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O primeiro ano do curso terminou e Mildred passou as férias em Blumenau. Enquanto isso, Dioleno ajudava o pai na marcenaria. Desde cedo gostava de fazer projetos; imaginar como as cadeiras e os armários ficariam depois de prontos. Com o tempo, descobriu que aquilo tinha nome: arquitetura.
Quando reviu Mildred, no começo do segundo ano do curso, Dioleno sentiu algo diferente. Queria estar com ela o máximo possível. Tê-la ao seu lado, falando sobre arquitetura, cinema, discos-voadores, ursos panda... Enfim, sobre qualquer coisa. E ela demonstrava gostar da companhia dele.
Numa das festas da arquitetura, Dioleno havia decidido se declarar a Mildred. Mas ela estava interessada em outro rapaz, Caco, considerado o mais bonito da turma pelas meninas. Quando viu Mildred e Caco juntos, aos beijos, Dioleno desejou desaparecer da face da Terra. "Como sou idiota", pensou. Naquela noite, tomou o primeiro grande porre.
O tempo passou, Mildred e Caco brigaram e Dioleno virou o "cdf" da turma, ganhando até um prêmio nacional de projetos arquitetônicos entre universitários.
Chegou o dia da formatura. Depois da decepção naquela festa, Dioleno tratava Mildred com frieza. Ela ficava triste com isso e sabia que o baile seria a última oportunidade para esclarecer tudo. Depois cada um tomaria seu rumo e talvez nem voltassem a se encontrar.
Ela o tirou para dançar. Quando começaram as músicas lentas, Mildred decidiu tocar no assunto.
- Por que nada mais é como antes?, perguntou, ao som de "The Long and Winding Road" - uma canção que, apesar de composta por Paul McCartney, era a preferida do pai de Dioleno.
Ele não respondeu; apenas baixou os olhos. Ela repetiu a pergunta.
Dioleno olhou firme nos olhos verde-claros de Mildred.
- Porque eu iria me declarar a você naquela noite.
Deixaram-se levar pelos Beatles e, ao final da música, abraçaram-se demoradamente. Ambos viajaram no dia seguinte. Ela tinha emprego garantido em Porto Alegre e ele iria procurar trabalho em São Paulo.
Hoje à noite, dois anos depois da formatura, a turma vai se encontrar no Bar do Pida. Mildred já avisou que chega no final da tarde. Está morrendo de saudades de Dioleno. Ele, então, angustiado dentro do ônibus que o traz de volta à capital catarinense, mal consegue esperar pelo momento de revê-la.