quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Futebol, um mundo sem ética

Ontem fui ver o Lauro na escolinha de futebol e fiquei pasmo com o comportamento de alguns meninos que, com 10 ou 11 anos, já fazem de tudo para tentar ludibriar o árbitro, mentindo descaradamente sobre o que realmente aconteceu nos lances. Esse tipo de comportamento é reflexo direto do que esses meninos vêem no futebol "de verdade" - um mundo sujo e sem ética, como definiu outro dia em entrevista o técnico do Avaí, Silas. Exemplos recentes não faltam. Ontem mesmo o goleiro do Inter simulou cãibras nos últimos minutos do jogo contra o Estudiantes, na Argentina, e teve a cara de pau de assumir logo em seguida, ainda à beira do gramado e com sorrisinhos de "como sou esperto", que era tudo encenação para ganhar tempo e garantir a vitória. Antigamente os jogadores faziam cera e negavam até o fim, mas a degradação moral dos boleiros é tamanha que eles já nem se preocupam em disfarçar. Outra: o Flamengo está fazendo de tudo para punir o árbitro que supostamente errou ao não marcar um pênalti contra o Cruzeiro na última rodada, quando deveria estar preocupado em punir o seu jogador Tardelli, que no lance em questão simplesmente pisou na bola e, para disfarçar a própria incompetência, correu atrás do árbitro para ofendê-lo - e ser expulso, naturalmente. É de dar pena a postura nesse caso da imprensa esportiva carioca, que está tratando o tal pênalti como indiscutível e o tal árbitro como corrupto, enquanto as imagens deixam claro se tratar, na melhor das hipóteses, de uma questão de interpretação. Quando o Flamengo foi beneficiado descaradamente na rodada anterior, em que o árbitro permitiu a cobrança de uma falta quase dez metros à frente do local em que ela foi cometida - um erro indiscutível e com evidências muito mais claras de ser intencional, pois não envolvia qualquer tipo de interpretação -, tanto o Flamengo quanto essa mesma imprensa esportiva carioca trataram o assunto com desdém e até deboche. Ou seja, pimenta nos olhos dos outros é refresco.

5 comentários:

  1. Maurício, concordo plenamente com o teor do texto. Só tenho que defender meu time num detalhezinho [risos]. O Flamengo não foi beneficiado nesse lance da falta batida mais a frente, contra o Palmeiras. Explicando: o juiz errou primeiro em não dar a vantagem, pois o Obina seguia com a bola, em ótimos condições. Ele prejudicou o Flamengo ao parar o jogo. Só que ao perceber o erro, para minimizá-lo, deixou a batida ocorrer mais a frente, para que o jogo tivesse o seguimento o mais parecido possível com aquele que seria o correto, caso ele tivesse reparado na clara vantagem que o Flamengo estava levando no lance, e que ele queimou. Assim, ele acabou agindo corretamente no lance como um todo, essa é a orientação dada aos árbitros nesse caso. Existem casos de juizes que apitam a falta, mas logo fazem sinal com a mal para o lance continuar, no caso de vantagem do time que levou a falta, foi mais ou menos isso. No máximo, ele errou contra o Flamengo e depois a favor... e um anula o outro, certo? Ademais, o jogo foi 5 a 2, com amplo domínio do Fla. Certamente a vitória do Fla não foi beneficiada pelo juiz.

    Mas fora esse lance, concordo com o que você disse. O mundo do futebol é sujo. O Flamengo, como qualquer time, as vezes é beneficiado e as vezes prejudicado. Erros de juízes acontecem. Quando a favor, silenciam, quando contra, é circo. São hipócritas.

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  2. Oi, Fabrício! Entendo sua argumentação, mas uma vez marcada a falta ela está marcada e pronto, não existe mais a possibilidade de dar a vantagem, pois isso faz com que o outro time seja pego de surpresa - como aconteceu no jogo contra o Palmeiras. Além do mais, se não me engano, o jogador do Flamengo pôs a mão na bola nesse meio tempo, o que inviabiliza qualquer interpretação de que pudesse estar sendo dada a vantagem. O jogo deu 5 a 2, sim, mas naquele momento estava 1 a 1 e com predomínio do Palmeiras, que parecia mais próximo de marcar o segundo gol. O "se" não jogo no futebol, mas aquele é o tipo de lance capaz de mudar o andamento de uma partida. Mas o que eu quis dizer mesmo é que o erro do Gaciba foi claramente mais grave que o do Simon (que eu, particularmente, acho que nem foi erro) e não houve esse carnaval todo. E que a imprensa esportiva, sempre bairrista, costuma fazer o maoir papelão nessas horas. Abração!

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  3. É, Mauricio, questões de interpretação. Se você acha indefensável como o juiz deu seguimento ao lance, bom, pelo menos é inegável que ele errou primeiro contra o Fla, ao parar o jogo marcando a falta, já que o time levava a vantagem no lance. Depois disso, ninguém pode saber o que aconteceria no jogo... mas é assim mesmo, erros acontecem. Ao contrário de você, não achei erro nesse lance e achei erro a não marcação de penalti do Simon na última rodada, mas tudo isso é do jogo, é normal erros e/ou interpretações diferentes. Não é por causa de um lance que define-se um campeão ou uma classificação para a Libertadores (que é a leitura dos dirigentes do Fla, e que a mídia comprou). Lances como esse, erro aqui, erro ali, interpretação assim, interpretação assada, acontecem aos montes contra e a favor em todos os outros trocentos jogos do campeonato, com todos os times... nossos dirigentes são hipócritas e desonestos, ao não compreender isso. Querem transferir um eventual fracasso e sua incompetência para o juiz, bandeirinha...

    Ah, esqueci de dizer no comentário acima, parabéns pelo blog, é ótimo!

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  4. É sabido que jogador brasileiro quando vai jogar na Europa passa por um período de reeducação. Nada de ficar simulando faltas, penaltys, fazer cera, etc.
    Antigamente o mundial de interclubes era disputado na América do Sul. Deixou de ser por causa das confusões aprontadas por argentinos e uruguaios. Colocaram no Japão, país neutro futebolisticamente e de povo educado.

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  5. É isso aí, concordo com vocês. Erros de arbitragem acontecem, fazem parte do jogo, mas dependendo do time que supostamente prejudicam viram um carnaval. Aliás, acabo de ver na TV que a comissão de arbitragem pediu desculpas ao Simon depois de analisar o lance de outros ângulos - finalmente chegaram à conclusão de que realmente não houve falta. Mas não importa. O fato é que foi um daqueles lances difíceis, que a gente vê dez vezes e ainda fica em dúvida. Nenhum árbitro pode ser crucificado em função de um lance assim. E obrigado pelo elogio, Fabrício.

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