sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A revelação mais esdrúxula

Esse negócio das seis revelações deu pano pra manga, hein? Cada coisa que veio à tona... Agora é a vez de votar na revelação mais esdrúxula de todas. Os grandes finalistas são:
1. "Já vi Casablanca 38 vezes." (Marcelo Santos)
2. "Perguntei pro Fidel se o tênis dele era Nike." (Diógenes Botelho)
3. "Encontrei o palhaço Zas Trás na noite de Floripa e nos abraçamos." (Ulysses Dutra)
4. "Joguei por engano um balde de água na minha avó." (Dauro Veras)
5. "Fui amiga de infância da Suzy Rêgo." (Cristiane Fontinha)
6. "Ganhei um concurso de melhor ovo de Páscoa pintado em casca de ovo de galinha." (Aline Cabral)

Nada como um bom romance

Uma das boas coisas da minha biblioteca é que ela frequentemente me surpreende. Como eu compro e ganho livros em volume maior do que consigo dar conta, sempre encontro boas opções na hora de escolher a próxima leitura. E muitas vezes esqueço que tenho certos títulos. Agora, por exemplo, fiquei em dúvida entre a biografia de Carmen Miranda escrita por Ruy Castro - há um bom tempo na espera, coitada - ou o romance "Sombras sobre o rio Hudson", do Prêmio Nobel Isaac Bashevis Singer (1904-1991), obra do final dos anos 50 que achei num sebo, em edição bonitinha da Companhia das Letras. Pronto, já decidi. Furaram a fila de novo, Carmen.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Floripa e a Copa de 2014

A confirmação de que serão 12 cidades-sedes (e não dez, como normalmente ocorre) deu alguma sobrevida às pretensões de Floripa, mas mesmo assim as chances continuam pequenas. O Ministro dos Esportes adiantou que haverá uma sede amazônica (Manaus, com Belém correndo por fora), o que já era esperado, mas disse também que o Pantanal terá uma sede, Cuiabá ou Campo Grande. É nesse ponto que, ao meu ver, Floripa dançou: a cidade baseava sua campanha no aspecto turístico e a cota das "belezas naturais" parece já ter sido cumprida. Considerando que São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador estão virtualmente asseguradas, restam apenas quatro vagas - e não há argumentos para que a capital catarinense roube o lugar de Curitiba, Fortaleza, Recife ou Goiânia, cidades mais populosas. Em termos de projetos e de comprometimento, todas estão mais ou menos no mesmo pé, já que faltam ainda cinco anos e por enquanto tudo são intenções. O anúncio das escolhidas será em março.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Meus seis segredos

Convocado pela Ana Paula e pela Rafaela, revelo a seguir seis fatos sobre a minha pessoa:
1. Até os sete anos, eu falava que nem o Cebolinha - trocava o "v" pelo "t". Quem resolveu a parada foi minha "totó" Celina, que me chamou num canto e disse que se eu não começasse a falar direito naquele momento seria internado em um hospital psiquiátrico.
2. Fui campeão de xadrez nos Jogos Estudantis da Região do Vale do Araranguá, internacionalmente conhecidos pela sigla Jerva.
3. Quando tinha dez anos, quase perdi o braço direito depois de quebrá-lo e de ser vítima de sucessivas lambanças médicas. Como fiquei quase um ano com o gesso, tive que aprender a escrever - ou melhor, a fazer garranchos - com a mão esquerda.
4. Com 1,90m, sou a pessoa mais alta de toda a minha família por parte de mãe, a única com a qual tenho contato (a não ser que alguém da nova geração tenha me ultrapassado e eu ainda não sei).
5. Tenho irmãos por parte de pai que nunca conheci e que devem ter mais de 60 anos de idade.
6. Eu me correspondo secretamente com a Nicole Kidman.
Tenho que convocar seis blogueiros para a mesma tarefa. Fontinha, Xinelão, Casa Proença, Gato-e-passarinho, Compoteira e Blog C, é com vocês.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ai, meus ouvidos

Houve um tempo - nem tão distante assim - em que o preferido nos campi era Chico Buarque. Agora só dá a dupla Victor & Léo, ícone do gênero "sertanejo universitário". Quer maior prova da decadência do ensino superior brasileiro?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Citando a fonte

O texto repassado pelo Dauro, assinado por Alex Castro, descreve alguns macetes que diminuem os riscos de extravio do e-mail. O principal envolve a forma de preenchimento do campo "assunto": ser o mais específico possível, evitando construções típicas de spam ("Olha que legal" e "Fotos da minha viagem", por exemplo). E nada de deixar o assunto em branco, claro.

Triângulo das Bermudas virtual

O Dauro me repassou um texto, que leu em algum lugar, sobre e-mails extraviados. Lembrou de mim porque critiquei outro dia a falta de etiqueta nas relações virtuais. De fato, as pessoas muitas vezes não têm o cuidado de "fechar" uma troca de informações. Um exemplo recente: alguém me escreveu dizendo que estava indo para determinado estado e soube, por um amigo em comum, que eu estivera naquele mesmo estado algum tempo antes. Pedia dicas de transporte, hospedagem, essas coisas. Embora a pessoa não estivesse indo para a mesma região que eu havia visitado, respondi com informações que talvez pudessem ajudar. Depois disso não recebi retorno algum, nem mesmo um "ok, obrigado". Nossa tendência é pensar que foi descuido do outro, mas pode ser que meu e-mail tenha se perdido pelo caminho - nesse caso, a pessoa deve estar pensando que sou um entojado que nem se deu ao trabalho de responder. Diante da proliferação de filtros e sistemas antispam, o extravio de e-mails é uma hipótese a ser considerada. Fico aqui imaginando quantas relações não têm sido estremecidas mundo afora em decorrência de situações semelhantes.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O cara é um lorde

Ontem joguei squash com meu amigo Giancarlo - que também veleja, faz ioga e entende de vinhos. É tanta sofisticação que fico até aliviado quando ele solta alguma bagaceirice.

A crise e os patrões picaretas

-- Pessoal, como vocês já sabem, tivemos que demitir alguns colegas hoje. Culpa da crise... Mas vocês certamente estão felizes e aliviados por terem ficado conosco, não é? A empresa também precisa de vocês, mais do que nunca. Mesmo com a redução da equipe, temos que manter a nossa produção no mesmo patamar. Isso quer dizer que cada um vai ter que trabalhar um pouco a mais para compensar a ausência dos colegas. Vinte minutos hoje, uma hora amanhã não vai tirar pedaço de ninguém, vai? Garanto que é bem melhor do que ficar desempregado. Tomara que não tenhamos que mandar mais ninguém embora, mas, se for necessário, certamente vamos prestigiar aqueles que tiverem dado sua parcela de contribuição.
(Discursinho que está rolando direto por aí, implícita ou explicitamente).

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um dia inesquecível

Página em branco para um novo capítulo da História. Obama fez questão de levar Bush até o helicóptero para ter certeza de que o sujeito ia mesmo ser despachado para o Texas. O discurso de posse foi correto, embora excessivamente técnico - eu esperava um pouco mais de emoção. De qualquer modo, foi bonito ver o National Mall repleto de gente alegre e esperançosa. Resta, agora, levar esse mesmo espírito para a vida cotidiana das pessoas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

There is still a light

Juntando todos os assuntos dos últimos posts em um só: a Cris trouxe esses dias o musical Across the Universe para assistirmos juntos. É uma história de amor contada exclusivamente por canções dos Beatles - os protagonistas se chamam Jude e Lucy. Let it Be foi usada para evocar lembranças que têm tudo a ver com o dia de hoje, em que a memória de Luther King é celebrada e as esperanças de um mundo mais justo se voltam para o novo presidente norte-americano.

A longa e sinuosa estrada - parte 2

(...)

O primeiro ano do curso terminou e Mildred passou as férias em Blumenau. Enquanto isso, Dioleno ajudava o pai na marcenaria. Desde cedo gostava de fazer projetos; imaginar como as cadeiras e os armários ficariam depois de prontos. Com o tempo, descobriu que aquilo tinha nome: arquitetura.

Quando reviu Mildred, no começo do segundo ano do curso, Dioleno sentiu algo diferente. Queria estar com ela o máximo possível. Tê-la ao seu lado, falando sobre arquitetura, cinema, discos-voadores, ursos panda... Enfim, sobre qualquer coisa. E ela demonstrava gostar da companhia dele.

Numa das festas da arquitetura, Dioleno havia decidido se declarar a Mildred. Mas ela estava interessada em outro rapaz, Caco, considerado o mais bonito da turma pelas meninas. Quando viu Mildred e Caco juntos, aos beijos, Dioleno desejou desaparecer da face da Terra. "Como sou idiota", pensou. Naquela noite, tomou o primeiro grande porre.

O tempo passou, Mildred e Caco brigaram e Dioleno virou o "cdf" da turma, ganhando até um prêmio nacional de projetos arquitetônicos entre universitários.

Chegou o dia da formatura. Depois da decepção naquela festa, Dioleno tratava Mildred com frieza. Ela ficava triste com isso e sabia que o baile seria a última oportunidade para esclarecer tudo. Depois cada um tomaria seu rumo e talvez nem voltassem a se encontrar.

Ela o tirou para dançar. Quando começaram as músicas lentas, Mildred decidiu tocar no assunto.

- Por que nada mais é como antes?, perguntou, ao som de "The Long and Winding Road" - uma canção que, apesar de composta por Paul McCartney, era a preferida do pai de Dioleno.

Ele não respondeu; apenas baixou os olhos. Ela repetiu a pergunta.

Dioleno olhou firme nos olhos verde-claros de Mildred.

- Porque eu iria me declarar a você naquela noite.

Deixaram-se levar pelos Beatles e, ao final da música, abraçaram-se demoradamente. Ambos viajaram no dia seguinte. Ela tinha emprego garantido em Porto Alegre e ele iria procurar trabalho em São Paulo.

Hoje à noite, dois anos depois da formatura, a turma vai se encontrar no Bar do Pida. Mildred já avisou que chega no final da tarde. Está morrendo de saudades de Dioleno. Ele, então, angustiado dentro do ônibus que o traz de volta à capital catarinense, mal consegue esperar pelo momento de revê-la.

Breve intermezzo

Para a canção-tema do affair Mildred-Dioleno.

A longa e sinuosa estrada - parte 1

Mildred e Dioleno se conheceram no dia da matrícula na universidade. Ela, loira e alta, procurava um apartamento na Trindade, embora desejasse viver à beira-mar. Pela primeira vez sairia da casa dos pais, em Blumenau. Ele, com cabelos e olhos muito pretos e um pouco mais baixo que ela, gabava-se de conhecer as praias da Ilha como poucos.

- Nasci na Costeira, repetia orgulhoso.

No começo, Mildred não conseguia entender direito o que Dioleno dizia.

- Fala mais devagar!

Mas ele, só de pirraça, falava cada vez mais rápido, recheando a conversa com palavras do "dialeto" local. Mildred o provocava, dizendo que ele não tinha jeito de arquiteto.

- Só porque eu sou manezinho?, respondia Dioleno, irado.

As primeiras semanas na universidade foram difíceis para Mildred, que sentia saudades da família e dos amigos. Ela conseguiu encontrar um simpático apartamento a duas quadras da UFSC. Quando viu o anúncio no mural do Bar do Básico, tratou logo de anotar o número do telefone. Suzana, uma menina de Criciúma que havia passado para odontologia, parou ao lado e começou a fazer o mesmo. Conversaram e decidiram morar juntas. Para ajudar no aluguel, convidaram uma amiga de Suzana, Jalila, que ainda estava fazendo cursinho.

Dioleno não enfrentava esses problemas. Sempre morou com os pais, na mesma casa em que nasceu.

Um dia, curioso, perguntou a Mildred porque ela tinha aquele nome esquisito.

- É em homenagem à minha avó materna, que era alemã.

A moça de Blumenau devolveu a pergunta. Ele respondeu envergonhado.

- Eu nasci em 1970, ano em que os Beatles se separaram. Meu pai gostava muito do John Lennon...

Mildred não segurou a risada e Dioleno ficou vermelho. Ela gostava do jeito dele.

Aos poucos, entretanto, eles foram se separando. Nos primeiros dias de aula passavam muito tempo juntos, mas as novas amizades exigiam dedicação. Quando se encontravam nos corredores da arquitetura, a conversa se limitava a um simples "tudo bem?".

(continua...)

Deram corda? Agora aguentem

Uma das minhas raras experiências em ficção foi ter participado do concurso de crônicas sobre os 35 anos da UFSC, em 1995. Tirei segundo lugar e levei um prêmio de R$ 800, eu acho. Não me lembro bem, só sei que salvou o meu mês. Como encontrei a dita cuja nos meus arquivos digitais, vou publicá-la aqui no blog - em duas partes, para não ficar chato. Deem um desconto: o tema tinha que ser "o cotidiano na universidade" e uma historinha de amor sempre cai bem.

Sou um rapaz direito

Ando sentindo vontade de escrever ficção, mas por enquanto minha rotina de trabalho e de vida não permite devaneios do gênero. Além do mais, cá entre nós, tenho sérias dúvidas sobre minha capacidade de produzir a partir do que não é real. Como jornalista, tenho lidado sempre com fatos - ou com o que suponho serem fatos. O grande problema, confesso, é que não me sinto um sujeito especialmente criativo. Se eu fosse canhoto teria ao menos um bom indício, mas nem isso... Que inveja dos canhotos.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O sonho não acabou

Esta semana é diferente das outras. Não está começando agora, madrugada de domingo. Começou, na realidade, há muitos anos.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Contradições do poder

Chávez tenta se eternizar na presidência da Venezuela com a aprovação das reeleições ilimitadas e Lula diz que tudo bem, pois é preciso "respeitar a cultura" de cada país. A Itália pede a extradição de um terrorista e o governo brasileiro nega, alegando se tratar de um caso de perseguição política - ué, mas não era para "respeitar a cultura" de cada país?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A balela da responsabilidade social

As grandes empresas vivem cantando em verso e prosa suas ações de responsabilidade social. Será que têm a intenção genuína de contribuir para um mundo melhor ou estão mais preocupadas em reforçar a própria imagem como estratégia para aumentar os lucros? A soma das minhas experiências profissionais tem me fornecido bons indícios sobre essa questão. Explico: estou fazendo um trabalho de pesquisa para o governo de um dos estados mais importantes do país, que pretende aprimorar um determinado serviço oferecido aos cidadãos - serviço este prestado com mais eficiência pela iniciativa privada. Fui contratado para procurar 15 das principais corporações brasileiras com a missão de entrevistar o responsável pelo setor, ou ao menos obter respostas para um formulário padrão. A ideia era aproveitar o know-how dessas empresas - basicamente, conhecer erros e acertos cometidos no desenvolvimento do serviço - para facilitar o desenrolar do processo no governo. É como uma apuração jornalística convencional, com a única diferença de que, em vez de uma reportagem, o produto é um relatório de consumo interno. Iniciei os contatos com as empresas há três semanas e desde o primeiro dia percebi uma grande diferença na receptividade em relação aos momentos em que eu as procuro como representante de um veículo de comunicação importante. Ao longo dessas semanas, cada empresa foi arranjando sua desculpa para não participar da pesquisa - e algumas nem se deram ao trabalho de avisar que não iriam colaborar, mesmo com o reforço do pedido feito diretamente por representantes do governo interessado. Para mim, ficou claro que a mera oportunidade de contribuir para aprimorar a qualidade de um serviço público não é apelo suficiente para essas empresas, cujos funcionários estão muito ocupados para "perder tempo" com algo que não vai somar pontos na avaliação de desempenho nem contar para o bônus do final de ano. Se eu as tivesse procurado para uma reportagem sobre seus programas sociais, a mobilização certamente teria sido outra. Volto, então, à pergunta do começo: será que as grandes empresas têm a intenção genuína de contribuir para um mundo melhor ou estão mais preocupadas em aparecer?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Meu sonho de consumo

Já que estou vasculhando o nosso arquivo à procura de imagens de Washington para ilustrar uma matéria, olha eu aí conhecendo melhor o acervo da Biblioteca Oliveira Lima, sediada na Catholic University of America. Foto de Cristiane Fontinha, claro.