domingo, 28 de junho de 2009

As inexplicáveis mortes nas estradas

Nas duas últimas semanas percorri quase 3.000 km entre Minas Gerais e São Paulo. As estradas são tranquilas, mas mesmo assim passei por inúmeras cruzes que marcam os locais de acidentes fatais. Essas da foto estão à beira de uma grande reta em uma estrada praticamente sem tráfego, nas proximidades da pequena Monte Azul Paulista. Cinco pessoas morreram ali em 2004. Não dá para entender.

Vem aí mais um Jabuti

Meu amigo Lira Neto lançará sua biografia de Padre Cícero pela Companhia das Letras. Trata-se de um casamento entre um excelente autor e uma excelente editora. Certamente vamos ouvir falar muito desse livro.

Eles entendem de chope

Programa obrigatório em Ribeirão Preto é a choperia Pinguim, fundada na década de 1930. Tem um chope especialmente cremoso, resultado de um processo de resfriamento por serpentinas que se estende por 24 horas.

O show de Maria Rita

Passei o sábado em Ribeirão Preto, tendo a sorte de estar na cidade durante a Feira do Livro, tida como a segunda maior do país. Livro mesmo só comprei dois, mas as noites da feira têm excelentes atrações musicais, todas gratuitas. Ontem fui ao show da Maria Rita, que arrebatou a platéia com seu microvestido de lantejoulas prateadas e um repertório quase todo de sambas - incluindo o desfecho apoteótico com "Não deixe o samba morrer". Ela contou que chorou muito pela morte de Michael Jackson e lembrou que o momento estava sendo certamente difícil para os filhos. "Sei de cadeira que é uma barra pesada", disse, referindo-se à perda da mãe, Elis Regina, quando tinha cinco anos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Finais de tarde na estrada

São belos e ligeiramente melancólicos.

A casa onde nasceu Dumont


Durante minhas andanças pela Zona da Mata mineira visitei o sítio de Cabangu, onde nasceu Santos Dumont. É um lugar distante da civilização, a 20 km do centro da cidade que se chamava Palmira e foi rebatizada com o nome do filho ilustre. A casa foi transformada em museu, com móveis e objetos pessoais. A fonte, que também aparece na foto, funciona até hoje por gravidade - uma das muitas invenções de Dumont.

domingo, 21 de junho de 2009

Dorzinha de cotovelo

Hoje, aqui em Belo Horizonte, fui à feira de artesanato da Afonso Pena e fiquei com inveja de várias coisas que não temos em Floripa. A primeira delas: um monte de gente andando no centro da cidade em pleno domingo. Clima familiar, alegre, descontraído. Por pura incompetência dos governantes, o centro de Floripa nos finais de semana tornou-se assustador, repleto de malacos e praticamente sem policiamento. Voltando à feira: de repente ouvi um som vindo de uma praça próxima e era simplesmente um show gratuito de Lô Borges e Olivia Byington, promovido pelo Sesc local. Ao final do show, andei mais algumas dezenas de metros e havia uma big band tocando clássicos do jazz e da música popular, também de graça, dentro de um centro cultural. É até covardia comparar com Floripa, a terra do marasmo cultural.

Um sonho realizado (IV)

A beleza por todos os cantos.

Um sonho realizado (III)

Ouro Preto continua sendo uma cidade de muitos artistas.

Um sonho realizado (II)

Igreja de São Francisco de Assis, vista de um ângulo inusitado.

Um sonho realizado (I)

Passei o sábado em Ouro Preto, que ainda não conhecia. Linda, linda. O barato é sair andando sem rumo e se perder pelas vielas - sem esquecer dos pontos obrigatórios, claro, como a igreja de São Francisco de Assis, parceria inspirada de Aleijadinho nas esculturas e Ataíde nas pinturas.

Os mineiros e a globalização

Abrindo-se para o mundo, mas sem desprezar as tradições. Perfeito.

sábado, 20 de junho de 2009

Luxo e ovo choco

Repleto de detalhes luxuosos, como vitrais multicoloridos e mármore de carrara nos pisos e colunas, o Grande Hotel de Araxá foi construído na década de 1940 para receber turistas interessados nos milagres credenciados às águas da região (há muitas histórias do tipo "chegou em cadeira de rodas e saiu andando duas semanas depois"). Se funciona mesmo, não posso afirmar. Só sei que, tendo provado dois goles de água sulfurosa, garanto que se trata do líquido mais intragável que já bebi na vida, com gosto de ovo choco.

Que venham os rábulas

Já que a Lorena perguntou minha opinião sobre as consequências do fim da exigência de diploma para jornalistas, acho provável que as empresas de comunicação comecem, sim, a contratar gente de outras áreas - especialmente recém-formados, que têm baixa expectativa salarial. Mas sempre haverá trabalho para quem fizer por onde, até porque o campo é vasto e, convenhamos, não é todo mundo que nasce pra coisa. O início da carreira vai se tornar ainda mais árduo, contudo. Aliás, já que estamos no tema, eu gostaria de propor uma idéia: o fim do diploma para advogados. Todos os argumentos usados no caso dos jornalistas podem ser estendidos a essa profissão. Basta lembrar que os antigos rábulas, que não tinham formação acadêmica, costumavam ser bem melhores que os "doutores". Será que a idéia emplaca no STF?

terça-feira, 16 de junho de 2009

E a viagem continua

O tempo aqui no Triângulo Mineiro está maluco. Ontem, muito calor. Hoje, frio de 13 graus. A variação agravou a gripe que eu trouxe de Floripa. Como amanhã tenho que pegar estrada cedo, vou tomar um paracetamol e me entregar imediatamente ao reino dos sonhos. O compromisso pela manhã é em Araxá, a uns 200 km daqui. À tarde sigo para BH - não sem antes passar pelo famoso Grande Hotel de Araxá, fundado nos anos 40 por Getúlio Vargas. Prometo uma foto.

A desonestidade do brasileiro

De cada cinco restaurante nos quais peço nota fiscal, em quatro me perguntam se eu quero "no valor verdadeiro". A prática de superfaturar as despesas para obter da empresa um reembolso maior que o justo ocorre em todo o país e é tratada com naturalidade. O mais espantoso é que nem chegam a esperar por um eventual pedido do cliente - a oferta costuma partir espontaneamente de quem está no caixa.

A honestidade do brasileiro

No antiquário, olhei várias máquinas fotográficas, pensando na Cris. Fiquei especialmente encantado com uma Polaroid, mas o dono, um simpático senhor chamado Sérgio Finzer, não sabia dizer se a máquina estava funcionando. Eu disse que só mesmo se minha mulher desse uma olhada, e ele falou na maior tranquilidade que eu poderia levá-la para casa, mostrá-la e trazê-la de volta no dia seguinte. Respondi que seria impossível - ela estava em Florianópolis - e o aconselhei a não fazer esse tipo de oferta, pois havia um grande risco de calote. E ele:
- Isso nunca aconteceu e não vai ser a essa altura do campeonato, não é mesmo?

A Realidade e a realidade

Ontem caminhei pelo centro de Uberlândia (onde estou desde domingo) e achei em um sebo seis números da revista Realidade, a R$ 5 cada. Negociei um desconto e levei por R$ 25. Algumas horas depois, passei em um antiquário e encontrei num cantinho a coleção completa, encadernada, dos dois primeiros anos da revista - os mais "revolucionários". O dono do antiquário pediu R$ 400, um bom preço. Mas segurei o impulso de preencher o cheque e, conversando à noite com a Cris, ela me trouxe de volta à realidade (sem trocadilho):
- Esqueceu que estamos construindo uma casa?
Pois é... Sacrifícios que precisamos fazer na vida.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Vaso ruim demora a quebrar

O Museu do Holocausto, em Washington, é um dos lugares mais tocantes que já visitei. Lembro especialmente das pilhas de sapatos de borracha usados pelos prisioneiros dos campos de concentração e das cartas cheias de esperança que eles enviavam aos parentes. Hoje, um antissemita de 89 anos invadiu o museu e disparou a esmo. Matou um dos guardas e foi gravemente ferido. Fico aqui me perguntando: por que tanta gente boa morre cedo e um traste desses dura tanto tempo?

terça-feira, 9 de junho de 2009