terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Duzentos anos em vinte

O Alexandre tem razao: o mundo ficou incrivelmente menor. Para mim, entao, criado em familia simples de cidade pequena - Ararangua, no Sul de Santa Catarina -, eh incrivel o que aconteceu nas duas ultimas decadas. Quando eramos criancas, nem maquina de escrever tinhamos em casa. Vez ou outra pediamos emprestada a do vizinho, e achavamos o maximo aquele preto-vermelho-preto-vermelho. Canais de TV, eram apenas a Globo e mais um ou dois, todos com imagem bem ruinzinha. Na rua de areia e praticamente sem trafego jogavamos bola todo dia ateh de noitinha. Nao havia traficante rondando e nenhum "amigo" que oferecesse droga (a unica contravencao que praticavamos era furtar as goiabas alheias). A brincadeira predileta dentro de casa era futebol de botao feito com tampinhas de garrafa. Estudavamos em colegio publico, tinhamos gato e nao davamos vacina, pegavamos sol e nao usavamos protetor, comiamos acucar de colher porque era docinho e a agua vinha direto da torneira. Um vizinho que fosse ao Paraguai era visto como um aventureiro, praticamente um Robinson Crusoeh. Viajar de aviao - ou ao menos ver um de perto - era algo totalmente fora da nossa perspectiva (deve ser por isso que ateh hoje, depois de dezenas e dezenas de embarques, adoro ficar olhando para as nuvens feito crianca). Nao eh dificil imaginar, portanto, o meu deslumbramento na primeira viagem internacional - Canada e Estados Unidos -, em 1996, ja marmanjo, aos 24 anos. Eu prestava atencao em cada detalhe. Percebo outro tipo de reacao no Lauro, que estah com quase 11 anos e faz sua segunda viagem para o exterior (estivemos em Buenos Aires no ano passado). Ele estah adorando, claro, mas as coisas nao parecem ser assim tao surpreendentes para ele, que tem internet e TV a cabo a disposicao 24 horas por dia. Eh um rapazinho bem mais globalizado.

2 comentários:

  1. Eu entendo perfeitamente tudo isso. Esses dias mesmo comentei com o Claudio sobre as experiências do Lauro. Mesmo que para ele possa ser tudo mais normal do que foi para a gente (também viajei depois dos 20), uma viagem para fora sempre é uma experiência muito rica. O legal, no caso dele, é poder ver de perto o que vê na internet/tevê. Ele, com certeza, vai poder contar para os filhos dele que viu serem montadas as arquibancadas para a festa do Obama. Que bom que vocês estão oferecendo isso a ele. Beijos. Rafaela

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  2. Oi, Rafaela! Agora a gente tem que se encontrar em Floripa, neh? Beijao, obrigado por nos acompanhar e tudo de bom para voces em 2009!

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