escritório. Coloquei chinelos, óculos escuros, uma bermuda furada e uma camiseta puída, para aumentar ainda mais a sensação de vagabundagem. Levei apenas o celular, um livro com crônicas de Charles Dickens, um lápis e duas folhas A4 dobradas, para eventuais anotações. Estava sentado num tronquinho trazido pela ressaca, apreciando ora a paisagem da esquerda (que você vê à esquerda), ora a da direita (à direita), quando uma das fontes ligou e comecei a entrevistá-lo - ele possivelmente de terno e gravata em um escritório de São Paulo e eu sem camisa, olhando para a Ilha do Campeche (que você vê à esquerda). O som das ondas ao fundo já era um indício forte, mas em certo momento uma rajada de vento o levou a perguntar se eu estava na praia. Com aquela sensação de ter sido pego em flagrante, quase respondi "sim, mas não é nada disso que você está pensando!"

Peão trabalhando com sono

quarta-feira, 30 de junho de 2010

2010.2

Foi-se a metade de um ano intenso, talvez o mais intenso de todos. Cheguei a dizer que tinha a impressão de que nada acontecia aos 37, mas estava tremendamente enganado. Vem aí o segundo semestre. Deus nos guarde.

sábado, 26 de junho de 2010

Verde-amarelo

Cinco dias fora de casa foram suficientes para as acácias florescerem.

Chega a ser ridículo

Impressionante como o tráfego aéreo brasileiro é desnecessariamente concentrado em São Paulo. Para vir de Londrina a Floripa (700 km), tive que fazer Londrina-Guarulhos (com escala em Curitiba) e Guarulhos-Floripa, o que resultou em 1.500 km.

O período easy rider do ano

Nesta semana fiz o roteiro entre Foz do Iguaçu e Londrina para o Melhores Empresas - o momento mais glamouroso foi cruzar a fronteira para jantar em Puerto Iguazu, na Argentina. No mais, enfrentei muita estrada. É um frila fisicamente extenuante, mas dá para suportar bem porque as viagens se concentram em um mês. Além do mais, adoro esse espírito easy rider que me fez percorrer 15 estados nos últimos sete anos. Já visitei 14 das 23 empresas programadas para este ano. Semana que vem fico em Floripa, pois teremos - se tudo der certo contra o Chile - dois jogos do Brasil na Copa.

sábado, 19 de junho de 2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

Nívers de hoje

Não é só Aline que está soprando velinhas - parabéns, querida! Este blog que vos fala está completando dois aninhos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Felipão de volta ao Palmeiras!

Agora sim o alviverde voltará a ser imponente, como diz o hino. Luiz Felipe Scolari tem uma tremenda identificação com o clube, assim como o atacante Kleber Gladiador, que também está voltando. Chega de mercenários como Keirrison e Vágner Love!

sábado, 12 de junho de 2010

A Copa da desesperança

"A seleção brasileira de futebol ocupa uma posição única nos esportes, como exemplo de um favorito com o qual todos simpatizam. Em geral, os torcedores, sobretudo os de futebol, odeiam os favoritos (o Real Madrid na Espanha, a Juventus na Itália, o Manchester United/Chelsea na Inglaterra). Mas o time brasileiro, o único a vencer a Copa do Mundo por cinco vezes, em todos os continentes em que ela já foi disputada, é adorado. Por isso, muitos dos torcedores de futebol têm, em se tratando de seleções nacionais, dois times: o seu próprio e o do Brasil." (trecho de um texto assinado pelo escritor alemão John Lanchester que encontrei aqui em casa numa National Geographic de 2006).
Não sei se eu é que estou ficando velho e insensível, mas tenho a impressão de que o entusiasmo dos brasileiros com a Copa do Mundo nunca esteve tão baixo quanto desta vez. Minha teoria é a de que o nível de entusiasmo é diretamente proporcional à beleza do jogo apresentado pela seleção, e não pelo seu grau de favoritismo. A atual seleção é favorita e vem apresentando excelentes resultados, mas seu jogo burocrático e frio não conquistou o coração dos torcedores. O símbolo do time, Kaká, é bom moço demais (que saudade das barbaridades que o Romário dizia - e fazia em campo). A falta de espirituosidade dos jogadores e do técnico é irritante. Dunga deixou bem claro que iria privilegiar a eficiência, e não a beleza, quando abriu mão de craques como Ronaldinho Gaúcho e Ganso. Mas não foi justamente a beleza, a descontração, a leveza do nosso futebol que transformou a seleção brasileira no segundo time de todo mundo, como definiu Lanchester? Corremos sério risco de vencer a Copa jogando feio, exatamente como aconteceu com a seleção de 1994 - cujo capitão, não por coincidência, era Dunga. A pergunta é: vale a pena ser campeão assim, com uma seleção cujo forte é a defesa e não o ataque? Ou é melhor partir pra cima e ver o que acontece, se-der-deu-se-não-der-não-deu? Em resposta, basta dizer que a seleção de 1982 é lembrada com muito mais carinho pelos brasileiros que a de 1994.
Já que não tem jeito, resta-nos agora torcer pelo Josué, o Felipe Melo, o Júlio Baptista... Ai, ai.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Oficina de roteiro cinematográfico

Eu certamente gostaria de participar se não estivesse viajando. Segue na íntegra o release assinado pela Adri Canan:
NPD-SC realiza oficina gratuita de introdução ao roteiro cinematográfico
Estão abertas até 16 de junho as inscrições para mais uma oficina gratuita promovida pelo Núcleo de Produção Digital de Santa Catarina (NPD-SC). A oficina de introdução ao roteiro será ministrada pela roteirista paranaense Sabina Anzuategui.
Formada em Cinema e Vídeo pela ECA-USP, com mestrado sobre roteiros de mídias interativas e pesquisa de doutorado sobre telenovelas brasileiras da década de 70, Sabina é professora de roteiro no curso de Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero. Autora do romance “Calcinha no Varal” (Cia. das Letras, 2005), é roteirista dos filmes “Desmundo” (Alain Fresnot, 2003), “A Casa de Alice” (Chico Teixeira, 2007), “Garoto Cósmico” (Alê Abreu, 2007) e "Como Esquecer" (Malu de Martino), com lançamento previsto para outubro. Também participou do documentário “Nasceu o Bebê Diabo em São Paulo” (Renata Druck, 2002) e colaborou em “Quanto Vale ou é Por Quilo?” (Sérgio Bianchi, 2005) e na série "Alice" (HBO, 2008).
As aulas acontecem nos dias 21 e 22 de junho, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. As inscrições devem ser feitas pelo endereço www.npdsc.ufsc.br. Serão selecionados 25 participantes.

E aí a gente pensa...

... na absurda desigualdade social que permanece neste país.

Taí uma boa carreira

Administrar a grana alheia. Assino no Valor Econômico de hoje uma matéria sobre o crescimento do mercado de gestão de fortunas no Brasil. Sim, os ricaços terceirizam esse serviço (que eu certamente faria com prazer caso tivesse uma fortuna). A boa fase econômica do país, associada à maior incidência de aberturas de capital, fusões e aquisições de empresas, está fazendo com que o número de milionários brasileiros cresça rapidamente. A edição deste ano do ranking publicado pela revista Forbes inclui o número recorde de 18 brasileiros com patrimônio acima de US$ 1 bilhão – a soma dessas fortunas chega a US$ 90,3 bilhões. Na versão anterior da lista, os 14 representantes do país tinham patrimônio em conjunto de “apenas” US$ 40,6 bilhões. Estima-se que os brasileiros com mais de R$ 1 milhão disponíveis para investimentos possuam, em conjunto, pelo menos R$ 400 bilhões – quantia suficiente para comprar 800 mil confortabilíssimos apartamentos de R$ 500 mil.

Chegou a hora de pegar estrada

Meu pedido foi atendido e ficarei com um estado próximo - o Paraná - no processo do Melhores Empresas para Trabalhar deste ano. Com isso, montei uma programação que me permitirá voltar a Floripa nos finais de semana e estar por aqui nos dias de jogos do Brasil na Copa. É o sétimo ano seguido - desde que virei frila - em que visito as finalistas do concurso promovido pelas revistas Exame e Você S/A. O processo ocorre sempre entre meados de junho a meados de julho, período que já deixo reservado na agenda. Ainda tenho uns dias para colocar as coisas em dia antes de mergulhar nas viagens. Vou dando notícias - aliás, este blog começou justamente para registrar as minhas aventuras para o Melhores Empresas há dois anos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Update dos livros

Em decorrência sobretudo do meu blog Vida de Frila, sou eventualmente convidado a dar palestras ou participar de mesas-redondas em cursos de jornalismo. Numa dessas ocasiões, um dos estudantes parece ter se ofendido quando eu disse que fazia trabalhos por encomenda:
- Quer dizer que se a revista mandar você fazer uma matéria falando bem de Jesus, você faz, e se mandar falar mal, você faz também?
Expliquei ao rapaz que “trabalhar por encomenda” não significa abrir mão dos princípios básicos do jornalismo – imparcialidade, ouvir os dois lados, fugir de pré-concepções e preconceitos etc. Mas a forma como ele interpretou o que eu havia dito reforçou a minha sensação de que os cursos de jornalismo nem sempre preparam os estudantes para o mercado “de verdade”, pelo simples fato de que muitos professores não sabem como as coisas funcionam. Alguns saíram direto da graduação para o mestrado e depois para o doutorado, e nem chegaram a enfrentar uma redação. Outros até passaram por redações, mas estão há tanto tempo na academia que perderam o contato com a realidade.

Trecho do meu livro sobre a vida de frila, cuja versão final do texto acaba de ser aprovada pela editora. Lançamento previsto para setembro. Já a biografia do Patápio está prontinha para ir à gráfica, mas o lançamento ficou para depois da Copa.

Os mistérios da natureza humana

Por que os amanheceres provocam uma certa sensação de euforia e os ocasos trazem um sopro de melancolia? Será que é algo atávico, que vem dos nossos antepassados, ou simplesmente uma releitura metafórica que o nosso inconsciente faz das dualidades luz-escuridão e começo-fim?

Perseverança

A madrugada sonha tanto em ser azul
Até que finalmente acontece.

Um homem e uma laranja

Levanto, estico as pernas, espreguiço de norte a sul o meu corpo cansado. Caminho até a cozinha. Chá? Café? Cerveja? Enquanto decido, meu olhar encontra uma linda laranja solitária no balcão. Ela me dá uma piscadela irresistível, e então tudo acontece. Ah, as gotículas que saltavam nos meus lábios enquanto eu a despia... Desde já inesquecível é aquela laranja, tão doce quanto o beijo de Eurídice.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A gangorra da vida de frila

Há duas situações antagônicas que enfrento com certa frequência: a angústia de estar entupido de trabalho e o alívio de sair de uma fase dessas. Com mais esta noite de dedicação, sentirei finalmente o alívio. E voltarei às gaivotas, que me entendem tão bem.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Patrão exigente

Aqui em casa é assim: para selecionar empregados domésticos eu exijo diploma de doutorado e comprovação de vínculo empregatício com universidade federal. Foto: Cibele Godoy.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Riozinho do Campeche, 6h50

Acordei hoje às quatro para levar um casal de tios muito queridos ao aeroporto - eles moram em Caldas Novas (GO). É claro que, na volta, fui presenciar o nascer do sol na praia. Tenho ido com frequência, como vocês bem sabem, e sempre descubro algo novo. Aprendi que nenhum amanhecer é igual ao outro. Talvez seja um recado sutil da natureza para que aproveitemos bem cada dia. Então... Aproveite o seu.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ufa ufa ufa

Hoje pela manhã fui ao colégio do Lauro, a convite da professora de português Ana Carina, para conversar com duas turmas - inclusive a dele - sobre jornalismo e histórias de vida. Momento certamente tenso para um rapazinho de 12 anos. O pai ali na frente de todos os colegas... Assim que nos reencontramos fora da sala fui logo perguntando:
- E aí, queimei o teu filme?
- Não. Mandou bem.
Ufa.

domingo, 30 de maio de 2010

No final sempre dá certo

O volume de trabalho e de compromissos que me aguarda nesta semana é aparentemente tão impossível de ser cumprido - ainda mais com o feriado (para os outros) de quinta - que neste momento eu não sei se sento e choro, se dou um pulo na praia para bater um papo com a gaivota ou se simplesmente encaro a realidade e mando ver desde já. Ok, eu sei que a opção correta é a três.

À Cris

Treze anos de casamento hoje. O número da sorte.

sábado, 29 de maio de 2010

Cinema com inteligência

Mas sem pedantismo. É o blog do Zé Geraldo Couto, que mora aqui em Floripa e trabalha para a Folha. Meu ex-companheiro de peladas, gente boa pacas (ex porque eu abandonei as peladas; ele continua firme). Demorou, mas vou colocar já na lista dos recomendados aí do lado.

Os sites mais visitados do Brasil

O Google divulgou o ranking dos 1.000 sites mais acessados do mundo em abril - lista que, curiosamente, exclui o próprio Google, que deve ser disparado o primeiro lugar. O Facebook aparece na frente, com 540 milhões de visitantes. Há os seguintes sites com a extensão ".com.br" na lista:
95º UOL (23 milhões de visitantes)
182º Terra (15 milhões)
357º Baixaki (9,1 milhões)
468º Mercado Livre (7,5 milhões)
477º IG (7,5 milhões)
536º Abril (6,8 milhões)
2.354.134.747º Vida de Frila (1,8 mil)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O segredo da gaivota (I)

Devo, então, contar-lhes como tudo começou. Não espero que acreditem em cada palavra, pois nem mesmo eu acreditaria.

Hahaha, gostaram do início? Chupei de uma revista de sacanagem. Depois dessa introdução cheia de não me toques, o sujeito começa a contar as maiores barbaridades. Aparece até pônei na jogada.

Mas vamos ao que interessa. Era o início de um dia feio de inverno – uma manhã enfarruscada, como diria minha tia Ermelinda, que o diabo a tenha em bom lugar. Ela foi a única que estudou um pouco na família e usava essas palavras diferentes só pra humilhar a gente. De que adiantou? Nadica. Morreu na miséria, a desgraçada.

Então. Era o início de um dia enfarruscado de inverno, naquele horário em que a gente não encontra ninguém na rua além dos bêbados muito bêbados e dos trabalhadores muito trabalhadores.

Eu não tava tão bêbado – o efeito da garrafa de 51 que eu zerei meia hora antes já tinha passado – e também não sou lá um grande trabalhador.

Ganho a vida fazendo – como é mesmo que se diz? – expedientes. Nunca fui um bandido bandido, que nem o Pedrão Biloca, batedor de carteira de mão cheia, ou o meu primo, o Zeno da Zena, que tá cumprindo 12 anos por assalto a joalheria.

Eu faço mais a linha generalista. Golpe em viúva, bilhete premiado, boa-noite cinderela, essas brincadeirinhas que depois até a vítima acha engraçado.

Mas, voltando ao assunto... Desculpa, eu tenho esse hábito de ser... Como é mesmo que se diz? Relapso? Não, peraí, deixa eu olhar no dicionário... É uma palavra tipo distraído, mas não é bem isso. Ah, taqui. Disperso. Eu sou meio disperso.

Então. Eu tava na rua prospectando oportunidades. Resolvi começar o expediente bem cedo naquele dia, apesar da chuvinha de molhar otário – no caso, eu mesmo – e do vento desgraçado nas orelhas.

Passei na feira e afanei uma manga e duas bananas, pra manter a forma. O otário do verdureiro nunca me flagrou no ato. Passo ali duas vezes por semana, não compro porra nenhuma, e o cara nunca desconfiou. Este mundo é mesmo cheio de otário.

Segui até a praia. A noite tinha sido de mudança de lua, o que significa maré cheia, o que significa um monte de lixo na areia. Vocês não imaginam o que eu já encontrei no meio daquela porcariada toda. Moeda antiga, um anel de ouro, uma escova de dente quase novinha - uso até hoje - e uma embalagem de pomada Minâncora com um bilhete dentro escrito “Branca de Neve esteve aqui”, em letra bem caprichada de mocinha.

O bom de procurar lixo na praia é que, se você não encontra nada que preste, sempre corre o risco de dar um ganho em algum otário desfilando com um tênis cheio de frufru ou com um daqueles aparelhinhos de escutar música que eu não sei o nome. Só sei que o Torquato compra por 20 mangos.

O Torquato é um baita pilantra. Você chega lá com a mercadoria e ele sempre diz que não interessa, que tá com várias iguaizinhas no estoque, tudo encalhado. Aí você baixa o preço, só falta pedir pelo amor de deus, e no final ele aceita o negócio, mas “só pra te ajudar porque tu é meu camarada”. Desgraçado. Tu vende o negócio pela metade do que vale e ainda sai de lá pensando: “cacete, esse Torquato é gente boa mesmo.” Cara, se eu fosse bandido bandido mesmo, enfiava a peixeira nesse cabra.

Mas eu já falei que não sou um bandido bandido. Sou só um merdinha que quer um pouco de paz e amor na vida. Não tenho culpa se essas coisas custam dinheiro.

Pois é. Então. Aquele dia a bagulhada da ressaca tava fraquinha. Uma pilha enferrujada, um ralo de banheiro, um monte de tampa de margarina... Não entendo porque sempre tem um monte de tampa de margarina no lixo da ressaca. Quem será o desgraçado que come tanta margarina lá em alto mar? A Pequena Sereia, o Nemo, o Aquaman?

(continua)

Novas revelações sobre a gaivota que fala

Ela vem de outra dimensão e desaparece em buracos que se abrem no céu.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sobre as desvantagens de não ser milionário

Dando aquela passadinha obrigatória nos blogs amigos, captei no ar a seguinte tuitada do Dauro: "A vida teima em bater na minha porta com assuntos bem mais interessantes que os que me pagam as contas. Também acontece com você?" O tempo todo, meu caro. O tempo todo.

O segredo da gaivota

Enquanto eu tirava esta foto, uma gaivota flutuou bem em cima de mim, pairando no ar contra o vento, e chegou tão perto dos meus ouvidos que tive a impressão de que me contaria algum segredo. Acho até que chegou a falar alguma coisa, mas a onda arrebentou bem na hora e não consegui entender.

Sonhos que desmoronam

É muito triste o que vi hoje na Praia da Armação, cujas casas estão sucumbindo à força do mar. Os moradores estão desesperados, como não poderia deixar de ser. Quem conhece o local há mais tempo e o vê hoje fica realmente encafifado: o que está acontecendo para uma mudança tão rápida no nível do oceano e na força das ondas? (Para saber mais sobre o assunto, recomendo visita ao blog do grande repórter Celso Martins).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

As profundas reflexões do alvorecer

Perto da praia tem um cachorro - cruza da pastor alemão com vira-latas - que não tem uma orelha. Foi batizado de Tevez, mas eu acho que o nome perfeito seria Van Dog.

Tainha e mau humor

Os pescadores de tainha são, na maioria, tremendamente ranzinzas. É como se o mau humor fizesse parte da tradição passada de pai para filho. Eles dão um peixe a quem ajuda a puxar a rede, mas é muito mais pela obrigação de honrar o legado do que propriamente por reconhecimento à colaboração. Hoje bem cedo fui caminhar na praia do Campeche, como tenho feito regularmente, e lá havia um punhado deles, de prontidão, à espera do primeiro lance da temporada - a expectativa aumentou nas últimas horas com a queda da temperatura. Cheguei perto do grupo e ia até puxar papo quando um deles mandou um recado que certamente era para mim, embora não tenha olhado em minha direção: "aqui só camarada ganha peixe". Ou seja, ele estava insinuando que eu havia aparecido por lá apenas porque havia a perspectiva de um lance. Ora, vá. A praia é pública.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Toda vida é fascinante

Levei a Lígia hoje para vacinar contra o H1N1 (a campanha foi ampliada para a faixa etária entre dois e quatro anos) e durante a meia hora de espera fizemos dois novos amigos entre as pessoas que esperavam atendimento no Posto de Saúde do Campeche. Sentada do lado direito, Munique, uma moça de 20 anos que nasceu e sempre viveu no bairro. O nome deveria ser Monique, mas por algum engano acabou grafado como o da cidade alemã. Ela está à procura de emprego, mas a falta de experiência atrapalha. Eu a aconselhei a continuar firme na busca e a agarrar a primeira oportunidade com disposição e vontade de aprender, que isso já será um tremendo diferencial. Do nosso lado esquerdo, Einstein - isso mesmo, Einstein! -, um goiano radicado em Floripa que trabalha em projetos ambientais e nas horas vagas é guitarrista de uma banda de reggae. A mãe foi fazer carreira militar nos Estados Unidos, onde vive há muitos anos, e acabou casando com um investigador do FBI. Ora eu conversava um pouco com a Munique, ora com o Einstein. Ambos mencionaram morar perto do supermercado Bayar, e então apresentei um ao outro com esse "gancho". Eles descobriram que tinham vários conhecidos em comum e talvez engatem uma amizade a partir daí. De minha parte, fico feliz em perceber que, depois de quase duas décadas no jornalismo, continuo tão ou mais interessado por histórias de vida do que quando comecei. Que essa chama jamais se apague.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O fim de Lost

Não vi um episódio sequer de Lost, mas mesmo assim o seriado que terminou ontem me garantiu alguns momentos de diversão: acompanhar em blogs especializados as discussões entre quem achou o final lindo e poético (embora continuem sem entender patavina) e aquelas que dizem ter sido enroladas ao longo de seis anos. Acho curiosas as tentativas de intelectualizar uma discussão sobre algo que não passa de um produto de entretenimento. Por que as pessoas não admitem que viam o negócio apenas por diversão, e não para refletir profundamente sobre a essência e os mistérios da vida? Os caras iam escrevendo o roteiro e testando o que ajudava a dar audiência. Sabiam que poderiam criar as situações mais surrealistas, pois tudo se resolveria com um final "aberto a interpretações". Pode parecer cruel para quem ficou matutando ao longo de seis anos sobre o significado disso ou daquilo, mas... Já que o momento é de interpretações, tenho o meu palpite: talvez o título do seriado seja uma referência irônica e subliminar ao tempo perdido pelos telespectadores, hã?

domingo, 23 de maio de 2010

Um dia de domingo

Preparei hoje esta deliciosa paella para os vizinhos. (Mentira. O chef foi o Pepe Nuñez, diretor de teatro e espanhol legítimo. Eu só fiz a pose e o Edu, outro camarada bacana que a vida tratou de trazer para perto da gente, tirou a foto, tornando-se cúmplice da armação.)

sábado, 22 de maio de 2010

See you tomorrow

Consegui avançar uns 15 anos na vida da moça. O problema é que ela viveu 100 (não, não é a biografia da Dercy Gonçalves). Café, bolo de chocolate e Jorge Drexler são ótimas companhias, mas tenho que admitir que estou me entregando a Sandman - aquele papo de ver o sol surgir por detrás da montanha não passava de retórica poética (de terceira categoria, a propósito). Então, como já dizia Cid Moreira... Boa noite.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O post do pino solto

Vida de frila é meio maluca. Temos que aproveitar os momentos de inspiração, se é que isso existe. Cá estou eu, portanto, em plena noite de sexta, mergulhado em uma missão inusitada: dez dias para escrever uma biografia a partir de materiais esparsos - transcrições de entrevistas, currículos, discursos, citações na internet etc. Aceitei essa pequena loucura sobretudo para ajudar um amigo editor pressionado pelos prazos, embora a remuneração não seja ruim. Mas confesso que mal conheci a minha personagem e já estou me apaixonando, assim como me apaixonei inúmeras vezes ao longo da carreira de jornalista. Nunca me esqueço, por exemplo, do ermitão Tibúrcio, que vivia sozinho na Lagoinha do Leste e juntava garrafas pet para enfeitar sua casinha. Anos depois de conhecê-lo, soube que ele havia posto fim à própria vida, desiludido por um amor não correspondido. Que personagem! As obras de ficção que pretendo escrever no futuro têm lugar reservado para Tibúrcio. De onde se conclui que as obras de ficção que pretendo escrever no futuro não serão obras de ficção - tudo o que tenho feito até agora é colher material. Enfim, enfim, este post já está se alongando demais. O que quero mesmo é saber o que vai acontecer com a minha personagem da vez, de tal forma que talvez a noite passe num sopro e eu ainda esteja por aqui quando o sol surgir por trás do Morro do Lampião. Afinal, não sei se já disse isso, vida de frila é meio maluca.

BBB (brasileiro é bicho burro)

Conforme comentei alguns posts abaixo, tomei a vacina contra o H1N1 esses dias em São Paulo, num posto em plena Avenida Paulista. Gastei um minuto, pois havia três simpáticas enfermeiras à disposição e ninguém na minha frente. Leio agora que, com o prazo da campanha perto do fim, apenas 40% das pessoas na faixa etária entre 30 e 39 anos já foram vacinadas e que hoje foi um dia de filas enormes. Há certas coisas que, definitivamente, não dá para entender.

O retrato de Lou Salomé

Se inventassem uma máquina do tempo que permitisse conhecer uma pessoa que já morreu, minha escolha seria Lou Salomé (1861-1937). Eu havia apenas ouvido falar da mulher que tirou Nietzsche, Freud, Rilke e mais uma meia dúzia de intelectuais do prumo - influenciando decisivamente a obra de todos eles e levando um ou outro à loucura ou ao suicídio -, até que deparei com o instigante perfil incluído no livro A Vida das Musas (que tenho há alguns anos e estou finalmente lendo). "Embora Lou gostasse de citar a descrição lisonjeira de Freud (ou assim supunha ela) de si mesma como um 'domingo' no meio de seus colegas mais sisudos trabalhando em suas pesquisas durante a semana, o fato é que ela e os homens que influenciou não poderiam levar-se mais a sério. Todos eles pensavam em termos grandiosos, abstratos, e eram impulsionados por um poderoso imperativo messiânico. Ninguém, no grupo pouco comum que Lou escolheu dentro da massa disponível da humanidade, duvidava sequer por um momento que seu trabalho individual era uma questão de vida ou morte; e parte da eficácia de Lou como musa pode ser atribuída à sua crença de que eles estavam certos", descreve a autora Francine Prose.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Beijoqueiro e a Wikipédia

Não me pergunte como - talvez só Freud possa explicar um negócio desses -, mas de repente lembrei do Beijoqueiro, um português maluco que aparecia nos eventos mais importantes e tentava beijar as celebridades. Sem nada urgente para fazer (conforme descrevi no post anterior), dei um google e cheguei à Wikipédia, que tem um verbete sobre o sujeito. Verbete iniciado de forma pitoresca: "As informações sobre o Beijoqueiro (2 de março de 1940), alcunha atribuída pela imprensa a José Alves de Moura, por seu hábito de aparecer em eventos beijando celebridades, são poucas e desencontradas." Mais engraçada ainda é a divisão da biografia entre "ascensão" (período iniciado ao beijar Frank Sinatra durante a célebre apresentação no Maracanã, em 1980) e "declínio" (a partir de 1999, quando foi visto beijando compulsivamente o asfalto da Avenida Presidente Vargas, no Rio). O fundo do poço ocorreu em 2007, quando ele beijou a Dercy Gonçalves na boca em plena festa de 100 anos da moça. Um verbete como esse merecia um grand finale: "Nos dias atuais, o Beijoqueiro anda pelo Rio de Janeiro. Alguns dizem que ele está maluco, pois pede pessoas em casamento, oferecendo muito dinheiro."

O melhor trabalho do mundo

Ainda bem que quase sempre tenho trabalhos urgentes para entregar. Quando não há nada urgente, minha tendência natural é postergar. Acho que é assim com todo mundo. Afinal, por mais que a gente goste do que faz, passar a tarde estirado no sofá lendo um bom livro tem lá seu apelo. Ontem, dei uma paradinha para relaxar e puxei uma coletânea de contos do Rubem Fonseca, Ela e Outras Mulheres. Pretendia ler apenas por dez minutos, mas, quando me dei conta, havia devorado os 27 contos - 170 páginas de aproximadamente 1.400 caracteres cada. Minha sorte é que ler faz parte do meu trabalho, pois, para escrever, preciso estar sempre lendo. Sou mesmo um sujeito sortudo.

A escolha de Belluzzo

O Palmeiras elegeu um homem preparado e bem intencionado, Luiz Gonzaga Belluzzo, para presidir o clube. Trata-se de um economista renomado, conhecedor profundo das teorias de administração e tudo o mais. Mas o futebol é um mundo onde a malandragem predomina - e esse não é o mundo de Belluzzo. Fico imaginando quantas armações devem ocorrer nos bastidores sem que ele sequer tome conhecimento. As sucessivas demissões dos técnicos Luxemburgo, Jorginho, Muricy e Antônio Carlos, as constantes brigas entre jogadores e as intromissões da torcida revelam uma tremenda falta de rumo. E o que Belluzzo deve fazer agora? Insistir numa situação que se tornou quase insustentável, sob o risco de levar o Palmeiras de volta à Segunda Divisão, ou renunciar ao cargo e deixar o clube à mercê daqueles que têm intimidade com a malandragem? Escolha difícil.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Não me canso de estar pegando no pé deles

- Aqui não mora ninguém com esse nome.
- Peço então o favor de que o senhor esteja desconsiderando esta ligação.
Por que os gênios do telemarketing tentam substituir fórmulas simples, eficazes e consagradas como "Desculpe, foi engano" por aberrações quilométricas e gerundísticas?

domingo, 16 de maio de 2010

presidencia@paidetodos.ceu

Os ditos populares são sábios e precisos. Um deles diz que há três coisas que não devem ser discutidas: futebol, religião e política. Cada vez mais concordo com isso, pois percebo o quanto as pessoas tendem a confundir "ter opinião" com "ser o dono da verdade". Dia desses, acompanhei uma discussão entre duas pessoas que apoiam os principais candidatos à presidência. Maravilha, isso é democracia. Mas cada um tentava desqualificar a opinião alheia com afirmações categóricas e definitivas, como se o mundo se limitasse aos "bons que estão do meu lado" e aos "maus que estão do outro lado". Nenhum deles reconhecia qualquer aspecto positivo no outro lado - e isso, pode-se dizer, é a síntese do que se costuma chamar de intolerância. O mais engraçado é que, para quem acompanhava a discussão com certo distanciamento partidário-ideológico, era como o roto criticando o esfarrapado, pois não parece haver tanta diferença entre um e outro. Quando se fala sobre futebol, então, é um show de preconceitos capaz de contaminar até mesmo as pessoas mais esclarecidas. Por fim, jamais entendi como as pessoas podem afirmar que a sua religião é a "correta", enquanto as demais são as "incorretas". Há algum canal direto de comunicação com Deus que eu ainda não conheço? Um "Fale com o Todo-Poderoso"? Qual o e-mail Dele?

From here to eternity

Estou tentando implantar aqui em casa uma espécie de cota para filmes antigos: um clássico a cada três locações. Não é uma meta fácil, diante do apelo dos novos filmes e do acervo defasado das locadoras. Mas os filmes antigos já se tornaram eternos, enquanto um Avatar da vida precisa amadurecer por meio século para chegar lá (nesse caso específico, aliás, acho que nem chegará).

A pesca da tainha, 115 anos atrás

Começou hoje a temporada de pesca artesanal das tainhas, ritual que se mantém exatamente do jeito que era em 1895, quando Virgílio Várzea publicou Mares e campos - Quadros da vida rústica catarinense. Com sorte, quem estiver caminhando por uma praia de Floripa durante os dois próximos meses poderá presenciar a cena descrita por ele (e, conforme manda a tradição, ganhar uma bela tainha caso ajude a puxar a rede):
"Os camaradas e ajudantes das redes colhiam, agora, com admirável trabalho de destreza, as primeiras malhas. O peixe sentindo-se em seco, entrou a saltar, aos milhares, com relâmpagos cor de prata (...). E o peixe começou a alastrar a praia, numa onda vida e colossal de corpos fulgurantes, torneados, polidos, como formados de aço, a se debater, aos roncos, numa angústia e convulsão de morte, as bocas abertas, ofegantes, como exalando almas. Eram tainhas do corso, de mais de meio metro, lançadas ali aos milhares, de barriga argêntea e dorso verde negro, a cabeça alentada, a chicotear tremulamente, com as escamosas caudas de prata, o pó alvo, granulado de areia. As redes rojavam agora, em desordem, naquele pedaço da costa, com o seu esburacado tecido de malhas, à maneira de velhas bambinelas rasgadas, sacudidas à babugem e lixaria das praias.
- Cem mil! Gritou o Zé Souza, erguendo-se e mandando botar para baixo a canoa que patroava."

quinta-feira, 13 de maio de 2010

No tempo do reboquete

Meu amigo Cley Scholz, que trabalha no Estadão, está de blog novo por lá, o Reclames, que mostra e comenta anúncios de antigamente no jornal. Já foi para a lista de indicados aí do lado.

A tal da globalização

Eu, que moro em Floripa, assino na Você S/A deste mês uma matéria sobre o crescimento das oportunidades de trabalho no Nordeste.

Não esqueçam da vacina

Tomei a vacina contra o H1N1 ontem, em plena Avenida Paulista. Como a maior parte dos meus amigos está na faixa dos 30, vale o lembrete.

Ela me levou aos céus

Desci há pouco em Floripa a bordo de um avião da TAM pilotado por uma mulher. Foi o pouso mais suave que já tive.

terça-feira, 11 de maio de 2010

De volta ao aeroporto

Nem vou desarrumar as malas. Amanhã cedo parto para dois dias de trabalho em São Paulo. Até a volta!

Buenos Aires (6)

Este é Gustavo, um fileteador - trata-se de uma tradicional arte portenha. Estou tentando vender um frila a respeito, com um gancho interessante que descobri por lá. Eu e a Cris sempre vendemos uns frilinhas na volta das viagens, com o duplo objetivo de recuperar parte do investimento e deixar registros para a posteridade. (Foto: Cristiane Fontinha)

Buenos Aires (5)

Toda cidade tem lugares turísticos que basta visitar uma vez na vida. Dispensamos El Caminito e La Bombonera, o estádio do Boca Juniors, em nome de descobertas como o simpático bairro de Villa Crespo e alguns excelentes restaurantes e cafés que a Cris conheceu em blogs descolados. Mas há também os lugares que precisam ser sempre revistos, como Puerto Madero (na foto).

Buenos Aires (4)

Enquanto a feira de rua realizada aos domingos tem de tudo um pouco, o Mercado de San Telmo é especializado em antiguidades. Visitá-lo é como entrar numa máquina do tempo. Olha só quantas quinquilharias nas prateleiras.

Buenos Aires (3)

A feira de San Telmo, realizada aos domingos, tem trilha sonora de primeira qualidade. Muitos músicos de formação erudita tocam nas ruas. O violonista que aparece na foto me impressionou com a execução de Carmina Burana.

Buenos Aires (2)

Buenos Aires é perfeita para walkaholics - as ruas oferecem uma infinidade de cenas encantadoras. Em lugares assim pode-se caminhar por horas e horas.

Buenos Aires (1)

Foram três dias perfeitos em Buenos Aires - sol com frio, uma delícia. Na cidade só se fala do Bicentenário (no próximo dia 25 comemoram-se os 200 anos da Revolução de Maio, estopim do processo que culminou com a independência do país seis anos depois, em 1816). Na foto, a Casa Rosada aparece cercada por tapumes para a preparação dos festejos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Modelo de mão?

Sim, isso existe. Descobri por acaso enquanto procurava por outro Gargiulo. E olha que o cara trabalha um bocado.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um blogueiro em crise

Neymar, como se fabrica um pequeno monstro. Amigos não deviam falar de política. Convocação por e-mail para cortar o cabelo. Marcelo Mirisola detonando Floripa. Como era a pesca da tainha há mais de um século. Pequenas flores vermelhas que nascem de espinhos, metáfora da vida. Chico ou Caetano? Memória afetiva. Todos esses são posts que não se materializaram nos últimos dias. Será que o Vida de Frila está com os dias contados ou é só uma crise passageira?